Artigo
Comerciante: agente de transformação
Autor: Alan Guedes* –
Há quem enxergue o comércio apenas como um lugar de compra e venda. Eu enxergo algo muito maior. Vejo pessoas que acordam cedo para abrir as portas dos seus negócios, que assumem riscos diariamente, que geram empregos e que acreditam no futuro mesmo diante das incertezas. O comerciante que comemora o seu dia neste 16 de julho é um agente de transformação social. É ele quem faz a economia acontecer na prática, movimentando recursos, criando oportunidades e contribuindo para que uma cidade cresça de forma sustentável e com qualidade de vida para todos.
Em Cuiabá o comércio e o setor de serviços respondem por cerca de 70% da atividade econômica da capital e concentram pelo menos 60% dos empregos formais. São milhares de empreendedores que, todos os dias ajudam a construir um ambiente favorável aos investimentos e ao desenvolvimento. Cada empresa que prospera, fortalece uma rede que envolve fornecedores, trabalhadores, prestadores de serviços e consumidores, mostrando que o comércio é um dos maiores patrimônios econômicos e sociais da nossa capital.
Mas acredito que o futuro do comércio vai além das vitrines. As pessoas procuram cada vez mais lugares onde possam viver experiências, encontrar amigos, conhecer a cultura local e aproveitar bons momentos em família. Os espaços comerciais deixaram de ser apenas centros de consumo para se tornarem ambientes de convivência, lazer e relacionamento. Essa mudança exige inovação, planejamento e a capacidade de criar locais que acolham tanto quem empreende quanto quem visita, fortalecendo o sentimento de pertencimento e valorizando a identidade de cada cidade.
É justamente nesse contexto que o Novo Mercado Miguel Sutil representa um marco para Cuiabá. Com investimento superior a R$ 100 milhões, cerca de 100 espaços destinados aos comerciantes, praça de alimentação, serviços, áreas de convivência, estacionamento e um espaço com vista panorâmica da cidade, o empreendimento nasce para impulsionar a economia. Mais do que um novo endereço comercial, será um espaço pensado para reunir pessoas, estimular o turismo, valorizar a cultura cuiabana e oferecer uma experiência completa de lazer, gastronomia e compras.
Tenho convicção de que cidades fortes são construídas por pessoas que acreditam nelas. Valorizar o comerciante é reconhecer quem investe, emprega, acolhe clientes e mantém viva a economia local todos os dias. O Mercado Miguel Sutil simboliza essa confiança no futuro e reforça que Cuiabá continua olhando para frente, criando oportunidades para quem deseja empreender e novos espaços para que a população possa viver a cidade de forma mais intensa. Afinal, quando o comércio cresce, não cresce apenas a economia. Crescem os sonhos, as oportunidades e o orgulho de pertencer a uma cidade que acredita no trabalho de quem faz a diferença todos os dias.
Neste dia 16 de julho que se comemora o Dia do Comerciante ‘um viva‘ para aqueles que de uma forma ou de outra fazem parte do comércio da capital.
*Alan Guedes é engenheiro civil e gerente geral da CS Mobi Cuiabá
Artigos
Pedágio, investimentos e desenvolvimento: o que está por trás de uma concessão rodoviária
Autor: Luiz Sette* –
Transferência da gestão para a iniciativa privada não significa perda do patrimônio público, mas sim a garantia de investimentos contínuos
É preciso desmistificar algumas percepções já consolidadas quando o assunto são as concessões rodoviárias. Muitas pessoas acreditam que, ao conceder uma rodovia à iniciativa privada, o Estado está automaticamente “vendendo” aquele patrimônio público para uma empresa. Na prática, não é isso que acontece.
Quando uma rodovia é concedida, o poder público continua sendo o proprietário da infraestrutura. O que ocorre é a transferência da responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos para uma empresa privada durante um período determinado, seguindo regras, metas e obrigações previamente estabelecidas em contrato.
E é impossível falar sobre concessões sem abordar um tema que costuma gerar debates: o pedágio. É importante esclarecer que a tarifa não representa uma fonte automática de lucro para a concessionária. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção permanente da rodovia, recuperação do pavimento, conservação da sinalização, atendimento aos usuários, operação de ambulâncias e guinchos, monitoramento do tráfego, ampliação da capacidade da via e ao cumprimento de uma série de exigências ambientais e operacionais previstas contratualmente.
A experiência da MT-130 ajuda a ilustrar essa realidade. Desde o início da concessão, em 2021, a Rota dos Grãos já investiu mais de R$ 234,4 milhões em manutenção, recuperação e ampliação da capacidade da rodovia, além da implantação de sistemas operacionais e de gestão ambiental. São investimentos que contribuem diretamente para a segurança dos usuários, a eficiência logística e o desenvolvimento regional.
Também é importante lembrar que uma rodovia não funciona apenas quando há obras em andamento. Ela exige atenção permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa manter equipes de conservação em campo, equipamentos disponíveis para emergências, monitoramento constante, atendimento médico, guinchos e uma estrutura operacional preparada para responder rapidamente a qualquer ocorrência. Tudo isso demanda planejamento e investimentos contínuos.
No caso da MT-130, os resultados vão além da própria infraestrutura. Uma rodovia em melhores condições reduz custos de transporte, aumenta a segurança viária, melhora a mobilidade da população e fortalece a competitividade de setores fundamentais para a economia mato-grossense, como o agronegócio. Trata-se de um investimento que gera reflexos positivos para produtores, transportadores, empresas e comunidades inteiras.
Não poderia deixar de destacar ainda que a segurança viária é uma construção coletiva. A concessionária tem o papel de garantir uma infraestrutura adequada, sinalização eficiente, atendimento aos usuários e uma operação preparada para diferentes situações, mas cada pessoa que utiliza a rodovia também contribui diretamente para um trânsito mais seguro. Atitudes conscientes, respeito às normas de circulação e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para preservar vidas e garantir que os investimentos realizados na infraestrutura cumpram seu principal objetivo: tornar as viagens mais seguras para todos.
Por fim, o futuro da segurança viária também passa pela adoção de novas tecnologias que já estão transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Soluções baseadas em Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), telemetria e sistemas inteligentes de monitoramento têm ampliado a capacidade de prevenção de acidentes, permitindo identificar comportamentos de risco, acompanhar sinais de fadiga dos condutores, aprimorar a fiscalização e tornar a gestão do tráfego mais eficiente. Recursos como câmeras inteligentes, videotelemetria, sistemas de assistência ao motorista e tecnologias de pesagem em movimento representam uma nova geração de ferramentas que podem contribuir para rodovias mais seguras.
Esse debate precisa avançar também em Mato Grosso, um estado com dimensões continentais e uma das maiores movimentações logísticas do país, onde investimentos em inovação devem ser tratados como prioridade para preservar vidas e melhorar a eficiência do transporte.
O debate sobre concessões é legítimo, necessário e saudável. Mas ele precisa estar fundamentado em informações, dados e transparência. Quando a sociedade compreende como esse modelo funciona, torna-se mais fácil avaliar seus desafios, fiscalizar sua execução e reconhecer os benefícios que ele pode proporcionar para a infraestrutura e para o desenvolvimento das regiões atendidas.
Mais do que administrar uma rodovia, uma concessionária tem a responsabilidade de garantir que ela continue cumprindo sua função de conectar pessoas, impulsionar a economia e contribuir para o crescimento sustentável das cidades que dependem dela.
*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga
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