SELEÇÃO DOMINANTE
Argentina mostra força coletiva e goleia a Bolívia
Em sua primeira apresentação após o vice-campeonato mundial, a Seleção da Argentina goleou a Bolívia por 4 a 0, nesta quarta-feira, no Estádio Mário Kempes, em Córdoba. Sem Lionel Messi, que não participou da partida, a equipe comandada por Lionel Scaloni dominou as ações desde os primeiros minutos e utilizou o amistoso como oportunidade para testar alternativas no elenco. Nico Paz, Mastantuono, Flores e Flaco López estiveram entre os jogadores observados pelo treinador, enquanto o centroavante Flaco López marcou pela primeira vez com a camisa da seleção principal.
A partida também foi realizada sob condições especiais nas arquibancadas. O Estádio Mário Kempes não recebeu sua capacidade máxima porque parte das instalações permaneceu fechada ao público. A medida ocorreu em razão de uma punição aplicada à seleção argentina por comportamento inadequado de sua torcida durante a Copa do Mundo. Mesmo com as restrições, o confronto serviu para a comissão técnica avaliar diferentes formações e dar minutos a atletas que buscam espaço na equipe nacional.
Scaloni iniciou o confronto com Emiliano Martínez; Giay, Cristian Romero, Lisandro Martínez e Vega; Nico Paz, Palacios, Mac Allister e Prestianni; Julián Álvarez e Lautaro Martínez.
Apesar da ausência de Messi, a Argentina manteve seu tradicional estilo baseado na posse de bola, na circulação rápida e na movimentação constante dos jogadores no setor ofensivo. A superioridade técnica permitiu que os anfitriões controlassem o ritmo da partida e mantivessem a Bolívia recuada durante praticamente todo o primeiro tempo.
A seleção boliviana chegou ao confronto depois de uma derrota por 2 a 0 para o Paraguai, em amistoso disputado no domingo, nos Estados Unidos. Diante da Argentina, a equipe adotou uma postura predominantemente defensiva e encontrou dificuldades para avançar ao campo de ataque. Os visitantes só conseguiram chegar à área argentina aos 12 minutos, sem, contudo, criar perigo para o goleiro Emiliano Martínez.

Enquanto isso, a equipe de Scaloni buscava principalmente os espaços pelas laterais e mantinha a pressão sobre a defesa adversária.
O primeiro gol surgiu aos 18 minutos, na primeira finalização argentina que levou efetivo perigo. Lautaro Martínez recebeu em posição favorável e arriscou da entrada da área, acertando o alvo para abrir o placar. A vantagem aumentou pouco depois, em uma jogada que resumiu a superioridade dos donos da casa. Após a pressão sobre a saída de bola boliviana, a Argentina recuperou a posse, e Palacios encontrou Nico Paz com um passe preciso. O meia finalizou por cobertura, superou o goleiro Viscarra e fez 2 a 0.
Com ampla vantagem técnica e territorial, a Argentina transformou o restante da primeira etapa em um confronto de ataque contra defesa. A equipe manteve a posse de bola, pressionou a saída adversária e controlou as principais ações ofensivas. Aos 45 minutos, Julián Álvarez ainda obrigou Viscarra a realizar uma intervenção corajosa.
Ao intervalo, os números refletiam a superioridade argentina: 76% de posse de bola, contra apenas 24% da Bolívia, que praticamente não conseguiu ameaçar a meta defendida por Emiliano Martínez.
Scaloni não promoveu alterações no intervalo, e a Argentina voltou para a segunda etapa com intensidade renovada. Antes mesmo de completar um minuto, Nico Paz quase marcou novamente. A Bolívia, por sua vez, passou a arriscar um pouco mais e conseguiu finalizar pela primeira vez com perigo por meio de Robson Matheus. A reação, porém, foi insuficiente para mudar o panorama do confronto. Aos oito minutos, Paz cobrou falta pelo lado esquerdo, e Cristian Romero apareceu na área para cabecear e ampliar a vantagem para 3 a 0.

Aos 11 minutos, Scaloni promoveu três alterações e colocou Mastantuono, Balerdi e Barco em campo. A intenção era renovar o setor ofensivo e aumentar a intensidade das jogadas. As mudanças surtiram efeito e deram novo dinamismo ao ataque argentino, embora tenham reduzido parte da pressão exercida no meio-campo. Com mais espaços disponíveis, a Bolívia conseguiu avançar algumas vezes e construir ataques, mas continuou sem apresentar capacidade suficiente para ameaçar de forma consistente a defesa adversária.
Aos 29 minutos, o treinador argentino voltou a mexer na equipe e colocou Flaco López, Fernández e Simón em campo. A Argentina continuou procurando o quarto gol e criou oportunidades, mas encontrou dificuldades para transformar as chances em finalizações precisas.
Flaco López participou diretamente das principais tentativas no trecho final: em uma delas, mandou a bola por cima do travessão; em outra, marcou, mas o gol foi anulado por impedimento. Na terceira oportunidade, porém, o atacante não desperdiçou e balançou as redes aos 41 minutos.
O triunfo por 4 a 0 encerrou uma atuação de amplo domínio argentino e permitiu a Scaloni observar diferentes jogadores sem depender de Messi.
O resultado também ampliou a preparação da equipe para os próximos compromissos: a Argentina volta a campo no sábado, contra Burkina Faso, no Estádio Monumental de Núñez, e enfrenta Benin na terça-feira, novamente no estádio do River Plate.
A partida contra Benin está prevista para marcar a despedida oficial de Messi da seleção argentina, em um momento que deverá concentrar as atenções em torno do principal nome da geração campeã mundial.
ESPORTES
Santos suspende parceria com patrocinador Novibet
Em uma decisão inédita que sacode as estruturas financeiras do esporte nacional, o Santos Futebol Clube confirmou que entrará em campo contra o São Paulo, nesta próxima sexta-feira pelo Campeonato Brasileiro, sem a marca de seu patrocinador máster no uniforme. A agremiação praiana tornou-se a primeira equipe do país a interromper formalmente as ações publicitárias vinculadas à empresa de apostas Novibet. A resolução drástica decorre diretamente da edição da nova Medida Provisória pelo Governo Federal, legislação que determinou a proibição ampla das atividades operacionais e promocionais de casas de apostas em todo o território brasileiro.
O estopim para o congelamento da parceria financeira foi a promulgação da referida norma legal, cujos dispositivos impõem regras severas e prazos exíguos para o encerramento do vínculo comercial de empresas do setor de jogos com entidades desportivas. Embora o contrato entre o alvinegro praiano e a plataforma continue juridicamente vigente, a diretoria santista optou pela prudência e pausou temporariamente a exposição das marcas até que haja absoluta clareza jurídica sobre os desdobramentos operacionais do decreto. Com isso, o clássico estadual servirá como o marco inicial visível dessa súbita transformação no modelo de negócios do futebol nacional.
A suspensão abrupta afeta de maneira profunda os planos orçamentários do Santos, uma vez que o acordo selado em fevereiro deste ano previa um faturamento anual milionário e altamente estratégico para o clube. O contrato de três temporadas fixava o pagamento anual de R$ 35 milhões, somado a um expressivo percentual de 25% sobre a receita gerada por novos usuários cadastrados na plataforma. Com projeções de arrecadação adicional estimadas em R$ 50 milhões por ano mediante o engajamento da torcida santista, o vínculo global poderia atingir R$ 85 milhões anuais, montante que agora permanece temporariamente bloqueado diante do novo cenário legislativo.

Além da retirada da logomarca principal na parte frontal da camisa, a paralisação do patrocínio atinge diretamente ativações personalizadas de marketing que haviam sido desenhadas exclusivamente para o elenco profissional. A empresa vinha utilizando inserções pontuais na tipografia dos uniformes dos atletas, substituindo a letra “N” dos nomes estampados nas costas inclusive nas peças vestidas por astros internacionais do plantel pela identidade gráfica da marca.
A interrupção simultânea destas ações revela o alcance completo da adequação que os clubes precisarão realizar para cumprirem integralmente os requisitos regulatórios antes das datas limite estipuladas pelas autoridades executivas.
Diante da lacuna orçamentária imminente e da ausência de previsão para a retomada das exibições, a alta cúpula do Santos já admitiu publicamente que analisa alternativas comerciais disponíveis no mercado corporativo. O clube paulista posiciona-se abertamente para receber propostas de novos parceiros dispostos a ocupar o espaço nobre da camisa, ao menos em caráter temporário ou pontual. A estratégia visa mitigar o iminente déficit orçamentário decorrente da suspensão dos repasses contratuais, enquanto o departamento jurídico da instituição acompanha os trâmites regulatórios das autoridades competentes na capital federal.
O movimento do Alvinegro praiano coloca os demais clubes da Série A e B do Campeonato Brasileiro sob forte pressão para reavaliarem com extrema urgência seus próprios contratos comerciais. De acordo com o texto normativo promulgado pelo Governo Federal, as entidades esportivas de todo o país possuem o prazo improrrogável até 5 de outubro para eliminarem completamente qualquer material publicitário, placa de campo ou insígnia de patrocínio ligada a plataformas de apostas não autorizadas.

A exigência obriga os departamentos de marketing a formularem planos emergenciais de readequação em questão de poucas semanas.
Reagindo à iminência das perdas financeiras, dirigentes de clubes e federações estaduais já vinham manifestando intensa preocupação quanto às consequências econômicas de uma regulamentação restritiva sobre o ecossistema do esporte. Em manifesto conjunto publicado em 17 de setembro, dezenas de entidades desportivas alertaram que as empresas de apostas haviam se consolidado como a principal fonte de receita direta do futebol brasileiro contemporâneo.
No documento, as associações defenderam a manutenção de um mercado devidamente regulado e fiscalizado, argumentando que a proibição sumária poderia alimentar o crescimento de plataformas clandestinas e fragilizar a integridade do jogo.
Buscando alternativas estatais para amenizar o impacto financeiro previsível em suas agremiações locais, o Governo do Estado de Minas Gerais anunciou uma intervenção financeira relevante por meio de empresas estatais locais. O poder executivo mineiro oficializou o aporte de R$ 32 milhões em verbas publicitárias oriundas da Cemig e da Codemig para patrocinar as camisas de América (MG), Atlético (MG) e Cruzeiro. Na divisão dos recursos anunciada, os dois maiores clubes da capital receberão R$ 15 milhões cada um, enquanto o América (MG) terá o aporte de R$ 2 milhões, mitigando parcialmente a perda de receitas privadas.
Na ponta oposta dessa crise de patrocínio, o Clube de Regatas do Flamengo demonstra postura de cautela e resistência a mudanças imediatas em sua estrutura comercial de grande porte. Mantendo o maior contrato de patrocínio máster do futebol brasileiro em parceria com a empresa Betano, o clube carioca não projeta a busca por um novo parceiro neste momento. O presidente flamenguista, Luiz Eduardo Baptista, ressaltou publicamente a importância do cumprimento dos acordos estabelecidos e defendeu a busca por saídas jurídicas equilibradas que preservem o valor de mercado e a estabilidade contratual do clube no cenário internacional.
A transformação radical na relação entre o futebol profissional e o setor de apostas estabelece um momento divisor de águas para a gestão esportiva no Brasil. Entre a necessidade premente de cumprimento absoluto da legislação federal e a urgência por receitas financeiras capazes de manter elencos competitivos, os clubes enfrentam o desafio inédito de reconfigurar suas receitas comerciais em tempo recorde.
Os próximos dias serão decisivos para definir se a postura assertiva adotada pelo Santos se tornará a tendência dominante do mercado ou se prevalecerão soluções jurídicas e aportes governamentais alternativos no cenário nacional.
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