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Destino da CAB Cuiabá será anunciado dia 28; credores devem assumir
Apesar de ter apresentado, na tarde desta quinta-feira (24), o resumo de uma auditoria feita pela multinacional KPMG, que apontou resultados positivos desses seis meses de intervenção municipal sobre a CAB Cuiabá, concessionária de água e esgoto da capital, o prefeito Mauro Mendes (PSB) só deve anunciar qual será o destino da empresa na próxima segunda-feira (28).
Um balanço dos seis meses de intervenção da CAB Cuiabá mostrou, segundo o interventor Marcelo de Oliveira, que a concessionária saiu do ranking das mais reclamadas no PROCON. No período e com recursos próprios, diversas melhorias foram executadas no sistema de abastecimento.
Dentro desse cenário, Mendes tem duas opções: a caducidade do contrato, o que municipalizaria o serviço novamente, ou a readequação dele, retirando o Grupo Galvão Engenharia e colocando outro grupo de investidores no comando da diretoria da empresa. A manutenção do contrato também é uma terceira via, mas que já foi descartada pelo gestor. O Grupo Galvão empresarial é uma empresa especializada no ramo de saneamento básico, infraestrutura e indústria, atualmente o Grupo se encontra no momento em uma recuperação judicial.
“Além de ter entrado em recuperação judicial e ter perdido a capacidade financeira de fazer novos investimentos nesse período, faltou também seriedade na condução dos trabalhos na cidade de Cuiabá. O desemprenho era negativo, faltava água, não fizeram investimentos de esgoto e isso fez com que nós tivéssemos que tomar decisão de fazer a intervenção”, disse.
E conforme a declaração do prefeito Mauro Mendes, a prefeitura de Cuiabá vem negociando com algumas instituições bancárias, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco Votorantin, Bradesco, os credores da empresa, para evitar a decisão pela caducidade do contrato de concessão que foi firmado juntamente com o Grupo em 2012. Caso seja confirmado um acordo com os novos investidores, isso significa que o Grupo Galvão Engenharia, dono da CAB Cuiabá, não será mais responsável pelos serviços.
Conforme os esclarecimentos do prefeito Mauro Mendes junto com o interventor Marcelo de Oliveira, em caso de haver uma caducidade do contrato com o Grupo Galvão, os serviços voltariam a ser administrado pela própria Prefeitura de Cuiabá automaticamente. E segundo o prefeito de cuiabano, existem empecilhos burocráticos, já que a gestão dos serviços fica submetida à legislação que trata das licitações. Clique na Lei nº 8.666.
Mendes disse que “se for decretado a extinção do contrato com o Grupo, a CAB Cuiabá imediatamente voltaria a ser uma empresa pública, sob controle da Prefeitura. O primeiro prejuízo disso é voltar ao regime da Lei 8.666 e então aquilo que se faz em três ou quatro dias dentro da CAB atualmente vai levar três ou quatro meses. Mas se não houver acordo, não terá jeito. Esse será o caminho que nós tomaremos. A Galvão Engenharia e a CAB Ambiental não ficam no controle dessa empresa, porque fizeram muita coisa errada e não seremos coniventes com isso”, disse.
Antes da intervenção a CAB Cuiabá tinha um faturamento de R$ 62 milhões e arrecadação de R$ 51 milhões, ou seja, R$ 11 milhões ficavam sem receber. Com a intervenção, o faturamento passou para R$ 109 milhões e a arrecadação foi de R$ 103 milhões, uma diferença segundo o interventor Marcelo de Oliveira de R$ 6 milhões.
“O grande avanço é que hoje conseguimos colocar no sistema a água que era jogada fora. Estamos diminuindo as perdas, hidrometrando, colocando caixa d’água. Fizemos 21 quilômetros de novas redes. Com estas ações estamos fazendo a água chegar. É inaceitável que uma concessionária que vive de vender água se negue a fornecer”, disse Marcelo.
O interventor apresentou ainda algumas melhorias feitas nestes seis meses. O reservatório do Coophema com capacidade de 300 mil litros, reformas em estações como a São Sebastião, Parque Cuiabá e Presidente Marques. Além da implantação da nova estação do Ribeirão do Lipa com capacidade de 200 litros por segundo e que vai atender até mesmo o novo Hospital e Pronto Socorro de Cuiabá, novas estações de esgoto, entre outras melhorias.
O balanço apontou ainda que, no período de intervenção, foram 49.250 cortes, 41.137 religações, 1.031 novas ligações solicitadas e 1.295 executadas e 7.258 fiscalizações.
O interventor apresentou também na ocasião uma auditoria realizada pela empresa multinacional KPMG publicada pela CAB Ambiental onde são analisadas as 18 concessões da CAB. O próprio relatório apresenta a melhoria da empresa após a intervenção.
A KPMG diz que a arrecadação do 3° trimestre de 2016 com a intervenção foi de mais de R$ 49 milhões, um acréscimo de mais de 13% em relação ao segundo trimestre, representando incremento de R$ 5,700 milhões.
A receita operacional líquida teve aumento de 27,5% ou R$ 30,5 milhões no 3° trimestre de 2016 em relação ao mesmo período de 2015. No período a receita de saneamento aumentou em 10,0% ou R$ 8,3 milhões. A receita de construção aumentou em 164,8% ou R$ 17,9 milhões.
Já o lucro bruto foi de 24,7% passando de R$ 56,6 milhões no 3° trimestre de 2015 para R$ 70,6 milhões no 3° trimestre de 2016. A companhia apresentou prejuízo de R$ 5,4 milhões valor R$ 4,1 milhão menor que o prejuízo de R$ 9,5 milhões ocorrido no terceiro trimestre de 2015.
Destaques
“Violência Política de Gênero” expõe limites da democracia e amplia urgência de proteção às mulheres
A violência contra as mulheres permanece como uma das mais graves violações de direitos humanos e atravessa diferentes espaços da sociedade, dos lares às instituições públicas. Ano após ano, políticas de enfrentamento vêm sendo aperfeiçoadas por meio da formulação de conceitos, diretrizes, normas e estratégias de gestão e monitoramento. O desafio, porém, continua sendo transformar instrumentos legais e políticas públicas em proteção efetiva, prevenção e resposta rápida diante das diferentes formas de violência.
O alerta ganhou força diante dos dados recentes sobre feminicídio no país. Em 2025, o Brasil registrou o maior número de feminicídios da última década, enquanto ocorrências observadas em 2026 reforçam a necessidade de ampliar mecanismos de prevenção e proteção destinados a meninas e mulheres. Nesse cenário, o Pacto Nacional contra o Feminicídio intensifica as medidas de enfrentamento e reafirma que a redução da violência exige mobilização permanente do poder público, das instituições e da sociedade.
O Enfrentamento da Violência Contra a Mulher também depende da capacidade coletiva de reconhecer práticas abusivas antes que elas evoluam para situações de maior gravidade. A naturalização da violência, o silêncio diante das agressões e a relativização de comportamentos abusivos contribuem para a manutenção de um ciclo que precisa ser interrompido. Informação, acolhimento, denúncia e atuação institucional são instrumentos indispensáveis para assegurar que vítimas tenham acesso à proteção e que os responsáveis sejam devidamente responsabilizados.
A prevenção envolve, ainda, ações educativas e iniciativas de conscientização desenvolvidas por instituições que atuam diretamente com a população. A rede de apoio existente em algumas cidades tem papel relevante no acolhimento, na orientação e na proteção de mulheres em situação de violência, com atendimento pautado pelo cuidado, pelo sigilo e pela humanização.
A articulação entre serviços públicos e instituições especializadas é fundamental para evitar que vítimas permaneçam isoladas e para garantir encaminhamentos adequados a cada situação.

Foi nesse contexto de proteção de direitos e fortalecimento das políticas públicas que a procuradora de Justiça, Elisamara Sigles Vodonós Portela e o promotor de Justiça, Samuel Frungilo representaram o Ministério Público de Mato Grosso no evento “Violência Política de Gênero: Democracia, Direitos e Participação Feminina”, realizado em Cuiabá.
Promovido pelo Gabinete de Enfrentamento à Violência contra a Mulher de Mato Grosso, o encontro reuniu representantes de instituições públicas para discutir os obstáculos à participação feminina nos espaços de poder, os impactos da violência política de gênero e os instrumentos jurídicos destinados à proteção e à responsabilização.
Durante o encontro, Elisamara Sigles Vodonós Portela destacou a trajetória de conquistas das mulheres no campo dos direitos políticos, desde a conquista do direito ao voto até os desafios contemporâneos relacionados à ampliação da presença feminina em cargos eletivos e em posições de tomada de decisão.
Para a procuradora de Justiça, combater a violência política de gênero é uma medida essencial para fortalecer a democracia e assegurar que as mulheres possam exercer plenamente seus direitos políticos.
A discussão ganhou dimensão institucional porque a violência política de gênero não atinge apenas as mulheres diretamente submetidas a ameaças, constrangimentos ou perseguições. Ao criar obstáculos à presença feminina na vida pública, esse tipo de violência também compromete a pluralidade do debate democrático e restringe a representação de diferentes segmentos da sociedade.
“A ampliação da participação feminina nos espaços de poder é resultado de uma longa trajetória de conquistas”, afirmou Elisamara, ao defender condições de igualdade, respeito e segurança para o exercício da participação política.
A dimensão jurídica do problema foi apresentada pelo promotor de Justiça Samuel Frungilo, que ministrou a palestra “Configuração do crime de violência política de gênero, medidas protetivas e recomendações do CNMP”. A exposição abordou os dispositivos legais destinados à proteção de candidatas e detentoras de mandato eletivo, além das condutas que podem caracterizar violência política de gênero, dos mecanismos de proteção disponíveis às vítimas e das formas de responsabilização previstas pela legislação brasileira.

Entre os pontos centrais do debate esteve o artigo 326-B do Código Eleitoral, que tipifica como crime determinadas práticas de assédio, constrangimento, humilhação, perseguição ou ameaça contra mulheres em razão de sua condição feminina, quando destinadas a impedir ou dificultar campanhas eleitorais ou o exercício de mandato eletivo. Também foram discutidas as consequências jurídicas relacionadas à condenação, incluindo a possibilidade de inelegibilidade e suspensão dos direitos políticos pelo período previsto em lei, além das demais sanções aplicáveis conforme cada caso.
Para Samuel Frungilo, enfrentar esse tipo de violência significa proteger não apenas as vítimas, mas a própria democracia. A violência política de gênero procura silenciar mulheres, restringir sua atuação e afastá-las dos espaços nos quais decisões públicas são tomadas. Por isso, o conhecimento da legislação e dos mecanismos de proteção é indispensável para identificar condutas abusivas, estimular denúncias e fortalecer a responsabilização.
A superação desse cenário depende, portanto, de políticas públicas permanentes, instituições preparadas e uma sociedade capaz de rejeitar qualquer tentativa de transformar a violência em instrumento de exclusão política.
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