Política
Progressista vai ao Supremo para suspender prazo de filiação partidária por 30 dias, TSE mantém
Sigla afirma que calendário atual não pode ser cumprido em função do novo “Coronavírus”
Partidos políticos devem correr com seus processos internos de filiação, isso porque, o prazo termina no próximo dia 04 e não será prorrogado, mesmo diante da “Pandemia de Coronavírus” e determinações de isolamento social.
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) afirma que não é possível modificar a data-limite para filiação em partido político com vistas às eleições municipais de 2020, isso porque, trata-se de prazo previsto em legislação federal, necessitando por tanto, de alteração da norma legal.
O Partido Progressista (PP) apresentou ao Supremo Tribunal Federal ação para suspender o prazo de filiação partidária por 30 dias “ante os potenciais impactos nas Eleições de 2020 decorrentes da continuidade do cenário de calamidade ocasionado pela pandemia da Covid-19“.
O próximo dia 4 marca a data limite para filiação, tendo em vista o próximo pleito. No entanto, segundo a legenda, a “arregimentação de novos filiados resta consideravelmente frustrada pelos partidos políticos“ tendo em vista a crise do novo “Coronavírus” e as quarentenas decretadas em diferentes Estados.
O Partido Progressista também pediu à Corte a prorrogação por mais trinta dias do prazo de desincompatibilização de seis meses, aquele relacionado ao afastamento de agentes políticos, senadores, deputados federais, prefeitos e secretários estaduais dos cargos para que possam concorrer nas eleições 2020.
“Existe uma impossibilidade normativa e material de as agremiações promoverem reuniões e implementar ações concretas de convencimento de novos cidadãos a disputar o pleito que se avizinha. De fato, diversas sedes foram fechadas e os respectivos funcionários dispensados de comparecer fisicamente ao trabalho, bem como se verificou o cancelamento integral de eventos partidários e de reuniões em grupo nesse período crítico da crise, coincidente com o termo ad quem de filiação“, afirma o partido na ação.
Na peça, a legenda registra ainda que “há dificuldade de se proceder à arregimentação de novos filiados apenas pelas mídias sociais“.
“O convencimento é dialógico e maximizado presencialmente. Requer, em verdade, a interlocução transparente e direta entre dirigentes e potenciais filiados, mediante a apresentação das propostas, plataformas e propósitos das agremiações, com vistas a eliminar eventuais desconfianças e preconceitos e a estabelecer uma conexão de sinergia, ideológica ou pragmática, entre entidade e cidadão“.
A ADI destaca ainda a “proximidade da data fatal” para que os partidos encaminhem a lista de filiados ao Tribunal Superior Eleitoral, dia 15 de abril.
“Se a dificuldade em angariar novos filiados decorre de uma externalidade negativa, “Pandemia da Covid-19” é desproporcional impor a manutenção do prazo de filiação e da exigência normativa da Portaria de alimentar o Sistema de Filiação Partidária“, diz o Partido Progressista.
Além disso, a legenda afirma que a crise causada pelo “Coronavírus”, “impacta de forma deletéria as escolhas dos cidadãos, ao gerar um ambiente de absoluta ausência de previsibilidade e de segurança jurídica naqueles cuja desincompatibilização dos respectivos cargos nos seis meses anteriores ao pleito é imposta“.
Wagner Rubinelli, ex-deputado federal e advogado especialista em Direito Eleitoral, explica:
“O Congresso até poderia apresentar uma proposta para mudar a data-limite, mas pode ocorrer questionamento do Supremo Tribunal Federal. A mudança para prazo de filiação deveria ter ocorrido no ano passado”.
Em decisão unânime, o TSE também garante que as eleições, em outubro, estão mantidas, e que não é possível modificar a data-limite para filiação a um partido político com vistas às Eleições Municipais de 2020, por se tratar de prazo previsto em legislação federal, necessitando, portanto, de alteração da norma legal.
Política
Investigação da Polícia Federal altera estratégias de campanha e fragiliza coesão de grupo político tradicional
A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF) provocou abalos profundos na estrutura do grupo político liderado pelo ex-governador Mauro Mendes (UB) no cenário estadual. O desdobramento das investigações policiais gerou readequações imediatas nas estratégias eleitorais da base governista, resultando no esvaziamento progressivo das agendas públicas e dos materiais de propaganda de apoio à candidatura de Otaviano Pivetta, do partido Republicanos.
As apurações das autoridades federais debruçam-se sobre a lisura de acordos financeiros milionários envolvendo a empresa de telefonia Oi e fundos de investimento. Embora o processo legal assegure a presunção de inocência e exija ampla comprovação dos fatos pelas instâncias competentes, o impacto político imediato sobre a imagem e a coesão da aliança partidária revelou-se inevitável.
Diante do desgaste institucional provocada pela operação policial, figuras de destaque no cenário estadual alteraram sensivelmente o ritmo das agendas eleitorais de rua. O deputado federal Fábio Garcia, ao desvincular sua imagem da chapa majoritária principal, passou a realizar atos de campanha focados em palanque próprio, omitindo pedidos explícitos de voto para a candidatura ao Governo do Estado.
A reconfiguração estratégica estendeu-se também à confecção dos materiais gráficos de divulgação parlamentar e de rua. Santinhos, adesivos e peças digitais associados a alianças anteriores sofreram reformulações, eliminando referências diretas ao nome de Otaviano Pivetta com o intuito de neutralizar potenciais danos de imagem junto ao eleitorado.

O movimento de distanciamento ganhou adesão de outras lideranças de expressiva influência política na região, a exemplo de Virginia Mendes. A realização de compromissos públicos sem o acompanhamento ou a menção ao candidato majoritário evidenciou a fragmentação interna da base de apoio institucional.
A postura adotada pelos aliados sinaliza uma mudança profunda nos bastidores da disputa, superando meras divergências pontuais de articulação. A retirada deliberada do apoio de fachada expõe a priorização do pragmatismo eleitoral em detrimento da manutenção de uma unidade partidária puramente formal. O esvaziamento das agendas conjuntas e a ausência do candidato nos materiais de divulgação redefinem o posicionamento estratégico dos grupos aliados.
Analistas políticos procurados pela equipe de reportagem do Blog do Valdemir, observam que as lideranças regionais já direcionam seus esforços para a preservação de seus respectivos nichos eleitorais e para o cenário pós-pleito.
A apuração conduzida pelos órgãos federais prossegue em âmbito judicial para determinar eventuais responsabilidades legais sobre o caso. No ambiente político, contudo, a reação ostensiva das bases aliadas antecipa desdobramentos operacionais graves para a viabilidade da candidatura governista.
O silêncio coordenado e o afastamento sistemático das lideranças partidárias consolidam uma mensagem clara ao eleitorado estadual. A omissão contínua nos atos públicos de campanha transforma o distanciamento físico em um indicativo manifesto de enfraquecimento político do projeto eleitoral.
A redefinição das forças locais reorganiza o quadro de alianças e projeta incertezas sobre a composição das futuras bancadas e do Poder Executivo. As movimentações observadas nas ruas confirmam que o grupo governista ingressa na reta final do período eleitoral sob forte divisão interna e reavaliação de prioridades estratégicas.
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