Política
Compra de vaga no TCE; Jeferson Scheider marca audiência para dia 23
O Juiz Jeferson Scheider, da 5ª Vera Federal de Mato Grosso, interrogou ex-integrantes do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) em setembro de 2018 que foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) na “Operação Ararath”, no caso que envolve uma possível compra de uma vaga de conselheiro no TCE.
O ex-secretário estadual de Fazenda (Sefaz), Éder de Moraes Dias, os ex-conselheiros do TCE, Alencar Soares Filho e Humberto Mello Bosaipo, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), José Geraldo Riva e o ex-governador Silval da Cunha Barbosa, foram ouvidos na sede da Justiça Federal de Mato Grosso.
Os denunciados respondem pelos crimes de corrupção ativa e passiva e por lavagem de dinheiro. O processo diz respeito à denúncia de compra da vaga que era ocupada por Sergio Ricardo de Almeida que estava no cargo de Conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso, e acabou sendo afastado devido as denúncias de compra de votos em janeiro de 2017 por determinação do Juiz Luís Aparecido Bortolussi Júnior, da Vara Especializada Ação Civil Pública e Ação Popular, de Cuiabá. Contra Sergio Ricardo, investigações e ações criminais tramitaram no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A ação era sigilosa. O caso tem desdobramentos cível e criminal na Justiça Estadual. Em colaboração premiada firmada em 2017, o ex-governador Silval da Cunha Barbosa delatou o ato de corrupção.
O Juiz Federal Jeferson Schneider, da 5ª Vara Federal em seu novo despacho marcou para o dia 23 deste mês, às 13h30, uma audiência para oitiva das testemunhas informantes de acusação.
O Juiz federal Jeferson Schneider, negou pedido de absolvição sumária formulada pelas defesas dos réus o ex-governador Silval Barbosa, o ex-presidente da Assembleia Legislativa, José Geraldo Riva, o ex-secretário de Estado Éder de Moraes Dias e os ex-conselheiros do TCE, Humberto Melo Bosaipo e Alencar Soares Filho, após o Ministério Público Federal (MPF) oferecer denúncia contra nove pessoas por crime de corrupção ativa envolvendo a compra de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Com isso, ele já marcou audiência para ouvir as primeiras testemunhas de acusação na ação penal derivada da “Operação Ararath”, deflagrada pela Polícia Federal em 2013.
A decisão se estende ainda aos familiares do ex-conselheiro Alencar Soares, Leandro Valões Soares e Leonardo Valões Soares (filhos) e Márcia Beatriz Valões Soares Metello (esposa). O empresário Marcos Tolentino da Silva, delator na “Operação Ararath”, também é réu e não conseguiu ser absolvido sumariamente no processo.
A decisão que negou absolvição dos réus foi proferida no dia 22 de abril deste ano. O empresário e atual chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho Júnior, também é réu num processo sigiloso da “Operação Ararath”, mas seu nome não foi citado na decisão que negou pedidos de absolvição.
Em relação a Carvalho foi negado um pedido formulado por sua defesa para juntada de uma nota promissória aos autos uma vez que o próprio MPF anexou cópia da nota promissária na denúncia. A defesa também não esclareceu nem fundamentou qual prova pretende produzir com a apresentação da via original.
Conforme as investigações, o ex-conselheiro Alencar Soares, que foi alvo da 5ª fase da Ararath, teria usado conta dos filhos e de terceiros para receber depósitos da venda de sua vaga no TCE que passou a ser ocupada por Sérgio Ricardo de Almeida após pagamento de R$ 4 milhões.
As negociações teriam ocorrido iniciado em 2008 quando Blairo Borges Maggi (PP) era governador de Mato Grosso e teria dado aval para a transação.
À época, Silval Barbosa era vice-governador e Eder Moraes era secretário de Estado de Fazenda.
“Eles entram na trama criminosa, tomando dinheiro ‘emprestado’, ainda no embrião do sistema criminoso de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro”, consta na denúncia do Ministério Público Federal.
Sustenta o Ministério Público Federal que os R$ 4 milhões utilizados para a compra da vaga de conselheiro ocupada por Alencar Soares saíram de empréstimos intermediados por Éder Moraes, que operava o esquema com aval e conhecimento de Blairo Maggi e Silval Barbosa.
O ex-deputado estadual Sérgio Ricardo tomou posse no TCE como conselheiro no dia 16 de maio de 2012, mas está afastado do cargo desde janeiro de 2017 por determinação da Justiça. (Com informações do O Documento)
Política
Inversão de cenário no eleitorado de Mato Grosso impulsiona disputa ao Governo Estadual
Uma mudança expressiva na disposição do eleitorado mato-grossense reconfigurou o panorama político regional e colocou a sucessão para o Poder Executivo Estadual em um cenário de disputa aberta. Conforme levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado nesta segunda-feira, dia 24 de agosto, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu numericamente a liderança das intenções de voto no estado de Mato Grosso. O gestor ultrapassou o senador Wellington Fagundes (PL), revertendo uma vantagem expressiva que favorecia o parlamentar há oito meses e alterando a dinâmica das alianças regionais.
A alteração do quadro eleitoral ocorreu de forma gradual ao longo do último período, impulsionada pela consolidação de Otaviano Pivetta na chefia do Executivo e pela consequente reorganização das forças partidárias locais. Entre dezembro de 2025 e agosto do ano corrente, o cenário sem a presença do senador Jayme Campos registrou uma movimentação expressiva de 19 pontos na diferença entre os dois principais concorrentes. A alteração na dinâmica política reflete a absorção da imagem do atual governador como candidato à reeleição perante o eleitorado, alterando a hierarquia que antes parecia consolidada na corrida ao Palácio Paiaguás.
O levantamento estatístico abrangeu 1.504 eleitores distribuídos por 56 municípios do Estado de Mato Grosso, selecionados para compor uma amostragem representativa do eleitorado local. As entrevistas foram conduzidas de maneira presencial e domiciliar entre os dias 21 e 23 de agosto. O estudo técnico foi contratado pela empresa Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda., e devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de identificação MT-02157/2026, respeitando as normas legais vigentes para a divulgação de pesquisas eleitorais.
Na pesquisa Estimulada para o primeiro turno, Otaviano Pivetta atingiu 39% das intenções de voto, enquanto Wellington Fagundes registrou 35%, configurando um empate técnico dentro do limite da margem de erro. A médica Natasha Slhessarenko (PSD) obteve 8,7%, seguida por Sargento Laudicério (Agir), com 2,2%, Maurício Coelho (Mobiliza), com 0,4%, e Rafaell Milas (Missão), com 0,3%.
Os votos brancos e nulos somaram 8,1% do total, ao passo que 6,3% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder ao questionamento.
A virada promovida pelo atual governador em um intervalo de oito meses representa o elemento analítico de maior relevância no estudo estatístico. Em dezembro do ano anterior, Wellington Fagundes liderava a disputa com 43,1% contra 28,1% do adversário, estabelecendo uma distância de 15 pontos percentuais. No levantamento atual, Otaviano Pivetta cresceu 10,9 pontos percentuais, enquanto o senador recuou 8 pontos, transformando a desvantagem inicial do chefe do Executivo em uma liderança numérica de quatro pontos percentuais na consulta induzida.
A tendência de alteração do eleitorado consolidou-se também na simulação de um eventual segundo turno entre os dois primeiros colocados.
No levantamento anterior, Wellington superava Pivetta por 48,6% a 32,8%, ostentando uma margem favorável de 15,8 pontos. O cenário presente aponta o governador com 44,3% e o senador com 40,8%, evidenciando um movimento de 19,3 pontos na distância relativa entre ambos.
Embora a diferença atual de 3,5 pontos mantenha os pré-candidatos em empate técnico, a trajetória sinaliza uma perda de ritmo da candidatura opositora.
No cenário Espontâneo, no qual os nomes dos postulantes não são apresentados aos entrevistados, a lembrança do nome do governador apresentou dados ainda mais favoráveis à sua candidatura. Otaviano Pivetta foi citado espontaneamente por 15,9% dos eleitores, enquanto Wellington Fagundes alcançou 8,6% e Natasha Slhessarenko obteve 2,7%.
A vantagem de 7,3 pontos obtida pelo gestor público demonstra um grau superior de fixação de sua imagem junto à parcela do eleitorado que já se encontra mais engajada no processo sucessório estadual.
Os índices de rejeição apurados pelo instituto de pesquisa fornecem elementos adicionais para compreender a movimentação da massa votante.

O senador Wellington Fagundes registrou 25,7% de rejeição entre os entrevistados, que afirmaram não votar nele sob qualquer hipótese, ao passo que Otaviano Pivetta apresentou 16,3% e Natasha atingiu 19,3%. Essa diferença de 9,4 pontos na rejeição amplia o teto potencial de crescimento do governador, facilitando a atração de eleitores indecisos ou dispostos a migrar de opção nas etapas subsequentes.
A sustentação da ascensão eleitoral de Pivetta encontra respaldo direto nos índices de aprovação de sua gestão à frente do Governo do Estado. A administração estadual conta com a aprovação de 69,5% dos entrevistados, contra 23,3% de desaprovação.
No detalhamento conceitual, 49,2% dos cidadãos avaliam o governo como ótimo ou bom, 32,2% o classificam como regular e 14,4% o consideram ruim ou péssimo.
Essa percepção positiva sobre o desempenho administrativo cria um ambiente político favorável à tese de continuidade da gestão.
A despeito da consolidação da candidatura governista, a disputa permanece aberta devido ao elevado contingente de eleitores ainda não decididos no estado. O levantamento revelou que 65,2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram indicar espontaneamente um nome para o governo estadual.
Esse expressivo volume de votos não cristalizados representa o principal campo de atuação para as campanhas operarem nas próximas etapas, quando o início da propaganda e o afunilamento do pleito definirão se a tendência atual se consolidará em vitória nas urnas.
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