ALGUNS NOVOS E VELHOS NOMES
Indicação de novos secretários devem marcar volta das “férias” de Mauro
A primeira quinzena de dezembro é cercada de expectativa em Mato Grosso. O governador Mauro Mendes fará uma entrevista coletiva, no Auditório Clóvis Vetoratto onde é aguardado o anúncio dos novos secretários e mudanças em diversos escalões.
O governador eleito também vai esclarecer planos para o seu segundo mandato. As mudanças previstas estão no setor da Agricultura Familiar, mas há especulações em torno de pastas como Secretaria de Estado de Saúde (SES), e Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ).
Os primeiros nomes apontados por pessoas ligadas a Mauro Mendes, mostram convocações de perfis técnicos, com trabalhos efetivados em áreas especificas. O componente político na escolha preocupa os grandes e entendidos de política “especialistas” do Boteco da Alameda.
Os frequentadores assíduos do Boteco da Alameda, aposta na renovação dos quadros do Governo do Estado. Conforme levantamento, nomes novos devem ser trazidos para algumas pastas.
Mauro Mendes no seu segundo mandato tem o desafio de unir diversas forças políticas que estiveram no processo eleitoral, o que pode dificultar a organização do secretariado.
Uma das razões apontadas é a indefinição do ex-secretário Gilberto Figueiredo, que deixou a pasta para concorrer a uma das cadeiras no parlamento estadual deste ano, acabou ficando com a primeira suplência, em reassumir a pasta em janeiro (apesar que na próxima semana, estará de volta), Figueiredo que foi derrotado no pleito eleitoral, tá receoso.
O futuro do o atual secretário-chefe da Casa Civil, Rogério Gallo, também pode ser definido em dezembro.
Nesta semana, o governador Mauro Mendes anunciou o retorno de Gilberto Figueiredo e Mauro Carvalho para o staff e, com isso a composição do secretariado se intensificaram as articulações para a formação do novo governo.
Internamente, o fato de o chefe da Casa Civil, da Saúde e Gallo retornar a pasta da Fazenda, a expectativa de que os três sigam na segunda administração de Mauro Mendes.
No caso de Mauro Carvalho, além de chefiar a Casa Civil, deste a primeira gestão de Mauro Mendes, ele também foi eleito na eleição de 2 de outubro na primeira suplência do Senador do Partido Liberal (PL), Wellington Antônio Fagundes ao Senado da República, foi um dos coordenadores da campanha unista, e no dia do pleito, Carvalho sempre acompanhou o governador Mauro Mendes durante o tradicional roteiro de entrevistas a imprensa.
Também da cozinha de Mauro Mendes, Rogério Gallo, é reconhecido não apenas pela lealdade, mas também, por sua atuação durante o período em que acumulou as funções nas duas pastas. Por isto, há a expectativa dele ser novamente secretário de Fazenda.
Já entre emedebistas, há quem defende que Carlos Gomes Bezerra ocupe um posto de destaque em função de seu trânsito e experiência política. E já há especulações no sentido de que ele comande algum cargo. As conversas em relação ao aproveitamento de quadros partidários já ocorrem no UB, MDB, PSB e demais partidos do arco de aliança que ajudaram a reeleger Mauro Mendes.
Núcleo duro do Palácio Paiaguas
No núcleo duro do Palácio Paiaguas, contudo, há a preocupação em não passar a imagem de “mais do mesmo”. É central a ideia de que é preciso ficar claro de que em janeiro terá início uma nova administração, que vai avançar em demandas não atendidas anteriormente.
Por isso, por exemplo, já há expectativa entre aliados sobre as definições para a pasta da Educação, ela é apontada desde antes da campanha, como a área que ganhará prioridade.
A Secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso (Sinfra) continuará no comando de Marcelo Oliveira (um setor cobiçado), terá papel importante dentro do projeto de qualificação da Educação, uma vez que a infraestrutura de prédios e instalações são consideradas essências para aumentar os índices educacionais.
Nota da redação
A quebrada dos experientes do Boteco da Alameda vem com tudo neste domingão e manda o seu recado: em uma disputa eleitoral, formação de alianças, cada legenda traça seus objetivos, entre os quais, pensando lá na frente ganhar uma secretaria.
Qual a dificuldade de Gilberto Figueiredo reassumir a Saúde e o Rogério Gallo a Fazenda?
Secretaria de Agricultura Familiar, vem sendo cobiçado, diante dos investimentos para a área nos próximos quatro anos. Aliados estão de olho. Atualmente é comandada por Tete Bezerra (MDB).
Política
Tensão marca debate com troca de acusações entre principais candidatos de MT
O cenário político de Mato Grosso foi palco de intensos confrontos durante o debate eleitoral promovido pela TV Vila Real, em que os candidatos ao Governo do Estado de Mato Grosso protagonizaram embates diretos marcados por acusações pessoais e divergências sobre políticas públicas. O encontro reuniu os principais postulantes ao cargo Executivo Estadual, com destaque para as participações de Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Dra. Natasha Slhessarenko (PSD), além das intervenções de Maurício Coelho (Mobiliza), Rafaell Milas (Missão) e Sargento Laudicério (Agir).
O evento evidenciou o acirramento da disputa eleitoral ao colocar no centro das discussões temas cruciais como concessão de incentivos fiscais, coligações partidárias controversas, segurança pública, infraestrutura e políticas sociais.
A transmissão ao vivo do debate ocorreu no estúdio da emissora com o propósito de apresentar aos eleitores as propostas e os posicionamentos éticos das candidaturas ao Palácio Paiaguás. Os momentos iniciais foram marcados por questionamentos direcionados à representatividade e às políticas voltadas às mulheres, temática introduzida pela médica Dra. Natasha Slhessarenko (PSD) ao interrogar o candidato Otaviano Pivetta do partido Republicanos.
Logo em seguida, a discussão evoluiu para o reexame histórico do pleito de 2022, quando o senador Wellington Fagundes justificou ter aberto mão de sua candidatura ao Governo de Mato Grosso para apoiar o projeto de reeleição de Mauro Mendes (UB), argumento prontamente rebatido por Natasha Slhessarenko, que alegou ter sido indevidamente isolada daquele mesmo arco político.
A gestão financeira e a política de concessão de benefícios fiscais tornaram-se os eixos mais críticos e inflamados da discussão no decorrer de toda a programação.
O debate atingiu elevado grau de tensão quando Wellington questionou a transparência das renúncias fiscais promovidas pelo Poder Executivo Estadual, provocando reação imediata de Pivetta, que mencionou expressamente incentivos concedidos no âmbito do Prodeic a empreendimentos vinculados à família do senador. Diante do desafio para a apresentação de provas documentais, o candidato do Republicanos tentou exibir papéis no estúdio, mas teve sua manifestação interrompida por ter violado as regras estabelecidas pela organização do evento.
Paralelamente às controvérsias econômicas, o campo das propostas de infraestrutura e gestão orçamentária suscitou embates técnicos relevantes entre os postulantes ao Executivo.
Ao ser provocado por Maurício Coelho sobre a suposta fragilidade da situação fiscal de Mato Grosso, Otaviano Pivetta sustentou a sólida capacidade de pagamento demonstrada pelo Estado e assumiu o compromisso público de manter o ritmo de investimentos em obras de grande porte. Já no debate sobre os rumos da educação estadual, Rafaell Milas argumentou a favor da criação de mecanismos de premiação financeira para estudantes com desempenho acadêmico exemplar, além da implantação de diretrizes mais rígidas de disciplina no ambiente escolar.
A segurança pública assumiu contornos dramáticos no estúdio com a reapresentação de propostas extremas para o combate à criminalidade e o sistema prisional. O candidato Sargento Laudicério reiterou publicamente a intenção de construir uma unidade penitenciária de segurança máxima batizada por ele de “Inferno Pantaneiro”, sob a justificativa de que a medida é necessária para endurecer o combate às organizações criminosas.
A proposta foi severamente criticada por Maurício Coelho, que apontou incoerências na iniciativa, recebendo como resposta do militar a reafirmação do foco na aplicação rigorosa de sanções penais no estado.
As diretrizes para o desenvolvimento social e a redução do déficit habitacional ganharam destaque nas proposições apresentadas pela médica Natasha ao longo do programa. A candidata do PSD assegurou a ampliação dos investimentos em habitação popular por meio de uma meta de construção de 55 mil moradias no território mato-grossense em parceria com programas do Governo Federal. O projeto, contudo, foi acompanhado por questionamentos apresentados por Rafaell Milas a respeito da coerência do arco de alianças da candidata, citando suas vinculações com lideranças políticas nacionais e locais, ao que a médica respondeu afirmando assumir responsabilidade individual sobre sua trajetória.
A escalada do tom agressivo atingiu seu ápice no terceiro bloco, quando controvérsias de ordem pessoal e episódios do passado foram resgatados de forma sistemática pelos adversários. Doutora Natasha voltou a explorar publicamente o caso de violência doméstica atribuído a Otaviano Pivetta e fez duras críticas aos resultados obtidos pelo grupo político que comanda o Estado há oito anos.
Em paralelo, questionamentos adicionais foram levantados por outros candidatos a respeito de supostos benefícios concedidos a empreendimentos ligados diretamente ao governador, mantendo o tema dos incentivos no centro das divergências.
A composição das alianças partidárias também rendeu momentos de forte enfrentamento entre Wellington Fagundes e seus opositores políticos no palco da emissora. Integrantes de candidaturas adversárias citaram nomes de figuras públicas conhecidas por envolvimento em escândalos passados, como o ex-deputado Pedro Henry e o ex-secretário Cinésio Nunes de Oliveira, para questionar a lisura da coligação do senador.
Em sua defesa, Wellington declarou que seu ex-secretário não possui condenação definitiva e contra-atacou ao mencionar Luiz Antônio Pagot, coordenador da campanha de Pivetta, atribuindo-lhe a existência de condenação judicial.
A utilização estratégica da acusação de violência doméstica contra Otaviano Pivetta consolidou-se como um dos recursos de desgaste mais frequentes do confronto direto entre os principais candidatos. O tema, que já havia sido levantado por Wellington Fagundes no bloco inaugural sob a justificativa de formular propostas para a proteção das mulheres, voltou a ser mencionado nas etapas finais como instrumento de desestabilização da imagem do adversário. A insistência na pauta pessoal evidenciou a tática das campanhas de aliar propostas administrativas à exposição de vulnerabilidades morais de seus concorrentes na disputa governamental.
O desfecho do encontro na TV Vila Real deixou transparecer as linhas de fratura que devem orientar os desdobramentos da campanha eleitoral em Mato Grosso a partir deste momento. Entre defesas de diretrizes econômicas e embates éticos personalistas, os candidatos deixaram clara a disposição para intensificar o uso de denúncias e controvérsias judiciais na conquista do eleitorado. À medida que o pleito se aproxima, a capacidade de resposta a acusações sobre integridade e a clareza na apresentação de planos de governo surgem como os fatores cruciais para a definição do quadro político estadual.
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