DESCUNPRIMENTO DE MEDIDAS CAUTELARES
PF prende Filipe Martins após decisão do STF que aponta descumprimento de medidas cautelares
A Polícia Federal prendeu preventivamente, na manhã desta sexta-feira (2), em Ponta Grossa, no Paraná, Filipe Martins, ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL) para Assuntos Internacionais, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida ocorre no contexto das investigações e ações penais relacionadas à tentativa de ruptura institucional após as eleições de 2022 e foi motivada, segundo decisão judicial, pelo descumprimento de medidas cautelares impostas ao investigado.
De acordo com informações constantes nos autos, Filipe Martins havia sido condenado, no mês anterior, a 21 anos de prisão por envolvimento na chamada trama golpista e cumpria prisão domiciliar desde o último sábado (27). Entre as restrições estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) estava a proibição de uso de redes sociais, considerada essencial para evitar a reiteração de condutas e assegurar a eficácia das decisões judiciais enquanto o processo seguia em tramitação.
No dia 30 de dezembro, o ministro Alexandre de Moraes determinou que a defesa do ex-assessor explicasse, no prazo de 24 horas, a suposta utilização da rede social LinkedIn para a realização de uma pesquisa. Em resposta, os advogados negaram que Filipe Martins tenha acessado diretamente a plataforma, alegando que os perfis digitais estariam sob administração exclusiva da equipe jurídica, com a finalidade de preservar e organizar informações relevantes à ampla defesa.
Na decisão que fundamentou a prisão preventiva, Alexandre de Moraes afirmou que a própria manifestação da defesa reconheceu a utilização da rede social, ainda que sob outra justificativa, o que configuraria violação das medidas impostas. Segundo o ministro, não haveria pertinência na alegação de que o acesso teria ocorrido apenas para fins técnicos ou informacionais, uma vez que a cautelar proibia qualquer forma de uso das plataformas digitais pelo réu.

Em decisão Moraes diz que Martins demonstra total desrespeito
“Efetivamente, não há dúvidas de que houve descumprimento da medida cautelar imposta, uma vez que a própria defesa reconhece a utilização da rede social, não havendo qualquer pertinência da alegação defensiva no sentido de que as redes sociais foram utilizadas para ‘preservar, organizar e auditar elementos informativos pretéritos relevantes ao exercício da ampla defesa‘”, diz trecho da decisão de Moraes que embasou a prisão de Martins.
Para o magistrado, o comportamento atribuído a Filipe Martins revela desrespeito às determinações judiciais e às instituições democráticas. Moraes destacou que o descumprimento das cautelares compromete a ordem jurídica e enfraquece a autoridade das decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), razão pela qual considerou necessária a conversão da prisão domiciliar em prisão preventiva, como forma de garantir o cumprimento da Lei e a regularidade do processo.
Ainda conforme o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, “o acusado demonstra total desrespeito pelas normas impostas e pelas instituições constitucionalmente democráticas, em virtude de que, ao fazer uso das redes sociais, ofende as medidas cautelares aplicadas, assim como, todo o ordenamento jurídico“.
Política
Investimento milionário em redes sociais pressiona estratégias digitais ao Senado
O candidato ao Senado José Antonio Medeiros (PL) assumiu a liderança absoluta dos gastos com impulsionamento de conteúdo digital entre todos os concorrentes à vaga por Mato Grosso. De acordo com a prestação parcial de contas entregue à Justiça Eleitoral, a campanha do postulante liberou R$ 500 mil diretamente para a plataforma Facebook. O valor atesta o peso estratégico que o marketing nas redes sociais passou a exercer nas disputas estaduais contemporâneas.
O aporte volumoso efetuado pelo liberal José Medeiros ganha relevância quando confrontado com o seu orçamento global disponível para o pleito. O montante repassado à rede social corresponde a 19,7% dos R$ 2,53 milhões declarados pelo candidato até a data limite de 8 de setembro. Tal proporção confirma que a consolidação da presença virtual tornou-se uma das prioridades orçamentárias mais expressivas de sua equipe técnica de comunicação.
Em termos comparativos, o candidato do PL abriu ampla margem de vantagem em relação aos demais postulantes ao cargo parlamentar. O atual senador Carlos Fávaro (PSD) oficializou o repasse de R$ 255 mil à mesma empresa, enquanto o ex-governador Mauro Mendes (UB) registrou a destinação de R$ 175 mil para promover suas publicações no ambiente digital. As cifras ressaltam a heterogeneidade das estratégias adotadas pelos grupos políticos majoritários.
Outros concorrentes também formalizaram aportes expressivos voltados ao engajamento de seus eleitores nas redes. A candidata Janaina Riva (MDB) destinou R$ 150 mil à DLocal Brasil, operadora de pagamentos utilizada para gerenciar campanhas de publicidade digital. Já Pedro Taques (PSB) formalizou diretamente à plataforma a prestação de contas no valor de R$ 108 mil para alavancar sua projeção.

Apesar de encabeçar a lista no acumulado de despesas gerais da disputa pelo Senado, Margareth Buzetti (PP) adotou postura cautelosa no ambiente virtual. A candidata alocou R$ 57 mil no Facebook, número nitidamente inferior ao patamar fixado pela campanha de Medeiros. Essa discreta movimentação contrasta com o volume de investimentos de sua chapa em outras frentes de propaganda eleitoral.
Somadas as declarações de todos os pleiteantes, abrangendo os valores direcionados diretamente ao Facebook e a intermediação da DLocal, os gastos ultrapassam a marca de R$ 1,25 milhão no estado. Essa cifra global demonstra o forte direcionamento de recursos financeiros para o ecossistema digital no atual período do calendário eleitoral de Mato Grosso.
A relevância do montante mobilizado pela campanha de José Medeiros fica evidenciada na análise percentual do fluxo de caixa. Como praticamente um quinto das receitas declaradas por ele foi canalizado para o impulsionamento de mídia digital, a estratégia expõe uma aposta ostensiva no alcance das redes sociais para a conversão de votos e consolidação de sua imagem.

Os dados apurados têm como base o encerramento do prazo oficial da Justiça Eleitoral para o envio da prestação parcial de contas, ocorrido no domingo (13). O balanço público contempla detalhadamente todas as receitas arrecadadas e despesas contratadas pelas chapas desde a abertura formal da campanha até o dia 8 de setembro.
Esse cenário de fortes aportes no Estado de Mato Grosso espelha um movimento consistente e estruturado em escala nacional. Até a última sexta-feira (11), candidatos e agremiações partidárias de todo o país já haviam registrado o montante significativo de R$ 46,5 milhões junto à plataforma Facebook. A consolidação desses dados posiciona a gigante de tecnologia como a maior fornecedora individual de serviços para as campanhas eleitorais brasileiras.
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