Política
Após cobrança de Pinheiro, Governo disponibiliza relatório sobre o VLT
Após o deputado estadual Emanuel Pinheiro (PR) cobrar do Governo do Estado o relatório dos estudos da viabilidade do Veiculo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá, e dizer que “não temos acesso ao relatório? Qual motivo que não entrega o relatório que é pago pelo dinheiro publico? O que está causando estranheza por parte dos parlamentares é o segredo do relatório da KGPM. Temos o direito e exigimos relatório final".
E segundo Emanuel Pinheiro, extra oficialmente o relatório do VLT estava sendo decretado segredo de justiça, na 1ª Vara Justiça Federal, processo nº 3668-53.2015.4.01.3600. E que também estava estranhando a atitude do governador Pedro Taques (PSDB), ja que ele se diz transparente.
Veja a matéria publicada neste sábado pelo Blog do Valdemir
Logo após a divulgação da matéria veiculada sobre a cobrança e revolta do parlamentar estadual Emanuel Pinheiro, o Governo do Estado diferentemente do que foi dito pelo parlamentar de falta de transparência já disponibilizou no site da GCOM o relatório que esta sendo realizado pela consultoria KPMG contratada em novembro de 2015 pelo valor de R$ 3,08 milhões de reais e que deverá ser finalizado dia 4 de março.
Veja a matéria:
Governo do Estado disponibiliza íntegra de relatório sobre o VLT
O Governo de Mato Grosso, por meio do Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção, e tendo como princípio a transparência com os atos públicos e respeito ao cidadão, divulgou na íntegra a primeira parte do relatório da empresa de consultoria KPMG sobre as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).
A primeira parte do relatório foi protocolada pela Procuradoria Geral do Estado (PGE) na Justiça Federal e passa a fazer parte da ação proposta pelo Estado, que permitirá definir os rumos da retomada das obras do modal. No mesmo dia em que o relatório foi encaminhado à Justiça Federal, em 26 de janeiro, a imprensa também conheceu detalhes do estudo durante uma entrevista coletiva no Palácio Paiaguás.
A auditoria independente foi autorizada pelo Judiciário em agosto de 2015 e visa apresentar respostas para que o Estado possa dar continuidade à obra.
O estudo
Conforme o estudo, a obra do VLT deve custar R$ 532 milhões a menos que o valor exigido pelo consórcio construtor para finalizar o modal. O relatório confirma o que a Controladoria Geral do Estado (CGE) havia apontado no Relatório 19/2015, de que gestores da obra foram coniventes com os atrasos.
Segundo o estudo da KPMG, a conclusão do VLT deve custar mais R$ 602 milhões aos cofres públicos. O valor é muito abaixo do R$ 1,135 bilhão requisitados pelo Consórcio em 2015 a título de reajuste, reequilíbrio financeiro, câmbio e saldo devedor, o que elevaria o custo total final da obra para R$ 2,2 bilhões.
Como o Estado se recusou a pagar o valor pleiteado, por orientação da CGE, o caso está na Justiça Federal. A KPMG aponta que o valor do reajuste e reequilíbrio financeiro é de R$ 176 milhões e o saldo é de R$ 426 milhões, já com a devida correção. Isso significa dizer que, se o Governo do Estado tivesse dado a ordem de serviço para continuidade das obras no início de 2015, teria perdido R$ 535 milhões.
A obra já consumiu R$ 1,066 bilhão, de um total de R$ 1,477 bilhão licitado pela extinta Secopa. O VLT deveria ter sido concluído em junho de 2014.
Consultoria
A contratação de serviços de auditoria privada atende determinação da Justiça Federal e prevê a entrega de mais dois relatórios, em março deste ano, para nortear o Estado na retomada da obra.
Os trabalhos estão em andamento e versarão sobre a viabilidade financeira do modal, o cronograma de término da obra, a estimativa de demandas de operação durante os próximos 20 anos, a proposta de integração do modal ao transporte coletivo de Cuiabá e Várzea Grande e a estimativa do valor da bilhetagem.
DOWNLOAD
VLT Produto 1A – Relatório – 19 01 2016
VLT Produto 1B – Relatório – 19 01 2016
VLT Produto 1B – Anexos I – 19 01 2016
VLT Produto 1B – Anexos II WPs LEVE – 19 01 2016
VLT Produto 1B – Anexos III WPs MODERADO – 19 01 2016
VLT Produto 1B – Anexos IV WPs GRAVE – 19 01 2016
VLT Produto 1B – Anexos V WPs FOTOS – 19 01 2016
VLT Produto 1C – Anexos I a V – 19 01 2016
VLT Produto 1C – Relatório – 19 01 2016
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
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