Política
Pensei em pedir prisão de Valdir, ele entrou em contradição
Enfim após um período de descanso, os membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e Sonegação Fiscal, realizou nesta quinta-feira (4), a sua 61ª reunião ordinária, com a oitiva do diretor de tributos da JBS Assessoria e Consultoria Ltda, Valdir Aparecido Boni.
O presidente da Comissão deputado José Carlos do Pátio (SD), disse que o representante não prestou os esclarecimentos necessários que a comissão pretendia, "ele sempre falava não sei ou que o assunto não era de sua competência profissional. Valdir entrou em contradição durante seu depoimento, pensei em pedir a prisão preventiva, mas a assessoria pediu cautela", disse.
O parlamentar do partido da Solidariedade, Zé do Pátio, apontou conexões entre as empresas JBS/ S/A e o ex-secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, atualmente preso no Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), acusado de fraudar incentivos fiscais. A empresa gigante do ramo frigorifico é acusada pelo Ministério Público Estadual (MPE) de ter sido beneficiada com incentivos ilegais, "não existe justificativa para manutenção dos incentivos fiscais para a JBS, após o numero de demissões e fechamento de frigoríficos. Nós da CPI não concordamos com o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado entre Ministério Público e Governo do Estado. Vamos analisar profundamente este TCA", pontuou Zé do Pátio.
Entre os questionamentos feitos pelos deputados, estão o fato de a empresa NBC Assessoria e Consultoria Ltda, pertencente a Pedro Nadaf, ter emitido nota fiscal no valor de R$ 210 mil para a JBS em 2011. Essa empresa foi apontada na Operação Sodoma, que acabou prendendo Nadaf, como um meio para receber propina. Porém, Valdir Aparecido Boni não respondeu esse questionamento.
Nos questionamentos feitos pelos membros da CPI, Boni, admitiu ter se reunido com Nadaf, quando a empresa obteve o incentivo de R$ 73 milhões do crédito outorgado, em 2012. Como o enquadramento não foi publicado no Diário Oficial, Nadaf chamou Boni a Cuiabá para comunica-lo pessoalmente que a empresa havia sido beneficiada, conforme relato do próprio Boni.
Pátio disse que, "a sensação que dá é que houve uma negociação pessoal e não institucional. A sensação é que foi uma grande negociata", avaliou o presidente da CPI. O beneficio é fruto do Decreto nº 994/2012, que segundo o MPE foi direcionado para a JBS, pois estabelecia exigências muito altas para conceder o beneficio que só poderiam ser preenchidas pela empresa. Para ressarcir o prejuízo aos cofres públicos, nessa ação, a justiça bloqueou R$ 73,5 milhões da empresa, e outros R$ 544 mil da conta pessoal de Boni, entre outros bloqueios.
Por não responder as perguntas realizadas pela CPI o presidente da JBS, Wesley Mendonça Batista, será convocado pela comissão para explicar de fato o envolvimento da empresa que acumulava dois incentivos, e que inclusive o acúmulo fez com que a empresa JBS, perdesse R$ 12 milhões em 2012, pois recolheu R$ 46 milhões em ICMS, quando poderia ter recolhido apenas R$ 34 milhões se tivesse apenas o Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), "por que usufruir de incentivo ilegal se ele fazia a empresa perder dinheiro?”, questionou Pátio.
Política
Inversão de cenário no eleitorado de Mato Grosso impulsiona disputa ao Governo Estadual
Uma mudança expressiva na disposição do eleitorado mato-grossense reconfigurou o panorama político regional e colocou a sucessão para o Poder Executivo Estadual em um cenário de disputa aberta. Conforme levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado nesta segunda-feira, dia 24 de agosto, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu numericamente a liderança das intenções de voto no estado de Mato Grosso. O gestor ultrapassou o senador Wellington Fagundes (PL), revertendo uma vantagem expressiva que favorecia o parlamentar há oito meses e alterando a dinâmica das alianças regionais.
A alteração do quadro eleitoral ocorreu de forma gradual ao longo do último período, impulsionada pela consolidação de Otaviano Pivetta na chefia do Executivo e pela consequente reorganização das forças partidárias locais. Entre dezembro de 2025 e agosto do ano corrente, o cenário sem a presença do senador Jayme Campos registrou uma movimentação expressiva de 19 pontos na diferença entre os dois principais concorrentes. A alteração na dinâmica política reflete a absorção da imagem do atual governador como candidato à reeleição perante o eleitorado, alterando a hierarquia que antes parecia consolidada na corrida ao Palácio Paiaguás.
O levantamento estatístico abrangeu 1.504 eleitores distribuídos por 56 municípios do Estado de Mato Grosso, selecionados para compor uma amostragem representativa do eleitorado local. As entrevistas foram conduzidas de maneira presencial e domiciliar entre os dias 21 e 23 de agosto. O estudo técnico foi contratado pela empresa Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda., e devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de identificação MT-02157/2026, respeitando as normas legais vigentes para a divulgação de pesquisas eleitorais.
Na pesquisa Estimulada para o primeiro turno, Otaviano Pivetta atingiu 39% das intenções de voto, enquanto Wellington Fagundes registrou 35%, configurando um empate técnico dentro do limite da margem de erro. A médica Natasha Slhessarenko (PSD) obteve 8,7%, seguida por Sargento Laudicério (Agir), com 2,2%, Maurício Coelho (Mobiliza), com 0,4%, e Rafaell Milas (Missão), com 0,3%.
Os votos brancos e nulos somaram 8,1% do total, ao passo que 6,3% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder ao questionamento.
A virada promovida pelo atual governador em um intervalo de oito meses representa o elemento analítico de maior relevância no estudo estatístico. Em dezembro do ano anterior, Wellington Fagundes liderava a disputa com 43,1% contra 28,1% do adversário, estabelecendo uma distância de 15 pontos percentuais. No levantamento atual, Otaviano Pivetta cresceu 10,9 pontos percentuais, enquanto o senador recuou 8 pontos, transformando a desvantagem inicial do chefe do Executivo em uma liderança numérica de quatro pontos percentuais na consulta induzida.
A tendência de alteração do eleitorado consolidou-se também na simulação de um eventual segundo turno entre os dois primeiros colocados.
No levantamento anterior, Wellington superava Pivetta por 48,6% a 32,8%, ostentando uma margem favorável de 15,8 pontos. O cenário presente aponta o governador com 44,3% e o senador com 40,8%, evidenciando um movimento de 19,3 pontos na distância relativa entre ambos.
Embora a diferença atual de 3,5 pontos mantenha os pré-candidatos em empate técnico, a trajetória sinaliza uma perda de ritmo da candidatura opositora.
No cenário Espontâneo, no qual os nomes dos postulantes não são apresentados aos entrevistados, a lembrança do nome do governador apresentou dados ainda mais favoráveis à sua candidatura. Otaviano Pivetta foi citado espontaneamente por 15,9% dos eleitores, enquanto Wellington Fagundes alcançou 8,6% e Natasha Slhessarenko obteve 2,7%.
A vantagem de 7,3 pontos obtida pelo gestor público demonstra um grau superior de fixação de sua imagem junto à parcela do eleitorado que já se encontra mais engajada no processo sucessório estadual.
Os índices de rejeição apurados pelo instituto de pesquisa fornecem elementos adicionais para compreender a movimentação da massa votante.

O senador Wellington Fagundes registrou 25,7% de rejeição entre os entrevistados, que afirmaram não votar nele sob qualquer hipótese, ao passo que Otaviano Pivetta apresentou 16,3% e Natasha atingiu 19,3%. Essa diferença de 9,4 pontos na rejeição amplia o teto potencial de crescimento do governador, facilitando a atração de eleitores indecisos ou dispostos a migrar de opção nas etapas subsequentes.
A sustentação da ascensão eleitoral de Pivetta encontra respaldo direto nos índices de aprovação de sua gestão à frente do Governo do Estado. A administração estadual conta com a aprovação de 69,5% dos entrevistados, contra 23,3% de desaprovação.
No detalhamento conceitual, 49,2% dos cidadãos avaliam o governo como ótimo ou bom, 32,2% o classificam como regular e 14,4% o consideram ruim ou péssimo.
Essa percepção positiva sobre o desempenho administrativo cria um ambiente político favorável à tese de continuidade da gestão.
A despeito da consolidação da candidatura governista, a disputa permanece aberta devido ao elevado contingente de eleitores ainda não decididos no estado. O levantamento revelou que 65,2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram indicar espontaneamente um nome para o governo estadual.
Esse expressivo volume de votos não cristalizados representa o principal campo de atuação para as campanhas operarem nas próximas etapas, quando o início da propaganda e o afunilamento do pleito definirão se a tendência atual se consolidará em vitória nas urnas.
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