BANCADA DO COCAR EM BRASILIA
Indígenas foram eleitas e assumirão mandatos na Câmara Federal
Joênia Wapichana não se reelegeu, mas a presença indígena no Congresso será ampliada a partir de 2023. Sete candidatos declarados indígenas conseguiram se eleger ao legislativo federal e dois ao estadual. No congresso cinco são representantes de partidos progressistas e dois de direita.
Joênia Wapichana (REDE/RR), a única pessoa indígena a atuar no Congresso durante o primeiro mandato de Jair Messias Bolsonaro (PL), não conseguiu se reeleger para a Câmara dos Deputados no primeiro turno das Eleições de 2022. Mas, embora tenha sido a sexta candidata mais votada na classificação geral, com cerca de 11.130 votos, sua reeleição foi impossibilitada pelo coeficiente eleitoral roraimense.
Novas eleitas
Sônia Guajajara (PSOL/SP) e Célia Xakriabá (PSOL/MG), foram as candidatas que contaram com votações expressivas em seus estados e foram as únicas eleitas dentre os apoiados pela Associação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).
No total, os indígenas contabilizaram 182 candidaturas, a maior quantidade desde que a declaração étnica passou a ser realizada em 2014. Joênia Wapichana (REDE/RR), foi a única pessoa indígena a atuar como congressista durante o mandato de Jair Bolsonaro (PL), após um jejum de 35 anos sem um representante dos povos tradicionais ocupar uma vaga de parlamentar desde que Mário Juruna foi deputado federal, entre 1981 e 1987.

Para o Senado Federal foram eleitos Wellington Dias (PT-PI) e o atual vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos/RS), que teve sua identidade indígena colocada em dúvida durante a campanha e apoia a reeleição de Jair Bolsonaro à presidência no Segundo Turno, em 30 de outubro.
Já para a Câmara, além de Sônia e Célia, elegeram-se Juliana Cardoso (PT/SP), que já tinha conquistado uma cadeira na Câmara Municipal de São Paulo como primeira vereadora indígena do estado; e Paulo Guedes (PT/MG) que se autodeclarou indígena este ano, porém em 2018 se elegeu como pardo.
Somando a ala de direita entre os indígenas também está Silvia Waiãpi (PL/AP), que é próxima da senadora eleita pelo PL do Distrito Federal, Damares Alves. Waiãpi é Segunda Tenente do Exército e na gestão de Bolsonaro chegou a chefiar a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI), envolvendo-se em polêmicas e acusações do Ministério Público de criar entraves na saúde indígena.
Nesta mesma direção, conseguiram cadeiras para as Assembleias Estaduais, Capitão Assumção (PL/ES) e Amanda Armelau, conhecida como Índia Armelau (PL/RJ).
A candidatura indígena, promovida pela APIB apoiou um total de 30 candidatos em uma articulação eleitoral inédita no país com a intenção de levar a representatividade política dos povos originários ao Congresso Nacional e às Assembleias Estaduais. O protagonismo feminino já era reconhecido como parte importante desse processo, mas dentre os critérios para o apoio institucional, também estavam o comprometimento com a defesa das pautas ambientais, o alinhamento com a defesa dos indígenas e seus territórios e a representatividade aprovada pelas comunidades de origem, além da filiação partidária a partidos do campo progressista.

Bancada do cocar
Sonia Guajajara, que recebeu aproximadamente 155 mil votos, é originária da Terra Indígena Araribóia, no Maranhão, mas candidatou-se em São Paulo por entender a responsabilidade do estado na preservação dos biomas brasileiros, em especial da Amazônia, devido ao grande poder econômico do estado.
Em entrevista ao ((o)) eco, a liderança afirmou que estará no Congresso para compor a ‘bancada da terra’, uma frente voltada à defesa do meio ambiente e que espera unir também os não-indígenas no enfrentamento à bancada ruralista.
“Fico extremamente feliz e orgulhosa de ver que São Paulo atendeu ao chamado de aldear a política e me elegeu para honrar a missão de levar ao Congresso a força e a ancestralidade dos povos indígenas. Farei valer cada voto e não medirei esforços para garantir a demarcação de terras indígenas, a proteção da Mata Atlântica, da Amazônia e de todos os biomas brasileiros, defendendo a agroecologia para combater a fome e garantir comida sem veneno no prato de todo brasileiro. Por fim, de tantas possibilidades estatísticas que eu, mulher indígena, poderia ocupar, fico muito feliz e orgulhosa em saber que hoje faço parte da estatística de mulheres que ocupam uma cadeira no Congresso Nacional lutando pela mãe de todas as lutas: a luta pela Mãe Terra”, declarou Sônia.
A mineira Célia Xakriabá recebeu aproximadamente 100 mil votos e chega ao posto parlamentar com a experiência de ter representado os povos indígenas na 26ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, no Reino Unido, além de ter participado ativamente da denúncia contra o Jair Bolsonaro pelo genocídio contra os povos indígenas no Tribunal de Haia.
É professora, mestre, e foi a primeira mulher indígena a entrar no doutorado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Trabalhou ainda na Secretaria de Estado de Educação com as escolas indígenas, quilombolas e do campo e foi assessora parlamentar da deputada Áurea Carolina.
“Sempre lutamos do lado de fora do Congresso. Fugir da luta não é uma opção para nós, que temos nossos territórios constantemente atacados. Decidimos então, fazer esse enfrentamento do lado de dentro, contra a bancada ruralista, contra o agronegócio, pela demarcação dos territórios indígenas e comunidades tradicionais e pelo meio ambiente”, afirmou a futura deputada em seu discurso de vitória.
Política
Denúncias de aliciamento elevam a “Tensão” na disputa pelo Palácio Paiaguás
Uma grave acusação de interferência externa e oferecimento de vantagens ilícitas abalou as estruturas internas da federação partidária que decidirá os rumos da sucessão estadual. A denúncia aponta para a existência de um forte movimento de bastidores que visa desestabilizar os votos de delegados partidários, transformando a definição de candidaturas em um cenário de intensa disputa ética e jurídica.
O epicentro do embate envolve diretamente o deputado estadual Júlio Campos, que externou as suspeitas, e seu irmão, o senador Jayme Campos, cuja postulação ao governo estadual sofre forte oposição interna. No polo oposto dessa correlação de forças, posicionam-se o ex-governador e atual presidente partidário Mauro Mendes, aliado ao atual governador Otaviano Pivetta, este último filiado ao Republicanos e beneficiário direto de uma eventual composição ampla.
As articulações e os tensionamentos que culminaram na “denúncia pública” ganharam contornos de crise nesta semana, antecedendo o prazo final para as definições de chapas majoritárias. O cronograma converge para o dia 30 de julho, data em que ocorrerá a deliberação oficial e o consequente desfecho do processo de escolha interna que definirá as coligações.
Toda a movimentação política concentra-se no “GRANDIOSO” Estado de Mato Grosso, tendo como foco principal as articulações na capital, Cuiabá, onde se localizam as sedes partidárias e o Palácio Paiaguás. O cenário geográfico reflete a importância estratégica da região Centro-Oeste no panorama político e econômico nacional, o que eleva a relevância da disputa pelo controle do Executivo Estadual.
A definição do candidato ocorrerá por meio do voto secreto dos membros da convenção da Federação União Progressista, bloco composto pela associação entre o União Brasil e o Progressistas (PP). Esse método de votação secreta visa garantir a liberdade de escolha dos delegados, resguardando-os de pressões externas diretas, embora o sigilo do voto agora enfrente o desafio das suspeitas de assédio político prévio.

O motivo central da divergência reside no conflito de visões estratégicas para o futuro do estado, dividindo a agremiação entre a defesa de uma candidatura própria e a adesão a um projeto de continuidade governamental. Enquanto uma ala busca resgatar o protagonismo histórico da legenda tradicional, o grupo governista argumenta que a composição ampla fortalece a governabilidade e assegura a estabilidade das políticas públicas em andamento.
A finalidade desse embate interno é a conquista do controle do Palácio Paiaguás e a consolidação de hegemonia política na região pelas próximas temporadas administrativas. Os grupos em disputa buscam garantir espaço prioritário nas chapas proporcionais e majoritárias, o que viabilizará a sustentação legislativa e a influência sobre o orçamento e as diretrizes do desenvolvimento estadual.
O processo desenvolve-se sob condições de extrema desconfiança mútua, caracterizadas por Júlio Campos como um “clima de guerra” decorrente do envio de emissários com “propostas indecorosas”. Diante da gravidade dos relatos sobre tentativas de aliciamento de convencionais, os defensores da candidatura própria anunciam a intenção de formalizar representações junto ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para assegurar a lisura do pleito.

Para alcançar a vitória interna, os apoiadores da candidatura própria estimam contar com uma base sólida de aproximadamente 35 votos entre os 48 convencionais aptos a votar, de um total de 50 membros colegiados. Esse expressivo contingente teórico de apoios é considerado suficiente para neutralizar a influência da ala governista e impor a candidatura do senador Jayme Campos à revelia da Executiva.
Como desdobramento imediato, as lideranças partidárias mantêm canais de diálogo abertos na tentativa de construir um consenso de última hora que evite uma fratura definitiva na base aliada. No entanto, diante da recusa de ambos os pré-candidatos em abdicar de suas pretensões ao Governo do Estado, novos encontros bilaterais deverão ocorrer nos próximos dias, sob a sombra de uma iminente judicialização do processo caso as denúncias de aliciamento sejam formalizadas.
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