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NÃO CORRESPONDEU AS EXPECTATIVAS

Derrota de aliados de Blairo Maggi nas urnas expõe reveses políticos em Mato Grosso

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A influência política do ex-governador do Estado de Mato Grosso, empresário do Agronegócio e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)no governo Lula, Blairo Borges Maggi, enfrentou um revés significativo nas eleições de 2026. Reconhecido nacionalmente por sua trajetória empresarial no setor Agropecuário e frequentemente associado ao título de “Rei da Soja”, Maggi declarou apoio a três candidatos considerados estratégicos para a manutenção de seu grupo político no Estado.

O principal personagem desta movimentação política foi o próprio Blairo Maggi, que apostou publicamente nas candidaturas de Carlos Fávaro ao Senado Federal, Paulo Araújo para uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), e Neri Geller para a Câmara dos Deputados. Os três nomes eram vistos como representantes de um campo político com forte interlocução junto ao Agronegócio mato-grossense.

A disputa ocorreu em Mato Grosso, Estado que ocupa posição de destaque na economia nacional em razão de sua expressiva produção agrícola. Tradicionalmente vinculado aos grandes debates do Agronegócio brasileiro, o território tornou-se palco de uma eleição que colocou em teste a capacidade de mobilização de importantes lideranças políticas e empresariais.

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O objetivo das candidaturas apoiadas por Maggi era ampliar ou preservar a representação política de seu grupo nos principais espaços de decisão do país. A estratégia buscava fortalecer a interlocução do setor produtivo rural tanto no Congresso Nacional quanto no Parlamento Estadual.

Entretanto, o resultado das urnas não correspondeu às expectativas dos aliados do ex-governador. Conforme a apuração eleitoral, nenhum dos três candidatos apoiados por Maggi conseguiu alcançar o desempenho necessário para consolidar o projeto político defendido durante a campanha.

O caso que mais chamou atenção foi o de Carlos Fávaro. Ocupando mandato no Senado Federal, o parlamentar disputou a reeleição, mas acabou derrotado no processo eleitoral. Com isso, deixará a Casa Legislativa ao término de seu mandato, encerrando um ciclo de representação política em Brasília.

Outro resultado relevante envolveu Neri Geller, reconhecido nacionalmente por sua atuação em pautas ligadas ao Agronegócio. Apesar da experiência acumulada e da visibilidade conquistada ao longo de sua trajetória política, o candidato não obteve votação suficiente para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados.

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No âmbito estadual, Paulo Araújo também não alcançou o resultado esperado na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa Mato-grossense. Sua derrota completou a sequência de insucessos dos candidatos que receberam o respaldo político de Maggi durante o pleito.

As derrotas registradas possuem relevância porque envolvem figuras historicamente associadas a um dos grupos mais influentes da política e da economia mato-grossense. O resultado evidencia mudanças no comportamento do eleitorado e sugere um cenário de reorganização das forças políticas no Estado.

Dessa forma, as eleições de 2026 produzem um fato político de grande repercussão regional: a rejeição, nas urnas, das três principais apostas eleitorais de Blairo Maggi.

O episódio representa um sinal de alerta para lideranças tradicionais ligadas ao Agronegócio e poderá influenciar diretamente as articulações partidárias e estratégicas que antecederão os próximos ciclos eleitorais em Mato Grosso.

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Política

MDB e União Brasil admitem falhas estratégicas após eleições e defendem reestruturação para os próximos desafios políticos

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As primeiras avaliações realizadas por lideranças partidárias após as eleições estaduais em Mato Grosso revelam um cenário de autocrítica, preocupação com a formação de chapas e defesa de uma ampla reorganização interna. Nesta quarta-feira (7), durante a retomada das sessões ordinárias da Assembleia Legislativa, parlamentares do MDB e do União Brasil analisaram os resultados das urnas, reconheceram erros na condução das estratégias eleitorais e defenderam mudanças para fortalecer suas respectivas legendas nos próximos ciclos eleitorais.

O principal protagonista da análise no MDB foi o deputado estadual Doutor João José, reeleito com 55.955 votos. O parlamentar reconheceu que o partido ficou aquém das expectativas ao conquistar apenas três cadeiras na Assembleia Legislativa Mato-grossense, quando a meta estabelecida era alcançar cinco vagas. Além dele, foram eleitos Léo Bortolin, com 51.040 votos, e Thiago Silva, com 40.856 votos. Já Eduardo Botelho terminou como primeiro suplente da legenda, somando 37.359 votos.

Segundo Doutor João José, o resultado decorreu principalmente do desempenho abaixo do esperado de parte dos candidatos que integraram a chapa emedebista. De acordo com sua avaliação, a estratégia partidária foi construída considerando a existência de pelo menos cinco nomes capazes de alcançar votações expressivas e contribuir para um resultado coletivo mais robusto. Entretanto, a expectativa não se confirmou nas urnas, comprometendo a ampliação da bancada estadual.

Ao refletir sobre os fatores que influenciaram o desempenho eleitoral, o parlamentar também apontou a predominância do individualismo durante a campanha. Para ele, a ausência de maior integração entre os candidatos prejudicou a construção de um projeto coletivo e não foi uma característica restrita ao MDB.

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Na sua avaliação, o comportamento individualista esteve presente em praticamente todas as legendas que participaram da disputa eleitoral.

Outro tema abordado foi a derrota da presidente estadual do MDB, a deputada estadual Janaina Riva, na corrida pelo Senado Federal. Questionado sobre a aliança firmada com o PL, Doutor João José admitiu que, diante do resultado obtido, a composição política não produziu os efeitos esperados. Embora a coligação fosse considerada positiva antes do pleito, ele reconheceu que o desfecho eleitoral levou parte da legenda a reavaliar a estratégia adotada.

Enquanto o MDB inicia discussões sobre seu processo de reconstrução, o União Brasil também enfrenta um período de reflexão interna. O deputado estadual Dilmar Dal Bosco, reeleito com 56.294 votos, manifestou insatisfação com o desempenho da legenda, que garantiu apenas duas cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), para a próxima legislatura. Além dele, somente Sebastião Rezende, com 32.108 votos, conseguiu a reeleição pelo partido.

Na avaliação de Dilmar, um dos principais problemas foi a formação de uma chapa considerada reduzida para uma disputa proporcional de grande porte. O parlamentar argumentou que a presença de apenas nove candidatos limitou significativamente o potencial eleitoral do partido, mesmo diante da influência política exercida por lideranças importantes da legenda, entre elas o então governador unista Mauro Mendes, eleito senador no mesmo processo eleitoral.

Durante sua análise, o deputado afirmou que chegou a projetar a possibilidade de o União Brasil conquistar apenas uma cadeira quando faltavam cerca de vinte dias para o pleito. Contudo, a manutenção de sua base eleitoral e o crescimento da votação de outros candidatos levaram-no a revisar os cálculos, prevendo corretamente a eleição de dois deputados estaduais. Ainda assim, ele acredita que uma chapa mais numerosa poderia ter garantido uma terceira vaga ao partido.

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Dilmar também atribuiu parte das dificuldades à falta de liderança na condução do processo de fortalecimento da legenda, especialmente na tarefa de atrair novos filiados e manter quadros políticos competitivos. O parlamentar citou a saída de lideranças relevantes, como Eduardo Botelho, e defendeu uma participação mais ampla das lideranças partidárias na organização interna, sem, contudo, personalizar responsabilidades pelos resultados obtidos.

O processo de reorganização partidária também envolve a preparação para os próximos desafios políticos. Tanto MDB quanto União Brasil defendem o fortalecimento das bases municipais, a realização de reuniões periódicas e a formação de novas lideranças para ampliar a representatividade política nos próximos anos.

Nesse contexto, outro fato que marcou o período pós-eleitoral foi a declaração do deputado Júlio Campos, que, após não conseguir a reeleição e terminar como primeiro suplente do União Brasil com pouco mais de 18 mil votos, admitiu a possibilidade de encerrar sua trajetória política.

Prestes a completar 80 anos e após ocupar diversos cargos eletivos ao longo da carreira, o parlamentar afirmou que já considera a aposentadoria como um caminho natural para o futuro.

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