Política
Desembargador Rui Ramos eleito novo presidente do TJ/MT
Eleito novo presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso nesta quinta-feira (20), o desembargador Rui Ramos Ribeiro pretende administrar o Poder Judiciário no biênio 2017/2018 focado na prática jurisdicional. Em entrevista coletiva concedida após a eleição realizada pelo Tribunal Pleno, o desembargador afirmou que sua gestão será voltada para o pragmatismo e para a prestação de serviços, que é dever do Poder Judiciário.
"Nossa expectativa é sempre voltada para o pragmatismo. Não adianta fazermos ideologias, muitas ideias futuristas, que disso todos nós estamos cansados. Precisamos de aspectos práticos, que se cumpra o que é possível de se cumprir. Buscaremos um trabalho diuturno, simples e eficaz", enfatizou.
Rui Ramos Ribeiro ressaltou que o Judiciário é um Estado de caráter social e não um Estado político-eleitoral, como o Executivo e o Legislativo, e por isso deve cumprir seu papel diante da sociedade. "Eu tenho um serviço a prestar à comunidade, tenho direitos constitucionais e infraconstitucionais e eles seguramente serão exigidos. Todas as medidas – judiciais ou não – serão tomadas porque eu não posso ser apenas um garantidor de salário dos servidores e magistrados. Tenho um trabalho a prestar a todos".
Um dos aspectos mais esperados pelos servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso com a eleição da nova diretoria é o diálogo. Quanto a isso, o presidente eleito externou uma preocupação especial e garantiu que dará atenção a todo o quadro funcional do PJMT. "Os servidores são heróis anônimos. Desconhecemos os servidores que estão nas comarcas, que estão na ponta. Também não conheço todos os magistrados. São pessoas que estão ali em uma luta tremenda, porque essa modificação mostrada no Justiça em Números não foi por milagre, foi por trabalho diário, foi por esforço dessas pessoas e por isso elas merecem uma aproximação. Temos que ir aos polos ouvi-las. Quando preparar um projeto, é preciso ouvir os colegas e é isso que vamos fazer", destacou.
Uma das preocupações do futuro presidente diz respeito a metas de médio e longo prazo. Ele reconheceu os avanços obtidos com o planejamento executado na gestão do atual presidente, desembargador Paulo da Cunha, e agora planeja executar ações mais longas. "Nenhum de nós vai conseguir salvar o mundo em dois anos. Tivemos um excelente desempenho em 2015, nas metas rápidas, a curto prazo. Temos muito trabalho a médio e a longo prazo a ser preparado também", observou.
Histórico – Nascido na cidade de Bauru (SP), o desembargador Rui Ramos Ribeiro tem 58 anos. Graduou-se na Faculdade de Direito de Bauru – Instituto Toledo de Ensino, em 1982, e passou a fazer parte da magistratura de Mato Grosso como juiz de Direito em 4 de dezembro de 1986. O então juiz iniciou sua carreira na Comarca de Rosário Oeste (128 km ao norte de Cuiabá) e passou pelas comarcas de Pontes e Lacerda, Diamantino e Cáceres até ser promovido à Capital, em 1993.
Atuou como juiz da Vara Especializada da Justiça Militar (1993 a 1996), 6ª Vara Criminal (1996 a 2003), diretor do Fórum Criminal (1998 e 1999), juiz convocado para compor Câmaras Criminais Isoladas, Reunidas e Tribunal Pleno (1994 a 2003), juiz auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça (1999 a 2001), e juiz substituto de Segundo Grau (2003 a 2004). Por merecimento, em 16 de dezembro de 2004 foi promovido a desembargador do TJMT, tendo atuado como diretor da Esmagis entre os anos de 2009 e 2011 e vice-diretor de 2007 a 2009.
No âmbito do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), o desembargador também teve ampla atuação: foi juiz eleitoral de 1986 a 2001, em períodos alternados, passando pela Capital, Rosário Oeste e Pontes e Lacerda; membro substituto do Tribunal em 2003 e 2004; coordenador da propaganda política das eleições de 2004; diretor da Escola Judiciária Eleitoral (2009 a 2012), vice-presidente, corregedor e alcançou a Presidência no biênio 2011/2013.
Desde que se mudou para Cuiabá, o desembargador sempre mesclou a carreira da magistratura com o magistério. É professor da disciplina de Direito Penal na Universidade de Cuiabá (Unic), na Escola Superior da Magistratura do Estado de Mato Grosso (Esmagis) e na Escola Superior do Ministério Público do Estado de Mato Grosso desde 1994, além de ter trabalhado no Curso de Formação de Oficiais da Academia da Polícia Militar, lecionando a disciplina de Direito Penal Militar.
Recentemente ele foi nomeado pela Corregedoria Nacional de Justiça como coordenador regional da região Centro-Oeste e Estado de Minas Gerais entre os anos de 2014 e 2015 e atuou como desembargador auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça no período de dezembro de 2015 a julho de 2016, por nomeação da ministra Nancy Andrighi.
Títulos e homenagens – Em 2006, foi conferido ao desembargador o grau de Comendador pela Ordem do Mérito de Mato Grosso, bem como pelo Mérito Judiciário do Trabalho, conferido pelo Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (23ª Região). Dois anos antes, ele recebeu a condecoração de Cidadão Cuiabano, além de ser premiado com a Medalha Ministro Franciulli Netto, do Colégio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura. Em 2014, foi admitido no corpo de graduados especiais da Ordem do Mérito Militar, no grau de oficial conferido pelo Ministro de Estado da Defesa do Brasil à época, Celso Amorim.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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