RETORNO EM CLIMA DE OPERAÇÃO HERITAGE
Desdobramentos políticos e a pressão pela CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso
A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu a pressão política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A iniciativa busca investigar supostas irregularidades em contratos consignados e o pagamento de precatórios que somam R$ 308 milhões em benefício da empresa de telefonia Oi S.A.
Atualmente, o requerimento oposicionista conta com sete assinaturas, necessitando de apenas mais uma adesão para que seja realizada a leitura oficial em Plenário e iniciado o processo formal de apuração no âmbito legislativo estadual.
Quem são os envolvidos:
As investigações da Polícia Federal atingem diretamente figuras centrais do cenário político mato-grossense, incluindo o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (UB) e a gestão do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre os alvos que sofreram mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens, figuram a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, seus três filhos, além do ex-secretário de Estado Mauro Carvalho e seus familiares.
No parlamento, destacam-se as atuações dos deputados Valdir Barranco (PT), defensor da comissão; Diego Guimarães, representante da base governista; e Júlio Campos, que adota uma postura intermediária.

Quando os fatos se deram:
A deflagração das medidas ostensivas da Operação Heritage ocorreu na última quinta-feira, dia 6, deflagrando um efeito imediato nas articulações parlamentares do Estado. A intensificação dos debates sobre a criação da CPI e as manifestações públicas dos deputados estaduais ocorreram nesta quarta-feira, dia 12. O contexto temporal ganha relevância adicional por situar-se a menos de 55 dias do pleito eleitoral e próximo ao recesso do Poder Legislativo, elemento que influencia diretamente o ritmo e a viabilidade das negociações políticas na Casa de Leis.
Onde a apuração se concentra:
O foco principal das diligências e das discussões institucionais está sediado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), onde tramita a coleta de assinaturas para o requerimento. Contudo, os desdobramentos operacionais abrangem diversos endereços residenciais e comerciais no Estado onde foram cumpridos os mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A abrangência territorial das investigações reflete a amplitude das relações financeiras e contratuais estabelecidas entre os agentes públicos, as instituições bancárias e a concessionária de telefonia.

Por que a operação foi deflagrada:
A atuação do Poder Judiciário e dos órgãos federais de fiscalização decorre da necessidade de averiguar indícios de favorecimento financeiro e desvio de recursos públicos do erário estadual. A suspeita central recai sobre a homologação de um acordo extraordinário firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A., além de possíveis fraudes na gestão de contratos de empréstimos consignados.
A gravidade das denúncias e o expressivo montante financeiro envolvido fundamentaram a expedição das ordens de busca, apreensão e bloqueio de bens pela Suprema Corte.
Como os mandados foram executados:
As ações policiais foram executadas de forma simultânea por equipes da Polícia Federal, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão direcionados aos alvos da investigação. Paralelamente às buscas físicas, determinou-se o bloqueio patrimonial e bancário de 61 pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas ao esquema.
A coleta de documentos, mídias digitais e eventuais provas materiais visa instruir o inquérito policial e subsidiar as análises técnicas referentes às movimentações de capitais realizadas entre os envolvidos.
Quais os argumentos da oposição:
A bancada oposicionista, liderada publicamente pelo deputado Valdir Barranco, classifica a conduta anterior da Casa de Leis como uma omissão perante denúncias que já circulavam informalmente no parlamento. Para os parlamentares de oposição, a intervenção da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal expõe a necessidade premente de a Assembleia Legislativa Mato-grossense cumprir o seu papel fiscalizador.
O grupo argumenta que os deputados têm o dever de assinar a lista, considerando constrangedora a inércia legislativa diante de indícios consolidados de irregularidades na gestão pública.

Qual a defesa apresentada pela base governista:
Por sua vez, a base de sustentação do Palácio Paiaguás, representada pelo deputado Diego Guimarães, defende prudência e questiona o momento escolhido para a mobilização da comissão. Os parlamentares governistas argumentam que a proximidade do período eleitoral pode desviar o foco de uma apuração técnica e rigorosa, transformando a CPI em um instrumento de exploração política.
Segundo essa perspectiva, a iniciativa arrisca converter-se em um factoide destinado a expor os gestores públicos e a favorecer os adversários do governo na disputa eleitoral vindoura.
Qual a postura da posição intermediária:
Posicionado de forma neutra em relação aos blocos, o deputado Júlio Campos ratificou o avanço na captação de adesões ao requerimento, mas manifestou ceticismo quanto à utilidade prática do colegiado no momento atual. O parlamentar ressaltou que a execução de mandados judiciais pela Polícia Federal pressupõe a existência de estudos aprofundados e quebras de sigilo consolidadas no inquérito principal.
Contudo, apesar de ressaltar a redundância da medida ante a atuação federal, assegurou que participará ativamente dos trabalhos caso a comissão seja efetivamente instalada.
Quais os desdobramentos futuros:
O cenário político de Mato Grosso permanece em suspenso, condicionado à obtenção da oitava assinatura necessária para a formalização do pedido de CPI na Mesa Diretora. Caso o quórum mínimo seja alcançado e a leitura efetuada em Plenário, caberá aos blocos partidários a indicação dos membros que comporão o colegiado investigativo.
A evolução do caso dependerá tanto da tramitação do inquérito sob sigilo no Supremo Tribunal Federal quanto da capacidade de articulação entre os parlamentares para viabilizar os trabalhos da comissão antes do recesso.
Política
Wellington Fagundes supera Otaviano Pivetta e Natasha Shlessarenko em todos os cenários testados
Nesta quarta-fera (12), o Instituto de Pesquisa, Real Time Big Data, divulgou os numeros para as eleições de 2026 ao Estado de Mato Grosso, aponta o Senador Wellington Fagundes (PL) com 34% das intenções de voto no cenário principal de primeiro turno para o governo do Mato Grosso. O candidato aparece à frente do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que marca 26%. Considerando a margem de erro, Fagundes detém a liderança isolada da disputa.
A lista segue com Natasha Slhessarenko (PSD) com 13%, enquanto Rafael Milas (Missão) anota 3% e o candidato Sgto. Laudicério Aguiar Machado (Agir) tem 1%. O nome de Maurício Coelho (Mobiliza) integrou o disco de pesquisa, mas o candidato não pontuou. Os eleitores que indicam voto nulo ou em branco somam 12%, e os que não sabem ou preferiram não responder representam 11%.

Segundo turno
Em um eventual segundo turno, Wellington Fagundes também aparece numericamente à frente na disputa.
Na simulação principal, Fagundes registra 45% das intenções de voto contra o atual Governador do Estado, Otaviano Pivetta, com 32%.
O cenário contabiliza ainda os eleitores que declaram voto nulo ou em branco com 12%, enquanto os que não sabem ou não responderam somam 11%.

Já em um cenário com a candidata Natasha Shlessarenko, o parlamentar do PL amplia sua vantagem. Na simulação direta entre os dois, Wellington Fagundes vai a 52% da preferência do eleitorado mato-grossense. Por outro lado, Natasha Shlessarenko atinge 26%.
Neste embate, os votos nulos e brancos representam 11%, mesmo percentual daqueles que não sabem ou não responderam com 11%.

Na terceira e última simulação testada pelo instituto, o embate é entre o atual chefe do Executivo Estadual e a candidata do PSD, Natasha Shlessarenko. Neste caso, o atual governador Otaviano Pivetta lidera com 42%, enquanto Natasha Shlessarenko anota 30% das intenções de voto.
Os eleitores que optam por nulo ou branco totalizam 14%, idêntico índice dos que não sabem ou não responderam com 14%.
Metodologia
A RealTime Big Data entrevistou 1.600 eleitores do Mato Grosso entre os dias 07 e 11 de agosto. A margem de erro do levantamento é de 2,0 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.
O levantamento foi contratado por Real Time Big Data e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo MT-04560/2026.
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