RECONFIGURAÇÃO ESTRATÉGICA
União Brasil oficializa Gisela Simona na chapa de Otaviano Pivetta ao Governo de Mato Grosso
Quem é Gisela Simona
Gisela Simona Viana de Souza é uma advogada, servidora pública e política mato-grossense. Ficou conhecida como a “Gisela do Procon” devido aos seus anos de atuação na defesa do consumidor. Formada em Direito pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), iniciou sua atuação política ainda na universidade, participando do Diretório Central dos Estudantes (DCE). Construiu sua carreira política em Cuiabá, passando por cargos de suplência federal, disputa à prefeitura, exercício na Câmara dos Deputados e a indicação como candidata a vice-governadora de Mato Grosso.
Origem e Gestão no Procon
Iniciou como conciliadora de defesa do consumidor no Procon-MT em 2001. Atuou como superintendente do órgão estadual de 2008 a 2017. Ampliou o atendimento de 8 mil para 40 mil pessoas por ano e expandiu unidades municipais. Ganhou forte projeção pública ao barrar aumentos indevidos em tarifas intermunicipais em 2017.
Primeiras Eleições e Prefeitura de Cuiabá
Disputou sua primeira eleição em 2018 para deputada federal pelo PROS, alcançando mais de 50 mil votos e ficando como primeira suplente. Concorreu à Prefeitura de Cuiabá em 2020, terminando o primeiro turno na terceira colocação com mais de 52 mil votos.
Destaca-se na Câmara Federal
Filiou-se ao União Brasil em 2022, repetindo a posição de primeira suplente para federal nas urnas. Assumiu o mandato de deputada federal em julho de 2023, durante a licença do titular Fábio Garcia. Focou sua atuação legislativa na defesa dos direitos das mulheres, dos negros e dos consumidores.
Vice de Otaviano Pivetta
O partido União Brasil (UB) oficializou a reestruturação de sua representação na corrida do Poder Executivo Estadual ao confirmar a indicação de Gisela Simona para compor, como candidata a vice-governadora, a chapa encabeçada por Otaviano Pivetta, do Republicanos. A definição reordena o xadrez político local no momento em que as articulações partidárias se afunilam, garantindo a manutenção da aliança entre as siglas e redefinindo os rumos da campanha majoritária.
A indicação alcança figuras de destaque da cena política mato-grossense, consolidando a projeção de Gisela Simona no centro da disputa, ao passo que o deputado federal Fábio Garcia recua para focar em sua postulação de reeleição à Câmara dos Deputados. O acordo preserva o protagonismo do União Brasil no topo do projeto governamental encabeçado por Otaviano Pivetta, mantendo intacta a base de sustentação partidária construída para o pleito.
A formalização da nova composição ocorreu nesta terça-feira, 11, ao longo de intensas deliberações entre as lideranças das legendas. O anúncio público consolida a tempestividade das decisões estratégicas adotadas pela coalizão, garantindo a continuidade imediata da agenda eleitoral e o alinhamento das propostas a serem apresentadas ao eleitorado.
As negociações e o ato oficial de homologação do nome de Gisela Simona tiveram como palco as dependências do Palácio Paiaguás, centro administrativo do Governo de Mato Grosso, localizado na capital, Cuiabá. O ambiente institucional abrigou as reuniões decisivas entre as cúpulas partidárias, selando a repactuação do projeto político no coração do Poder Executivo Estadual.
A transição na chapa operacionalizou-se por meio de conversações diretas entre os quadros majoritários e os diretórios das siglas envolvidas, culminando no aceite do convite formulado a Gisela. A movimentação ocorreu de forma articulada, visando dar uma resposta célere às exigências do calendário eleitoral e assegurar a estabilidade da aliança governista diante da vacância no posto de vice.
O redirecionamento na composição foi motivado pela desistência voluntária de Fábio Garcia, anunciada formalmente no mesmo dia. O parlamentar optou por retirar sua postulação ao cargo majoritário para concentrar esforços em sua candidatura proporcional, permitindo que a coligação reorganizasse suas forças sem romper a convergência entre os partidos aliados.
A reestruturação busca atender à necessidade de manter a unidade da coligação e conferir maior densidade representativa à chapa, combinando a experiência técnica e a projeção popular da nova candidata. O movimento estratégico almeja fortalecer a conexão do projeto com o eleitorado da Baixada Cuiabana, preservando a capacidade de articulação política da base governista.
Paralelamente às negociações políticas, o cenário estadual é impactado por desdobramentos de investigações conduzidas pela Polícia Federal, que apuram supostas irregularidades em acordos administrativos envolvendo cifras superiores a R$ 308 milhões entre o Poder Executivo e a operadora Oi. A conjuntura exige das lideranças um posicionamento focado no rigor institucional e na transparência pública perante a sociedade.
Ao aceitar a missão, Gisela Simona enfatizou que o convite reflete sua trajetória profissional como servidora pública e a representatividade que carrega no cenário político. A candidata declarou assumir o desafio com responsabilidade e alegria, reafirmando seu compromisso de atuar de forma altiva na defesa dos interesses do Estado e das pautas sociais prioritárias.
A partir desta homologação, os integrantes do bloco alinhado a Otaviano Pivetta e Gisela Simona passam a estruturar o plano de governo e o calendário de agendas de rua, enquanto Fábio Garcia redireciona sua pré-campanha rumo ao Legislativo Federal. Os próximos passos da coalizão estarão centrados no fortalecimento do diálogo com os municípios e na consolidação da plataforma política junto ao eleitorado mato-grossense.
Política
Desdobramentos políticos e a pressão pela CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso
A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu a pressão política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A iniciativa busca investigar supostas irregularidades em contratos consignados e o pagamento de precatórios que somam R$ 308 milhões em benefício da empresa de telefonia Oi S.A.
Atualmente, o requerimento oposicionista conta com sete assinaturas, necessitando de apenas mais uma adesão para que seja realizada a leitura oficial em Plenário e iniciado o processo formal de apuração no âmbito legislativo estadual.
Quem são os envolvidos:
As investigações da Polícia Federal atingem diretamente figuras centrais do cenário político mato-grossense, incluindo o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (UB) e a gestão do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre os alvos que sofreram mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens, figuram a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, seus três filhos, além do ex-secretário de Estado Mauro Carvalho e seus familiares.
No parlamento, destacam-se as atuações dos deputados Valdir Barranco (PT), defensor da comissão; Diego Guimarães, representante da base governista; e Júlio Campos, que adota uma postura intermediária.

Quando os fatos se deram:
A deflagração das medidas ostensivas da Operação Heritage ocorreu na última quinta-feira, dia 6, deflagrando um efeito imediato nas articulações parlamentares do Estado. A intensificação dos debates sobre a criação da CPI e as manifestações públicas dos deputados estaduais ocorreram nesta quarta-feira, dia 12. O contexto temporal ganha relevância adicional por situar-se a menos de 55 dias do pleito eleitoral e próximo ao recesso do Poder Legislativo, elemento que influencia diretamente o ritmo e a viabilidade das negociações políticas na Casa de Leis.
Onde a apuração se concentra:
O foco principal das diligências e das discussões institucionais está sediado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), onde tramita a coleta de assinaturas para o requerimento. Contudo, os desdobramentos operacionais abrangem diversos endereços residenciais e comerciais no Estado onde foram cumpridos os mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A abrangência territorial das investigações reflete a amplitude das relações financeiras e contratuais estabelecidas entre os agentes públicos, as instituições bancárias e a concessionária de telefonia.

Por que a operação foi deflagrada:
A atuação do Poder Judiciário e dos órgãos federais de fiscalização decorre da necessidade de averiguar indícios de favorecimento financeiro e desvio de recursos públicos do erário estadual. A suspeita central recai sobre a homologação de um acordo extraordinário firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A., além de possíveis fraudes na gestão de contratos de empréstimos consignados.
A gravidade das denúncias e o expressivo montante financeiro envolvido fundamentaram a expedição das ordens de busca, apreensão e bloqueio de bens pela Suprema Corte.
Como os mandados foram executados:
As ações policiais foram executadas de forma simultânea por equipes da Polícia Federal, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão direcionados aos alvos da investigação. Paralelamente às buscas físicas, determinou-se o bloqueio patrimonial e bancário de 61 pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas ao esquema.
A coleta de documentos, mídias digitais e eventuais provas materiais visa instruir o inquérito policial e subsidiar as análises técnicas referentes às movimentações de capitais realizadas entre os envolvidos.
Quais os argumentos da oposição:
A bancada oposicionista, liderada publicamente pelo deputado Valdir Barranco, classifica a conduta anterior da Casa de Leis como uma omissão perante denúncias que já circulavam informalmente no parlamento. Para os parlamentares de oposição, a intervenção da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal expõe a necessidade premente de a Assembleia Legislativa Mato-grossense cumprir o seu papel fiscalizador.
O grupo argumenta que os deputados têm o dever de assinar a lista, considerando constrangedora a inércia legislativa diante de indícios consolidados de irregularidades na gestão pública.

Qual a defesa apresentada pela base governista:
Por sua vez, a base de sustentação do Palácio Paiaguás, representada pelo deputado Diego Guimarães, defende prudência e questiona o momento escolhido para a mobilização da comissão. Os parlamentares governistas argumentam que a proximidade do período eleitoral pode desviar o foco de uma apuração técnica e rigorosa, transformando a CPI em um instrumento de exploração política.
Segundo essa perspectiva, a iniciativa arrisca converter-se em um factoide destinado a expor os gestores públicos e a favorecer os adversários do governo na disputa eleitoral vindoura.
Qual a postura da posição intermediária:
Posicionado de forma neutra em relação aos blocos, o deputado Júlio Campos ratificou o avanço na captação de adesões ao requerimento, mas manifestou ceticismo quanto à utilidade prática do colegiado no momento atual. O parlamentar ressaltou que a execução de mandados judiciais pela Polícia Federal pressupõe a existência de estudos aprofundados e quebras de sigilo consolidadas no inquérito principal.
Contudo, apesar de ressaltar a redundância da medida ante a atuação federal, assegurou que participará ativamente dos trabalhos caso a comissão seja efetivamente instalada.
Quais os desdobramentos futuros:
O cenário político de Mato Grosso permanece em suspenso, condicionado à obtenção da oitava assinatura necessária para a formalização do pedido de CPI na Mesa Diretora. Caso o quórum mínimo seja alcançado e a leitura efetuada em Plenário, caberá aos blocos partidários a indicação dos membros que comporão o colegiado investigativo.
A evolução do caso dependerá tanto da tramitação do inquérito sob sigilo no Supremo Tribunal Federal quanto da capacidade de articulação entre os parlamentares para viabilizar os trabalhos da comissão antes do recesso.
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