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Política

Como funciona a Lei da RGA e quais são os critérios para concessão

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Estado precisa adquirir capacidade financeira para poder conceder o benefício

A Revisão Geral Anual (RGA) dos salários dos servidores públicos estaduais foi instituída em Mato Grosso em dezembro de 2004, pelo então governador Blairo Maggi. Mas, afinal, o que essa lei prevê?

A lei original da Revisão Geral Anual (RGA) diz que esta revisão só pode ocorrer mediante alguns critérios, como a ocorrência de perda de poder aquisitivo do servidor, atendimento aos limites das despesas com pessoal e se o Estado tiver capacidade financeira para o pagamento.

Em virtude de os requisitos até então não serem específicos, a Assembleia Legislativa aprovou em janeiro de 2019 uma nova lei que estabelece critérios objetivos para este pagamento.

Um dos critérios principais é que o Estado cumpra o que prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), norma federal que estabelece parâmetros para os gastos dos Estados e municípios brasileiros.

Entre esses gastos estão as despesas de pessoal, que podem consumir o máximo de 49% da Receita Corrente Líquida (RCL), ou seja, o Estado não pode gastar com folha de pagamento de seus servidores mais de 49% daquilo que arrecada.

De acordo com o último levantamento, o Estado já está com o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal extrapolado, pois gasta 56% de suas receitas com o pagamento dos servidores.

Caso o estado tivesse pago a Revisão Geral Anual no ano passado mesmo com o estouro da Lei de Responsabilidade Fiscal, Mato grosso teria descumprido a Emenda Constitucional do Teto dos Gastos Públicos, trazendo graves consequências para toda a sociedade.

Além disso, o Estado também teria ficado proibido de criar ou expandir programas e linhas de financiamento, renegociação e refinanciamento de dívidas e estaria obrigado a devolver mais de R$ 700 milhões ao Governo Federal.

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Nessa hipótese, o montante deixaria de ser aplicado nos setores mais sensíveis e urgentes para a população mato-grossense, como Saúde, Segurança, Infraestrutura e Educação, para ser injetado nos cofres da União.

Além disso, os gestores (governador e secretários) poderiam ser responsabilizados civil e criminalmente pelo descumprimento da Lei.

Acordo judicial para pagamento

Para poder pagar a RGA, conforme acordo homologado na Justiça, será necessário que o Estado retorne aos limites da LRF. Após, todo o espaço fiscal aberto abaixo de 49% da Receita Corrente Líquida (RCL) será usado para a concessão da RGA e dos aumentos remuneratórios aos servidores.

Deste espaço fiscal, 75% será destinado à RGA para todos os servidores públicos e os 25% restantes para os reajustes já concedidos nas leis de carreira que beneficiariam os profissionais da Educação, Meio Ambiente e Fazenda.

Para exemplificar, na hipótese de o Estado estar dentro dos limites da LRF e houver espaço fiscal de R$ 100 milhões, R$ 75 milhões serão destinados a pagar a RGA e R$ 25 milhões para quitar os reajustes das leis de carreira.

O espaço fiscal calculado pelo Governo será a diferença positiva entre o índice de gastos com pessoal e o percentual de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Se o limite de gastos estiver acima de 49%, não haverá espaço fiscal.

Na hipótese de os gastos com pessoal atingirem 45%, por exemplo, o espaço fiscal aberto seria de 4%. E é esse valor relativo aos 4% que seria utilizado para o pagamento de  Revisão Geral Anual e leis de carreira.

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No acordo judicial, ficou estabelecido que o limite de gastos será verificado sempre no último mês de maio de cada ano, com base na receita corrente líquida do primeiro quadrimestre do respectivo ano.

Havendo o espaço fiscal, será feito o cálculo com base na projeção estimada de receita e do impacto das concessões da Revisão Geral Anual e dos reajustes já previstos em lei para os 12 meses seguintes.

O que o Governo está fazendo

Para se enquadrar nos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal e obter espaço fiscal para pagar a Revisão Geral Anual, desde o início de 2019 a atual gestão tem implantado uma série de medidas, desde a redução de cargos, extinção de secretarias, corte de despesas supérfluas e renegociação de contratos e de dívidas bancárias, de forma a garantir economia aos cofres públicos.

Além de cortar gastos, também foram adotadas soluções para incrementar a receita. Uma delas é a reinstituição dos benefícios fiscais, que garantirá igualdade e justiça na cobrança do ICMS para todos os segmentos. Também houve o fortalecimento das ações de combate à sonegação e de recuperação de dinheiro público desviado em esquemas de corrupção.

Com ações que priorizam a redução de gastos e aumento de receita, a folha de pagamento dos servidores tende a gradativamente “pesar” menos no orçamento do Estado, fator que contribui para que haja o reenquadramento nos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal e, consequentemente, o pagamento da Revisão Geral Anual.

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Política

Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás

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Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.

O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.

As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.

Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.

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A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.

A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.

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O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.

Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.

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