Artigo
Pedágio, investimentos e desenvolvimento: o que está por trás de uma concessão rodoviária
Autor: Luiz Sette* –
Transferência da gestão para a iniciativa privada não significa perda do patrimônio público, mas sim a garantia de investimentos contínuos
É preciso desmistificar algumas percepções já consolidadas quando o assunto são as concessões rodoviárias. Muitas pessoas acreditam que, ao conceder uma rodovia à iniciativa privada, o Estado está automaticamente “vendendo” aquele patrimônio público para uma empresa. Na prática, não é isso que acontece.
Quando uma rodovia é concedida, o poder público continua sendo o proprietário da infraestrutura. O que ocorre é a transferência da responsabilidade pela operação, manutenção e realização de investimentos para uma empresa privada durante um período determinado, seguindo regras, metas e obrigações previamente estabelecidas em contrato.
E é impossível falar sobre concessões sem abordar um tema que costuma gerar debates: o pedágio. É importante esclarecer que a tarifa não representa uma fonte automática de lucro para a concessionária. Os recursos arrecadados são destinados à manutenção permanente da rodovia, recuperação do pavimento, conservação da sinalização, atendimento aos usuários, operação de ambulâncias e guinchos, monitoramento do tráfego, ampliação da capacidade da via e ao cumprimento de uma série de exigências ambientais e operacionais previstas contratualmente.
A experiência da MT-130 ajuda a ilustrar essa realidade. Desde o início da concessão, em 2021, a Rota dos Grãos já investiu mais de R$ 234,4 milhões em manutenção, recuperação e ampliação da capacidade da rodovia, além da implantação de sistemas operacionais e de gestão ambiental. São investimentos que contribuem diretamente para a segurança dos usuários, a eficiência logística e o desenvolvimento regional.
Também é importante lembrar que uma rodovia não funciona apenas quando há obras em andamento. Ela exige atenção permanente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Isso significa manter equipes de conservação em campo, equipamentos disponíveis para emergências, monitoramento constante, atendimento médico, guinchos e uma estrutura operacional preparada para responder rapidamente a qualquer ocorrência. Tudo isso demanda planejamento e investimentos contínuos.
No caso da MT-130, os resultados vão além da própria infraestrutura. Uma rodovia em melhores condições reduz custos de transporte, aumenta a segurança viária, melhora a mobilidade da população e fortalece a competitividade de setores fundamentais para a economia mato-grossense, como o agronegócio. Trata-se de um investimento que gera reflexos positivos para produtores, transportadores, empresas e comunidades inteiras.
Não poderia deixar de destacar ainda que a segurança viária é uma construção coletiva. A concessionária tem o papel de garantir uma infraestrutura adequada, sinalização eficiente, atendimento aos usuários e uma operação preparada para diferentes situações, mas cada pessoa que utiliza a rodovia também contribui diretamente para um trânsito mais seguro. Atitudes conscientes, respeito às normas de circulação e a adoção de práticas responsáveis são fundamentais para preservar vidas e garantir que os investimentos realizados na infraestrutura cumpram seu principal objetivo: tornar as viagens mais seguras para todos.
Por fim, o futuro da segurança viária também passa pela adoção de novas tecnologias que já estão transformando a mobilidade em diferentes regiões do Brasil e do mundo. Soluções baseadas em Inteligência Artificial, Internet das Coisas (IoT), telemetria e sistemas inteligentes de monitoramento têm ampliado a capacidade de prevenção de acidentes, permitindo identificar comportamentos de risco, acompanhar sinais de fadiga dos condutores, aprimorar a fiscalização e tornar a gestão do tráfego mais eficiente. Recursos como câmeras inteligentes, videotelemetria, sistemas de assistência ao motorista e tecnologias de pesagem em movimento representam uma nova geração de ferramentas que podem contribuir para rodovias mais seguras.
Esse debate precisa avançar também em Mato Grosso, um estado com dimensões continentais e uma das maiores movimentações logísticas do país, onde investimentos em inovação devem ser tratados como prioridade para preservar vidas e melhorar a eficiência do transporte.
O debate sobre concessões é legítimo, necessário e saudável. Mas ele precisa estar fundamentado em informações, dados e transparência. Quando a sociedade compreende como esse modelo funciona, torna-se mais fácil avaliar seus desafios, fiscalizar sua execução e reconhecer os benefícios que ele pode proporcionar para a infraestrutura e para o desenvolvimento das regiões atendidas.
Mais do que administrar uma rodovia, uma concessionária tem a responsabilidade de garantir que ela continue cumprindo sua função de conectar pessoas, impulsionar a economia e contribuir para o crescimento sustentável das cidades que dependem dela.
*Luiz Sette é diretor-presidente da Rota dos Grãos, empresa responsável pela concessão da MT-130, que liga Primavera do Leste à Paranatinga
Artigos
Julho Verde: um caroço no pescoço pode ser sinal de câncer de tireoide?
Autora: Mariana Ramos* –
Encontrar um caroço no pescoço costuma causar preocupação imediata. A primeira associação de muitas pessoas é com o câncer. Embora essa possibilidade exista, é importante saber que a maioria dos nódulos encontrados na região é benigna. Ainda assim, nenhuma alteração persistente deve ser ignorada.
Durante o Julho Verde, mês dedicado à conscientização sobre os cânceres de cabeça e pescoço, vale chamar a atenção para um tipo de tumor que tem sido diagnosticado com maior frequência nas últimas décadas: o câncer de tireoide.
A tireoide é uma pequena glândula localizada na parte anterior do pescoço e responsável pela produção de hormônios que regulam funções importantes do organismo, como o metabolismo, a temperatura corporal, a frequência cardíaca e o gasto de energia. Nela podem surgir nódulos, principalmente em mulheres e com o avanço da idade.
A boa notícia é que a grande maioria desses nódulos não é câncer. Estima-se que mais de 90% sejam benignos. O desafio é identificar aqueles que precisam de investigação mais detalhada. Entre os principais fatores de risco para o câncer de tireoide estão a exposição prévia à radiação na região do pescoço, especialmente durante a infância, e a história familiar de alguns tipos da doença. Mesmo assim, a maioria das pessoas diagnosticadas com câncer de tireoide não apresenta um fator de risco claramente identificável.
Em muitos casos, o câncer de tireoide não provoca dor nem outros sintomas nas fases iniciais. Algumas pessoas percebem apenas um pequeno nódulo no pescoço, enquanto outras descobrem a alteração durante um exame de rotina ou uma ultrassonografia realizada por outro motivo.
Existem, porém, alguns sinais que merecem atenção, especialmente quando persistem por mais de duas semanas. Entre eles estão o aumento de volume no pescoço, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, sensação de pressão na garganta e crescimento rápido de um nódulo já conhecido. Nessas situações, a avaliação médica não deve ser adiada.
A investigação começa com a história clínica, o exame físico, os exames laboratoriais e a ultrassonografia da tireoide. Quando o nódulo apresenta características suspeitas ou atinge determinados critérios de tamanho, pode ser indicada a punção aspirativa por agulha fina (PAAF), procedimento simples, realizado com auxílio da ultrassonografia, que permite analisar as células do nódulo e definir a melhor conduta.
É importante destacar que o tamanho do nódulo, isoladamente, não determina o risco de câncer. Nódulos pequenos podem exigir investigação, enquanto outros maiores podem permanecer apenas em acompanhamento, dependendo das características observadas na ultrassonografia.
Quando o câncer de tireoide é diagnosticado precocemente, as chances de tratamento bem-sucedido são bastante elevadas. A maioria dos casos apresenta excelente prognóstico, especialmente nos tipos mais comuns da doença, reforçando a importância do diagnóstico precoce.
Por isso, o principal alerta do Julho Verde é simples: observe seu corpo. Se você notar um caroço no pescoço que persista ou apresentar sintomas persistentes, procure avaliação médica. Na maioria das vezes, não será câncer. Mas, quando for necessário investigar, descobrir cedo faz toda a diferença.
*Dra. Mariana Ramos é endocrinologista na Fetal Care, em Cuiabá-MT.
-
Artigos6 dias atrásAo produtor rural, com respeito
-
Artigos5 dias atrásUm apelo ao STF
-
Política5 dias atrásCenário de “oposição” ganha força com disputa pela Mesa Diretora em Cuiabá
-
Artigos5 dias atrásNova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa
-
Artigos6 dias atrásO novo índice que pode transformar o planejamento dos municípios de Mato Grosso
-
Política6 dias atrásPalácio Paiaguás: disputa acirrada marca cenário eleitoral
-
Destaques5 dias atrás“Tem deputado que xinga o Agro mas o dinheiro do Agronegócio banca sua família e suas amantes”
-
Artigos3 dias atrásO Papa Leão XIV e os dilemas da tecnologia


