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O maior legado de um pai começa pelo cuidado com a própria saúde

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Autor: Paulo Zahr*

O Dia dos Pais costuma ser marcado por homenagens, encontros em família e demonstrações de carinho. É uma data que celebra a presença, o cuidado e a responsabilidade de quem, em muitos momentos da vida, colocou as necessidades dos filhos acima das próprias. Mas existe uma pergunta que merece espaço nessa reflexão: quem cuida da saúde de quem sempre cuidou de todos?

Durante muito tempo, o papel do pai foi associado quase exclusivamente ao trabalho e à responsabilidade de prover a família. Crescemos ouvindo que um bom pai precisava ser forte, resistente e capaz de enfrentar qualquer dificuldade. Em muitos casos, essa ideia acabou criando uma consequência silenciosa: homens passaram a acreditar que cuidar da própria saúde era algo secundário, ou até um sinal de fragilidade.

Os números mostram que essa cultura ainda produz impactos importantes. Segundo o Ministério da Saúde, os homens brasileiros vivem, em média, cerca de sete anos menos do que as mulheres e procuram os serviços de saúde com menor frequência, principalmente na atenção primária. É comum que muitos só busquem atendimento quando os sintomas já interferem na rotina ou quando a doença está em estágio mais avançado. Essa realidade contribui para o diagnóstico tardio de doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer, que poderiam ter melhores resultados quando identificados precocemente.

Ao mesmo tempo, existe um dado que considero especialmente interessante. O próprio Ministério da Saúde identifica a paternidade como uma oportunidade para aproximar os homens dos serviços de saúde. A participação no pré-natal, por exemplo, aumenta o contato com ações preventivas e incentiva muitos pais a iniciarem um acompanhamento regular da própria saúde. Em outras palavras, o nascimento de um filho pode representar também o nascimento de um novo olhar sobre o autocuidado.

Essa mudança de comportamento faz sentido. A paternidade transforma prioridades. Passamos a pensar no futuro, no exemplo que deixaremos e no tempo que desejamos compartilhar com nossos filhos. E talvez seja justamente nesse momento que muitos homens percebem que cuidar da própria saúde não é um gesto individual. É uma forma de cuidar da própria família.

Na odontologia, essa reflexão também é extremamente importante. A saúde bucal não deve ser vista apenas como uma questão estética. Alterações na boca podem estar associadas a doenças sistêmicas, processos inflamatórios e condições que afetam a saúde como um todo. Consultas periódicas ao dentista fazem parte da prevenção da mesma forma que exames médicos, controle da pressão arterial ou acompanhamento dos níveis de glicemia.

Como empresário, aprendi que prevenção sempre custa menos do que remediar um problema quando ele já compromete a operação. Na saúde, essa lógica é ainda mais verdadeira. Pequenas atitudes repetidas ao longo dos anos costumam produzir resultados muito maiores do que grandes intervenções realizadas quando a doença já está instalada.

Talvez seja hora de ampliarmos o significado da palavra “provedor”. Prover não é apenas garantir segurança financeira ou oferecer oportunidades aos filhos. É fazer escolhas que aumentem as chances de continuar presente nos aniversários, nas conquistas, nas dificuldades e nos momentos que realmente importam.

*Paulo ZahrCEO da OdontoCompany

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Artigos

A democracia refém de partidos enfraquecidos

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Autor: Luiz Carlos Borges da Silveira*

A democracia depende de partidos políticos fortes, com identidade ideológica, organização e militância ativa. Quando os partidos são sólidos, a sociedade participa mais intensamente da vida política e o debate público ganha qualidade. Antes de 1964, o Brasil possuía partidos com identidade política bem definida e significativa participação popular. Com o regime militar instaurado naquele ano, o sistema partidário foi extinto e substituído pelo bipartidarismo, representado pela Arena e pelo MDB, reduzindo a pluralidade política. Com a redemocratização, na década de 1980, a criação de novos partidos foi novamente permitida. Entretanto, esse processo ocorreu de forma desordenada, favorecendo, em muitos casos, interesses pessoais e projetos eleitorais em detrimento da construção de instituições partidárias consistentes.

A eleição presidencial de 1989, a primeira por voto direto após o fim do regime militar, representou um exemplo da força dos partidos políticos. As principais legendas apresentaram seus candidatos: Ulysses Guimarães (MDB), Leonel Brizola (PDT), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Afif Domingos (PL), Aureliano Chaves (PFL), Mário Covas (PSDB), Roberto Freire (PCB) e Fernando Collor de Mello (PRN). O sistema eleitoral em dois turnos foi concebido justamente para permitir que cada partido apresente seu projeto à sociedade no primeiro turno e, posteriormente, construa alianças no segundo. Esse mecanismo fortalece o debate democrático e valoriza as propostas partidárias. Entretanto, o resultado daquela eleição produziu um efeito contrário ao esperado.

A vitória de Fernando Collor, por um partido de pouca expressão nacional, desestimulou as grandes legendas a lançarem candidatos próprios nas eleições seguintes. Aos poucos, os partidos perderam protagonismo, enquanto as candidaturas individuais passaram a ocupar o centro da disputa política. Ao longo dos anos, mudanças na legislação eleitoral contribuíram para esse enfraquecimento. As comissões provisórias passaram a substituir diretórios legitimamente eleitos, permitindo que decisões locais fossem submetidas aos interesses das cúpulas nacionais. Com isso, os filiados perderam espaço na definição dos rumos de seus próprios partidos. Também desapareceram as disputas internas pelos diretórios, que eram momentos importantes de mobilização, participação e fortalecimento da democracia partidária.

A criação do Fundo Partidário, embora tenha o objetivo de financiar o funcionamento das legendas, concentrou grande poder nas direções nacionais, que passaram a decidir, quase sem controle interno, a distribuição desses recursos. Outro fator que contribuiu para a distorção do sistema político foi a ampliação das emendas parlamentares. Além das frequentes críticas quanto à falta de transparência e aos riscos de mau uso dos recursos públicos, elas fortaleceram o poder eleitoral dos parlamentares em exercício, dificultando a renovação política e reduzindo as oportunidades para novos candidatos. Como consequência, muitos cidadãos idealistas e bem-intencionados passaram a se afastar da atividade política. Um verdadeiro político — com “P” maiúsculo — trabalha pensando nas próximas gerações. Infelizmente, no Brasil de hoje, salvo raras exceções, muitos políticos parecem trabalhar apenas em função das próximas eleições. Essa lógica fez com que os partidos passassem a dedicar mais atenção às eleições legislativas do que às disputas pelo Poder Executivo.

Quanto maior o número de deputados eleitos, maiores são os recursos do Fundo Partidário, o acesso ao Fundo Eleitoral e o poder de negociação das legendas junto ao governo. Mais uma vez, às vésperas de uma eleição presidencial, assistimos a partidos liberando seus dirigentes e parlamentares para apoiarem candidatos diferentes daquele oficialmente indicado pela legenda, conforme as conveniências políticas e eleitorais de cada momento. O fortalecimento das instituições partidárias cede lugar aos interesses circunstanciais. É triste constatar esse cenário. O Brasil é um país de dimensões continentais, rico em recursos naturais, talentoso em seu povo e profundamente abençoado. Merece uma democracia mais sólida, partidos mais representativos e uma política comprometida com o interesse público e com o futuro da nação.

*Luiz Carlos Borges da Silveira é empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal.

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