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NAS MÃOS DO MINITÉRIO PÚBLICO

Conflito institucional e supostas irregularidades financeiras mobilizam o Ministério Público de MT

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A estabilidade política do Estado de Mato Grosso enfrenta um momento de profunda tensão após o protocolo oficial de uma denúncia criminal que aponta severas irregularidades na gestão de ativos públicos. O deputado estadual Júlio Campos (UB) formalizou, perante a Procuradoria-Geral de Justiça, um pedido de investigação rigorosa sobre o destino e a aplicação de vultosos recursos estaduais em Fundos de Investimento.

O cerne da acusação reside na suspeita de que centenas de milhões de reais, oriundos do erário público, tenham sido expostos a riscos desmedidos em operações financeiras com conexões sombrias, incluindo vínculos indiretos com organizações criminosas de âmbito nacional.

O pivô central da controvérsia é o ex-governador e atual correligionário do denunciante, Mauro Mendes (UB), cuja gestão é questionada pela natureza dos aportes realizados por meio da MTPar. Segundo o documento protocolado em 7 de abril de 2026, o governo teria destinado entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões ao MTPar Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC). O parlamentar fundamenta sua ação em reportagens investigativas de circulação nacional, as quais detalham que tal fundo teria sofrido um colapso financeiro, resultando em um prejuízo bilionário que compromete diretamente a saúde fiscal e o patrimônio da sociedade mato-grossense.

As operações sob escrutínio ocorreram no contexto da reestruturação da concessão da Rodovia BR-163, quando o estado assumiu o controle da antiga Rota do Oeste para destravar obras de infraestrutura fundamentais. Para viabilizar a transação e liquidar dívidas da Odebrecht com instituições bancárias, o governo estadual teria utilizado o MTPar FIDC como veículo financeiro. Entretanto, o que se apresenta agora como um fato gravíssimo é a acusação de que este fundo manteve relações de investimento com o “Money Market”, o qual, por sua vez, teria recebido aportes de entidades ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A denúncia foi oficializada na capital, Cuiabá, após uma série de declarações públicas do deputado Júlio Campos em emissoras de rádio locais. A decisão de levar o caso ao Ministério Público Estadual (MPE) surgiu após o Procurador-geral de Justiça, Dr. Rodrigo Fonseca, exigir que as alegações fossem apresentadas formalmente por escrito para que qualquer procedimento investigativo pudesse ser instaurado.

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A iniciativa do deputado estadual ocorre em um cenário de silêncio de outros órgãos de controle, conforme pontuado pelo próprio parlamentar, que criticou a inércia institucional diante das revelações trazidas a público pela imprensa paulista e portais de jornalismo investigativo.

A motivação por trás do ato de Júlio Campos, segundo suas próprias palavras, é a preservação da moralidade administrativa e a proteção do capital social da MTPar, empresa pública cujo patrimônio pertence exclusivamente ao Estado.

O deputado enfatiza que a gravidade das conexões apontadas envolvendo a gestora Reag Investimentos e fundos suspeitos de lavagem de dinheiro impede qualquer negligência política. Para o unista, a transparência na gestão da rodovia “Nova Rota” e o rastreio do dinheiro público são imperativos que se sobrepõem às alianças partidárias, visando esclarecer se houve, de fato, benefício indevido a grupos privados em detrimento dos cofres públicos.

O método utilizado para a transferência dos recursos revela uma engenharia financeira complexa e, para os investigadores, potencialmente nebulosa. Registros indicam que o MTPar FIDC depositou cerca de R$ 1 milhão no Money Market Fundo de Investimento Renda Fixa. Este último estaria conectado ao fundo Hans 95, investigado por movimentar aproximadamente R$ 1 bilhão para empresas ligadas a estruturas financeiras sob suspeição. A interconectividade desses ativos levanta questões sobre o rigor da compliance estatal e a prudência necessária ao selecionar gestoras de recursos que operam em mercados de alto risco e baixa transparência.

Para além do prejuízo direto, a denúncia destaca um possível conflito de interesses na administração da malha rodoviária. O ex-governador Pedro Taques, em depoimento recente à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado, reforçou que um ex-CEO da Reag Investimentos, empresa que administra o fundo estatal foi nomeado para o conselho de direção da Nova Rota do Oeste. Essa sobreposição de funções entre quem gere o fundo investidor e quem comanda a execução das obras públicas gera suspeitas sobre a imparcialidade das decisões estratégicas e financeiras tomadas pela autarquia estadual durante o processo de aquisição da concessão.

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Quanto ao montante exato, os dados contábeis apresentam lacunas que despertam o interesse das autoridades. Embora o governo tenha anunciado a compra da dívida bancária por R$ 447 milhões para livrar a antiga concessionária do passivo com o BNDES, o valor ainda consta nos balanços do fundo como “Direitos Creditórios com Aquisição Substancial de Riscos”. Adicionalmente, em abril de 2025, o governo teria realizado um pagamento suplementar de R$ 650 mil sob a rubrica de “manutenção de recursos”, vinculando-o ao Contrato 037/2023. Tal documento, entretanto, não foi localizado nos portais de transparência, o que dificulta o controle social e a fiscalização parlamentar.

A urgência da nomeação de um procurador de Justiça específico para o caso reflete a celeridade que a situação demanda. O Ministério Público agora possui o dever de periciar os fluxos bancários e os contratos celebrados entre a MTPar e as gestoras de fundos. A investigação deverá determinar se a cúpula do governo tinha ciência da origem e do destino dos investimentos cruzados ou se houve falha sistêmica na fiscalização dos ativos. A sociedade aguarda uma resposta clara sobre como um projeto de infraestrutura vital para o escoamento da produção agrícola estadual acabou envolto em uma trama que tangencia o crime organizado e a insolvência financeira.

Portanto, o desfecho deste embate jurídico e político definirá os rumos da governança em Mato Grosso nos próximos anos. Se as irregularidades forem comprovadas, o estado enfrentará não apenas um vácuo ético, mas um desafio hercúleo para recuperar o prestígio institucional e os valores perdidos em operações temerárias.

Por ora, o protocolo efetuado por Júlio Campos retira o tema das sombras das discussões de bastidores e o coloca sob a luz do rigor processual, onde o direito à defesa e a busca pela verdade real devem prevalecer em nome do interesse público e da integridade da administração republicana.

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Política

Inversão de cenário no eleitorado de Mato Grosso impulsiona disputa ao Governo Estadual

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Uma mudança expressiva na disposição do eleitorado mato-grossense reconfigurou o panorama político regional e colocou a sucessão para o Poder Executivo Estadual em um cenário de disputa aberta. Conforme levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado nesta segunda-feira, dia 24 de agosto, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu numericamente a liderança das intenções de voto no estado de Mato Grosso. O gestor ultrapassou o senador Wellington Fagundes (PL), revertendo uma vantagem expressiva que favorecia o parlamentar há oito meses e alterando a dinâmica das alianças regionais.

A alteração do quadro eleitoral ocorreu de forma gradual ao longo do último período, impulsionada pela consolidação de Otaviano Pivetta na chefia do Executivo e pela consequente reorganização das forças partidárias locais. Entre dezembro de 2025 e agosto do ano corrente, o cenário sem a presença do senador Jayme Campos registrou uma movimentação expressiva de 19 pontos na diferença entre os dois principais concorrentes. A alteração na dinâmica política reflete a absorção da imagem do atual governador como candidato à reeleição perante o eleitorado, alterando a hierarquia que antes parecia consolidada na corrida ao Palácio Paiaguás.

O levantamento estatístico abrangeu 1.504 eleitores distribuídos por 56 municípios do Estado de Mato Grosso, selecionados para compor uma amostragem representativa do eleitorado local. As entrevistas foram conduzidas de maneira presencial e domiciliar entre os dias 21 e 23 de agosto. O estudo técnico foi contratado pela empresa Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda., e devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de identificação MT-02157/2026, respeitando as normas legais vigentes para a divulgação de pesquisas eleitorais.

Na pesquisa Estimulada para o primeiro turno, Otaviano Pivetta atingiu 39% das intenções de voto, enquanto Wellington Fagundes registrou 35%, configurando um empate técnico dentro do limite da margem de erro. A médica Natasha Slhessarenko (PSD) obteve 8,7%, seguida por Sargento Laudicério (Agir), com 2,2%, Maurício Coelho (Mobiliza), com 0,4%, e Rafaell Milas (Missão), com 0,3%.

Os votos brancos e nulos somaram 8,1% do total, ao passo que 6,3% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder ao questionamento.

A virada promovida pelo atual governador em um intervalo de oito meses representa o elemento analítico de maior relevância no estudo estatístico. Em dezembro do ano anterior, Wellington Fagundes liderava a disputa com 43,1% contra 28,1% do adversário, estabelecendo uma distância de 15 pontos percentuais. No levantamento atual, Otaviano Pivetta cresceu 10,9 pontos percentuais, enquanto o senador recuou 8 pontos, transformando a desvantagem inicial do chefe do Executivo em uma liderança numérica de quatro pontos percentuais na consulta induzida.

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A tendência de alteração do eleitorado consolidou-se também na simulação de um eventual segundo turno entre os dois primeiros colocados.

No levantamento anterior, Wellington superava Pivetta por 48,6% a 32,8%, ostentando uma margem favorável de 15,8 pontos. O cenário presente aponta o governador com 44,3% e o senador com 40,8%, evidenciando um movimento de 19,3 pontos na distância relativa entre ambos.

Embora a diferença atual de 3,5 pontos mantenha os pré-candidatos em empate técnico, a trajetória sinaliza uma perda de ritmo da candidatura opositora.

No cenário Espontâneo, no qual os nomes dos postulantes não são apresentados aos entrevistados, a lembrança do nome do governador apresentou dados ainda mais favoráveis à sua candidatura. Otaviano Pivetta foi citado espontaneamente por 15,9% dos eleitores, enquanto Wellington Fagundes alcançou 8,6% e Natasha Slhessarenko obteve 2,7%.

A vantagem de 7,3 pontos obtida pelo gestor público demonstra um grau superior de fixação de sua imagem junto à parcela do eleitorado que já se encontra mais engajada no processo sucessório estadual.

Os índices de rejeição apurados pelo instituto de pesquisa fornecem elementos adicionais para compreender a movimentação da massa votante.

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O senador Wellington Fagundes registrou 25,7% de rejeição entre os entrevistados, que afirmaram não votar nele sob qualquer hipótese, ao passo que Otaviano Pivetta apresentou 16,3% e Natasha atingiu 19,3%. Essa diferença de 9,4 pontos na rejeição amplia o teto potencial de crescimento do governador, facilitando a atração de eleitores indecisos ou dispostos a migrar de opção nas etapas subsequentes.

A sustentação da ascensão eleitoral de Pivetta encontra respaldo direto nos índices de aprovação de sua gestão à frente do Governo do Estado. A administração estadual conta com a aprovação de 69,5% dos entrevistados, contra 23,3% de desaprovação.

No detalhamento conceitual, 49,2% dos cidadãos avaliam o governo como ótimo ou bom, 32,2% o classificam como regular e 14,4% o consideram ruim ou péssimo.

Essa percepção positiva sobre o desempenho administrativo cria um ambiente político favorável à tese de continuidade da gestão.

A despeito da consolidação da candidatura governista, a disputa permanece aberta devido ao elevado contingente de eleitores ainda não decididos no estado. O levantamento revelou que 65,2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram indicar espontaneamente um nome para o governo estadual.

Esse expressivo volume de votos não cristalizados representa o principal campo de atuação para as campanhas operarem nas próximas etapas, quando o início da propaganda e o afunilamento do pleito definirão se a tendência atual se consolidará em vitória nas urnas.

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