RESPIRANDO COM OXIGÊNIO
TJ retirou de pauta o julgamento que pode revalidar a cassação de Abílio
Estava marcado para o dia 31 de outubro, pela Primeira Câmara de Direito Público e Coletivo do Tribunal de Justiça, o processo de julgamento contra o ex-vereador e deputado federal eleito pelo Partido Liberal (PL), Abílio Jacques Brunini Moumer, o Abílio Júnior.
Abílio Júnior, foi eleito no dia 02 de outubro pelos eleitores de Mato-grossenses com 87.072 mil votos válidos nas urnas, e foi o deputado mais votado pela chapa do Partido Liberal. O julgamento do deputado federal eleito no dia 31 de outubro irá refletir no resultado das eleições deste pleito. Caso venha acontecer a cassação, o parlamentar deve perder o mandato na Câmara Federal por causa da Lei da Ficha Limpa.
O colegiado votará se chancela ou não a decisão da 4 ª Vara da Fazenda Pública, que revalidou o processo de cassação de Abílio Brunini, em 2020. Se for impedido de ser diplomado, a vaga será preenchida pelo deputado federal Carlos Gomes Bezerra, que não obteve votos suficientes para ser reeleito, permanecendo na primeira suplência do MDB.

O processo está sob a relatoria do desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Márcio Vidal. Contudo, a defesa de Abílio alega que a Câmara Municipal de Cuiabá teria restringido seu direito de defesa, pois a sentença teria sido definida sem dar tempo para ele se manifestar.
O desembargador Márcio Vidal já concedeu a Abílio Brunini, em julho passado, o direito de disputar as eleições, por entender que a Câmara de Cuiabá não respeitou o regimento interno ao não receber licença da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para processar Abílio Júnior.
Ao analisar o caso, o desembargador verificou que estão presentes os requisitos de probabilidade de direito e o risco de dano grave, de difícil ou impossível reparação.
O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Márcio Vidal citou que no Processo Administrativo que culminou na cassação do mandato de Abílio Júnior, não foi respeitada a regra prevista no próprio Regimento Interno da Câmara de Vereadores, que determina a necessidade de licença, emitida pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR), para processar vereador. Essa situação, segundo o desembargador, “trata-se de vício insanável”.
“Logo, a não observância de tal regra demonstra que o Apelo tem probabilidade ser provido”.
“Quanto à existência do dano grave e de difícil reparação, penso que é manifesta, uma vez que o Requerente pretende disputar um cargo eletivo nas eleições do corrente ano, e a sentença implicou a perda dos direitos políticos, tornando-o inelegível”, completou o magistrado ao deferir a liminar.
Mais oxigênio para Abílio
O Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJ/MT) retirou de pauta o julgamento que pode revalidar a cassação do deputado eleito Abílio Brunini do Partido Liberal (PL). A análise do agravo interno proposto pela Prefeitura de Cuiabá estava marcada para o dia 31, mas o julgamento foi cancelado, depois que o Processo Judicial Eletrônico (PJE) apresentou instabilidade.
Segundo despacho da Primeira Câmara de Direito Público e Coletivo, a falha no sistema ocorreu nos dias 5, 6 e 7 de outubro, fazendo com que todos os documentos protocolados fossem perdidos.
Dentre os documentos estavam as contrarrazões apresentadas pela defesa de Abílio Junior, que são o instrumento processual para refutar os argumentos da parte agravante, neste caso, a Prefeitura de Cuiabá. Os advogados, então, foram intimados para proceder nova juntada, o que atrasou o julgamento.
Ainda sem nova data, o pedido da prefeitura deve ser julgado em sessão virtual, que deve durar cinco dias. Nesse modelo, não há videconferência e cada desembargador irá incluir o voto por escrito dentro do prazo estabelecido.
Abílio cassado
Abílio Jacques Brunini Moumer, o Abílio Júnior, foi cassado em 2020 quando exercia mandato de vereador pela Câmara de Cuiabá. A cassação foi baseada na quebra de decoro parlamentar cometida, em tese, durante fiscalizações em que o parlamentar teria coagido servidores públicos. Posteriormente, Abílio Júnior deu início a uma batalha judicial para tornar sem efeito a decisão do plenário que o tornou inelegível.
Em julho de 2022, o então vereador conseguiu decisão favorável à suspensão dos efeitos da cassação, o que permitiu que ele concorresse a uma vaga à Câmara dos Deputados.
Na sequência, a Prefeitura de Cuiabá protocolou recurso pela manutenção dos efeitos da cassação sob o argumento de que houve inovação recursal ou processual no pedido de Abílio Júnior para ser liberado para concorrer as eleições. – (Com HNT)
Política
Desdobramentos políticos e a pressão pela CPI na Assembleia Legislativa de Mato Grosso
A deflagração da “Operação Heritage” pela Polícia Federal (PF), com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), reacendeu a pressão política na Assembleia Legislativa de Mato Grosso para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A iniciativa busca investigar supostas irregularidades em contratos consignados e o pagamento de precatórios que somam R$ 308 milhões em benefício da empresa de telefonia Oi S.A.
Atualmente, o requerimento oposicionista conta com sete assinaturas, necessitando de apenas mais uma adesão para que seja realizada a leitura oficial em Plenário e iniciado o processo formal de apuração no âmbito legislativo estadual.
Quem são os envolvidos:
As investigações da Polícia Federal atingem diretamente figuras centrais do cenário político mato-grossense, incluindo o grupo político do ex-governador Mauro Mendes (UB) e a gestão do atual governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Entre os alvos que sofreram mandados de busca e apreensão e bloqueio de bens, figuram a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, seus três filhos, além do ex-secretário de Estado Mauro Carvalho e seus familiares.
No parlamento, destacam-se as atuações dos deputados Valdir Barranco (PT), defensor da comissão; Diego Guimarães, representante da base governista; e Júlio Campos, que adota uma postura intermediária.

Quando os fatos se deram:
A deflagração das medidas ostensivas da Operação Heritage ocorreu na última quinta-feira, dia 6, deflagrando um efeito imediato nas articulações parlamentares do Estado. A intensificação dos debates sobre a criação da CPI e as manifestações públicas dos deputados estaduais ocorreram nesta quarta-feira, dia 12. O contexto temporal ganha relevância adicional por situar-se a menos de 55 dias do pleito eleitoral e próximo ao recesso do Poder Legislativo, elemento que influencia diretamente o ritmo e a viabilidade das negociações políticas na Casa de Leis.
Onde a apuração se concentra:
O foco principal das diligências e das discussões institucionais está sediado na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), onde tramita a coleta de assinaturas para o requerimento. Contudo, os desdobramentos operacionais abrangem diversos endereços residenciais e comerciais no Estado onde foram cumpridos os mandados judiciais expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A abrangência territorial das investigações reflete a amplitude das relações financeiras e contratuais estabelecidas entre os agentes públicos, as instituições bancárias e a concessionária de telefonia.

Por que a operação foi deflagrada:
A atuação do Poder Judiciário e dos órgãos federais de fiscalização decorre da necessidade de averiguar indícios de favorecimento financeiro e desvio de recursos públicos do erário estadual. A suspeita central recai sobre a homologação de um acordo extraordinário firmado entre o Governo do Estado de Mato Grosso e a operadora Oi S.A., além de possíveis fraudes na gestão de contratos de empréstimos consignados.
A gravidade das denúncias e o expressivo montante financeiro envolvido fundamentaram a expedição das ordens de busca, apreensão e bloqueio de bens pela Suprema Corte.
Como os mandados foram executados:
As ações policiais foram executadas de forma simultânea por equipes da Polícia Federal, com o cumprimento de 25 mandados de busca e apreensão direcionados aos alvos da investigação. Paralelamente às buscas físicas, determinou-se o bloqueio patrimonial e bancário de 61 pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas ao esquema.
A coleta de documentos, mídias digitais e eventuais provas materiais visa instruir o inquérito policial e subsidiar as análises técnicas referentes às movimentações de capitais realizadas entre os envolvidos.
Quais os argumentos da oposição:
A bancada oposicionista, liderada publicamente pelo deputado Valdir Barranco, classifica a conduta anterior da Casa de Leis como uma omissão perante denúncias que já circulavam informalmente no parlamento. Para os parlamentares de oposição, a intervenção da Polícia Federal e do Supremo Tribunal Federal expõe a necessidade premente de a Assembleia Legislativa Mato-grossense cumprir o seu papel fiscalizador.
O grupo argumenta que os deputados têm o dever de assinar a lista, considerando constrangedora a inércia legislativa diante de indícios consolidados de irregularidades na gestão pública.

Qual a defesa apresentada pela base governista:
Por sua vez, a base de sustentação do Palácio Paiaguás, representada pelo deputado Diego Guimarães, defende prudência e questiona o momento escolhido para a mobilização da comissão. Os parlamentares governistas argumentam que a proximidade do período eleitoral pode desviar o foco de uma apuração técnica e rigorosa, transformando a CPI em um instrumento de exploração política.
Segundo essa perspectiva, a iniciativa arrisca converter-se em um factoide destinado a expor os gestores públicos e a favorecer os adversários do governo na disputa eleitoral vindoura.
Qual a postura da posição intermediária:
Posicionado de forma neutra em relação aos blocos, o deputado Júlio Campos ratificou o avanço na captação de adesões ao requerimento, mas manifestou ceticismo quanto à utilidade prática do colegiado no momento atual. O parlamentar ressaltou que a execução de mandados judiciais pela Polícia Federal pressupõe a existência de estudos aprofundados e quebras de sigilo consolidadas no inquérito principal.
Contudo, apesar de ressaltar a redundância da medida ante a atuação federal, assegurou que participará ativamente dos trabalhos caso a comissão seja efetivamente instalada.
Quais os desdobramentos futuros:
O cenário político de Mato Grosso permanece em suspenso, condicionado à obtenção da oitava assinatura necessária para a formalização do pedido de CPI na Mesa Diretora. Caso o quórum mínimo seja alcançado e a leitura efetuada em Plenário, caberá aos blocos partidários a indicação dos membros que comporão o colegiado investigativo.
A evolução do caso dependerá tanto da tramitação do inquérito sob sigilo no Supremo Tribunal Federal quanto da capacidade de articulação entre os parlamentares para viabilizar os trabalhos da comissão antes do recesso.
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