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OPERAÇÃO HERITAGE EM MT

PF investiga atuação de Conselheiro do CNJ em Acordo Milionário Envolvendo o Governo de Mato Grosso e a Oi

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A Polícia Federal (PF) e o Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a investigar formalmente a conduta de autoridades públicas e operadores do direito no Estado de Mato Grosso em razão de suspeitas de irregularidades transacionais no âmbito da administração pública. As apurações concentram-se na atuação do advogado Ulisses Rabaneda, conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), apontado pelos investigadores como peça central em uma complexa engrenagem jurídica e financeira relacionada a um crédito milionário decorrente de disputas judiciais contra o ente estatal.

O foco central das medidas apuratórias incide sobre a tramitação da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) de número 4.623 no Supremo Tribunal Federal (STF) e os contornos de um acordo extrajudicial orçado em 308,1 milhões de reais firmado entre o Governo do Estado e a concessionária de telecomunicações Oi.

A controvérsia repousa fundamentalmente sobre a definição temporal do trânsito em julgado do processo, cuja divergência de apenas dois dias entre a certidão da Secretaria Judiciária e a tese da Procuradoria-Geral do Estado definia a ocorrência ou não de decadência do direito de ação.

A instauração formal dos procedimentos investigativos e a subsequente decretação das medidas cautelares ocorreram no segundo semestre de 2024, após a compilação de relatórios de inteligência financeira e diligências de campo. Os atos jurídicos questionados desdobraram-se entre o final do ano de 2022, momento das primeiras manifestações sem procuração formal do investigado, e o mês de abril de 2024, data em que ocorreu a assinatura definitiva do Termo de Autocomposição Financeira entre os agentes envolvidos e o poder público.

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As ações sob apuração desdobraram-se no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília, e na estrutura da Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso, em Cuiabá. As interações institucionais e o subsequente fluxo dos recursos financeiros percorreram jurisdições estaduais e federais, alcançando órgãos de cúpula do Poder Judiciário brasileiro e sedes de fundos de investimento regulados pelo sistema financeiro nacional.

A operacionalização do esquema ocorreu por meio da apresentação de petições em nome próprio por parte de Ulisses Rabaneda para refutar a tese de decadência defendida pela Procuradoria do Estado, a despeito da ausência de representação formal do patrono. Posteriormente, em outubro de 2023, o escritório de advocacia ligado ao investigado e ao atual desembargador Ricardo Gomes de Almeida celebrou um Termo de Cessão que adquiriu os direitos creditórios da operadora Oi pelo valor de R$ 80 milhões de reais, viabilizando a cobrança direta perante o Executivo Estadual.

A motivação do redirecionamento investigativo fundamenta-se na necessidade de repelir a eventual ocorrência de manobras jurídicas artificiais e lesão ao erário estadual. Conforme ponderou o ministro relator Flávio Dino ao fundamentar as medidas restritivas, a participação do conselheiro sem legitimidade formal e a posterior homologação do pagamento extrajudicial sem a devida submissão ao regime constitucional de precatórios ostentam indícios de direcionamento e violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade pública.

O arcabouço probatório busca elucidar o funcionamento da engenharia financeira concebida para a dispersão dos valores desembolsados pelo Governo de Mato Grosso aos detentores do crédito. A Polícia Federal identificou o fracionamento das quantias por meio de sucessivas transferências entre fundos de investimento do tipo FIDC, estrutura que, sob a avaliação dos peritos criminais, visava dissimular a origem, a movimentação e a destinação final dos proventos auferidos no negócio contratual.

A viabilização das transações sob suspeita envolveu uma ampla rede de conexões institucionais e familiares que alcança quadros da alta administração do Poder Executivo Estadual. A investigação elenca no núcleo decisório o ex-governador Mauro Mendes (UB) e o deputado federal Fábio Garcia (UB), estendendo as medidas de devassa patrimonial a familiares próximos, ex-secretários de Estado e integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral, todos suspeitos de integrar o mecanismo de repasse dos recursos.

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Diante do conjunto de elementos reunidos pela autoridade policial, o ministro Flávio Dino deferiu ordens de busca, bloqueio e sequestro de bens e valores, retenção de passaportes e proibição absoluta de contato entre os investigados. O quadro fático delineado pelas autoridades sugere, em tese, a prática reiterada dos crimes de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, uso de informação privilegiada e delitos específicos praticados contra o Sistema Financeiro Nacional.

A partir da consolidação das medidas cautelares, o inquérito policial entra na fase de análise do material apreendido e oitiva formal dos envolvidos, etapa fundamental para delimitar as responsabilidades individuais no processo. O oferecimento da denúncia ao Supremo Tribunal Federal (STF) dependerá do detalhamento do rastreamento bancário e da validação das provas materiais, enquanto os investigados buscam a revisão das restrições impostas mediante o manejo de recursos nas instâncias superiores.

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Política

Desdobramentos políticos e a pressão pela CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso

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A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu a pressão política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A iniciativa busca investigar supostas irregularidades em contratos consignados e o pagamento de precatórios que somam R$ 308 milhões em benefício da empresa de telefonia Oi S.A.

Atualmente, o requerimento oposicionista conta com sete assinaturas, necessitando de apenas mais uma adesão para que seja realizada a leitura oficial em Plenário e iniciado o processo formal de apuração no âmbito legislativo estadual.

Quem são os envolvidos:

As investigações da Polícia Federal atingem diretamente figuras centrais do cenário político mato-grossense, incluindo o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (UB) e a gestão do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre os alvos que sofreram mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens, figuram a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, seus três filhos, além do ex-secretário de Estado Mauro Carvalho e seus familiares.

No parlamento, destacam-se as atuações dos deputados Valdir Barranco (PT), defensor da comissão; Diego Guimarães, representante da base governista; e Júlio Campos, que adota uma postura intermediária.

Quando os fatos se deram:

A deflagração das medidas ostensivas da Operação Heritage ocorreu na última quinta-feira, dia 6, deflagrando um efeito imediato nas articulações parlamentares do Estado. A intensificação dos debates sobre a criação da CPI e as manifestações públicas dos deputados estaduais ocorreram nesta quarta-feira, dia 12. O contexto temporal ganha relevância adicional por situar-se a menos de 55 dias do pleito eleitoral e próximo ao recesso do Poder Legislativo, elemento que influencia diretamente o ritmo e a viabilidade das negociações políticas na Casa de Leis.

Onde a apuração se concentra:

O foco principal das diligências e das discussões institucionais está sediado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), onde tramita a coleta de assinaturas para o requerimento. Contudo, os desdobramentos operacionais abrangem diversos endereços residenciais e comerciais no Estado onde foram cumpridos os mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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A abrangência territorial das investigações reflete a amplitude das relações financeiras e contratuais estabelecidas entre os agentes públicos, as instituições bancárias e a concessionária de telefonia.

Por que a operação foi deflagrada:

A atuação do Poder Judiciário e dos órgãos federais de fiscalização decorre da necessidade de averiguar indícios de favorecimento financeiro e desvio de recursos públicos do erário estadual. A suspeita central recai sobre a homologação de um acordo extraordinário firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A., além de possíveis fraudes na gestão de contratos de empréstimos consignados.

A gravidade das denúncias e o expressivo montante financeiro envolvido fundamentaram a expedição das ordens de busca, apreensão e bloqueio de bens pela Suprema Corte.

Como os mandados foram executados:

As ações policiais foram executadas de forma simultânea por equipes da Polícia Federal, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão direcionados aos alvos da investigação. Paralelamente às buscas físicas, determinou-se o bloqueio patrimonial e bancário de 61 pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas ao esquema.

A coleta de documentos, mídias digitais e eventuais provas materiais visa instruir o inquérito policial e subsidiar as análises técnicas referentes às movimentações de capitais realizadas entre os envolvidos.

Quais os argumentos da oposição:

A bancada oposicionista, liderada publicamente pelo deputado Valdir Barranco, classifica a conduta anterior da Casa de Leis como uma omissão perante denúncias que já circulavam informalmente no parlamento. Para os parlamentares de oposição, a intervenção da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal expõe a necessidade premente de a Assembleia Legislativa Mato-grossense cumprir o seu papel fiscalizador.

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O grupo argumenta que os deputados têm o dever de assinar a lista, considerando constrangedora a inércia legislativa diante de indícios consolidados de irregularidades na gestão pública.

Qual a defesa apresentada pela base governista:

Por sua vez, a base de sustentação do Palácio Paiaguás, representada pelo deputado Diego Guimarães, defende prudência e questiona o momento escolhido para a mobilização da comissão. Os parlamentares governistas argumentam que a proximidade do período eleitoral pode desviar o foco de uma apuração técnica e rigorosa, transformando a CPI em um instrumento de exploração política.

Segundo essa perspectiva, a iniciativa arrisca converter-se em um factoide destinado a expor os gestores públicos e a favorecer os adversários do governo na disputa eleitoral vindoura.

Qual a postura da posição intermediária:

Posicionado de forma neutra em relação aos blocos, o deputado Júlio Campos ratificou o avanço na captação de adesões ao requerimento, mas manifestou ceticismo quanto à utilidade prática do colegiado no momento atual. O parlamentar ressaltou que a execução de mandados judiciais pela Polícia Federal pressupõe a existência de estudos aprofundados e quebras de sigilo consolidadas no inquérito principal.

Contudo, apesar de ressaltar a redundância da medida ante a atuação federal, assegurou que participará ativamente dos trabalhos caso a comissão seja efetivamente instalada.

Quais os desdobramentos futuros:

O cenário político de Mato Grosso permanece em suspenso, condicionado à obtenção da oitava assinatura necessária para a formalização do pedido de CPI na Mesa Diretora. Caso o quórum mínimo seja alcançado e a leitura efetuada em Plenário, caberá aos blocos partidários a indicação dos membros que comporão o colegiado investigativo.

A evolução do caso dependerá tanto da tramitação do inquérito sob sigilo no Supremo Tribunal Federal quanto da capacidade de articulação entre os parlamentares para viabilizar os trabalhos da comissão antes do recesso.

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