Política
PMDB pede apuração dos crimes envolvendo Pedro Taques e diz que secretário não precisa ficar “assustado”
O presidente do PMDB de Cuiabá, Clóvis Cardoso, rebateu as críticas desferidas pelo Secretário de Comunicação do governo Pedro Taques (PSDB), Kleber Lima, ao PMDB, partido dos deputados federais Carlos Bezerra e Valtenir Pereira, dizendo que a agremiação é "autoridade em corrupção". Lima não citou nenhum nome, apenas o partido.
Cardoso lembrou ao secretário que, quando ele ataca o PMDB, está atacando o partido do Presidente da República Michel Temer, a quem Taques sempre recorre e tenta passar um ar de proximidade. "Quando Taques quis chegar no Temer ele dizia que partido não corrompe, quem corrompe são as pessoas, então o secretário está fora da linha do que o governador, o seu chefe, fala e prega", pontua.
O peemedebista relembra também que o secretário é um notório oportunista. "Corrupto é ele que traiu os ideais do PC do B, partido do qual é filiado. Ele também está cuspindo no prato que comeu, já que serviu o governo Silval e o próprio PMDB. Esperar o que desse secretário, que está lá agora rosnando para defender o Pedro Taques, do mesmo jeito que fez até esses dias quando rosnava para defender o Mauro?".
Pelo histórico de oportunismo, Clóvis prevê que cedo ou tarde Lima vai atacar o próprio Pedro Taques. "Quando Taques estiver sofrendo as consequências do seu governo, o Kleber vai estar do outro lado acusando, ele é sempre assim".
Clovis também diz para os defensores de Taques não se desesperarem. "A sociedade pode estar até calada, mas está observando de perto a questão do Alan Malouf, porque ele declarou expressamente em seu depoimento que o Pedro Taques "ia dar um jeito". E da forma que ocorreu a soltura, o PMDB quer rigor na investigação. Só isso! Não precisa ficar assustado. Se o secretário não é corrupto não precisa ficar assustado. Ser oportunista não dá cadeia", fulminou.
Política
Tensão marca debate com troca de acusações entre principais candidatos de MT
O cenário político de Mato Grosso foi palco de intensos confrontos durante o debate eleitoral promovido pela TV Vila Real, em que os candidatos ao Governo do Estado de Mato Grosso protagonizaram embates diretos marcados por acusações pessoais e divergências sobre políticas públicas. O encontro reuniu os principais postulantes ao cargo Executivo Estadual, com destaque para as participações de Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Dra. Natasha Slhessarenko (PSD), além das intervenções de Maurício Coelho (Mobiliza), Rafaell Milas (Missão) e Sargento Laudicério (Agir).
O evento evidenciou o acirramento da disputa eleitoral ao colocar no centro das discussões temas cruciais como concessão de incentivos fiscais, coligações partidárias controversas, segurança pública, infraestrutura e políticas sociais.
A transmissão ao vivo do debate ocorreu no estúdio da emissora com o propósito de apresentar aos eleitores as propostas e os posicionamentos éticos das candidaturas ao Palácio Paiaguás. Os momentos iniciais foram marcados por questionamentos direcionados à representatividade e às políticas voltadas às mulheres, temática introduzida pela médica Dra. Natasha Slhessarenko (PSD) ao interrogar o candidato Otaviano Pivetta do partido Republicanos.
Logo em seguida, a discussão evoluiu para o reexame histórico do pleito de 2022, quando o senador Wellington Fagundes justificou ter aberto mão de sua candidatura ao Governo de Mato Grosso para apoiar o projeto de reeleição de Mauro Mendes (UB), argumento prontamente rebatido por Natasha Slhessarenko, que alegou ter sido indevidamente isolada daquele mesmo arco político.
A gestão financeira e a política de concessão de benefícios fiscais tornaram-se os eixos mais críticos e inflamados da discussão no decorrer de toda a programação.
O debate atingiu elevado grau de tensão quando Wellington questionou a transparência das renúncias fiscais promovidas pelo Poder Executivo Estadual, provocando reação imediata de Pivetta, que mencionou expressamente incentivos concedidos no âmbito do Prodeic a empreendimentos vinculados à família do senador. Diante do desafio para a apresentação de provas documentais, o candidato do Republicanos tentou exibir papéis no estúdio, mas teve sua manifestação interrompida por ter violado as regras estabelecidas pela organização do evento.
Paralelamente às controvérsias econômicas, o campo das propostas de infraestrutura e gestão orçamentária suscitou embates técnicos relevantes entre os postulantes ao Executivo.
Ao ser provocado por Maurício Coelho sobre a suposta fragilidade da situação fiscal de Mato Grosso, Otaviano Pivetta sustentou a sólida capacidade de pagamento demonstrada pelo Estado e assumiu o compromisso público de manter o ritmo de investimentos em obras de grande porte. Já no debate sobre os rumos da educação estadual, Rafaell Milas argumentou a favor da criação de mecanismos de premiação financeira para estudantes com desempenho acadêmico exemplar, além da implantação de diretrizes mais rígidas de disciplina no ambiente escolar.
A segurança pública assumiu contornos dramáticos no estúdio com a reapresentação de propostas extremas para o combate à criminalidade e o sistema prisional. O candidato Sargento Laudicério reiterou publicamente a intenção de construir uma unidade penitenciária de segurança máxima batizada por ele de “Inferno Pantaneiro”, sob a justificativa de que a medida é necessária para endurecer o combate às organizações criminosas.
A proposta foi severamente criticada por Maurício Coelho, que apontou incoerências na iniciativa, recebendo como resposta do militar a reafirmação do foco na aplicação rigorosa de sanções penais no estado.
As diretrizes para o desenvolvimento social e a redução do déficit habitacional ganharam destaque nas proposições apresentadas pela médica Natasha ao longo do programa. A candidata do PSD assegurou a ampliação dos investimentos em habitação popular por meio de uma meta de construção de 55 mil moradias no território mato-grossense em parceria com programas do Governo Federal. O projeto, contudo, foi acompanhado por questionamentos apresentados por Rafaell Milas a respeito da coerência do arco de alianças da candidata, citando suas vinculações com lideranças políticas nacionais e locais, ao que a médica respondeu afirmando assumir responsabilidade individual sobre sua trajetória.
A escalada do tom agressivo atingiu seu ápice no terceiro bloco, quando controvérsias de ordem pessoal e episódios do passado foram resgatados de forma sistemática pelos adversários. Doutora Natasha voltou a explorar publicamente o caso de violência doméstica atribuído a Otaviano Pivetta e fez duras críticas aos resultados obtidos pelo grupo político que comanda o Estado há oito anos.
Em paralelo, questionamentos adicionais foram levantados por outros candidatos a respeito de supostos benefícios concedidos a empreendimentos ligados diretamente ao governador, mantendo o tema dos incentivos no centro das divergências.
A composição das alianças partidárias também rendeu momentos de forte enfrentamento entre Wellington Fagundes e seus opositores políticos no palco da emissora. Integrantes de candidaturas adversárias citaram nomes de figuras públicas conhecidas por envolvimento em escândalos passados, como o ex-deputado Pedro Henry e o ex-secretário Cinésio Nunes de Oliveira, para questionar a lisura da coligação do senador.
Em sua defesa, Wellington declarou que seu ex-secretário não possui condenação definitiva e contra-atacou ao mencionar Luiz Antônio Pagot, coordenador da campanha de Pivetta, atribuindo-lhe a existência de condenação judicial.
A utilização estratégica da acusação de violência doméstica contra Otaviano Pivetta consolidou-se como um dos recursos de desgaste mais frequentes do confronto direto entre os principais candidatos. O tema, que já havia sido levantado por Wellington Fagundes no bloco inaugural sob a justificativa de formular propostas para a proteção das mulheres, voltou a ser mencionado nas etapas finais como instrumento de desestabilização da imagem do adversário. A insistência na pauta pessoal evidenciou a tática das campanhas de aliar propostas administrativas à exposição de vulnerabilidades morais de seus concorrentes na disputa governamental.
O desfecho do encontro na TV Vila Real deixou transparecer as linhas de fratura que devem orientar os desdobramentos da campanha eleitoral em Mato Grosso a partir deste momento. Entre defesas de diretrizes econômicas e embates éticos personalistas, os candidatos deixaram clara a disposição para intensificar o uso de denúncias e controvérsias judiciais na conquista do eleitorado. À medida que o pleito se aproxima, a capacidade de resposta a acusações sobre integridade e a clareza na apresentação de planos de governo surgem como os fatores cruciais para a definição do quadro político estadual.
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