Search
Close this search box.

O ELEITORADO VAI FAZER O JULGAMENTO

Racha na chapa majoritária do PL de Mato Grosso exalta o pragmatismo das alianças e gera impasse político

Publicados

em

A política ama a traição e odeia o traidor”.

A frase atribuída a Lionel Brizola é absolutamente verdadeira, mas pouco compreendida.⠀

Na política, dinâmica e cercada de interesses, não somente no sentido negativo, é impossível que não exista expectativas frustradas, parcerias desfeitas e claro, traições.⠀

Logo, quem está na política será traído e irá trair. Uns com menos pudor e outros com mais. Mas trocar pessoas e acordos como mercadorias faz parte do negócio.⠀

Mas tão importante quanto saber disso é entender que quanto menos você parecer traidor, mesmo que traia, melhor será sua vida na política.⠀

O empresário Marcelo Maluf do Partido Novo, já no começo de sua trajetória política sentiu o gosto amargo da traição, quando foi comunicado que não seria mais vice na chapa do Senador pelo Partido Liberal (PL), com o cabeça de chapa Wellington Fagundes.

A consolidação das chapas eleitorais no cenário político de Mato Grosso sofreu uma reviravolta expressiva com o anúncio da substituição do nome indicado ao cargo de vice-governador na coligação encabeçada pelo Partido Liberal. A alteração abrupta retirou o empresário Marcelo Maluf da composição majoritária, deflagrando um severo desentendimento público no núcleo partidário e evidenciando a frieza pragmática que costuma reger as negociações de bastidor na busca pelo poder.

Os protagonistas desse imbróglio interno são o empresário Marcelo Maluf, figura até então chancelada para compor o projeto, e o senador Wellington Fagundes, liderança do PL e pré-candidato ao Governo do Estado. A reorganização culminou na ascensão do médico Alencar Farina, também filiado ao PL, nome que passa a ocupar o posto anteriormente prometido e articulado junto à base aliada.

Leia Também:  Prestações de contas parciais de partidos e candidatos estão disponíveis no site divulgacandcontas 

A crise tomou contornos públicos nesta sexta-feira, ocasião em que Maluf foi formalmente notificado de seu afastamento da chapa majoritária e manifestou-se por meio de uma nota oficial. A tempestade política eclodiu em momento decisivo do calendário eleitoral, período no qual as candidaturas já se encontravam em fase avançada de estruturação e planejamento estratégico de campanha.

O episódio desenrola-se no epicentro da política mato-grossense, estado no qual o Partido Liberal busca consolidar sua hegemonia e expandir o alcance de sua base aliada junto ao eleitorado regional. O impacto da decisão ecoou instantaneamente nas instâncias partidárias da capital, Cuiabá, e dos demais municípios estratégicos, alterando a interlocução com empresários e setores produtivos da região.

A desarticulação ocorreu mediante uma comunicação direta feita pelo próprio senador Wellington Fagundes a Marcelo Maluf, informando-o sobre a escolha de um novo nome para a vaga. Em resposta imediata, o empresário tornou pública uma contundente nota, na qual repudiou formalmente a conduta dos dirigentes e expôs os bastidores do rompimento à imprensa e à sociedade.

A reviravolta decorre das rearrumações táticas e da busca por alinhamento tático no âmbito da diretoria estadual do Partido Liberal. Enquanto a cúpula buscou redesenhar a chapa para atender a conveniências políticas imediatas, a manobra acabou por desconsiderar acordos prévios que haviam sido formalizados internamente durante os trâmites partidários.

Em suas declarações, Marcelo Maluf fundamentou seu descontentamento ressaltando que o convite inicial não representou um mero diálogo informal, mas sim uma construção política devidamente homologada na Convenção Partidária. O empresário destacou que já havia mobilizado apoiadores, estruturado diretrizes e iniciado a montagem das equipes de atuação ao lado da chapa de Fagundes.

Leia Também:  Mauro Mendes anuncia 13 nomes de secretários para segundo mandato

O tom do protesto subiu de intensidade quando Maluf classificou a alteração repentina como uma manifestação de falta de respeito pessoal e político por parte do senador e do PL estadual. Em forte apelo ético, o empresário sustentou que lideranças incapazes de honrar compromissos assumidos internamente carecem de credibilidade para pleitear a confiança de mais de três milhões de mato-grossenses.

Diante da irreversibilidade do cenário, o empresário sinalizou sua recusa em naturalizar práticas políticas marcadas por quebras de palavra e pela volatilidade das parcerias. Afirmando estar de consciência tranquila por haver cumprido integralmente todas as exigências pactuadas, Maluf enfatizou que caberá aos articuladores da mudança responder perante a opinião pública pelas decisões adotadas.

O desfecho do conflito insere um componente de incerteza e desgaste reputacional na pré-campanha de Wellington Fagundes, que agora precisará reestruturar seu discurso de unidade e integrar Alencar Farina à chapa.

O episódio reforça a máxima atribuída a Lionel Brizola de que “a política ama a traição, mas odeia o traidor“, deixando para o eleitorado o julgamento sobre a maturidade ética dos projetos colocados em disputa.

Propaganda

Política

“Operação Heritage” amplia repercussão política após negativas de Mendes, Carvalho e Garcia sobre ligação com a Oi

Publicados

em

A “Operação Heritage“, deflagrada pela Polícia Federal, intensificou o debate político em Mato Grosso após citar nomes ligados ao grupo político do ex-governador Mauro Mendes (UB). Em manifestações públicas divulgadas nesta quinta-feira (6), Mauro Mendes, o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, e o deputado federal Fábio Garcia negaram qualquer envolvimento irregular relacionado ao acordo firmado com a operadora de telecomunicações Oi e afirmaram confiar no esclarecimento dos fatos perante as autoridades competentes.

Entre os principais citados nas investigações, Mauro Mendes voltou a rejeitar as acusações e atribuiu o surgimento da operação à atuação de adversários políticos. Segundo ele, lideranças como Janaina Riva (MDB), Pedro Taques (PSB), Jayme Campos (UB) e Carlos Fávaro (PSD) teriam realizado articulações em Brasília antes da deflagração da investigação, hipótese apresentada pelo ex-governador como parte de uma estratégia política em meio ao período eleitoral.

Ao comentar o momento em que a operação foi realizada, Mauro Mendes destacou que a investigação ocorreu a aproximadamente 60 dias das eleições, circunstância que, em sua avaliação, reforçaria a existência de motivação política. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-governador afirmou que seus adversários buscam desgastar sua imagem pública e declarou que sua trajetória administrativa e os resultados de seu governo motivariam ataques por parte de grupos contrários ao seu projeto político.

Durante o pronunciamento, Mauro Mendes também mencionou o Partido dos Trabalhadores (PT) e relacionou sua situação à do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo suas declarações, haveria perseguição política contra lideranças identificadas como adversárias do partido. O ex-governador ainda citou a homologação da candidatura de Pedro Taques ao Senado e a rejeição do nome de Janaina Riva para compor como candidata a vice-governadora, apontando esses fatos como parte do contexto político que antecedeu a operação.

Leia Também:  Após cobrança de Flávia Moretti, Kalil Bracat oficializa comissão de transição

Mauro Carvalho nega

Outro nome citado nas denúncias, o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, também divulgou manifestação pública negando qualquer vínculo com irregularidades envolvendo a Oi. Ele afirmou que, entre dezembro de 2023 e abril de 2024, período em que tramitou o processo de autocomposição, não exercia cargo público no Governo de Mato Grosso, razão pela qual sustenta que não possuía competência ou influência sobre eventual decisão relacionada ao acordo.

Mauro Carvalho acrescentou que nenhum recurso decorrente do acordo firmado com a operadora foi destinado a benefício próprio ou de seus familiares. Conforme declarou, todos os investimentos realizados por sua família em empresas das quais participa em sociedade com Mauro Mendes tiveram origem exclusivamente em recursos provenientes de seu grupo empresarial, reafirmando a convicção de que conseguirá comprovar sua inocência ao longo das investigações.

Fábio Garcia nega

Também citado no caso, o deputado federal Fábio Garcia rebateu publicamente as acusações por meio de vídeo divulgado em suas redes sociais. O parlamentar declarou que jamais participou de qualquer ato administrativo relacionado ao acordo envolvendo a operadora Oi e afirmou que o tema nunca esteve sob a responsabilidade da Casa Civil durante o período em que ocupou o comando da pasta no Governo de Mato Grosso.

Leia Também:  Encontro discutiu chegada dos trilhos da ferrovia até a capital Cuiabá

Segundo Fábio Garcia, não existe qualquer ato administrativo de sua autoria vinculado ao procedimento investigado. O deputado sustentou ainda que a própria estrutura da Casa Civil não participou nem teve conhecimento da operação administrativa relacionada à empresa, motivo pelo qual considera indevida sua inclusão nas investigações. Em sua manifestação, também atribuiu as acusações ao ambiente de disputa política que antecede o processo eleitoral.

As declarações dos três integrantes do grupo político convergem ao defender que não houve participação em irregularidades e ao afirmar disposição para colaborar integralmente com os órgãos responsáveis pela investigação. Todos sustentam que a apuração permitirá esclarecer os fatos e comprovar a inexistência de responsabilidade pessoal nos acontecimentos mencionados pela Polícia Federal.

A Operação Heritage segue em andamento, enquanto as autoridades competentes prosseguem com a análise das informações reunidas durante a investigação. Paralelamente, as manifestações públicas dos envolvidos ampliam a repercussão política do caso, que passa a integrar o debate eleitoral em Mato Grosso.

Os próximos desdobramentos dependerão da continuidade das apurações oficiais e da eventual apresentação de novos elementos pelas autoridades responsáveis pelo procedimento investigativo.

Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA