O IMPACTO DO ABANDONO E OS IMPASSES DO BRT
A ausência de respostas consolida crise na mobilidade metropolitana de Mato Grosso
Em Audiência Pública tensa na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), secretário de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), retira-se abruptamente de questionamentos técnicos, deixando cronogramas atrasados e contratações sob suspeita na mira de novos procedimentos fiscalizatórios.
insuficiência técnica e política das respostas oficiais referentes ao andamento das obras do Bus Rapid Transit (BRT) culminou na formalização de uma severa análise parlamentar voltada à adoção de novas e rigorosas medidas fiscalizatórias no âmbito estadual. Diante de dados considerados inconsistentes e de omissões institucionais gravíssimas, a comissão legislativa encarregada do acompanhamento do projeto deliberou pela urgência na apuração de possíveis desvios administrativos, estruturando representações jurídicas adicionais para conter o avanço de eventuais prejuízos ao erário público estadual.
Os personagens centrais desse tenso embate institucional são o deputado estadual Lúdio Cabral (PT), responsável pela proposição das sabatinas fiscalizatórias, e o secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, cujo silêncio e saída intempestiva do plenário transferiram a responsabilidade das manifestações ao secretário-adjunto de Gestão e Planejamento Metropolitano, Isaac Nascimento Filho, e ao procurador do Estado, Carlos Eduardo Souza Bonfim. A contraposição explícita entre a persistência técnica da bancada oposicionista e a postura esquiva da cúpula do Poder Executivo evidenciou um profundo racha na governança das obras estruturantes da Região Metropolitana.

O episódio que deflagrou o acirramento dos ânimos ocorreu nesta segunda-feira, dia 13 de julho de 2026, sucedendo uma série de quatro convocações formais que vinham sendo sistematicamente descumpridas pela pasta desde o início de 2023. Com o calendário oficial apontando o avanço do segundo semestre do ano corrente, os parlamentares já projetam a necessidade incontornável de uma nova e extraordinária convocação para o secretário de Infraestrutura até dezembro do presente exercício financeiro, dada a iminência de encerramento do atual mandato governamental.
O cenário físico desse importante confronto democrático foi o Plenário da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso, localizada na capital cuiabana, epicentro político de um território que aguarda há anos a conclusão de intervenções urbanas complexas em suas principais artérias viárias.
As consequências decorrentes dessas discussões estendem-se diretamente aos municípios conturbados de Cuiabá e Várzea Grande, afetando diretamente a circulação de milhares de cidadãos que transitam diariamente pelas Avenidas Fernando Corrêa da Costa, CPA e no entorno do Aeroporto Internacional Marechal Rondon.
O desenrolar do acontecimento deu-se de maneira tumultuada quando, imediatamente após a abertura da rodada de perguntas conduzida pelos parlamentares, o secretário Marcelo de Oliveira retirou-se abruptamente das dependências do Legislativo, esquivando-se do embate direto com os deputados.
A condução dos esclarecimentos técnicos subsequentes passou a ser operada, de forma improvisada, pelos assessores e procuradores remanescentes, que tentaram, sem sucesso, mitigar os impactos políticos do esvaziamento da mesa diretora perante a plateia e a imprensa presentes.
Destaque da Fiscalização:
A Sinfra apresentou cronogramas que conflitam diretamente com a realidade observada nas avenidas metropolitanas. Enquanto trechos fundamentais permanecem sem licitação ativa, o Executivo insiste em metas de entrega que ignoram as limitações técnicas e o fracionamento do objeto contratual por meio de reiteradas dispensas de licitação emergenciais.
A motivação basilar para a contundência das cobranças parlamentares reside no histórico sistemático de prazos violados e promessas não cumpridas pela Secretaria de Infraestrutura, as quais haviam sido pactuadas em compromisso público anterior no mês de outubro de 2025. Naquela oportunidade, o governo mato-grossense havia assegurado a entrega integral das obras viárias do aeroporto até o final da Avenida do CPA para fevereiro de 2026, meta que se revelou fictícia frente aos atuais e modestos 68% de execução física medidos até o presente momento.
A finalidade primordial desse esforço de fiscalização reside na garantia da transparência pública e na preservação da higidez financeira das contas do Estado, assegurando que o cidadão mato-grossense receba esclarecimentos fidedignos sobre o destino dos tributos recolhidos.
Os deputados articuladores buscam, por meio do rigor do controle externo exercido pelo Poder Legislativo, constranger a gestão estadual a sanar as graves irregularidades de planejamento antes que o projeto de mobilidade urbana seja inviabilizado de forma definitiva.
Os valores financeiros envolvidos na implantação do sistema de transporte coletivo são monumentais, estimando-se que o custo consolidado do empreendimento ultrapasse a barreira de R$ 1 bilhão, cifra que causa extrema preocupação aos órgãos de controle interno. Sob os holofotes da suspeita técnica, destaca-se a abrupta elevação de R$ 50 milhões no orçamento de construção das 77 estações metálicas de passageiros, cujo custo inicial saltou inexplicavelmente de R$ 68 milhões para R$ 120 milhões em editais sucessivos.
A execução do bilionário investimento ocorre sob condições contratuais altamente atípicas, caracterizadas pela rescisão unilateral com o antigo consórcio executor em janeiro de 2025 e o subsequente fracionamento do projeto em múltiplos lotes operacionais.
Sob o pretexto de uma suposta situação emergencial, a administração estadual contornou a regra constitucional do certame licitatório amplo, recorrendo a sucessivas dispensas de concorrência que culminaram na contratação da mesma holding empresarial para três diferentes etapas simultâneas.
Os desdobramentos futuros deste intrincado cenário dependem agora do julgamento definitivo de representação protocolada perante o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT), o qual poderá paralisar cautelarmente os pagamentos das obras sob suspeita. Com a confirmação oficial de que o trecho estrutural da Avenida Fernando Corrêa da Costa só terá sua licitação iniciada no ano de 2027, sob a responsabilidade de uma futura e nova gestão governamental, a conclusão integral do modal de transporte permanece como uma promessa distante e juridicamente sob intensa contestação.
Política
Teia de suspeitas do VLT e impasse do BRT tensionam relação entre “Governo” e “Oposição”
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) converteu-se no cenário de um intenso embate político que paralisou o debate sobre a infraestrutura local. O episódio ocorreu durante uma Audiência Pública de prestação de contas que acabou por desviar o foco técnico para antigas disputas eleitorais. A sessão, que deveria esclarecer o andamento das obras do Ônibus de Trânsito Rápido (BRT), transformou-se em uma arena de acusações recíprocas entre a base governista e a oposição. O impasse reflete a profunda polarização que historicamente caracteriza a gestão das grandes obras de mobilidade urbana na capital mato-grossense.
O debate centralizador das discussões ocorreu no Palácio Dante de Oliveira, sede do Poder Legislativo do Estado de Mato Grosso, localizada no Centro Político Administrativo de Cuiabá. A escolha do local conferiu caráter oficial e solene ao encontro, que reuniu parlamentares, gestores públicos e representantes da sociedade civil organizada. A capital, que convive há mais de uma década com os transtornos decorrentes de projetos de transporte inacabados, serviu como pano de fundo geográfico e social para o confronto. O ambiente do plenário, marcado por discursos inflamados e questionamentos incisivos, evidenciou a urgência das respostas demandadas pela população cuiabana.
A reunião deliberativa aconteceu nesta terça-feira, momento em que o cronograma físico e financeiro do BRT voltou a ser oficialmente questionado pela Comissão Parlamentar competente. O agendamento da Audiência Pública atendeu a um requerimento de urgência apresentado pela oposição, motivado pelas sucessivas dilações nos prazos de entrega das vias exclusivas de transporte. A temporalidade do evento revelou-se estratégica, ocorrendo em um período de crescente cobrança social pela retomada e finalização dos corredores estruturais de trânsito na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística do Estado de Mato Grosso (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, conhecido politicamente como Marcelo “Padeiro”, figurou como o principal convocado para prestar os esclarecimentos técnicos necessários. O gestor, contudo, optou por retirar-se do recinto parlamentar antes da formulação das perguntas cruciais pelos deputados da oposição, gerando forte descontentamento no plenário.
A conduta do secretário foi interpretada pela bancada oposicionista como uma deliberada esquiva diante das responsabilidades administrativas referentes aos contratos e aditivos vigentes.
A convocação oficial da autoridade governamental deu-se em razão da necessidade imperiosa de esclarecer os motivos das constantes paralisações e o encarecimento das obras do BRT. O projeto atual, que substituiu o antigo modelo de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), é alvo de investigações que apontam suposta falta de planejamento e excesso de contratações diretas sem licitação. Os deputados estaduais exigiam a apresentação detalhada de planilhas de custos e a justificativa para a escolha de consórcios específicos para a execução dos lotes remanescentes.
A controvérsia instalou-se em virtude do abandono da sessão pelo secretário e das posteriores declarações do governador Otaviano Pivetta, do partido Republicanos, que saiu em defesa de seu colaborador. O chefe do Executivo Estadual descaracterizou as cobranças técnicas da oposição ao sugerir que a campanha eleitoral de 2012 do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), fora financiada com desvios do extinto projeto do VLT.
Esse movimento retórico redirecionou a pauta de fiscalização orçamentária para o campo das suspeitas criminais pretéritas, inflamando o ambiente político estadual e deslocando o foco das atuais falhas de execução do BRT.
Os parlamentares estaduais utilizaram-se dos mecanismos constitucionais de fiscalização do Poder Executivo, amparados pelo regimento interno da Casa de Leis e pela prerrogativa de controle externo da administração pública. A inquirição dos secretários de Estado constitui um dever do parlamento e um direito do cidadão ao acesso à informação e à transparência pública. A utilização desse instrumento de controle democrático visa garantir que os recursos públicos sejam aplicados em conformidade com os princípios da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa.
A complexidade operacional e financeira que envolve a transição do modelo de VLT para o BRT justifica a intensa preocupação dos órgãos de controle e dos representantes do Legislativo. Um dos pontos de maior atrito consiste no expressivo aumento do valor de um lote licitado, cujo custo inicial saltou de R$ 68 milhões para expressivos R$ 120 milhões em apenas dois meses.
A dispensa de licitação concedida sistematicamente a uma única empresa construtora agravou as suspeitas de favorecimento, motivando pedidos de auditoria detalhada junto ao Tribunal de Contas do Estado.
O impacto imediato desse novo embate político consiste no severo travamento da interlocução institucional entre o Palácio Paiaguás e a Assembleia Legislativa de Mato Grosso. As declarações de Otaviano Pivetta geraram forte reação do deputado petista Lúdio Cabral, que refutou veementemente as acusações de corrupção eleitoral e prometeu acionar os meios jurídicos cabíveis para restabelecer sua honra. A judicialização da disputa política tende a prolongar o clima de instabilidade, prejudicando a aprovação de matérias de interesse público e a própria fiscalização das obras de mobilidade urbana.
A sociedade mato-grossense permanece como a principal prejudicada pelo prolongamento indefinido dos canteiros de obras que obstruem o tráfego e deterioram o comércio de Cuiabá. Enquanto as lideranças políticas priorizam a disputa de narrativas sobre eventos ocorridos há mais de uma década, o cronograma do BRT segue sem uma definição concreta de entrega.
A expectativa coletiva por um sistema de transporte coletivo moderno e eficiente continua frustrada pela crônica incapacidade de planejamento e pela constante partidarização das soluções de infraestrutura pública.
-
Artigos5 dias atrásAo produtor rural, com respeito
-
Artigos4 dias atrásUm apelo ao STF
-
Política6 dias atrásCorte de Contas rejeita denúncia contra Prefeito de Cuiabá por suposto uso de servidores em redes sociais
-
Política6 dias atrásUnião Brasil projeta liberdade de apoio e afasta risco de ruptura interna
-
Artigos6 dias atrásExiste, de fato, um livre-arbítrio?
-
ESPORTES6 dias atrásFortaleza transfere duelo contra o Palmeiras para a Arena Pantanal
-
Artigos4 dias atrásNova droga aprovada pela Anvisa controla fogachos e outros sintomas associados à menopausa
-
Política4 dias atrásCenário de “oposição” ganha força com disputa pela Mesa Diretora em Cuiabá


