CAMPANHA HEPATITES VIRAIS

Várzea Grande desenvolve ações de prevenção às hepatites virais

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Você deve estar pensando: “Mas hepatite é coisa do passado!”. De fato, as campanhas de prevenção contra a hepatite estavam em alta nos anos 90, quando a população ainda reproduzia no dia-a-dia métodos inseguros de se barbear e fazer as unhas, por exemplo. Até as injeções antigripais que eram aplicadas em farmácias foram um grande fator de transmissão dos vírus HAV, HBV e HCV. Hoje, a autoclave é um instrumento comum de uso entre os dentistas, manicures, barbeiros, tatuadores e outros profissionais que trabalham em contato direto com o sangue de seus clientes.

Mas a premissa de que a doença não existe mais é falsa. Até porque, existem diversos tipos de hepatites com meios de transmissão diferenciados. Além disso, é uma condição às vezes silenciosa que pode apresentar sintomas apenas quando já está em um estado grave. Isso dificulta o rastreio da doença e consequentemente leva a subnotificação.

Uma hepatite é, por definição, uma inflamação do fígado. Ela pode se curar dentro de seis meses, caracterizando uma hepatite aguda, ou pode se prolongar por mais tempo, caracterizando uma hepatite crônica.

Várzea Grande entra na campanha contra hepatites virais

Com o objetivo de fortalecer e ampliar o número de atendimento a pacientes do Serviço de Assistência Especializada e Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE-CTA) e evitar abandono do tratamento, a unidade estará reforçando, até esta sexta-feira 29, as ações de prevenção às hepatites virais. As atividades acontecem em diversos espaços públicos, com a proposta de informar sobre formas de prevenção, transmissão, diagnóstico e tratamento, além da realização de exames.

A “Tenda da Saúde” estará realizando exames de testagem e capacitações aos profissionais de saúde sobre as hepatites. Os colaboradores dos Correios e população em geral que utilizam os serviços postais localizado no Cristo Rei, poderão, das 8h às 16h, se dirigirem a “Tenda da Saúde”, instalada na unidade federal, e realizar os testes.

Também haverá a testagem rápida das Hepatites B e C nos Centros de Saúde e todas as Unidades Básicas de Saúde de Várzea Grande para a população em geral, no horário das 8h às 16h. Já no dia 28 de julho, o Serviço de Assistência Especializada promoverá capacitação aos profissionais de saúde sobre o Manejo Clínico das Hepatites Virais e Diretrizes Terapêuticas, sendo o público-alvo médicos e enfermeiros da rede de saúde de Várzea Grande, da Atenção Primária, Secundária e Terciária, com extensão ao Hospital Metropolitano Estadual e às Clínicas Integradas do Centro Universitário (Univag), no horário das 8h às 16h, no Bloco C do Univag.

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Segundo o coordenador do SAE-CTA, João Paulo Alcântara Ortega, a ação se justifica pelo fato do mês de julho ser destinado pelo Sistema Único de Saúde ao alerta à população sobre as hepatites virais, doenças associadas à cirrose hepática e ao câncer no fígado.

O secretário Municipal de Saúde, Gonçalo Aparecido de Barros, destacou que a saúde pública trabalha incansavelmente na detecção, tratamento e cura de muitas doenças.

O SAE/CTA é a nossa unidade referência de Várzea Grande no tratamento das Hepatites B e C e a Vigilância Epidemiológica do Município, que buscam constantemente alternativas para esse enfrentamento no esforço conjunto de todos os atores envolvidos, elementos vitais nesse processo. Neste sentido, iremos fortalecer a prevenção desta IST, assim como a promoção da saúde e com a intenção de diagnosticar e tratar adequadamente todos os casos de HEPATITES B e C no município. Para isso, vamos contar com os profissionais de saúde da rede básica, secundária e terciária de saúde, bem como clínicas particulares e UNIVAG, no “Manejo Clínico e Diretrizes Terapêuticas das Hepatites Virais”, afiançou Gonçalo de Barros.

O “Julho Amarelo”, como nacionalmente é conhecido, realiza a campanha para conscientizar sobre as necessidades e cuidados da população em relação às hepatites virais. O Dia Mundial de Luta Contra Hepatites Virais é lembrado no dia 28 de julho. As hepatites virais mais comuns no Brasil são as do tipo A, B e C. O diagnóstico precoce favorece o início do tratamento, acessível a todos pelo SUS gratuitamente, com a dispensação de medicamentos e realização de exames necessários, para o tratamento e cura da doença”, afiançou João Paulo.

A Doença

Hepatites são doenças silenciosas que nem sempre apresentam sintomas, levando as pessoas procurarem os serviços de saúde tardiamente para um diagnóstico, e quando aparecem os sintomas, como: cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras, a patologia se encontra instalada. Milhões de pessoas no Brasil são portadoras dos vírus B ou C e não sabem. Elas correm o risco de as doenças evoluírem (tornarem-se crônicas) e causarem danos mais graves ao fígado como cirrose e câncer.

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Acredita-se que as hepatites virais, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, sejam a maior causa de transplantes hepáticos no mundo. Entre elas, a hepatite B, uma doença de elevada transmissibilidade e impacto na saúde pública. Aproximadamente um terço da população mundial atual já se expôs ao vírus da hepatite B (HBV) – e estima-se que 240 milhões de pessoas estejam infectadas cronicamente.

A hepatite B é responsável por aproximadamente 780 mil óbitos ao ano no mundo e estima-se que cerca de 71 milhões de pessoas estejam infectadas pelo HCV em todo o mundo e que cerca de 400 mil por ano vão a óbito devido a complicações dessa doença, principalmente por cirrose e CHC. (PCDT – 2019).

As hepatites virais são eventos que impactam a saúde pública em todo o mundo. A perda de qualidade de vida dos pacientes e dos comunicantes exige esforços no sentido de fortalecer a promoção à saúde, vigilância, prevenção e controle desses agravos.

Onde Procurar o Serviço:

Os serviços ofertados pelo SAE-CTA de Várzea Grande, é de assistência especializada para as pessoas que vivem com HIV/Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), além de tratamento odontológico na própria unidade para este público alvo. O SAE-CTA atende à população no endereço, Rua Benedito Curvo, S/Nº – Costa Verde, Várzea Grande. O horário de funcionamento é de segunda à sexta-feira, das 7h às 17h.

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Pesquisadores e organizações alertam para degradação do Parque Cristalino

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Considerado um dos últimos “sobreviventes” do avanço do desmatamento ao norte de Mato Grosso, o Parque Estadual do Cristalino pode ser extinto em breve, após decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), nesta semana. Com mais de 118 mil hectares, o parque foi criado há mais de 20 anos e instituído como Unidade de Conservação (UC), abrigando espécies raras da fauna e flora, incluindo algumas em extinção no Brasil.

Pesquisadores alertam sobre os riscos da degradação ambiental, expansão de atividades exploratórias, grilagens e até o desaparecimento de espécies exclusivas do bioma. Entidades socioambientais do estado já estudam meios judiciais para suspender os efeitos da decisão.

A decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT) saiu após um parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) que não obteve qualquer recurso por parte do estado, sinalizando a despreocupação com que questões ambientais vêm sendo tratadas em Mato Grosso.

Situado na divisa entre Novo Mundo e Alta Floresta, o Parque Estadual do Cristalino II é quase um “santuário” de mamíferos, aves e florestas tropicais. Entre os argumentos usados pelo Subprocurador-Geral de Defesa do Meio Ambiental, Davi Maia Castelo Branco Ferreira, está a ausência da realização de audiências públicas e estudos técnicos de viabilização para a criação de uma Unidade de Conservação à época do Decreto Estadual n.º 2.628, de 30 de maio de 2001. A tese acolhe um pedido da empresa agrícola Sociedade Comercial e Agropecuária Triângulo Ltda, localizada em São Paulo (SP).

De acordo com o biólogo e professor do Núcleo de Estudos da Biodiversidade da Amazônia Mato-grossense da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus Sinop, Domingos de Jesus Rodrigues, a primeira reação diante da notícia da extinção do parque foi de “incredulidade”. Segundo ele, a decisão vai na contramão do ponto de vista socioambiental.

Enquanto o mundo todo reforça a importância de preservar áreas de florestas para garantir o ciclo das águas, o equilíbrio ambiental, dentre outros pontos, uma decisão como essa, acaba com tudo. Ela revela o descompasso entre os interesses ambientais e jurídicos/econômicos em Mato Grosso”, alerta.

Por meio de um Termo de Cooperação Técnica assinado em 2009 entre a UFMT de Sinop e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema/MT), diversas pesquisas científicas são realizadas no Cristalino há mais de 10 anos. A parceria foi renovada em 2020 por, teoricamente, mais uma década.

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No entanto, com a decisão de extinguir o parque, estudos ainda em andamento serão interrompidos, uma vez que o acesso ao local deve ser dificultado.

São mais de 10 dissertações, 30 artigos científicos, livros com a categorização de espécies, trabalhos de georreferenciamento, identificação de novas espécies. Tenho alunos que acabaram de retornar de lá e uma turma que seguiria na próxima semana para dar continuidade a pesquisas. Há projetos para proteção da biodiversidade, estações de medição do volume de chuvas, enfim, diversas atividades em andamento e em parceria com outras instituições. Fomos pegos totalmente de surpresa e agora a preocupação é quanto ao risco de degradação ambiental e perda de espécies raras, lamenta o biólogo.

Uma das espécies mais ameaçadas de extinção é o macaco-aranha-de-cara branca, encontrado raramente no Parque Cristalino e acompanhado por pesquisadores. O primata não “mora” no local por acaso. O biólogo e professor associado da UFMT de Sinop, conselheiro do Instituto Ecótono e presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia, Gustavo Rodrigues Canale, explica que a faixa amazônica em Mato Grosso é dividida em ecorregiões com particularidades. Assim, espécies encontradas em uma área só podem viver naquele local.

Quando se fala em Mato Grosso, muitas pessoas pensam só haver o Pantanal e o Cerrado, mas há uma faixa importante da Amazônia. Perdendo espécies neste local não há como ‘substituí-las’ em outro lugar, pois elas não sobrevivem. A área do Cristalino é estratégica para muitas espécies, porque fica na transição de dois biomas, a Amazônia e o Cerrado. Infelizmente, quando se olha para Mato Grosso, nota-se uma perda cada vez maior de florestas tropicais. Hoje, o norte do estado é praticamente um vazio de unidades de conservação. Perder o Cristalino é perder uma dessas poucas áreas, acrescenta.

Risco para outras unidades é levantado

Em nota divulgada nesta quinta-feira (04), o Observatório Socioambiental de Mato Grosso (Observa-MT) alerta para o risco de a decisão afetar outras 18 Unidades de Conservação Estaduais, caso os questionamentos feitos em relação ao Cristalino desdobrem aos demais.

Com isso, o Estado de Mato Grosso perderia 1,38 milhões de hectares de áreas protegidas, colocando em cheque os seus compromissos internacionais de redução de emissão de carbono, a credibilidade dos seus posicionamentos quanto à sustentabilidade do estado e os fluxos de recursos para o desenvolvimento de baixo carbono e a modernização das práticas agropecuárias, cita um trecho do documento.

Dentre os riscos para estas unidades está o aumento nos conflitos agrários e avanço do desmatamento pelo agronegócio, como aponta Gustavo Canale.

O que deveria ser feito é aumentar as áreas de conservação em Mato Grosso, sobretudo na região norte, que já sofre com o desmatamento. É uma região preciosa e que deve ser preservada. A perda daquela área como Unidade de Conservação deve aumentar a possibilidade de disputas de terras e grilagens, o que coloca em risco várias espécies da fauna e flora”.

Diante da situação, e apesar do voto vencido do relator desembargador Luiz Carlos da Costa, que afirma que foi realizado estudo técnico para criação do Parque, organizações socioambientais de Mato Grosso, apoiadas por assessorias jurídicas e especializadas, estudam meios judiciais para suspender os efeitos da decisão.

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Um dos pontos questionados sobre a decisão é quanto ao trânsito em julgado do processo para o Estado de Mato Grosso sem nenhum recurso judicial interposto pela Procuradoria Geral do Estado (PGE), o que demonstra uma inércia do Poder Público na defesa de suas áreas de preservação.

No entanto, nesta última quinta-feira (04), a movimentação processual foi cancelada, cabendo recursos junto ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e Supremo Tribunal Federal (STF).

Em resposta sobre o caso, a Sema informou que por se tratar de decisão judicial de última instância, o Estado revogará o decreto. A pasta destaca que a decisão abrange “apenas” o Parque Cristalino II que possui mais de 80 mil hectares de área, enquanto o Parque Estadual do Cristalino com 66 mil hectares segue como unidade de Proteção Integral, sob gestão estadual.

Questionada sobre as pesquisas em andamento junto à UFMT de Sinop, o órgão informou que os estudos continuarão apenas no Cristalino, pois os recursos estão vinculados às Unidades de Conservação da Bacia Amazônia.

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