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MT BUSCA ALTERNATIVA

Concessão do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães gera controvérsia e disputa política

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No mês de dezembro de 2022, um leilão na Bolsa de Valores do Brasil (B3), sediado em São Paulo (SP), marcou um momento crucial: a concessão de serviços turísticos do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães (MT) à iniciativa privada. O processo, que contou com um estudo de viabilidade técnica e econômica custeado pelo Ministério do Turismo, com o apoio técnico da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), culminou com a vitória da empresa Parquetur, que ofereceu uma outorga fixa de R$ 1.009 milhão, superando a proposta mínima exigida de R$ 925,8 mil, representando um ágio de 9%.

Estabelecido por um contrato de 30 anos, a Parquetur, através da Parques FIP, assume a responsabilidade pelas atividades de apoio à visitação, manutenção, modernização dos serviços turísticos na unidade, além de empreender ações de conservação e proteção, com investimentos estimados em mais de R$ 18 milhões. O Parque da Chapada dos Guimarães, com seus 32,6 mil hectares, desempenha um papel fundamental na preservação do bioma Cerrado, abrigando nascentes de rios que alimentam o Pantanal, majestosas cachoeiras e importantes sítios arqueológicos.

Entretanto, a euforia inicial dessa concessão deu lugar a controvérsias significativas. Logo após a celebração do contrato, o Tribunal de Contas da União (TCU) emitiu uma medida cautelar suspendendo a Concessão do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, localizado no Estado do Mato Grosso. Essa decisão foi uma resposta a um pedido do Governo do Estado de Mato Grosso, representado pela autarquia MT Par, que alegou a existência de possíveis irregularidades no processo.

O Tribunal de Contas da União encontrou irregularidades na concorrência para concessão do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães, no Estado de Mato Grosso. A auditoria do TCU analisou o processo de licitação conduzido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, o ICMBio.

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A principal falha identificada foi no percentual do seguro garantia, que ultrapassa o máximo permitido por lei, que é de 1% do valor do contrato. O seguro previsto no edital era de R$ 2,3 milhões, o que corresponde a 4% do total do contrato, estimado em R$ 57 milhões. O TCU determinou que o instituto faça alterações no edital para corrigir essa e outras irregularidades antes de dar prosseguimento ao processo.

O leilão, ocorrido em dezembro de 2022, foi vencido pela empresa Parquetur, através da Parques FIP, após a desclassificação da concorrente, MT Par, uma empresa de economia mista vinculada ao governo estadual, devido à sua incapacidade de apresentar as garantias exigidas pelo certame. Diante disso, a MT Par recorreu ao TCU, apresentando uma representação com pedido cautelar, que foi atendido pelo Tribunal.

MT trabalha para conseguir concessão do Parque de Chapada

O Governo de Mato Grosso, no entanto, persiste nos esforços para obter a concessão do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães sem precisar participar do edital de licitação lançado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio) em agosto de 2023.

O governador Mauro Mendes (UB) expressou sua insatisfação com o cenário, afirmando que tal concessão resultaria em um baixo investimento e cobrança de R$ 100 dos cidadãos para acessar o parque. Ele afirmou que o governo estadual tem a capacidade e as condições de investir R$ 200 milhões e continua a trabalhar nos bastidores para buscar essa alternativa.

As negociações estão em curso tanto no Palácio do Planalto quanto na Esplanada dos Ministérios, com o objetivo de resolver essa questão por meio do diálogo antes de outubro. Isso permitiria o início das licitações das obras de melhorias no Parque ainda em 2023.

Outra alternativa em consideração é o projeto de estadualização da área de conservação, proposto pela senadora Margareth Buzzetti (PSD) através do PL n° 3649, de 2023, apresentado na Comissão de Meio Ambiente (CMA). Além de propor a transferência de gestão do parque, esse projeto exige que o governo de Mato Grosso invista R$ 66 milhões anualmente e complete R$ 200 milhões em três anos de administração. A tramitação dessa proposta no Congresso Nacional precisa ser ágil, uma vez que a abertura dos envelopes da licitação do ICMBio está agendada para 12 de dezembro.

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É relevante destacar que o edital de licitação prevê investimentos de aproximadamente R$ 18 milhões em infraestrutura no Parque, além da perspectiva de aplicação de R$ 200 milhões em operação e gestão.

Senador luta por MT ficar com Parque Nacional

O Senador Mauro Carvalho (UB) ingressou na Comissão de Meio Ambiente do Senado para avocar a relatoria do Projeto de Lei que objetiva estadualizar o Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, o PL n° 3649, de autoria da senadora Margareth Buzetti (PSD).

A medida deve acelerar a tramitação do projeto no Senado. A expectativa seria de aprovar a proposta na CMA e no Plenário antes do final da temporada de Carvalho no Senado, uma vez que ele ocupa a vaga do licenciado Wellington Fagundes (PL), o qual se afastou por 4 meses.

O problema, no entanto, seria acelerar a tramitação desse mesmo projeto na Câmara dos Deputados. Nesse caso, caberia ao atual secretário-chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (UB), no retorno ao cargo de deputado federal, conduzir as articulações para acelerar a matéria.

Ainda assim, seria necessário muito capital político para garantir a aprovação. Por outro lado, a tramitação acelerada poderia aumentar a força de negociações nos bastidores por uma concessão direta ao Estado de Mato Grosso, sem a necessidade de uma disputa no edital de licitação lançado pelo Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio).

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Política

Inversão de cenário no eleitorado de Mato Grosso impulsiona disputa ao Governo Estadual

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Uma mudança expressiva na disposição do eleitorado mato-grossense reconfigurou o panorama político regional e colocou a sucessão para o Poder Executivo Estadual em um cenário de disputa aberta. Conforme levantamento realizado pelo Instituto Paraná Pesquisas e divulgado nesta segunda-feira, dia 24 de agosto, o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) assumiu numericamente a liderança das intenções de voto no estado de Mato Grosso. O gestor ultrapassou o senador Wellington Fagundes (PL), revertendo uma vantagem expressiva que favorecia o parlamentar há oito meses e alterando a dinâmica das alianças regionais.

A alteração do quadro eleitoral ocorreu de forma gradual ao longo do último período, impulsionada pela consolidação de Otaviano Pivetta na chefia do Executivo e pela consequente reorganização das forças partidárias locais. Entre dezembro de 2025 e agosto do ano corrente, o cenário sem a presença do senador Jayme Campos registrou uma movimentação expressiva de 19 pontos na diferença entre os dois principais concorrentes. A alteração na dinâmica política reflete a absorção da imagem do atual governador como candidato à reeleição perante o eleitorado, alterando a hierarquia que antes parecia consolidada na corrida ao Palácio Paiaguás.

O levantamento estatístico abrangeu 1.504 eleitores distribuídos por 56 municípios do Estado de Mato Grosso, selecionados para compor uma amostragem representativa do eleitorado local. As entrevistas foram conduzidas de maneira presencial e domiciliar entre os dias 21 e 23 de agosto. O estudo técnico foi contratado pela empresa Sedek Serviços, Tecnologia & Informação Ltda., e devidamente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de identificação MT-02157/2026, respeitando as normas legais vigentes para a divulgação de pesquisas eleitorais.

Na pesquisa Estimulada para o primeiro turno, Otaviano Pivetta atingiu 39% das intenções de voto, enquanto Wellington Fagundes registrou 35%, configurando um empate técnico dentro do limite da margem de erro. A médica Natasha Slhessarenko (PSD) obteve 8,7%, seguida por Sargento Laudicério (Agir), com 2,2%, Maurício Coelho (Mobiliza), com 0,4%, e Rafaell Milas (Missão), com 0,3%.

Os votos brancos e nulos somaram 8,1% do total, ao passo que 6,3% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder ao questionamento.

A virada promovida pelo atual governador em um intervalo de oito meses representa o elemento analítico de maior relevância no estudo estatístico. Em dezembro do ano anterior, Wellington Fagundes liderava a disputa com 43,1% contra 28,1% do adversário, estabelecendo uma distância de 15 pontos percentuais. No levantamento atual, Otaviano Pivetta cresceu 10,9 pontos percentuais, enquanto o senador recuou 8 pontos, transformando a desvantagem inicial do chefe do Executivo em uma liderança numérica de quatro pontos percentuais na consulta induzida.

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A tendência de alteração do eleitorado consolidou-se também na simulação de um eventual segundo turno entre os dois primeiros colocados.

No levantamento anterior, Wellington superava Pivetta por 48,6% a 32,8%, ostentando uma margem favorável de 15,8 pontos. O cenário presente aponta o governador com 44,3% e o senador com 40,8%, evidenciando um movimento de 19,3 pontos na distância relativa entre ambos.

Embora a diferença atual de 3,5 pontos mantenha os pré-candidatos em empate técnico, a trajetória sinaliza uma perda de ritmo da candidatura opositora.

No cenário Espontâneo, no qual os nomes dos postulantes não são apresentados aos entrevistados, a lembrança do nome do governador apresentou dados ainda mais favoráveis à sua candidatura. Otaviano Pivetta foi citado espontaneamente por 15,9% dos eleitores, enquanto Wellington Fagundes alcançou 8,6% e Natasha Slhessarenko obteve 2,7%.

A vantagem de 7,3 pontos obtida pelo gestor público demonstra um grau superior de fixação de sua imagem junto à parcela do eleitorado que já se encontra mais engajada no processo sucessório estadual.

Os índices de rejeição apurados pelo instituto de pesquisa fornecem elementos adicionais para compreender a movimentação da massa votante.

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O senador Wellington Fagundes registrou 25,7% de rejeição entre os entrevistados, que afirmaram não votar nele sob qualquer hipótese, ao passo que Otaviano Pivetta apresentou 16,3% e Natasha atingiu 19,3%. Essa diferença de 9,4 pontos na rejeição amplia o teto potencial de crescimento do governador, facilitando a atração de eleitores indecisos ou dispostos a migrar de opção nas etapas subsequentes.

A sustentação da ascensão eleitoral de Pivetta encontra respaldo direto nos índices de aprovação de sua gestão à frente do Governo do Estado. A administração estadual conta com a aprovação de 69,5% dos entrevistados, contra 23,3% de desaprovação.

No detalhamento conceitual, 49,2% dos cidadãos avaliam o governo como ótimo ou bom, 32,2% o classificam como regular e 14,4% o consideram ruim ou péssimo.

Essa percepção positiva sobre o desempenho administrativo cria um ambiente político favorável à tese de continuidade da gestão.

A despeito da consolidação da candidatura governista, a disputa permanece aberta devido ao elevado contingente de eleitores ainda não decididos no estado. O levantamento revelou que 65,2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram indicar espontaneamente um nome para o governo estadual.

Esse expressivo volume de votos não cristalizados representa o principal campo de atuação para as campanhas operarem nas próximas etapas, quando o início da propaganda e o afunilamento do pleito definirão se a tendência atual se consolidará em vitória nas urnas.

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