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CONDUTA GRAVISSÍMA

Deputado teve mandado de prisão expedido após divulgar vídeo com discurso de ódio

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Em vídeo divulgado nas redes sociais minutos antes de ser preso, na noite desta terça-feira, 16, o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) afirmou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), está “entrando numa queda de braço” que não poderia vencer. Moraes expediu no fim da noite desta terça um mandado de prisão por crime inafiançável contra o parlamentar, que mais cedo divulgou vídeo com discurso de ódio contra integrantes da Corte.

A prisão do deputado não é um procedimento comum. Conforme previsto na Constituição, em caso de prisão em flagrante por crime inafiançável, o processo deverá ser enviado dentro de 24 horas para a Câmara, a quem caberá resolver sobre a detenção do deputado.

Na gravação divulgada após a chegada da PF à sua casa em Petrópolis (RJ), Silveira diz que não iria resistir à prisão e que seria conduzido para a Superintendência da Polícia Federal no Rio.

“Ministro, eu quero que você saiba que você está entrando numa queda de braço que você não pode vencer. Não adianta você tentar me calar“, disse o parlamentar, referindo-se a Moraes. “Você acha que vai me assustar e me calar? Eu vou colocar um por um de vocês em seus devidos lugares“.

A prisão do deputado foi determinada no âmbito do inquérito sigiloso que apura ameaças, ofensas e Fake News disparadas contra ministros do Supremo e seus familiares. Moraes entrou em contato com o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), por telefone, logo depois de assinar a decisão.

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Em uma decisão de oito páginas, Moraes destacou que a conduta do parlamentar revela-se ‘gravíssima’, pois atenta contra o Estado Democrático de Direito e suas instituições republicanas.

Silveira investigado no inquérito que mira o financiamento e organização de atos democráticos em Brasília. Em junho, ele foi alvo de buscas e apreensões pela Polícia Federal e teve o sigilo fiscal quebrado por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Em depoimento, o parlamentar negou produzir ou repassar mensagens que incitassem animosidade das Forças Armadas contra o Supremo ou seus ministros.

A gravação que levou Silveira à prisão foi divulgada após o ministro Edson Fachin classificar como “intolerável e inaceitável” qualquer forma de pressão sobre o Poder Judiciário.

A manifestação do ministro foi dada após a revelação de que um tuíte do general Eduardo Villas Bôas, feito em 2018 e interpretado como pressão para que o Supremo não favorecesse o ex-presidente Luiz Inácio “Lula” da Silva, teria sido planejado com o Alto Comando das Forças Armadas.

No vídeo, Silveira afirma que os onze ministros do Supremo “não servem pra porra nenhuma pra esse país“, “não têm caráter, nem escrúpulo nem moral“ e deveriam ser destituídos para a nomeação de “onze novos ministros“.

“Fachin, um conselho pra você. Vai lá e prende o Villas Bôas, rapidão, só pra gente ver um negocinho, se tu não tem coragem. Porque tu não tem culhão pra isso, principalmente o Barroso, que não tem mesmo. Na verdade ele gosta do culhão roxo“, continuou o deputado.

“Gilmar Mendes… Barroso, o que é que ele gosta. Culhão roxo. Mas não tem culhão roxo. Fachin, covarde. Gilmar Mendes… (o deputado faz gesto simulando dinheiro) é isso que tu gosta né, Gilmarzão? A gente sabe“, diz o deputado no vídeo de 19 minutos.

O deputado também faz apologia ao AI-5.

“(Em 19)64 foi dado o contragolpe militar, que teve lá os 17 atos institucionais. O AI-5, que é o mais duro de todos como vocês insistem em dizer, aquele que cassou três ministro da Suprema Corte, você lembra? Cassou senadores, deputados federais, estaduais… foi uma depuração“, diz Silveira.

“Com um recadinho muito claro: se fizer besteirinha, a gente volta“. – (Paulo Roberto Netto, Fausto Macedo e Rafael Moraes Moura)

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Política

Derrota de aliados de Blairo Maggi nas urnas expõe reveses políticos em Mato Grosso

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A influência política do ex-governador do Estado de Mato Grosso, empresário do Agronegócio e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)no governo Lula, Blairo Borges Maggi, enfrentou um revés significativo nas eleições de 2026. Reconhecido nacionalmente por sua trajetória empresarial no setor Agropecuário e frequentemente associado ao título de “Rei da Soja”, Maggi declarou apoio a três candidatos considerados estratégicos para a manutenção de seu grupo político no Estado.

O principal personagem desta movimentação política foi o próprio Blairo Maggi, que apostou publicamente nas candidaturas de Carlos Fávaro ao Senado Federal, Paulo Araújo para uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), e Neri Geller para a Câmara dos Deputados. Os três nomes eram vistos como representantes de um campo político com forte interlocução junto ao Agronegócio mato-grossense.

A disputa ocorreu em Mato Grosso, Estado que ocupa posição de destaque na economia nacional em razão de sua expressiva produção agrícola. Tradicionalmente vinculado aos grandes debates do Agronegócio brasileiro, o território tornou-se palco de uma eleição que colocou em teste a capacidade de mobilização de importantes lideranças políticas e empresariais.

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O objetivo das candidaturas apoiadas por Maggi era ampliar ou preservar a representação política de seu grupo nos principais espaços de decisão do país. A estratégia buscava fortalecer a interlocução do setor produtivo rural tanto no Congresso Nacional quanto no Parlamento Estadual.

Entretanto, o resultado das urnas não correspondeu às expectativas dos aliados do ex-governador. Conforme a apuração eleitoral, nenhum dos três candidatos apoiados por Maggi conseguiu alcançar o desempenho necessário para consolidar o projeto político defendido durante a campanha.

O caso que mais chamou atenção foi o de Carlos Fávaro. Ocupando mandato no Senado Federal, o parlamentar disputou a reeleição, mas acabou derrotado no processo eleitoral. Com isso, deixará a Casa Legislativa ao término de seu mandato, encerrando um ciclo de representação política em Brasília.

Outro resultado relevante envolveu Neri Geller, reconhecido nacionalmente por sua atuação em pautas ligadas ao Agronegócio. Apesar da experiência acumulada e da visibilidade conquistada ao longo de sua trajetória política, o candidato não obteve votação suficiente para conquistar uma vaga na Câmara dos Deputados.

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No âmbito estadual, Paulo Araújo também não alcançou o resultado esperado na disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa Mato-grossense. Sua derrota completou a sequência de insucessos dos candidatos que receberam o respaldo político de Maggi durante o pleito.

As derrotas registradas possuem relevância porque envolvem figuras historicamente associadas a um dos grupos mais influentes da política e da economia mato-grossense. O resultado evidencia mudanças no comportamento do eleitorado e sugere um cenário de reorganização das forças políticas no Estado.

Dessa forma, as eleições de 2026 produzem um fato político de grande repercussão regional: a rejeição, nas urnas, das três principais apostas eleitorais de Blairo Maggi.

O episódio representa um sinal de alerta para lideranças tradicionais ligadas ao Agronegócio e poderá influenciar diretamente as articulações partidárias e estratégicas que antecederão os próximos ciclos eleitorais em Mato Grosso.

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