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DIA MUNICIPAL DO PLANTIO DE ÁRVORES EM CUIABÁ

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Autor: Juacy da Silva*

A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou no último dia 28 de julho o Projeto de Lei de autoria do vereador Professor Mário Nadaf (PV), que institui o DIA MUNICIPAL DO PLANTIO DE ÁRVORES, a ser celebrado no primeiro domingo de dezembro de cada ano, na capital de Mato Grosso.

Este Projeto de Lei surgiu de uma articulação da Pastoral da Ecologia Integral da Arquidiocese de Cuiabá com o Gabinete do Vereador Professor Mário Nadaf, com os seguintes objetivos:

a) incentivar ações de arborização urbana e recuperação ambiental; b) estimular o plantio de espécies arbóreas adequadas ao ecossistema e bioma em que Cuiabá está inserida; c) promover o despertar da consciência ecológica/ambiental da população, dos poderes públicos e entidades da sociedade civil sobre a importância da arborização urbana e periurbana, bem como da conservação e preservação da cobertura verde, como forma de mitigar os efeitos da grave crise climática que se agrava a cada dia; d) contribuir para a recuperação e proteção das nascentes e matas ciliares existentes no município de Cuiabá, tanto na área urbana quanto rural; e) fomentar e estimular práticas de educação ambiental crítica voltadas à sustentabilidade e a uma melhor qualidade de vida; f) incentivar a participação das entidades da sociedade civil, principalmente as que se dedicam aos cuidados com o meio ambiente, incluindo os estabelecimentos escolares públicos e privados em todos os níveis de ensino.

Conforme o artigo 3º do referido Projeto de Lei, caberá aos poderes públicos municipais, Executivo e Legislativo, promover ações e mobilização para celebrarem este Dia voltado ao plantio de árvores e outras atividades ambientais. O referido Projeto de Lei foi encaminhado no último dia 3 deste mês de agosto ao Poder Executivo Municipal para a sanção do Prefeito e passará a integrar o calendário de eventos da Prefeitura Municipal de Cuiabá anualmente.

A falta de arborização urbana em Cuiabá tem contribuído para o agravamento da temperatura e da qualidade do ar, com ondas de calor cada dia mais frequentes, afetando a saúde das pessoas, principalmente crianças e pessoas idosas. Cuiabá tem sido, na quase totalidade dos dias, a capital mais quente do Brasil.

É importante entendermos que para minorar ou mitigar os efeitos dessas temperaturas extremamente elevadas e dos baixíssimos índices de umidade do ar, o papel das árvores, ou seja, da arborização urbana é imprescindível e fundamental.

Oxalá outros municípios, principalmente os maiores em tamanho populacional de nosso estado, também possam despertar para a importância da arborização urbana e aprovar o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU). Este é um instrumento técnico e de gestão ambiental de grande importância e relevância para que Cuiabá volte a ser realmente a CIDADE VERDE de outrora, contribuindo para a sustentabilidade ambiental, tão importante e necessária tanto para uma melhor qualidade de vida da população, quanto para enfrentar os efeitos do aquecimento global e da crise climática.

A população cuiabana aguarda com grande expectativa que o prefeito Abílio Brunini sancione brevemente esta Lei e possamos celebrar em dezembro próximo este dia especial voltado para o plantio de árvores e a arborização urbana nos espaços públicos.

Também aguardamos incentivos para que a população possa participar de outro importante projeto voltado `a sustentabilidade que está sendo articulado e iniciado pela Pastoral da Ecologia Integral que são os Quintais Ecológicos ou Quintais Produtivos,, em todos os bairros e regiões de Cuiabá e dos oito municípios da Baixada Cuiabana, onde a Arquidiocese de Cuiabá está presente através de 34 Paróquias e mais de 200 Comunidades Eclesiais.

*Juacy da Silva, Professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ex-Secretário de Planejamento e Gestão e ex-Diretor Executivo do IPDU, Prefeitura de Cuiabá, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro-Oeste.

E-mail: [email protected]
WhatsApp: 65 9 9272 0052
Instagram: @profjuacy

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Artigos

Quando a dor da mulher ainda é tratada como exagero

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Autora: Giovana Fortunato*

É normal sentir dor.
Toda mulher passa por isso.
Depois que você tiver filhos, melhora.
Você precisa aprender a conviver.

Frases como essas ainda fazem parte da história de muitas mulheres que chegam ao consultório depois de anos convivendo com uma dor que nunca deveria ter sido normalizada. Algumas passaram a adolescência acreditando que desmaiar durante a menstruação fazia parte do ciclo. Outras aprenderam a organizar a vida em torno da dor: faltam ao trabalho, deixam de estudar, evitam relações sexuais, cancelam compromissos e, pouco a pouco, adaptam a rotina a um sofrimento que ninguém conseguiu explicar.

O mais preocupante é que, muitas vezes, antes de receberem um diagnóstico, essas mulheres ouviram que eram “sensíveis demais”, que tinham baixa tolerância à dor ou que o problema poderia ser emocional.

A medicina avançou muito. Mas ainda precisamos avançar na forma como ouvimos as mulheres.

A dor é subjetiva, não aparece em um exame de sangue como um número que possa ser facilmente medido e varia de uma pessoa para outra. Isso, no entanto, não a torna menos real. Quando uma mulher relata uma dor recorrente, intensa e capaz de interferir em sua rotina, esse relato precisa ser investigado.

A endometriose é talvez um dos exemplos mais evidentes das consequências dessa normalização. A doença afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo e pode provocar cólicas menstruais intensas, dor pélvica crônica, dor durante as relações sexuais, alterações intestinais e urinárias e dificuldades para engravidar. Ainda assim, o caminho até o diagnóstico pode levar anos.

Existe uma diferença importante entre o desconforto que pode acompanhar a menstruação e uma dor incapacitante. Menstruar não deveria significar perder dias de vida.

Se todos os meses uma adolescente precisa faltar à escola porque não consegue sair da cama, isso merece atenção. Se uma mulher depende repetidamente de medicamentos para conseguir trabalhar durante o período menstrual, precisamos investigar. Se há dor durante a relação sexual, ao evacuar ou urinar, especialmente quando esses sintomas se relacionam ao ciclo menstrual, não deveríamos simplesmente dizer que é normal.

Normalizar a dor tem consequências.

Quando o diagnóstico demora, não é apenas uma doença que permanece sem o acompanhamento adequado. Há uma mulher tentando continuar sua vida enquanto convive com sintomas que podem comprometer seu bem-estar, seus relacionamentos, sua sexualidade, sua produtividade e, em alguns casos, seus planos de maternidade.

No caso da endometriose, esse último aspecto merece atenção especial. A doença pode estar associada à infertilidade e, dependendo de sua localização e extensão, pode comprometer estruturas importantes para a reprodução. Isso não significa que toda mulher com endometriose terá dificuldade para engravidar. Significa que o diagnóstico e o acompanhamento adequados permitem avaliar cada caso individualmente e discutir, no momento oportuno, inclusive questões relacionadas à preservação da fertilidade.

Também precisamos abandonar a ideia de que uma mulher só precisa investigar a endometriose quando decide ser mãe. A saúde feminina não pode ser medida exclusivamente pela capacidade reprodutiva. Uma adolescente com cólicas incapacitantes merece atenção independentemente de pensar ou não em maternidade. Uma mulher com dor durante as relações sexuais merece tratamento mesmo que não queira engravidar. Qualidade de vida também é desfecho de saúde.

Há outro ponto fundamental nessa discussão: ouvir uma paciente não significa concluir antecipadamente que toda dor pélvica é endometriose. Existem diferentes condições ginecológicas e não ginecológicas que podem provocar sintomas semelhantes. Escutar significa reconhecer que existe uma queixa legítima, fazer uma boa história clínica, examinar quando indicado e investigar as possíveis causas.

É justamente aí que precisamos substituir a banalização pela atenção.

Nos últimos anos, ampliamos muito nosso conhecimento sobre endometriose, aprimoramos os exames de imagem e avançamos na possibilidade de diagnóstico sem que toda paciente precise necessariamente passar por cirurgia. Mas nenhum avanço tecnológico será suficiente se a primeira barreira continuar sendo convencer alguém de que a dor existe.

Precisamos ensinar meninas desde cedo que conhecer o próprio ciclo menstrual também é uma forma de cuidar da saúde. Precisamos orientar mães e famílias para que não reproduzam automaticamente a ideia de que sofrer faz parte de ser mulher. E nós, profissionais de saúde, precisamos estar preparados para reconhecer sinais de alerta e, sobretudo, ouvir sem preconceitos.

Durante muito tempo, suportar a dor em silêncio foi quase tratado como uma característica feminina. Não deveria ser.

A mulher que procura atendimento não precisa provar que está sofrendo o suficiente para merecer investigação. Ela precisa ser ouvida.

E talvez uma das mudanças mais importantes na saúde da mulher comece justamente aí: parar de perguntar se ela está exagerando e começar a perguntar por que está doendo.*

*Dra. Giovana Fortunato é ginecologista, especialista em endometriose e infertilidade, e professora da UFMT.

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