APTO EM CARATER PROVISÓRIO
Justiça Eleitoral mantém, por ora, candidatura de Pivetta e preserva acesso a recursos de campanha
A coligação “Coração da Gente”, liderada pelo candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes (PL), protocolou, na terça-feira (18), uma Ação de Impugnação de Registro de Candidatura (AIRC) contra o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição ao Palácio Paiaguás. A iniciativa foi anunciada publicamente por Wellington durante o primeiro debate entre os candidatos ao governo estadual e passou a integrar a disputa judicial em torno da elegibilidade de Pivetta.
O pedido apresentado à Justiça Eleitoral sustenta que o Republicanos, Pivetta estaria inelegível em razão de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) relacionada à aquisição de uma Unidade Móvel de Saúde durante sua gestão como prefeito de Lucas do Rio Verde. Segundo a argumentação apresentada pela coligação “Coração da Gente”, as irregularidades identificadas na contratação poderiam produzir efeitos sobre a condição eleitoral do atual governador e, consequentemente, impedir sua participação no pleito para a continuidade do mandato.
Na quarta-feira (19), entretanto, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) decidiu, em caráter provisório, manter o candidato do partido Republicanos, Otaviano Pivetta apto a disputar a eleição. O juiz-membro da Corte, Pérsio Oliveira Landim, negou o pedido de liminar formulado pela coligação de Wellington Fagundes e, neste momento, também preservou o direito de Pivetta de receber recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e do Fundo Partidário enquanto o processo permanece em análise.
Ao fundamentar a decisão, Pérsio Landim considerou que não estavam presentes elementos suficientes para justificar a suspensão imediata do registro ou a interrupção do financiamento eleitoral. Para o magistrado, impedir antecipadamente a candidatura e o acesso aos recursos poderia provocar prejuízos antes de uma análise definitiva do mérito pelo colegiado do TRE/MT, sobretudo porque o processo eleitoral possui tramitação célere e assegura às partes o exercício do contraditório e da ampla defesa.

A controvérsia tem origem em um processo relacionado à administração de Pivetta em Lucas do Rio Verde. O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou irregularidades na aquisição de uma unidade móvel de saúde vinculada a convênio com o Ministério da Saúde (MS). Em 2012, a Corte de Contas determinou que o então prefeito devolvesse R$ 17,3 mil aos cofres públicos e aplicou multa de R$ 10 mil, em valores associados a irregularidades e superfaturamento identificados na compra e na estruturação do veículo.
A decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), contudo, foi posteriormente submetida a diferentes instâncias do Judiciário. Em primeira instância, a Justiça Federal anulou os acórdãos da Corte de Contas e afastou a existência do débito, sob o entendimento de que não havia sido demonstrada a responsabilidade pessoal de Pivetta mediante comprovação de dolo ou culpa. Após recurso da União, a 12ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) restabeleceu os efeitos da decisão do TCU, considerando que não caberia ao Judiciário reexaminar o mérito técnico da Corte de Contas na ausência de ilegalidade evidente.
A defesa de Pivetta tenta levar a controvérsia ao Supremo Tribunal Federal (STF). Um recurso extraordinário apresentado em janeiro de 2025 permanece em tramitação na Vice-Presidência do TRF-1, conforme a movimentação processual mencionada no conteúdo apresentado. Os advogados sustentam que o governador não poderia ser responsabilizado pessoalmente sem a demonstração de dolo ou culpa e também mencionam decisão na esfera criminal relacionada aos mesmos fatos, na qual, segundo a defesa, não teria sido identificado dolo específico nem combinação entre Pivetta e os demais participantes da licitação.
Outro ponto levantado pelos advogados está relacionado às alterações recentes na legislação eleitoral. O advogado Rodrigo Cyrineu afirma que a Lei Complementar nº 219/2025 reforçaria a tese de que o simples exercício de função pública, sem demonstração de dolo, não seria suficiente para caracterizar inelegibilidade. A defesa também cita o caso do ex-deputado estadual Romoaldo Júnior como precedente que, em sua avaliação, poderia ser considerado pela Justiça Eleitoral, especialmente diante da alegação de que uma absolvição criminal pode produzir efeitos na análise da elegibilidade quando os fatos coincidem com aqueles discutidos em processos de contas.
Durante o debate entre os candidatos ao Governo de Mato Grosso, Wellington Fagundes utilizou a condenação do TCU para questionar publicamente a situação eleitoral de Pivetta. O governador recebeu direito de resposta e optou por não aprofundar a discussão jurídica naquele momento. Em sua manifestação, destacou a trajetória empresarial e a experiência adquirida como Prefeito de Lucas do Rio Verde, além de afirmar que sua atuação na administração municipal contribuiu para a transformação da cidade e serviu de experiência para a gestão estadual.
Com a decisão liminar do TRE-MT, o que acontece agora é a continuidade do processo judicial, sem impedimento imediato à candidatura de Pivetta e sem suspensão dos recursos eleitorais destinados à campanha. O governador deverá apresentar sua defesa dentro do prazo legal, enquanto a Justiça Eleitoral analisará os argumentos das partes antes de decidir definitivamente sobre a impugnação.
Caso a ação venha a ser acolhida posteriormente, a utilização de recursos públicos durante a campanha poderá ser examinada no âmbito da prestação de contas, razão pela qual o magistrado, neste momento, não identificou dano irreparável que justificasse a medida de urgência.
Política
Disputa pelo comando da Câmara de Cuiabá ganha novo prazo e amplia articulações entre vereadores
A disputa pela presidência da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou novo capítulo com a alteração da data da eleição da Mesa Diretora. O pleito, que estava previsto inicialmente para 25 de agosto, foi transferido para 6 de outubro após os vereadores aprovarem, em segunda votação, uma emenda à Lei Orgânica do Município. A mudança ocorre em meio às articulações políticas para a formação das chapas que disputarão o comando do Legislativo cuiabano.
A alteração do calendário foi aprovada por 22 votos favoráveis e um contrário. A proposta tem como objetivo adequar as regras municipais ao entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a realização de eleições para Mesas Diretoras dos Poderes Legislativos. Com a nova data, os parlamentares passam a dispor de mais tempo para construir alianças, definir candidaturas e consolidar os grupos que participarão da disputa.
O interesse pela presidência da Câmara Municipal está relacionado ao peso político, administrativo e financeiro atribuído ao cargo. O presidente exerce papel central na condução dos trabalhos legislativos, participa da administração do orçamento do Legislativo, conhecido como duodécimo, e possui influência sobre a organização interna da Casa de Leis. A função também proporciona maior exposição pública e amplia a capacidade de interlocução institucional com Vereadores, Prefeitura, Imprensa e Sociedade.
Em Cuiabá, três grupos já articulam candidaturas para a próxima composição da Mesa Diretora. A atual presidente, vereadora Paula Calil (PL), busca a reeleição e pretende permanecer no comando do Legislativo. Também estão no cenário de articulação o vereador Ilde Taques (Podemos) e o vereador Dilemário Alencar (UB), que trabalham na construção de seus respectivos projetos para a eleição.

A definição do novo calendário modifica o ritmo das negociações dentro da Câmara Municipal. Com algumas semanas adicionais até o pleito, os vereadores poderão intensificar conversas individuais e coletivas, avaliar possíveis alianças e estabelecer a composição das chapas. O período também deverá ser utilizado para a construção de acordos internos, em uma disputa na qual a formação de maioria será determinante para a escolha da futura Mesa Diretora.
A mudança da data também está relacionada à preocupação dos parlamentares com a segurança jurídica do processo eleitoral. A eleição anteriormente prevista para agosto ocorreria com mais de quatro meses de antecedência em relação ao início do próximo período administrativo. Esse intervalo passou a ser considerado um fator de atenção diante de decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) envolvendo a escolha antecipada das Mesas Diretoras de órgãos legislativos.
O entendimento adotado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) estabelece que as eleições para os comandos dos Legislativos devem ocorrer em período próximo ao início do respectivo ano legislativo. A orientação busca evitar que a composição da direção de uma Casa de Leis seja definida com grande antecedência, circunstância que pode produzir efeitos políticos e administrativos antes do início efetivo do novo período de gestão.

A preocupação ganhou força entre os vereadores de Cuiabá após o Supremo Tribunal Federal (STF) invalidar a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande, cidade da região metropolitana da capital. A decisão passou a ser observada pelos parlamentares cuiabanos como um precedente relevante para a definição do calendário local e reforçou a necessidade de adequação das normas municipais às interpretações estabelecidas pela Corte.
No mesmo dia em que aprovaram a alteração na Lei Orgânica, os vereadores de Cuiabá também aprovaram a adequação do Regimento Interno da Câmara ao novo calendário eleitoral. A medida procura harmonizar as normas que disciplinam o funcionamento da Casa de Leis com a nova data definida para a escolha da Mesa Diretora, reduzindo possíveis contradições entre a legislação municipal e as regras internas do Legislativo.
Com o pleito marcado para 6 de outubro, a Câmara Municipal de Cuiabá entra em uma nova etapa de articulações políticas. Até a eleição, os grupos interessados na composição da Mesa Diretora terão tempo para negociar apoios, definir os integrantes das chapas e buscar consenso entre os parlamentares.
A alteração do calendário, além de adequar o processo às diretrizes do Supremo Tribunal Federal (STF), pretende reduzir o risco de novos questionamentos judiciais sobre a eleição que definirá o comando do Legislativo cuiabano.
-
Artigos6 dias atrásAlgumas coisas mudam, outras não…
-
Política6 dias atrásVice de Wellington redefine a identidade da chapa, mas mantém em aberto o desafio eleitoral da Baixada Cuiabana
-
Política6 dias atrásJayme afirma existir uma “Verdadeira Quadrilha” instalada no Palácio Paiaguás
-
Artigos6 dias atrásA urgência de proteger as mulheres em Mato Grosso
-
Artigos5 dias atrásO alto padrão acompanha a nova realidade de Mato Grosso
-
Destaques6 dias atrásSinfra/MT desafia Jayme Campos a provar que foram realizados pagamentos antecipados durante a execução da obra do BRT
-
Destaques6 dias atrásSalto patrimonial de R$ 196,8 milhões posiciona candidato de Mato Grosso no topo do “Ranking Nacional de Bens Declarados”
-
Artigos2 dias atrásDIA MUNICIPAL DO PLANTIO DE ÁRVORES EM CUIABÁ



