INSTITUTO PARANÁ PESQUISA
Inversão de cenário no eleitorado de Mato Grosso impulsiona disputa ao Governo Estadual
Uma mudança expressiva na disposição do eleitorado mato-grossense reconfigurou o panorama político regional e colocou a sucessão para o Poder Executivo Estadual em um cenário de disputa aberta. Conforme levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado nesta segunda-feira, dia 24 de agosto, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu numericamente a liderança das intenções de voto no estado de Mato Grosso. O gestor ultrapassou o senador Wellington Fagundes (PL), revertendo uma vantagem expressiva que favorecia o parlamentar há oito meses e alterando a dinâmica das alianças regionais.
A alteração do quadro eleitoral ocorreu de forma gradual ao longo do último período, impulsionada pela consolidação de Otaviano Pivetta na chefia do Executivo e pela consequente reorganização das forças partidárias locais. Entre dezembro de 2025 e agosto do ano corrente, o cenário sem a presença do senador Jayme Campos registrou uma movimentação expressiva de 19 pontos na diferença entre os dois principais concorrentes. A alteração na dinâmica política reflete a absorção da imagem do atual governador como candidato à reeleição perante o eleitorado, alterando a hierarquia que antes parecia consolidada na corrida ao Palácio Paiaguás.
O levantamento estatístico abrangeu 1.504 eleitores distribuídos por 56 municípios do Estado de Mato Grosso, selecionados para compor uma amostragem representativa do eleitorado local. As entrevistas foram conduzidas de maneira presencial e domiciliar entre os dias 21 e 23 de agosto. O estudo técnico foi contratado pela empresa Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda., e devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de identificação MT-02157/2026, respeitando as normas legais vigentes para a divulgação de pesquisas eleitorais.
Na pesquisa Estimulada para o primeiro turno, Otaviano Pivetta atingiu 39% das intenções de voto, enquanto Wellington Fagundes registrou 35%, configurando um empate técnico dentro do limite da margem de erro. A médica Natasha Slhessarenko (PSD) obteve 8,7%, seguida por Sargento Laudicério (Agir), com 2,2%, Maurício Coelho (Mobiliza), com 0,4%, e Rafaell Milas (Missão), com 0,3%.
Os votos brancos e nulos somaram 8,1% do total, ao passo que 6,3% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder ao questionamento.
A virada promovida pelo atual governador em um intervalo de oito meses representa o elemento analítico de maior relevância no estudo estatístico. Em dezembro do ano anterior, Wellington Fagundes liderava a disputa com 43,1% contra 28,1% do adversário, estabelecendo uma distância de 15 pontos percentuais. No levantamento atual, Otaviano Pivetta cresceu 10,9 pontos percentuais, enquanto o senador recuou 8 pontos, transformando a desvantagem inicial do chefe do Executivo em uma liderança numérica de quatro pontos percentuais na consulta induzida.
A tendência de alteração do eleitorado consolidou-se também na simulação de um eventual segundo turno entre os dois primeiros colocados.
No levantamento anterior, Wellington superava Pivetta por 48,6% a 32,8%, ostentando uma margem favorável de 15,8 pontos. O cenário presente aponta o governador com 44,3% e o senador com 40,8%, evidenciando um movimento de 19,3 pontos na distância relativa entre ambos.
Embora a diferença atual de 3,5 pontos mantenha os pré-candidatos em empate técnico, a trajetória sinaliza uma perda de ritmo da candidatura opositora.
No cenário Espontâneo, no qual os nomes dos postulantes não são apresentados aos entrevistados, a lembrança do nome do governador apresentou dados ainda mais favoráveis à sua candidatura. Otaviano Pivetta foi citado espontaneamente por 15,9% dos eleitores, enquanto Wellington Fagundes alcançou 8,6% e Natasha Slhessarenko obteve 2,7%.
A vantagem de 7,3 pontos obtida pelo gestor público demonstra um grau superior de fixação de sua imagem junto à parcela do eleitorado que já se encontra mais engajada no processo sucessório estadual.
Os índices de rejeição apurados pelo instituto de pesquisa fornecem elementos adicionais para compreender a movimentação da massa votante.

O senador Wellington Fagundes registrou 25,7% de rejeição entre os entrevistados, que afirmaram não votar nele sob qualquer hipótese, ao passo que Otaviano Pivetta apresentou 16,3% e Natasha atingiu 19,3%. Essa diferença de 9,4 pontos na rejeição amplia o teto potencial de crescimento do governador, facilitando a atração de eleitores indecisos ou dispostos a migrar de opção nas etapas subsequentes.
A sustentação da ascensão eleitoral de Pivetta encontra respaldo direto nos índices de aprovação de sua gestão à frente do Governo do Estado. A administração estadual conta com a aprovação de 69,5% dos entrevistados, contra 23,3% de desaprovação.
No detalhamento conceitual, 49,2% dos cidadãos avaliam o governo como ótimo ou bom, 32,2% o classificam como regular e 14,4% o consideram ruim ou péssimo.
Essa percepção positiva sobre o desempenho administrativo cria um ambiente político favorável à tese de continuidade da gestão.
A despeito da consolidação da candidatura governista, a disputa permanece aberta devido ao elevado contingente de eleitores ainda não decididos no estado. O levantamento revelou que 65,2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram indicar espontaneamente um nome para o governo estadual.
Esse expressivo volume de votos não cristalizados representa o principal campo de atuação para as campanhas operarem nas próximas etapas, quando o início da propaganda e o afunilamento do pleito definirão se a tendência atual se consolidará em vitória nas urnas.
Política
Campos acusa Mendes de desmantelar o partido em Mato Grosso
Em uma severa manifestação na política mato-grossense, o senador Jayme Campos (UB) rompeu o alinhamento com o ex-governador Mauro Mendes. Em vídeo veiculado em redes sociais, o parlamentar criticou a condução partidária do antigo correligionário, classificando sua gestão como um processo devastador para a integridade da legenda no estado.
A solidez interna da agremiação ruiu quando o congressista classificou a atuação do ex-gestor como “uma verdadeira tragédia”. O desabafo escancarou uma crise que vinha sendo alimentada nos bastidores, transformando divergências táticas em um confronto pelo controle narrativo e pela liderança representativa do partido.
As declarações ganharam repercussão imediata durante a atual campanha eleitoral, momento em que as articulações para alianças exigem coesão. O timing do pronunciamento amplificou o impacto das denúncias, desestabilizando os planos da base governista em um período decisivo do pleito regional.
O epicentro do embate localiza-se em Mato Grosso, reduto da Família Campos e arena onde o União Brasil buscava consolidar sua hegemonia. Foi nesse cenário que as decisões de Mauro Mendes, segundo a acusação do senador, acabaram por fragilizar as bases da agremiação no interior e na capital.
O cerne da contestação fundamenta-se na tese de que o ex-governador priorizou um projeto individual de poder em detrimento do fortalecimento coletivo da legenda. Segundo Jayme, o ex-gestor direcionou auxiliares para filiações em siglas aliadas, como Podemos e Republicanos, esvaziando o União Brasil.

A causa do descontentamento reside no esvaziamento das chapas para a Assembleia Legislativa Mato-grossense. Ao constatar que a agremiação enfrenta dificuldades para estruturar candidaturas competitivas, o senador concluiu que a gestão de Mauro Mendes fragmentou o capital político do partido para favorecer arranjos personalistas.
Para ratificar sua autoridade, o parlamentar resgatou sua trajetória na sigla e em suas antecessoras jurídicas. Tendo ingressado pelo PDS e transitado por PFL e DEM até o União Brasil, o senador utilizou sua fidelidade partidária para rebater a tese de que o ex-governador revitalizou a sigla.
O entrevero elevou a tensão na disputa proporcional, atingindo a aliança com o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). A ironia do senador unista que exortou o correligionário a “criar vergonha na cara”, sinaliza uma divisão profunda no grupo, dificultando a construção de consensos no palanque.
Diante do esvaziamento de nomes, a direção regional do União Brasil busca refazer os cálculos eleitorais para garantir a sobrevivência de suas bancadas. A cúpula tenta conter os danos à imagem do partido, avaliando alternativas para contornar a escassez de candidatos provocada pela dispersão.
As acusações do senador constituem avaliações de caráter pessoal e político, refletindo sua visão sobre a condução da legenda. O espaço permanece aberto para que o ex-governador Mauro Mendes, Otaviano Pivetta e a direção do União Brasil apresentem suas contestações sobre os fatos.
-
Artigos6 dias atrásSem grupos políticos
-
Artigos6 dias atrásDIA MUNICIPAL DO PLANTIO DE ÁRVORES EM CUIABÁ
-
Política6 dias atrásO que agentes públicos não podem fazer durante a campanha eleitoral?
-
Artigos5 dias atrásRequer tempo
-
Artigos5 dias atrásNinguém mais quer trabalhar
-
Artigos3 dias atrásAutoliderança: o que você faz quando ninguém cobra
-
ESPORTES5 dias atrásFábio brilha nos pênaltis, e Fluminense supera o Rivadavia
-
Política4 dias atrásJustiça Eleitoral mantém, por ora, candidatura de Pivetta e preserva acesso a recursos de campanha



