PESQUISA MT DADOS EM SUA 3ª RODADA
Pesquisa mostra que definição do próximo Governador de Mato Grosso permanece distante
A corrida pelo Governo do Estado de Mato Grosso entra em uma nova fase marcada pelo equilíbrio entre os dois principais nomes da disputa. A terceira rodada da pesquisa MT Dados, realizada entre 15 e 20 de agosto, mostra o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o senador Wellington Fagundes (PL) empatados com 27% das intenções de voto. O resultado reforça a perspectiva de uma eleição competitiva, na qual pequenas oscilações poderão alterar a posição dos candidatos ao longo da campanha.
Na pesquisa estimulada, a médica Natasha Slhessarenko (PSD) aparece na terceira colocação, com 12% das intenções de voto. Rafaell Milas e Sargento Laudicério registram 2% cada, enquanto Maurício Coelho alcança 1%. Brancos e nulos representam 5% dos entrevistados. O dado que mais amplia a incerteza, contudo, é o contingente de eleitores que ainda não escolheu um nome: 24% declararam-se indecisos, percentual próximo ao registrado individualmente pelos dois líderes.
A evolução histórica do levantamento evidencia uma disputa que sofreu mudanças relevantes nos últimos meses. Em maio, Wellington Fagundes aparecia com 27%, sete pontos à frente de Otaviano Pivetta, que registrava 20%. Em julho, o cenário se inverteu, com Pivetta alcançando 25,2% e Wellington, 24,3%. Agora, os dois chegam a 27%. Na comparação com julho, Wellington avançou 2,7 pontos percentuais, enquanto Pivetta cresceu 1,8 ponto, confirmando a aproximação entre as duas candidaturas.
Natasha também apresenta trajetória de crescimento ao longo da série. A candidata passou de 7% em maio para 10,6% em julho e chegou a 12% na rodada de agosto. Ao mesmo tempo, o percentual de indecisos voltou a subir. Eram 25% em maio, caíram para 18,5% em julho e retornaram a 24% agora.
O movimento indica que, apesar do fortalecimento dos nomes mais competitivos, uma parcela expressiva do eleitorado permanece aberta a novas escolhas.

O equilíbrio se repete na simulação de segundo turno entre Pivetta e Wellington. O senador aparece com 33% das intenções de voto, enquanto o governador soma 32%. A diferença de apenas um ponto percentual está dentro da margem de erro informada pelo levantamento e caracteriza empate técnico. Nesse cenário, 25% dos entrevistados permanecem indecisos e 10% optariam por branco ou nulo, o que significa que 35% do eleitorado não apresentam, neste momento, uma preferência definida por nenhum dos dois concorrentes.
Nos confrontos de segundo turno contra Natasha, entretanto, os dois líderes apresentam vantagem mais ampla. Pivetta alcança 44%, contra 16% da candidata, enquanto Wellington registra 43%, diante de 17% de Natasha. Embora os resultados indiquem vantagem dos dois principais concorrentes, os índices de indecisão continuam elevados.
A presença de um eleitorado ainda sem decisão definitiva mantém aberta a possibilidade de mudanças no comportamento eleitoral à medida que a campanha avance.
O levantamento ouviu 3.080 eleitores distribuídos por sete regiões de Mato Grosso. A pesquisa informa margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. O estudo está registrado na Justiça Eleitoral sob o Número MT-04390/2026.
Esses parâmetros são fundamentais para a interpretação dos resultados, especialmente no caso de Pivetta e Wellington, cujos percentuais são idênticos na pesquisa estimulada e apresentam diferenças estreitas nas simulações de segundo turno.
Outro indicador relevante está relacionado ao potencial de voto e à rejeição dos candidatos.

O Republicanos, Otaviano Pivetta reúne 25% de eleitores que afirmam votar nele com certeza e outros 29% que admitem a possibilidade de escolhê-lo, alcançando potencial de 54%. Sua rejeição é de 15%. Wellington soma 24% de voto certo e 27% de eleitores que poderiam votar nele, chegando a 51% de potencial, enquanto sua rejeição alcança 21%.
Os números conferem ao governador vantagem de três pontos no potencial e seis pontos de diferença favorável no índice de rejeição.
Natasha apresenta potencial de voto de 25%, resultado da soma dos 11% que afirmam votar nela com certeza e dos 14% que admitem essa possibilidade. Sua rejeição chega a 29%, enquanto 35% dos entrevistados dizem não conhecê-la. O desconhecimento também é significativo entre os candidatos que aparecem abaixo dos 5%, o que representa um obstáculo adicional para candidaturas que precisam ampliar sua exposição pública e conquistar espaço em uma disputa que começa a concentrar as atenções nos dois primeiros colocados.
O retrato produzido pela terceira pesquisa MT Dados mostra, portanto, uma eleição ainda aberta e sem liderança isolada.
Otaviano Pivetta e Wellington Fagundes chegam empatados ao período decisivo, enquanto a medica Natasha apresenta crescimento consecutivo e os indecisos representam quase um quarto do eleitorado. O desempenho nos próximos meses, os debates, as alianças, a exposição dos candidatos e a capacidade de ampliar o potencial de voto ou reduzir a rejeição poderão modificar substancialmente o cenário.
A pesquisa registra o momento atual, mas os números indicam que a definição do próximo governador de Mato Grosso permanece distante de uma conclusão antecipada.
Política
Investigação da Polícia Federal altera estratégias de campanha e fragiliza coesão de grupo político tradicional
A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF) provocou abalos profundos na estrutura do grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes (UB) no cenário estadual. O desdobramento das investigações policiais gerou readequações imediatas nas estratégias eleitorais da base governista, resultando no esvaziamento progressivo das agendas públicas e dos materiais de propaganda de apoio à candidatura de Otaviano Pivetta, do partido Republicanos.
As apurações das autoridades federais debruçam-se sobre a lisura de acordos financeiros milionários envolvendo a empresa de telefonia Oi e fundos de investimento. Embora o processo legal assegure a presunção de inocência e exija ampla comprovação dos fatos pelas instâncias competentes, o impacto político imediato sobre a imagem e a coesão da aliança partidária revelou-se inevitável.
Diante do desgaste institucional provocada pela operação policial, figuras de destaque no cenário estadual alteraram sensivelmente o ritmo das agendas eleitorais de rua. O deputado federal Fábio Garcia, ao desvincular sua imagem da chapa majoritária principal, passou a realizar atos de campanha focados em palanque próprio, omitindo pedidos explícitos de voto para a candidatura ao Governo do Estado.
A reconfiguração estratégica estendeu-se também à confecção dos materiais gráficos de divulgação parlamentar e de rua. Santinhos, adesivos e peças digitais associados a alianças anteriores sofreram reformulações, eliminando referências diretas ao nome de Otaviano Pivetta com o intuito de neutralizar potenciais danos de imagem junto ao eleitorado.

O movimento de distanciamento ganhou adesão de outras lideranças de expressiva influência política na região, a exemplo de Virginia Mendes. A realização de compromissos públicos sem o acompanhamento ou a menção ao candidato majoritário evidenciou a fragmentação interna da base de apoio institucional.
A postura adotada pelos aliados sinaliza uma mudança profunda nos bastidores da disputa, superando meras divergências pontuais de articulação. A retirada deliberada do apoio de fachada expõe a priorização do pragmatismo eleitoral em detrimento da manutenção de uma unidade partidária puramente formal. O esvaziamento das agendas conjuntas e a ausência do candidato nos materiais de divulgação redefinem o posicionamento estratégico dos grupos aliados.
Analistas políticos procurados pela equipe de reportagem do Blog do Valdemir, observam que as lideranças regionais já direcionam seus esforços para a preservação de seus respectivos nichos eleitorais e para o cenário pós-pleito.
A apuração conduzida pelos órgãos federais prossegue em âmbito judicial para determinar eventuais responsabilidades legais sobre o caso. No ambiente político, contudo, a reação ostensiva das bases aliadas antecipa desdobramentos operacionais graves para a viabilidade da candidatura governista.
O silêncio coordenado e o afastamento sistemático das lideranças partidárias consolidam uma mensagem clara ao eleitorado estadual. A omissão contínua nos atos públicos de campanha transforma o distanciamento físico em um indicativo manifesto de enfraquecimento político do projeto eleitoral.
A redefinição das forças locais reorganiza o quadro de alianças e projeta incertezas sobre a composição das futuras bancadas e do Poder Executivo. As movimentações observadas nas ruas confirmam que o grupo governista ingressa na reta final do período eleitoral sob forte divisão interna e reavaliação de prioridades estratégicas.
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