FORA DA PISTA
Governo compra jatinho, Ministra do CNJ cancela
Recentemente, o Governo do Estado de Mato Grosso autorizou sem licitação, a compra, de um jatinho, com o custo de U$S 1.500.000, a aeronave escolhida foi um CESSNA, modelo Citation Bravo C550, prefixo N100RJ, seminova. A “inexigibilidade de licitação” foi assinada pelo Secretário de Estado de Segurança Pública Alexandre Bustamante dos Santos e publicada no Diário Oficial.
A Sesp emitiu nota e afirmou que se trata de uma parceria entre o Governo e o Tribunal de Justiça. Os recursos são oriundos de multas em ações penais e a aeronave vai atender os poderes Executivo e o Judiciário.
A aeronave foi adquirida da empresa “South Regional Aviation Enterprise Inc”, com sede na Flórida, nos Estados Unidos. O modelo pode transportar até 8 passageiros em uma cabine extremamente silenciosa e confortável, que chega à 45 mil pés e a uma velocidade de 400 kts, cerca de 740 Km/h.

Compra em discussão
Logo após o Governo do Estado ter anunciado a compra do jatinho, alguns parlamentares aproveitaram a oportunidade para fazerem suas críticas pedindo explicação sobre a compra da aeronave.
A parlamentar estadual do MDB, Janaína Greyce Riva, disse que o Legislativo pretendia saber o porquê da compra durante a Pandemia da Covid-19 e qual foi o valor que o Governo do Estado injetou na compra, já que segundo o próprio Governo do Estado, cerca de R$ 7.7 milhões vieram do Poder Judiciário, através de recursos recuperados da corrupção.
“Nesse momento é ruim para uma aquisição como essa. A não ser que esse vem para atender casos de saúde, carregar vacina, nesse momento pelo menos durante a Pandemia e me disseram que parte do governo é de R$ 150 mil do governo, mas não tenho certeza. Vou fazer uma cobrança até para o governo enviar para a Assembleia Legislativa“.
Já o deputado estadual do Partido dos Trabalhadores (PT), Lúdio Frank Mendes Cabral foi mais além, entrou com Ação na Justiça, para anular a compra do jatinho de R$ 8,5 milhões sem licitação feita pelo Governo de Mato Grosso. Ele apontou diversas ilegalidades no processo de aquisição e questionou a necessidade desse gasto no meio da Pandemia de Covid-19.
“Cada governante elege suas prioridades. Por que é prioridade do atual governo comprar um jato de luxo? O governo de Mato Grosso deveria usar os recursos que tem para proteger a população mais vulnerável, investir num programa de renda emergencial para as famílias que estão passando fome, e dar apoio às micro e pequenas empresas atingidas pela pandemia. Além disso, a aquisição desse jato é ilegal. Não existe justificativa para fazer uma compra dessa sem licitação”.
Agora, foi a vez do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) através da ministra Maria Thereza de Assis Moura, que determinou o cancelamento da compra de um avião de luxo pelo Governo de Mato Grosso.
Em sua decisão ela diz:
“O Poder Judiciário e o Ministério Público não podem reverter valores perdidos em favor do erário ao seu próprio benefício. Por bom senso e, até mesmo, por moralidade, os órgãos encarregados da persecução penal não devem ter interesse na destinação dos valores confiscados”.
Maria Thereza de Assis Moura diz ainda na decisão que a destinação de valores decorrentes de condenações criminais, colaborações premiadas ou de outros acordos cabe a União, “desde que não haja vinculação legal expressa”.
“A conversão da renda é o procedimento adequado para a contabilização do recurso e previsão da despesa correspondente, via legislação orçamentária. Se há valores em conta judicial, o procedimento adequado é a conversão em renda ao tesouro, não a entrega direta por meio de Protocolo de Intenções”.
Em sua decisão, a ministra determinou que o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT) desembargadora Maria Helena Gargaglione Povoas suspenda o repasse e pediu que a 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá converta em renda dos valores em conta de depósito judicial com decisão de destinação ao erário transitada em julgado, no prazo de cinco dias, e foi determinado que Corregedoria-Geral de Justiça do Mato Grosso faça a fiscalização de que a conversão da renda aconteça no prazo estabelecido e sem condicionantes.
“Diante do exposto, determino a suspensão imediata dos repasses de valores em decorrência ao protocolo de intenções”.
ECONOMIA
Europa supera China e paga até 40% mais pela carne bovina produzida em MT
Embora a China continue como principal compradora da carne bovina produzida em Mato Grosso, são os mercados europeus que oferecem a maior remuneração pelo produto do Estado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, no primeiro semestre de 2026, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada de carne bovina mato-grossense, enquanto os demais países europeus desembolsaram US$ 6.667 por tonelada. Os valores superam em até 40% o preço médio pago pela China, de US$ 4.745 por tonelada.
A diferença evidencia uma estratégia cada vez mais importante para a pecuária de Mato Grosso: além de ampliar mercados, conquistar destinos que remuneram melhor a carne produzida. Embora a China tenha absorvido 55,2% dos embarques mato-grossenses no primeiro semestre, os mercados europeus se destacam pelo maior valor agregado dos produtos exportados e pelas exigências relacionadas à qualidade e rastreabilidade.
Esse cenário também é refletido no Índice de Atratividade das Exportações, indicador elaborado pelo Imea que compara quanto cada mercado remunera a carne bovina em relação ao valor da arroba do boi gordo em Mato Grosso. Na prática, o índice mede a capacidade de cada destino gerar retorno econômico para a cadeia produtiva: quanto maior o índice, maior é o valor agregado obtido na exportação.

Nesse ranking, a União Europeia lidera com índice de 108,49, seguida pelos demais países da Europa (98,59). Em comparação, a China registra índice de 74,37, atrás ainda do Oriente Médio (76,58) e da América do Norte (75,47). Os números mostram que, embora compre menor volume, o mercado europeu proporciona uma remuneração significativamente superior pela carne mato-grossense.
“A China continuará sendo um parceiro estratégico pela capacidade de absorção de grandes volumes, mas o avanço da carne mato-grossense em mercados como a União Europeia demonstra que nossos produtores também estão preparados para atender consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento. Isso aumenta a competitividade da cadeia e agrega valor à produção”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.
Segundo Andrade, ampliar a presença em mercados mais exigente fortalece toda a cadeia produtiva e reduz a dependência de poucos compradores.
“Diversificar mercados significa aumentar a segurança comercial da pecuária mato-grossense. Quanto maior a participação em destinos que pagam mais pelo produto, maior é o estímulo para investimentos em tecnologia, genética, eficiência produtiva e programas de conformidade socioambiental”, enfatiza.
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