Política
“O MPE é uma instituição séria, independente das pessoas que estão lá dentro e nós vamos fazer as investigações”
A deputada estadual do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), Janaína Greyce Riva, vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), pediu que o procurador geral de Justiça, José Antônio Borges, fosse convidado a prestar esclarecimentos à Casa de Leis com relação ao suposto envolvimento de membros da instituição no esquema de grampos ilegais, que vieram à tona, durante depoimento de militares, réus nas ações da “Grampolândia Pantaneira”.
“Esses grampos que no passado, em todo momento, eu falei sobre o envolvimento do governador Pedro Taques e de forma vergonhosa ouvimos que o Ministério Público patrocinou o equipamento para grampear ilegalmente políticos e outros cidadãos de Mato Grosso. Ouvimos também que a Polícia Militar de forma deliberada e por orientação de promotores, acatou a ordem para grampear criminosamente centenas de pessoas. Então acho que precisamos no mínimo de uma resposta sobre as providências que serão tomadas em face desses promotores envolvidos nesses crimes”.
A parlamentar estadual Janaína Riva disse que espera da chefia do Ministério Público o mesmo tratamento para com os seus membros, que é dispensado pela instituição aos políticos e demais cidadãos envolvidos em crimes.
“Depois de muito tempo parece que começamos a ver um fundo de justiça e verdade nessa questão dos grampos ilegais, mas ainda estamos muito distantes de conhecer a dimensão disso que pelo jeito envolve notas fraudadas, notas frias dentro do Ministério Público para bancar operações ilegais. Eu fico imaginando se isso acontecesse dentro da Assembleia, se já não estaria cheio de policiais levando servidores, com pedido de afastamento do parlamentar e ninguém queria nem saber se o parlamentar tinha conhecimento ou não. Quando se trata de deputado, prefeito, vereador ou qualquer agente político é assim que eles agem. Primeiro afastam e conduzem coercitivamente para depois avaliar se tem culpa ou não. Por isso acredito que a vinda do procurador geral é tão importante para que sejam expostas as medidas que o MPE está tomando com relação à essas atitudes criminosas de alguns dos seus membros”.
Por cerca de três horas, na tarde desta terça-feira (23), o procurador geral de Justiça, José Antônio Borges, esteve reunido com os deputados estaduais representante do Colégio de Lideres, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, para falar das medidas que o Ministério Publico Estadual esta tomando com relação do possível envolvimento de pessoas ligadas ao MP, nas acusações feitas pelo Cabo Gerson Correa, dos coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco, e se mostrou irritado com os prejulgamentos dando conta da prática de grampos ilegais por parte de membros do Ministério Público Estadual.
Gerson Correa, em seu depoimento à Justiça que aconteceu na semana passada, citou prática de “Barriga de Aluguel“, ações midiáticas por parte de promotores e até o desvio de finalidade de uma verba secreta do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), acusando a participação de integrantes do Ministério Publico Estadual.
“Nós estaremos realizando sim as investigações, o Ministério Público é uma instituição séria, independente das pessoas que estão lá dentro e nós vamos fazer as investigações. Agora, prejulgar que houve “Grampolândia” no Ministério Público, vamos fazer o necessário para esclarecer os fatos, se houve, terá responsabilização dos culpados”.
Sobre realizar uma investigação do procurador Paulo Prado, o procurador geral de Justiça, José Antônio Borges, não hesitou ao afirmar que não é amigo e nem inimigo de Paulo Prado. o procurador geral reforçou que se fosse amigo de Prado, estaria ele impedido de investigar e se fosse inimigo teria dignidade de repassar para outro colega.
“Eu respeito Paulo, pelo histórico dele dentro do Ministério Público, e meu respeito também com todos os promotores que atuam lá. As pessoas que passaram no concurso, provas e títulos, com condutas ilibadas até que provem ao contrário. Agora, eu não sou amigo do doutor Paulo Prado e também não sou nem inimigo. Seu eu fosse amigo íntimo, eu passaria para nosso decano, doutor Valdemar ou Escalope. Se eu fosse inimigo, eu também teria dignidade e minha consciência tranquila e me declararia suspeito e não poderia julgar. Agora quem vai buscar neste momento as investigações isso direto é nossa Corregedoria e o doutor Domingos Sávio que trata da questão criminal”.
Uma possível abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) chegou de ser levantada por um grupo de parlamentares logo depois do interrogatório dos militares para que fossem apurados os fatos.
O Democrata e presidente da Assembleia Legislativa do Estado, José Eduardo Botelho, afirmou que não dá para se descartar a possibilidade da Casa de Leis instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os mesmos fatos.
“O procurador geral de Justiça, José Antônio Borges foi muito esclarecedor, ele se comprometeu a fazer uma investigação muito dura em cima do próprio MP. Disse que vai contratar uma auditoria externa para apurar os fatos revelados pelos réus no esquema e vai nos manter sempre informados”.
“Para que aconteça uma abertura de CPI, são necessários 8 assinaturas, agora, se vai ter CPI ou não, não posso responder somente após decisão dos deputados que quiserem a abertura de uma CPI. Se tiver oito deputados assinando, ela é aberta. No momento, me parece que não tem. Mas não posso garantir nada, porque isso com o tempo pode mudar”.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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