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Política

Audiência pública vai discutir papel do município no combate à violência

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O aumento contínuo dos índices de violência em Cuiabá (MT) e o papel do município na criação e implantação de projetos de prevenção serão tema de audiência pública a ser realizada na Capital mato-grossense às 9h do dia 17 de maio, próxima quarta-feira, no plenário da Câmara Municipal de Cuiabá, provocada pelo vereador Sargento Joelson (PSC).

A audiência terá a participação do especialista Eduardo Pazinato, Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina e Doutorando em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pazinato é um dos maiores especialistas do país em segurança pública municipal.

Autor do projeto de lei que cria o Plano Municipal de Segurança Pública, Sargento Joelson entendeu que o tema deve ser amplamente debatido com a população cuiabana e autoridades afins, tamanha a preocupação de toda a sociedade com a questão da violência.

"Defendemos a instituição do plano como ferramenta para o combate aos indicadores da criminalidade, a implantação de políticas públicas preventivas e a gestão estratégica do Sistema de Segurança Pública Municipal", justifica o parlamentar.

Dentre os vários eixos propostos no projeto, está o trabalho voltado à juventude. Segundo Sargento Joelson, nos últimos anos, as políticas públicas incorporaram projetos voltados para os problemas específicos da juventude, tipo o contra turno escolar.

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"Está comprovado que parte delas também funciona como políticas de prevenção à violência. Para garantir a eficácia de tais ações, no entanto, é preciso incorporar a juventude como parte da solução, seja ouvindo suas demandas e sua percepção dos problemas, seja investigando suas motivações e perspectivas. Assim, é necessária uma ação transversal e articulada, centrada em um órgão que possa estabelecer o diálogo com os órgãos executores e com os grupos juvenis agregados", contextualiza.

Sargento Joelson convida a população cuiabana a participar deste debate que visa atender a coletividade e garantir mais segurança, paz e qualidade de vida aos cuiabanos. "Essa audiência pública não é somente para o profissional da segurança pública, mas para todos os cidadãos que gostariam de discutir a questão da segurança pública".

O especialista Eduardo Pazinato manda um recado lá de Santa Catarina: "Estarei com vocês em Cuiabá participando de uma audiência pública para discutir o papel protagonista que os municípios devem e podem ter no âmbito da prevenção das violências e da indução da gestão integrada com as demais agências policiais e com as instâncias do sistema de justiça criminal. Espero todos e todas lá".

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Breve Currículo

Eduardo Pazinato, Mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina e Doutorando em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Advogado, Mestre em Direito (UFSC) e Doutorando em Políticas Públicas (UFRGS). Coordenador do Núcleo de Segurança Cidadã da Faculdade de Direito de Santa Maria (NUSEC/FADISMA). Diretor de Projetos Estratégicos do Instituto Fidedigna (IF). Consultor do Escritório Regional das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC). Autor do livro "Do Direito à Segurança a Segurança dos Direitos", em 2012, e coautor, com a Socióloga e Especialista em Segurança Pública e Cidadania, Aline Kerber, das obras: "Muitas Cabeças Muitas Sentenças" e "Dossiê do 1º Censo sobre Ações Municipais de Segurança Pública do Rio Grande do Sul", ambos em 2013; "Atlas da Municipalização da Segurança Pública do Rio Grande do Sul" e "Pela Mão de Bagé – Processo de implantação do Observatório da Criminalidade de Bagé/RS a partir da pesquisa-ação em segurança cidadã", em 2015, e, ainda, em 2016, de "Segurança Cidadã, Gestão da Informação e Cidades – o case do Observatório da Segurança Cidadã de NH e outras reflexões teórico-práticas".

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Política

Desdobramentos políticos e a pressão pela CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu a pressão política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A iniciativa busca investigar supostas irregularidades em contratos consignados e o pagamento de precatórios que somam R$ 308 milhões em benefício da empresa de telefonia Oi S.A.

Atualmente, o requerimento oposicionista conta com sete assinaturas, necessitando de apenas mais uma adesão para que seja realizada a leitura oficial em Plenário e iniciado o processo formal de apuração no âmbito legislativo estadual.

Quem são os envolvidos:

As investigações da Polícia Federal atingem diretamente figuras centrais do cenário político mato-grossense, incluindo o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (UB) e a gestão do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre os alvos que sofreram mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens, figuram a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, seus três filhos, além do ex-secretário de Estado Mauro Carvalho e seus familiares.

No parlamento, destacam-se as atuações dos deputados Valdir Barranco (PT), defensor da comissão; Diego Guimarães, representante da base governista; e Júlio Campos, que adota uma postura intermediária.

Quando os fatos se deram:

A deflagração das medidas ostensivas da Operação Heritage ocorreu na última quinta-feira, dia 6, deflagrando um efeito imediato nas articulações parlamentares do Estado. A intensificação dos debates sobre a criação da CPI e as manifestações públicas dos deputados estaduais ocorreram nesta quarta-feira, dia 12. O contexto temporal ganha relevância adicional por situar-se a menos de 55 dias do pleito eleitoral e próximo ao recesso do Poder Legislativo, elemento que influencia diretamente o ritmo e a viabilidade das negociações políticas na Casa de Leis.

Onde a apuração se concentra:

O foco principal das diligências e das discussões institucionais está sediado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), onde tramita a coleta de assinaturas para o requerimento. Contudo, os desdobramentos operacionais abrangem diversos endereços residenciais e comerciais no Estado onde foram cumpridos os mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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A abrangência territorial das investigações reflete a amplitude das relações financeiras e contratuais estabelecidas entre os agentes públicos, as instituições bancárias e a concessionária de telefonia.

Por que a operação foi deflagrada:

A atuação do Poder Judiciário e dos órgãos federais de fiscalização decorre da necessidade de averiguar indícios de favorecimento financeiro e desvio de recursos públicos do erário estadual. A suspeita central recai sobre a homologação de um acordo extraordinário firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A., além de possíveis fraudes na gestão de contratos de empréstimos consignados.

A gravidade das denúncias e o expressivo montante financeiro envolvido fundamentaram a expedição das ordens de busca, apreensão e bloqueio de bens pela Suprema Corte.

Como os mandados foram executados:

As ações policiais foram executadas de forma simultânea por equipes da Polícia Federal, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão direcionados aos alvos da investigação. Paralelamente às buscas físicas, determinou-se o bloqueio patrimonial e bancário de 61 pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas ao esquema.

A coleta de documentos, mídias digitais e eventuais provas materiais visa instruir o inquérito policial e subsidiar as análises técnicas referentes às movimentações de capitais realizadas entre os envolvidos.

Quais os argumentos da oposição:

A bancada oposicionista, liderada publicamente pelo deputado Valdir Barranco, classifica a conduta anterior da Casa de Leis como uma omissão perante denúncias que já circulavam informalmente no parlamento. Para os parlamentares de oposição, a intervenção da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal expõe a necessidade premente de a Assembleia Legislativa Mato-grossense cumprir o seu papel fiscalizador.

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O grupo argumenta que os deputados têm o dever de assinar a lista, considerando constrangedora a inércia legislativa diante de indícios consolidados de irregularidades na gestão pública.

Qual a defesa apresentada pela base governista:

Por sua vez, a base de sustentação do Palácio Paiaguás, representada pelo deputado Diego Guimarães, defende prudência e questiona o momento escolhido para a mobilização da comissão. Os parlamentares governistas argumentam que a proximidade do período eleitoral pode desviar o foco de uma apuração técnica e rigorosa, transformando a CPI em um instrumento de exploração política.

Segundo essa perspectiva, a iniciativa arrisca converter-se em um factoide destinado a expor os gestores públicos e a favorecer os adversários do governo na disputa eleitoral vindoura.

Qual a postura da posição intermediária:

Posicionado de forma neutra em relação aos blocos, o deputado Júlio Campos ratificou o avanço na captação de adesões ao requerimento, mas manifestou ceticismo quanto à utilidade prática do colegiado no momento atual. O parlamentar ressaltou que a execução de mandados judiciais pela Polícia Federal pressupõe a existência de estudos aprofundados e quebras de sigilo consolidadas no inquérito principal.

Contudo, apesar de ressaltar a redundância da medida ante a atuação federal, assegurou que participará ativamente dos trabalhos caso a comissão seja efetivamente instalada.

Quais os desdobramentos futuros:

O cenário político de Mato Grosso permanece em suspenso, condicionado à obtenção da oitava assinatura necessária para a formalização do pedido de CPI na Mesa Diretora. Caso o quórum mínimo seja alcançado e a leitura efetuada em Plenário, caberá aos blocos partidários a indicação dos membros que comporão o colegiado investigativo.

A evolução do caso dependerá tanto da tramitação do inquérito sob sigilo no Supremo Tribunal Federal quanto da capacidade de articulação entre os parlamentares para viabilizar os trabalhos da comissão antes do recesso.

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