SABER LIDAR COM A CRISE
Paralisia dos vereadores de Cuiabá motiva a provocação ao Judiciário
Sabadão e todos acordamos em um ponto: na democracia, o cumprimento das Leis e da Constituição é além de uma obviedade, uma obrigação, mormente quando se tem uma Constituição normativa.
Não é possível que uma pessoa ou um grupo de pessoas passa, para além dos limites impostos pela Constituição, legislar por intermédio de decisões judiciais ou construção prévia de “precedentes de Cortez de Vértice” (deve ser algo como “diverte-se e os demais sofrem”).
O núcleo duro do Boteco da Alameda pergunta: o papel do Ministério Público Estadual de Mato Grosso (MPE/MT) é esse? Denúncia contra o Prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro é sólida? O advogado Francisco Faiad está absolutamente no seu papel. Advogado faz discurso estratégico. É sua obrigação.
Segue o fluxo!
Ah, eu vou falar!
O advogado criminalista Eduardo Mahon, em entrevista ao site Repórter MT, disse algo que chamou atenção dos frequentadores do núcleo duro do Boteco da Alameda;
“A paralisia dos vereadores é o que motiva a provocação ao Poder Judiciário que nem sempre resolve os problemas a contento. Daí que o Judiciário paga o preço pelo estado de catatonismo do Legislativo. São os vereadores, eleitos do povo, com o devido processo legal, os fiscais do Executivo, os legítimos para avaliar a conveniência de um afastamento“, pontuou Eduardo Mahon.
Segundo o advogado criminalista, o que vem acontecendo é uma parte da responsabilidade da Câmara Municipal de Cuiabá.
“Lembremo-nos sempre de que um eventual desastre na saúde cuiabana é, de muitas formas, parte da responsabilidade da Câmara Municipal de Cuiabá que se mostra leniente. Essa conta vai chegar nas próximas eleições“, cutucou.
Eduardo Mahon disse ainda que devido a esses problemas jurídicos, a cidade vive uma crise política e jurídica.
“Meu receio é que haja radicalizações que ensejam até mesmo a piora do quadro. O próximo prefeito não pode ser, apenas alguém da oposição. É importante que tenha uma ampla rede de apoio estadual e federal para recuperar a cidade“, finalizou Mahon.
Pegou aí? Então segue o fluxo, afinal, o inquérito corre perante a Justiça e diversos fornecedores e prestadores de serviço, sofrem de forma indireta com a situação, sem ter uma definição de quando ocorrerá uma estabilidade em Cuiabá, e normalizar a rotina administrativa e financeira da máquina pública.
Para lidar com a crise é preciso saber onde ceder
Estamos em 2024 e, claro, não é a primeira crise que Cuiabá passa. Porém, contudo, todavia, períodos conturbados, como o atual é a primeira vez nos últimos 40 anos. Cuiabá até então não sofria com a gestão e com fortíssimas suspeitas, 19 operações policiais, denúncias, com ares de abandono.

São vários casos que ocorrem pela cidade inteira. Não dá para acudir tudo ao mesmo tempo, mas é emblemático que a situação esteja assim. A crise é apenas por conta de má gestão do Nenel Pinheiro? Seria muito simples dizer, mas é preciso que a Prefeitura de Cuiabá saiba lidar com a situação.
O que não está certo é estando sob pressão, ceder a imposições de nomeações anodinas ou até nocivos para cargos estratégicos e imprescindíveis. Se quer reagir à crise, o prefeito cuiabano Nenel Pinheiro não pode abrir mão de seus melhores quadros. Nesse caso, a troca de favores para se “salvar” no cargo, parece ser uma escolha muito mal pensada.
Em tempo: é possível, sim, fazer arranjos políticos e manter a qualidade da gestão. Mas é preciso ter jogo de cintura e sagacidade. Aliás, atributos dos melhores homens públicos.
O filme
“Algo de Errado Não Está Certo“, é um filme cuiabano que, tentaram fazer em 2004. O filme foi escrito pelo PPS na disputa da Prefeitura de Cuiabá. Os personagens não se entenderam no decorrer da gravação e foi um fracasso nas urnas.
Em 2020, o filme foi adaptado e dirigido por Evandro Berlesi. Sucesso total nas bilheterias dos cinemas brasileiros.
Agora em 2024, o filme “Algo de Errado Não Está Certo“, está sendo dirigido pelo partido União Brasil (UB) em Cuiabá. Os personagens do filme com as mesmas características de 2004, pelo jeito, terá o mesmo destino.
Segue o fluxo!
Política
Desdobramentos políticos e a pressão pela CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso
A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu a pressão política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A iniciativa busca investigar supostas irregularidades em contratos consignados e o pagamento de precatórios que somam R$ 308 milhões em benefício da empresa de telefonia Oi S.A.
Atualmente, o requerimento oposicionista conta com sete assinaturas, necessitando de apenas mais uma adesão para que seja realizada a leitura oficial em Plenário e iniciado o processo formal de apuração no âmbito legislativo estadual.
Quem são os envolvidos:
As investigações da Polícia Federal atingem diretamente figuras centrais do cenário político mato-grossense, incluindo o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (UB) e a gestão do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre os alvos que sofreram mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens, figuram a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, seus três filhos, além do ex-secretário de Estado Mauro Carvalho e seus familiares.
No parlamento, destacam-se as atuações dos deputados Valdir Barranco (PT), defensor da comissão; Diego Guimarães, representante da base governista; e Júlio Campos, que adota uma postura intermediária.

Quando os fatos se deram:
A deflagração das medidas ostensivas da Operação Heritage ocorreu na última quinta-feira, dia 6, deflagrando um efeito imediato nas articulações parlamentares do Estado. A intensificação dos debates sobre a criação da CPI e as manifestações públicas dos deputados estaduais ocorreram nesta quarta-feira, dia 12. O contexto temporal ganha relevância adicional por situar-se a menos de 55 dias do pleito eleitoral e próximo ao recesso do Poder Legislativo, elemento que influencia diretamente o ritmo e a viabilidade das negociações políticas na Casa de Leis.
Onde a apuração se concentra:
O foco principal das diligências e das discussões institucionais está sediado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), onde tramita a coleta de assinaturas para o requerimento. Contudo, os desdobramentos operacionais abrangem diversos endereços residenciais e comerciais no Estado onde foram cumpridos os mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A abrangência territorial das investigações reflete a amplitude das relações financeiras e contratuais estabelecidas entre os agentes públicos, as instituições bancárias e a concessionária de telefonia.

Por que a operação foi deflagrada:
A atuação do Poder Judiciário e dos órgãos federais de fiscalização decorre da necessidade de averiguar indícios de favorecimento financeiro e desvio de recursos públicos do erário estadual. A suspeita central recai sobre a homologação de um acordo extraordinário firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A., além de possíveis fraudes na gestão de contratos de empréstimos consignados.
A gravidade das denúncias e o expressivo montante financeiro envolvido fundamentaram a expedição das ordens de busca, apreensão e bloqueio de bens pela Suprema Corte.
Como os mandados foram executados:
As ações policiais foram executadas de forma simultânea por equipes da Polícia Federal, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão direcionados aos alvos da investigação. Paralelamente às buscas físicas, determinou-se o bloqueio patrimonial e bancário de 61 pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas ao esquema.
A coleta de documentos, mídias digitais e eventuais provas materiais visa instruir o inquérito policial e subsidiar as análises técnicas referentes às movimentações de capitais realizadas entre os envolvidos.
Quais os argumentos da oposição:
A bancada oposicionista, liderada publicamente pelo deputado Valdir Barranco, classifica a conduta anterior da Casa de Leis como uma omissão perante denúncias que já circulavam informalmente no parlamento. Para os parlamentares de oposição, a intervenção da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal expõe a necessidade premente de a Assembleia Legislativa Mato-grossense cumprir o seu papel fiscalizador.
O grupo argumenta que os deputados têm o dever de assinar a lista, considerando constrangedora a inércia legislativa diante de indícios consolidados de irregularidades na gestão pública.

Qual a defesa apresentada pela base governista:
Por sua vez, a base de sustentação do Palácio Paiaguás, representada pelo deputado Diego Guimarães, defende prudência e questiona o momento escolhido para a mobilização da comissão. Os parlamentares governistas argumentam que a proximidade do período eleitoral pode desviar o foco de uma apuração técnica e rigorosa, transformando a CPI em um instrumento de exploração política.
Segundo essa perspectiva, a iniciativa arrisca converter-se em um factoide destinado a expor os gestores públicos e a favorecer os adversários do governo na disputa eleitoral vindoura.
Qual a postura da posição intermediária:
Posicionado de forma neutra em relação aos blocos, o deputado Júlio Campos ratificou o avanço na captação de adesões ao requerimento, mas manifestou ceticismo quanto à utilidade prática do colegiado no momento atual. O parlamentar ressaltou que a execução de mandados judiciais pela Polícia Federal pressupõe a existência de estudos aprofundados e quebras de sigilo consolidadas no inquérito principal.
Contudo, apesar de ressaltar a redundância da medida ante a atuação federal, assegurou que participará ativamente dos trabalhos caso a comissão seja efetivamente instalada.
Quais os desdobramentos futuros:
O cenário político de Mato Grosso permanece em suspenso, condicionado à obtenção da oitava assinatura necessária para a formalização do pedido de CPI na Mesa Diretora. Caso o quórum mínimo seja alcançado e a leitura efetuada em Plenário, caberá aos blocos partidários a indicação dos membros que comporão o colegiado investigativo.
A evolução do caso dependerá tanto da tramitação do inquérito sob sigilo no Supremo Tribunal Federal quanto da capacidade de articulação entre os parlamentares para viabilizar os trabalhos da comissão antes do recesso.
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