Artigo
O fortalecimento do comércio em Mato Grosso passa pela atuação Renalegis
Autor: José Wenceslau de Souza Junior* –
O cenário econômico de Mato Grosso é marcado pela expressiva contribuição do comércio e dos serviços, que representam mais de 60% da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no estado, conforme dados da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT). Esses setores desempenham um papel vital na economia local, gerando empregos e impulsionando o desenvolvimento regional.
Entendendo a real necessidade de defender os interesses desses setores, que são, de fato, representados pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), implantamos há cinco anos o Sistema Renalegis – Rede Nacional de Assessorias Legislativas, permitindo, assim, acompanhar propostas de leis em todas as esferas legislativas que possam vir a impactar as cadeias produtivas que mais contribuem com o desenvolvimento do nosso estado.
Um exemplo concreto desse trabalho foi a atuação da Federação diante de um projeto de lei que obrigaria os estabelecimentos comerciais e veículos a disporem de desfibriladores cardíacos e de pessoas capacitadas para utilizar o equipamento. Após um diálogo construtivo com os parlamentares da Casa de Leis do estado, onde demonstramos os impactos negativos dessa medida para diversos segmentos produtivos, conseguimos o arquivamento da propositura pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A relação colaborativa com o parlamento também abre espaço para o desenvolvimento de legislações mais justas e oportunas, que beneficiem tanto os empresários quanto a sociedade em geral. Uma vez que um projeto de lei passe a vigorar e traga novas obrigações aos setores produtivos, pode gerar um impacto negativo como aumento de preços aos consumidores.
Um passo a mais da federação na atuação legislativa foi ser a pioneira na implantação do sistema em uma câmara municipal de vereadores, na capital Cuiabá. A presença ativa da Fecomércio nessas instâncias legislativas tem possibilitado um aumento significativo da sua influência junto aos parlamentares. De acordo com o Relatório Anual Renalegis de 2022, foram acompanhados 48 Projetos de Lei na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), resultando no arquivamento de 33 propostas consideradas prejudiciais aos setores representados pela federação.
No ano subsequente, esse número saltou para 63 projetos acompanhados, dos quais 15 foram arquivados e sete tiveram substitutivos acatados, graças ao trabalho da Assessoria Legislativa da entidade. Essas ações demonstram o compromisso da Fecomércio em defender os interesses dos comerciantes e prestadores de serviços do estado, evitando potenciais prejuízos decorrentes da aprovação de legislações desfavoráveis.
O engajamento ativo da Fecomércio-MT nas questões legislativas tem sido fundamental para fortalecer o ambiente de negócios em Mato Grosso, garantindo que as demandas e preocupações dos setores do comércio e serviços sejam devidamente representadas e defendidas nos espaços políticos. Essa atuação proativa contribui para a promoção do desenvolvimento econômico e social do estado, estimulando o crescimento empresarial e a geração de empregos.
*José Wenceslau de Souza Júnior é empresário em Mato Grosso há 40 anos e atualmente preside o Sistema Comércio de Mato Grosso, formado por Fecomércio MT, Sesc, Senac e IPF-MT.
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Menopausa: quando o silêncio se torna um problema de saúde pública
Autora: Vanessa Oliveira* –
Durante décadas, a menopausa foi tratada como um assunto privado, quase constrangedor. Os sintomas que acompanham essa fase da vida feminina foram naturalizados como um preço inevitável do envelhecimento, sem que recebessem a mesma atenção dedicada a outras condições que afetam milhões de brasileiros. Entre eles, as ondas de calor, ou fogachos, permanecem como um dos exemplos mais claros de como um problema altamente prevalente ainda é cercado por desinformação e negligência.
Os números revelam a dimensão dessa realidade. Entre 50% e 75% das mulheres que atravessam a menopausa sofrem com ondas de calor, e aproximadamente um terço das brasileiras apresenta sintomas moderados ou graves. Estima-se que cerca de 17 milhões de mulheres estejam atualmente no climatério, fase de transição hormonal que envolve a menopausa e seus efeitos.
Não se trata apenas de uma sensação passageira de calor. Os fogachos podem surgir diversas vezes ao dia, interromper reuniões, comprometer apresentações profissionais, prejudicar o sono e provocar cansaço crônico. Quando acontecem durante a noite, transformam o descanso em sucessivas interrupções, com reflexos diretos sobre memória, concentração, produtividade e qualidade de vida. O impacto ultrapassa o desconforto físico e alcança dimensões sociais, emocionais e econômicas.
A ciência já compreende com razoável clareza a origem desses episódios. A redução dos níveis de estrogênio torna o hipotálamo, responsável pela regulação da temperatura corporal, excessivamente sensível às pequenas variações térmicas. O organismo reage como se estivesse superaquecido, desencadeando intensa vasodilatação e sudorese. Não é exagero nem fragilidade: é uma resposta fisiológica decorrente das mudanças hormonais próprias dessa etapa da vida.
Ainda assim, persiste um comportamento preocupante: muitas mulheres deixam de procurar orientação médica por acreditarem que “é assim mesmo”. Essa resignação ajuda a explicar por que boa parte das pacientes permanece sem qualquer tratamento, apesar dos prejuízos cotidianos que enfrentam.
O debate precisa avançar para além da reposição hormonal. Embora seja uma alternativa eficaz para muitas pacientes, ela não é indicada para todas. Há espaço para uma abordagem mais ampla, baseada em hábitos de vida saudáveis, controle do peso, prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, técnicas de manejo do estresse e, quando indicadas por profissionais de saúde, suplementações nutricionais que possam contribuir para o bem-estar durante essa fase.
Outro aspecto que merece atenção é o crescente conjunto de evidências que relaciona fogachos frequentes a maior risco cardiovascular. Embora a associação ainda continue sendo estudada, ela reforça que esses sintomas não devem ser vistos apenas como uma questão de conforto, mas como um possível marcador clínico que merece acompanhamento adequado.
À medida que a população brasileira envelhece e a expectativa de vida aumenta, discutir menopausa deixa de ser uma pauta exclusivamente feminina para se tornar uma questão de saúde pública. Empresas precisam compreender seus impactos sobre o ambiente de trabalho. Profissionais de saúde devem estar preparados para acolher essas pacientes sem minimizar seus relatos. E a sociedade precisa abandonar a ideia de que sofrer em silêncio faz parte do envelhecimento.
A menopausa não é uma doença, mas tampouco deve ser encarada como um período em que milhões de mulheres simplesmente precisam aprender a conviver com sintomas incapacitantes. Informação de qualidade, acompanhamento médico individualizado e maior conscientização social são ferramentas fundamentais para transformar essa experiência. Afinal, viver mais deve significar também viver melhor.
*Vanessa Oliveira é biomédica e doutoranda em Neurociências, com atuação voltada à bioquímica, toxicologia, envelhecimento celular e saúde preventiva e atua na Lushe Cosmetics.
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