Política
Policia Civil incentiva o uso da Delegacia Virtual na guerra contra o “Coronavírus”
A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso tem tomado todas as medidas para evitar a propagação do “Coronavírus” entre seus servidores e dependentes, bem como para proteger a população mato-grossense.
Entre as ações desenvolvidas pela Diretoria Geral da PJC está orientação à população quanto a dispersão de espaços públicos como bares, restaurantes e praças seguindo a determinação do Governo do Estado e da prefeitura de Cuiabá. O objetivo é lembrar os cidadãos de que neste momento suas casas são os locais mais seguros contra o “Coronavírus“.
Todas as ações tem sido apoiadas pelo Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de Mato Grosso (Sinpol-MT) com participação efetiva da diretoria sindical.
“No último final de semana, acompanhamos a Delegacia do Consumidor (DECOM) em rondas por estabelecimentos comerciais orientando a população para a necessidade de confinamento para reduzir ao máximo o risco de contágio do Covid-19. Além disso, orientamos comerciantes a praticarem apenas o serviço delivery para comercialização de seus produtos, conforme decreto municipal“, explicou Edleusa Mesquita, presidente do Sinpol-MT.
Edleusa lembrou que “desde a última semana, investigadores de polícia estão visitando delegacias distribuindo kits com álcool gel, luvas e máscaras para os policiais em serviço.“
“Já que o Governo não tem feito sua parte, estamos cuidando da saúde dos nossos policiais; sindicalizados ou não“.
A Polícia Civil também está incentivando o uso da Delegacia Virtual, já que através da internet todos os cidadãos podem fazer registro de ocorrências sem a necessidade de comparecer às delegacias físicas evitando o contato com outras pessoas e ambientes possivelmente infectados pelo “Coronavírus“.
“No site da Delegacia Virtual o cidadão pode registrar extravio e furto, ameaças, exercício ilegal da profissão, constrangimento ilegal, violação de domicílio, furto de celulares, desaparecimento de pessoas, calúnia, difamação, injúria, entre outros serviços. Assim, protegido em casa, qualquer pessoa tem acesso aos serviços da Polícia Judiciária Civil“, explicou Edleusa.
“Queremos lembrar que o cidadão também pode fazer o pré-registro de outras ocorrências pelo site, como estelionato e acidente de trânsito sem vítima fatal. Após concluir o pré-registro, basta anotar o protocolo e fazer a pré-validação da ocorrência via telefone: (65) 3901-4834 / 98563-3009 / 98463-3698. Feito isso, o declarante receberá, via e-mail, seu Boletim de Ocorrência validado“, concluiu a presidente.
As ocorrências que requerem laudos periciais ou isolamento da cena do crime, como arrombamento, estupro, assassinato, espancamento e pone, têm prazos curtos para atuação efetiva da polícia, por isso a comunicação virtual deve ser imediata.
Na última segunda-feira (23), o sindicato baixou Portaria (001/presidência/sinpol-mt/2020) suspendendo pelo prazo de 15 dias a prática de esportes e eventos (confraternização ou reunião) em suas dependências, além do serviço de transporte de sindicalizados e de hotel de trânsito; salvo em caso de hospedes que estejam realizando quimioterapia na Capital. O expediente da sede e subsedes também está suspenso.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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