O GARGALO FISCAL DA INFRAESTRUTURA
Inadimplência do IPTU trava investimentos asfálticos em Várzea Grande
A Prefeitura Municipal de Várzea Grande enfrenta uma severa crise na arrecadação tributária local, o que tem comprometido diretamente a execução de serviços essenciais de infraestrutura e a manutenção das vias públicas em todo o perímetro urbano. A escassez de recursos próprios decorrente da baixa contribuição cidadã gerou um estado de alerta na administração pública, forçando o remanejamento emergencial de verbas para evitar a paralisação total de frentes de trabalho cruciais. Diante desse cenário adverso, o Poder Executivo busca alternativas de financiamento externo e cobra maior responsabilidade fiscal dos contribuintes para garantir a continuidade das ações de zeladoria e modernização da malha viária.
A prefeita do município, Flávia Moretti (PL), juntamente com sua equipe de secretários e técnicos das pastas de Finanças e de Infraestrutura, identificou formalmente o déficit orçamentário como o principal obstáculo para o desenvolvimento da cidade. A gestora pública detalhou os impactos dessa realidade financeira durante uma manifestação oficial, destacando que a falta de arrecadação limita severamente o poder de investimento da máquina pública. Os gestores municipais encontram-se em uma posição de vulnerabilidade administrativa, uma vez que a execução do cronograma de recapeamento e da operação tapa-buracos depende obrigatoriamente da coparticipação financeira dos moradores.
Os dados estatísticos alarmantes referem-se à totalidade do Município de Várzea Grande, com destaque para distritos periféricos e bairros residenciais que apresentam os índices mais agudos de descumprimento de obrigações fiscais. Como exemplo emblemático dessa crise de arrecadação, a chefia do Executivo Municipal citou a situação específica constatada no bairro Eliane Gomes, uma localidade representativa do atual descompasso financeiro. Em termos territoriais, a crise de adimplência não se restringe a uma região isolada, mas capilariza-se por diversas zonas da chamada Cidade Industrial, afetando de forma homogênea a capacidade de intervenção urbana da municipalidade.
O diagnóstico público sobre o colapso na receita própria do município e as cobranças direcionadas ao Poder Legislativo e às instituições financeiras foram exteriorizados nesta semana de maio de 2026. A divulgação dessas informações ocorre em um momento estratégico do ano fiscal, período no qual o planejamento orçamentário para o segundo semestre exige a definição clara das fontes de custeio disponíveis.
A escolha deste momento para o pronunciamento reflete a necessidade urgente de esclarecer a opinião pública sobre as razões administrativas que justificam a lentidão em certas frentes de obras asfálticas pela cidade.
A raiz do problema fiscal repousa na constatação técnica de que a média de adimplência do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) na cidade alcança a marca de apenas 26% do total de contribuintes cadastrados. O tributo em questão possui previsão legal expressa nos artigos 32 e seguintes do Código Tributário Nacional, além de estar respaldado pelo artigo 156, inciso I, da Constituição Federal. O recolhimento desse imposto funciona como a espinha dorsal das finanças municipais, e sua ausência priva o erário dos recursos livres necessários para a contrapartida de grandes projetos e para a manutenção diária dos serviços urbanos.
O preocupante fenômeno da inadimplência generalizada é alimentado pela falta de conscientização fiscal de parcela significativa da população e por entraves políticos que retardam a liberação de recursos conveniados. A prefeita várzea-grandense ressaltou de forma contundente que as promessas de repasses milionários vindos do Governo do Estado de Mato Grosso para o recapeamento de vias ainda não se materializaram nas contas correntes do município.
Sem o aporte estadual esperado e diante do esvaziamento dos cofres locais, o município vê-se obrigado a operar em regime de restrição, dependendo exclusivamente de oscilações sazonais de receita.
A gravidade do cenário econômico local é evidenciada por números expressivos: no bairro Eliane Gomes, de um total de R$ 160 mil lançados em IPTU para o exercício de 2026, apenas R$ 600 foram efetivamente arrecadados até o momento.
Essa disparidade abissal entre a previsão orçamentária e a receita real demonstra o tamanho do desafio fiscal enfrentado pela administração da Cidade Industrial. Atualmente, os escassos recursos da chamada “Fonte 100“, que engloba as receitas de livre aplicação, precisam ser divididos de forma milimétrica entre o pagamento da folha salarial dos servidores, a compra de Insumos da Saúde Pública e a manutenção urbana.

A principal consequência dessa desconexão entre a expectativa de receita e a arrecadação real manifesta-se no atraso inevitável do cronograma de obras e no desgaste político entre os “Poderes Constituídos” do município. O presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira, gerou forte atrito institucional ao afirmar publicamente que a prefeitura havia perdido prazos importantes para a obtenção de financiamentos de infraestrutura. A prefeita rebateu veementemente a declaração do parlamentar, classificando a informação como inverídica e imputando ao próprio Poder Legislativo a responsabilidade pela não aprovação do projeto de autorização em tempo hábil.
Como alternativa viável para contornar o severo estrangulamento das contas públicas, a administração de Várzea Grande busca a liberação de um financiamento de aproximadamente R$ 90 milhões junto à Caixa Econômica Federal. A referida operação de crédito está estruturada por meio do Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa) e já consta formalmente autorizada na Lei Orçamentária Anual (LOA).
Para que o montante seja efetivamente liberado e injetado nas obras asfálticas da cidade, a gestão municipal aguarda o agendamento de uma reunião de trabalho com a superintendência do banco estatal para alinhar as últimas exigências burocráticas.
A superação definitiva da crise estrutural urbana exige que a população regularize sua situação tributária através dos canais de atendimento da Secretaria Municipal de Gestão Fazendária. Os cidadãos podem acompanhar a aplicação detalhada dos valores arrecadados por meio do portal de transparência da prefeitura, garantindo o controle social sobre o destino de cada centavo pago.
O restabelecimento da capacidade de investimento do município depende diretamente desse esforço conjunto entre a responsabilidade fiscal dos contribuintes, a eficiência do Executivo e a desburocratização dos repasses e financiamentos federais.
ECONOMIA
Custo da cesta básica dispara em Cuiabá
Com acréscimo de 1,86% na terceira semana de maio, em comparação à semana anterior, a cesta básica em Cuiabá atingiu o valor de R$ 913,47 e ultrapassou, pela primeira vez na série histórica, a marca de R$ 900. O maior patamar apurado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) elevou em 9,58% a diferença de preço observada em relação ao mesmo período do ano passado, quando o custo era de R$ 833,59.
O presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, enfatizou a alta de preços em produtos que sofrem grande influência climática.
“Mesmo com quedas observadas em itens como carne, café, banana e açúcar, as altas concentradas em produtos de maior peso e sensibilidade climática sustentaram o avanço do custo médio da cesta nesta semana.”
É o caso do tomate, que registrou variação semanal positiva de 14,95%, chegando ao preço médio de R$ 13,47/kg. A baixa temperatura registrada nas principais lavouras provoca atrasos na maturação dos frutos, restringe a oferta e pode ocasionar o aumento de preços observado.
A batata também registrou aumento de 9,04%, e a média semanal chegou a R$ 9,10/kg. Segundo análise do IPF-MT, a variação de preço pode estar relacionada também à baixa oferta, consequência do fim da colheita da safra atual e das chuvas observadas em algumas lavouras, que atrasam o processo de colheita do produto.
Outro item que apresentou aumento em decorrência de fatores climáticos foi o feijão, com acréscimo de 2,14%, chegando à média de R$ 8,16/kg. A alta nos custos de produção, em decorrência dos cuidados no armazenamento dos grãos, pode ter resultado em aumento no preço final ao consumidor.

Diante do incremento da oferta à nível global, o café segue em queda pela nona semana consecutiva. Desta vez, a variação negativa observada foi de 1,96%, fazendo com que o pacote de 500 gramas atingisse o preço médio de R$ 29,98, além de ficar 12,11% mais barato em comparação com o mesmo período de 2025.
Wenceslau Júnior reforçou que: “a dinâmica das variações observadas nesta semana evidencia a influência das condições climáticas e sazonais sobre a inflação dos alimentos, especialmente entre os produtos in natura e de ciclo agrícola mais sensível.”
O Sistema Comércio em Mato Grosso, composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e IPF, é presidido por José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), presidida por José Roberto Tadros.
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