AINDA SEM ESCLARECIMENTOS
ALMT volta a convocar secretário da Sinfra para explicar contratos milionários e atrasos nas obras do BRT
A Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT), aprovou novamente, nesta quarta-feira (27), a convocação do secretário de Estado de Infraestrutura e Logística (SINFRA/MT), Marcelo de Oliveira, para prestar esclarecimentos sobre os contratos e o andamento das obras do Bus Rapid Transit (BRT) em Cuiabá e Várzea Grande. A audiência está marcada para o dia 11 de junho e ocorre em meio ao aumento das críticas relacionadas aos custos elevados, aos atrasos na execução e à condução administrativa do projeto.
O requerimento foi apresentado pelo deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que questiona o volume de recursos já comprometidos pelo Governo do Estado. Segundo o parlamentar, os contratos vinculados ao BRT já ultrapassam R$ 530 milhões, mesmo com trechos considerados estratégicos ainda sem contratação definitiva. O deputado também cobra esclarecimentos sobre diferenças de valores em contratos semelhantes firmados pela Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra).
Durante discurso no plenário da Assembleia Legislativa Mato-grossense (AL/MT), Lúdio Cabral afirmou que os impactos da demora na conclusão das obras atingem diretamente a população que depende diariamente do sistema viário das duas maiores cidades da região metropolitana. O parlamentar destacou os transtornos enfrentados por motociclistas, motoristas de aplicativo, usuários do transporte coletivo e trabalhadores que enfrentam longos períodos de deslocamento em avenidas congestionadas, principalmente na região da Avenida do CPA e da Prainha.

O deputado também criticou o ritmo de execução das obras no chamado Trecho 1 do BRT, que compreende o percurso entre o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, e a Avenida do CPA, em Cuiabá. Segundo ele, menos da metade da etapa foi concluída, apesar de o Estado já ter contratado mais de R$ 536 milhões apenas para esse segmento da obra. Para Lúdio Cabral, os números reforçam a necessidade de esclarecimentos públicos por parte do Governo do Estado.
A nova convocação ocorre após uma tentativa anterior de audiência ter sido esvaziada. Em maio, a Assembleia Legislativa havia aprovado a convocação do secretário, posteriormente convertida em convite para comparecimento voluntário na última segunda-feira (25).
Entretanto, a Sinfra informou oficialmente que Marcelo de Oliveira não participaria da reunião em razão de compromissos institucionais e do elevado volume de demandas técnicas e administrativas enfrentadas pela pasta.
Lúdio Cabral afirmou que o adiamento gerou insatisfação entre os parlamentares e acusou o governo de tratar o cronograma das convocações da Assembleia da mesma maneira que conduz as obras do BRT. O deputado relembrou que, em 2020, quando o governador Mauro Mendes decidiu substituir o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) pelo sistema BRT, a previsão oficial era concluir integralmente a obra até dezembro de 2022.
Contudo, passados quase quatro anos do prazo inicialmente anunciado, o sistema segue incompleto.
Entre os principais pontos questionados pelo parlamentar está o contrato destinado à construção das estações do BRT. Conforme dados apresentados por Lúdio Cabral, uma dispensa eletrônica de licitação realizada em novembro de 2025 fixou o valor da obra em R$ 120,4 milhões. O montante, segundo ele, representa uma diferença de R$ 51,5 milhões em relação a outra dispensa publicada menos de três meses antes, para o mesmo objeto e com quantitativos semelhantes, estimada em R$ 68,8 milhões.
As dispensas eletrônicas de números 08/2025 e 09/2025 integram o lote 02 do fracionamento contratual adotado pelo Governo do Estado após a rescisão do contrato anterior com o Consórcio Construtor BRT Cuiabá, encerrado em março do ano passado.
A empresa vencedora da contratação referente às estações foi a Lotufo Engenharia e Construções Ltda., que também aparece em outros contratos relacionados ao sistema de transporte.
Outro contrato citado pelo deputado refere-se ao lote 01, voltado às obras remanescentes de infraestrutura e pavimentação entre o Aeroporto Marechal Rondon e a região do Hospital de Câncer, na Avenida do CPA. O serviço foi contratado por R$ 155,1 milhões junto ao Consórcio Integra BRT, formado pelas empresas Lotufo Engenharia, Guaxe Construtora e Encomind Engenharia.
Já o lote 03, destinado à construção dos terminais e do Centro de Controle Operacional (CCO), foi firmado em abril deste ano por R$ 128 milhões, também com a Lotufo Engenharia.
Ao defender a necessidade da convocação, Lúdio Cabral declarou que a promessa inicial do governo previa a realização de múltiplas licitações para acelerar a conclusão do BRT, mas, até o momento, as obras foram conduzidas majoritariamente por meio de dispensas eletrônicas e com participação recorrente das mesmas empresas.
O parlamentar estadual afirmou esperar que a audiência marcada para junho esclareça os critérios utilizados nas contratações, os sucessivos aumentos de valores e o cronograma definitivo para conclusão de uma das obras públicas mais impactantes da mobilidade urbana em Mato Grosso.
Política
Disputa pelo Palácio Paiaguás expõe “Racha Político” e “Guerra de Versões” em Mato Grosso
O ex-governador e pré-candidato ao Senado Federal, Mauro Mendes (UB), e o senador da República, Wellington Fagundes (PL), protagonizaram um severo embate público que elevou de forma drástica a temperatura nos bastidores da política do Centro-Oeste. A escalada verbal ocorreu por meio de discursos públicos e gravações audiovisuais amplamente divulgadas nas redes sociais. Esse confronto direto evidenciou a forte polarização entre duas das principais forças político-partidárias do estado, alterando o cenário de alianças locais.
A controvérsia central do debate gira em torno da gestão da infraestrutura rodoviária estadual e da exigência técnica de experiência administrativa prévia para a ocupação de postos no Poder Executivo. De um lado, fundamenta-se a tese de que a liderança de um ente federativo complexo requer histórico comprovado em gestão pública ou privada. De outro, prioriza-se a fiscalização rigorosa dos investimentos estatais e a denúncia de supostas falhas técnicas em obras de pavimentação asfáltica.
O palco geográfico e administrativo desse acirramento é o Estado de Mato Grosso, com foco especial na malha rodoviária da região noroeste e no Palácio Paiaguás, a sede do governo local. A infraestrutura logística do interior mato-grossense, vital para o escoamento da produção agrícola nacional, transformou-se no principal campo de batalha discursiva dos pré-candidatos. A vulnerabilidade de trechos críticos no interior serviu como justificativa factual para o desencadeamento das contestações de ambos os lados.

Os ataques mútuos e as representações oficiais ganharam força ao longo das últimas semanas, coincidindo com o período crítico de definição das pré-candidaturas e articulações partidárias. A proximidade do calendário eleitoral acelerou a necessidade de posicionamento público por parte dos líderes partidários, que buscam consolidar apoio popular.
Esse momento estratégico explica a virulência das declarações, desenhadas para desgastar a imagem pública do oponente antes do início oficial das campanhas.
As motivações subjacentes a essa guerra de narrativas ligam-se diretamente ao desejo mútua de hegemonia política no estado e à necessidade de apresentar soluções para problemas históricos de transporte. Enquanto o representante do União Brasil busca blindar o seu legado administrativo e desqualificar o preparo dos adversários, o parlamentar do Partido Liberal visa expor fragilidades fiscais. O objetivo central é influenciar a percepção do eleitorado quanto à eficiência de cada modelo de governança proposto.
Para estruturar a sua linha de contestação, Mauro Mendes gravou e publicou um vídeo no qual utiliza pronunciamentos antigos de seu oponente para apontar incoerências discursivas sobre a Rodovia MT-170. O ex-governador valeu-se de analogias futebolísticas e citou modelos internacionais de carreira política para sustentar que a falta de vivência no Executivo induz a erros primários.
A peça audiovisual foi o principal instrumento utilizado para acusar o adversário de adotar uma postura oportunista.
Paralelamente, Wellington Fagundes formalizou uma denúncia robusta perante o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) questionando a regularidade da estadualização da Rodovia BR-174. O senador utilizou relatórios técnicos sobre buracos e desmoronamentos para alegar que as alterações de trajeto oneraram os cofres públicos estaduais de forma indevida. Essa representação de natureza jurídico-contábil conferiu um caráter institucional e técnico à acusação que inicialmente orbitava apenas a arena política.
A eclosão do conflito gerou uma onda imediata de debates entre os diretórios partidários do União Brasil e do Partido Liberal, mobilizando assessores jurídicos e marqueteiros. Cientistas políticos locais apontam que a agressividade das críticas mútuas reduz as chances de uma composição consensual entre as legendas na chapa majoritária. O eleitorado, por sua vez, reagiu de forma polarizada nas plataformas digitais, reproduzindo os argumentos técnicos e as ofensas pessoais disparadas pelos líderes.
As consequências dessa disputa fiscal e de imagem devem se estender aos tribunais e ao planejamento orçamentário das futuras obras rodoviárias de Mato Grosso. O posicionamento do Tribunal de Contas do Estado poderá validar as críticas do senador ou chancelar as escolhas técnicas feitas pela equipe econômica do ex-governador. Independentemente do desfecho jurídico, o tom beligerante adotado estabelece uma tendência de alta agressividade para os debates televisivos e palanques futuros.
Especialistas em direito eleitoral afirmam que esse tipo de tensionamento inicial serve como um teste de resistência para as estruturas de comunicação dos partidos políticos envolvidos. A capacidade de responder com dados oficiais a acusações de ineficiência ou corrupção ditará o ritmo de crescimento de cada grupo nas pesquisas de intenção de voto.
O cenário atual demonstra que o debate programático sobre o desenvolvimento estadual ficará fortemente atrelado ao escrutínio das biografias dos postulantes.
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