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Política

Encontro discutiu chegada dos trilhos da ferrovia até a capital Cuiabá

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O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte, afirmou nesta sexta-feira (24) que o pleito do Governo de Mato Grosso para ampliação da linha da Ferrovia Senador Vicente Vuolo (Ferronorte), de Rondonópolis para Cuiabá, foi bem recebido pelo Governo Federal. O assunto foi discutido em um encontro promovido pelo Governo do Estado em parceria com o Fórum Pró-Ferrovia, que ocorreu na sede da Federação das Indústrias (Fiemt).

Foto: Rafael Manzutti

"É um compromisso do governador Pedro Taques lutar para trazer a Ferrovia até a Capital. Para nossa satisfação, esse pleito está sendo muito bem recebido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), pelo Ministério dos Transportes e pela concessionária Rumo/ALL que demonstrou total interesse de construir os trilhos, para desenvolver a região metropolitana e escoar a produção agrícola do norte para os portos", afirmou o secretário Marcelo Duarte.

De acordo com o presidente do Fórum Pró-Ferrovia, Francisco Vuolo, existe uma grande expectativa para que a formalização da ampliação do trecho ocorra em breve. "Em parceria com o Governo do Estado, estamos desenvolvendo uma série de ações para que a ANTT e o Ministério dos Transportes garantam o avanço da ferrovia. Apostamos que nos próximos seis meses essa decisão tenha sido tomada. Após essa etapa, será feito um termo onde estipularemos prazo e data para construção desse modal".

Discussão intensificada

"O principal pedido junto ao Ministério dos Transportes foi no sentido de demonstrar que o trecho é viável, por já estar previsto no sistema nacional de viação. No entanto, para autorização, ainda precisamos fazer uma discussão mais detalhada do projeto", pontuou o coordenador geral do Programa de Desenvolvimento do Transporte do Ministério dos Transportes, Anderson Moreno Luz.

A discussão ganhou força atualmente, segundo o secretário da Sinfra, Marcelo Duarte, após a edição da Medida Provisória 752/2016 que visa estimular as concessões no país, e, entre as ações, prevê a antecipação dos contratos de concessões de ferrovias e a destinação de investimentos na própria malha ou naquelas de interesse da administração pública.

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Na prática, o Governo Federal discute a prorrogação antecipada por mais 30 anos (2018 – 2058) da concessão da empresa Rumo ALL, responsável pelo trecho da Malha Paulista que se conecta a Malha Norte que chega a Rondonópolis. Deste debate, existe a possibilidade de o valor proveniente da taxa de outorga da Malha Paulista ser destinado para implantar o melhor traçado da ferrovia Rondonópolis/Cuiabá, cujo valor apresentado foi de R$ 1,36 bilhão. Ou seja, o valor não seria pago diretamente a União, mas sim utilizado pela própria concessionária em projeto de expansão da malha ferroviária.

Estimulo a indústria

A chegada dos trilhos até a capital deve diminuir o gargalo logístico no Estado, resultando na atração de novas indústrias, redução de custos e, consequentemente, crescimento do setor industrial e desenvolvimento socioeconômico mato-grossense. É o que aposta o presidente da Fiemt, Jandir Milan, que destacou que o frete ferroviário equivale a 50% do rodoviário, já o hidroviário custa 25%. Na opinião dele, Cuiabá possui mão-de-obra suficiente para que se amplie qualquer indústria, mas o custo do frete rodoviário na atualidade inviabiliza em alguns casos o desenvolvimento do setor.

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"Há 64 anos, em 1953 quando eu nasci, o Brasil tinha mais quilômetros de ferrovia que hoje. Isso mostra o descaso por parte do governo federal em ativar essa execução de ferrovia. Quando viabiliza a produção para o norte, se diminui o custo do frete para o sul e sudeste, e isso vai viabilizar a indústria de Mato Grosso. Cuiabá tem condição de industrializar e ser um grande polo de serviço. Quem ganhará com isso é a população que terá mais postos de trabalho", disse Milan

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho, também defendeu a ampliação de ferrovias no país. "A escolha pelo transporte rodoviário em nosso país foi errada, mas agora com a implantação do modelo ferroviário acredito que conseguiremos baixar os custos da nossa produção pela metade do preço".

Integração ferroviária

Pensando no futuro, o sistema ferroviário em Mato Grosso tem sido defendido com mais profundidade, como a principal opção para baratear o escoamento da produção por meio dos portos de Santos (SP), Miritituba (PA) e Itaqui (MA).

"É fundamental que a Ferrovia Vicente Vuolo (Ferronorte) vindo de Rondonópolis para Cuiabá, se estenda até Lucas do Rio Verde, onde será um grande entroncamento ligando com a Ferrogrão e a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico). Essa interseção é fundamental para que a produção seja escoada aos portos de Vila do Conde em Miritituba e o Porto de Santos", ressalta o diretor-executivo do Movimento Pró-Logística, Edeon Vaz Ferreira.

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Política

Racha na chapa majoritária do PL de Mato Grosso exalta o pragmatismo das alianças e gera impasse político

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A política ama a traição e odeia o traidor”.

A frase atribuída a Lionel Brizola é absolutamente verdadeira, mas pouco compreendida.⠀

Na política, dinâmica e cercada de interesses, não somente no sentido negativo, é impossível que não exista expectativas frustradas, parcerias desfeitas e claro, traições.⠀

Logo, quem está na política será traído e irá trair. Uns com menos pudor e outros com mais. Mas trocar pessoas e acordos como mercadorias faz parte do negócio.⠀

Mas tão importante quanto saber disso é entender que quanto menos você parecer traidor, mesmo que traia, melhor será sua vida na política.⠀

O empresário Marcelo Maluf do Partido Novo, já no começo de sua trajetória política sentiu o gosto amargo da traição, quando foi comunicado que não seria mais vice na chapa do Senador pelo Partido Liberal (PL), com o cabeça de chapa Wellington Fagundes.

A consolidação das chapas eleitorais no cenário político de Mato Grosso sofreu uma reviravolta expressiva com o anúncio da substituição do nome indicado ao cargo de vice-governador na coligação encabeçada pelo Partido Liberal. A alteração abrupta retirou o empresário Marcelo Maluf da composição majoritária, deflagrando um severo desentendimento público no núcleo partidário e evidenciando a frieza pragmática que costuma reger as negociações de bastidor na busca pelo poder.

Os protagonistas desse imbróglio interno são o empresário Marcelo Maluf, figura até então chancelada para compor o projeto, e o senador Wellington Fagundes, liderança do PL e pré-candidato ao Governo do Estado. A reorganização culminou na ascensão do médico Alencar Farina, também filiado ao PL, nome que passa a ocupar o posto anteriormente prometido e articulado junto à base aliada.

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A crise tomou contornos públicos nesta sexta-feira, ocasião em que Maluf foi formalmente notificado de seu afastamento da chapa majoritária e manifestou-se por meio de uma nota oficial. A tempestade política eclodiu em momento decisivo do calendário eleitoral, período no qual as candidaturas já se encontravam em fase avançada de estruturação e planejamento estratégico de campanha.

O episódio desenrola-se no epicentro da política mato-grossense, estado no qual o Partido Liberal busca consolidar sua hegemonia e expandir o alcance de sua base aliada junto ao eleitorado regional. O impacto da decisão ecoou instantaneamente nas instâncias partidárias da capital, Cuiabá, e dos demais municípios estratégicos, alterando a interlocução com empresários e setores produtivos da região.

A desarticulação ocorreu mediante uma comunicação direta feita pelo próprio senador Wellington Fagundes a Marcelo Maluf, informando-o sobre a escolha de um novo nome para a vaga. Em resposta imediata, o empresário tornou pública uma contundente nota, na qual repudiou formalmente a conduta dos dirigentes e expôs os bastidores do rompimento à imprensa e à sociedade.

A reviravolta decorre das rearrumações táticas e da busca por alinhamento tático no âmbito da diretoria estadual do Partido Liberal. Enquanto a cúpula buscou redesenhar a chapa para atender a conveniências políticas imediatas, a manobra acabou por desconsiderar acordos prévios que haviam sido formalizados internamente durante os trâmites partidários.

Em suas declarações, Marcelo Maluf fundamentou seu descontentamento ressaltando que o convite inicial não representou um mero diálogo informal, mas sim uma construção política devidamente homologada na Convenção Partidária. O empresário destacou que já havia mobilizado apoiadores, estruturado diretrizes e iniciado a montagem das equipes de atuação ao lado da chapa de Fagundes.

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O tom do protesto subiu de intensidade quando Maluf classificou a alteração repentina como uma manifestação de falta de respeito pessoal e político por parte do senador e do PL estadual. Em forte apelo ético, o empresário sustentou que lideranças incapazes de honrar compromissos assumidos internamente carecem de credibilidade para pleitear a confiança de mais de três milhões de mato-grossenses.

Diante da irreversibilidade do cenário, o empresário sinalizou sua recusa em naturalizar práticas políticas marcadas por quebras de palavra e pela volatilidade das parcerias. Afirmando estar de consciência tranquila por haver cumprido integralmente todas as exigências pactuadas, Maluf enfatizou que caberá aos articuladores da mudança responder perante a opinião pública pelas decisões adotadas.

O desfecho do conflito insere um componente de incerteza e desgaste reputacional na pré-campanha de Wellington Fagundes, que agora precisará reestruturar seu discurso de unidade e integrar Alencar Farina à chapa.

O episódio reforça a máxima atribuída a Lionel Brizola de que “a política ama a traição, mas odeia o traidor“, deixando para o eleitorado o julgamento sobre a maturidade ética dos projetos colocados em disputa.

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