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Indústria que move sonhos e transforma vidas

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Autora: Ulana Maria Bruehmueller*

Ao longo de mais de 30 anos atuando na indústria, aprendi que ela representa muito mais do que produção e resultados. A indústria movimenta sonhos, gera oportunidades e impulsiona o crescimento de inúmeras outras empresas e profissionais que fazem parte dessa grande cadeia produtiva.

Grande parte do que produzimos depende do trabalho de outras indústrias, fornecedores de matérias-primas, transportadoras, prestadores de serviços e tantos outros parceiros que caminham conosco diariamente. Por isso, quando a indústria cresce, ela gera riqueza de forma direta e indireta, fortalecendo a economia e criando oportunidades para milhares de famílias.

Da mesma forma acontece com a geração de empregos. Não falamos apenas dos postos de trabalho dentro das fábricas, mas também de todos aqueles que surgem ao redor dela. São profissionais, pequenos empreendedores e empresas inteiras que se desenvolvem a partir da força da atividade industrial.

Ao longo dessa trajetória, atravessamos mudanças de governo, planos econômicos, crises, insegurança jurídica e inúmeros desafios que exigiram capacidade de adaptação e resiliência. E talvez um dos maiores aprendizados seja justamente continuar acreditando, mantendo o entusiasmo para investir, inovar e seguir crescendo, mesmo diante das incertezas.

Porque existe algo que move o industrial brasileiro além dos números. Existe o sonho de construir algo duradouro, gerar desenvolvimento, transformar vidas e deixar um legado para as próximas gerações.

*Ulana Maria Bruehmueller é diretora executiva da Refrigerantes Marajá

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O cérebro com burnout não volta ao normal só com descanso (ou com demissão)

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Autora: Juliana Zellauy*

O Brasil bateu recorde histórico de afastamentos por saúde mental em 2025. Segundo o Ministério da Previdência Social, o total ultrapassou 546 mil neste ano. Já os afastamentos por burnout cresceram 493% entre 2021 e 2024.

Esses números são uma fotografia de um sofrimento coletivo que atravessa escritórios, fábricas e home offices. A explosão de casos revela uma verdade inconveniente que a Neurociência expõe com clareza: um cérebro esgotado não volta ao normal apenas com descanso, nem se cura com um pedido de demissão.

A crença de que férias ou desligamento resolvem o problema ignora que o burnout altera a estrutura e o funcionamento cerebral de forma mensurável. Sob sobrecarga crônica, a amígdala, nosso centro de alarme, fica hiperativa, enquanto o córtex pré-frontal, responsável pelo foco e tomada de decisão, perde eficiência. O cérebro se remodela para o estado de alerta constante. Por isso, quem pede demissão exausto carrega o esgotamento para o próximo emprego, já que o circuito neural disfuncional não foi restabelecido. A pausa é essencial, mas sozinha não basta. É preciso treinar ativamente o cérebro para sair do piloto automático do estresse.

Nesse quadro, as empresas são corresponsáveis e, com a atualização da NR-1 (Portaria 3.665/2025), agora têm a obrigação formal de gerir riscos psicossociais — metas abusivas, assédio, jornadas exaustivas — com a mesma seriedade dos riscos físicos e químicos. No entanto, a lei sozinha não treina cérebros. É aí que entra a Neurociência Positiva, que pode reconstruir os circuitos danificados pelo burnout com práticas diárias.

O primeiro passo é interromper o alarme da amígdala hiperativa com protocolos de regulação, como o Mindfulness, que reduz sua atividade em até 20% em oito semanas, criando um intervalo entre o gatilho do estresse e a reação explosiva. Sobre essa base, reconstrói-se a motivação ao fortalecer o sistema de recompensa cerebral. Exercícios de reconhecimento entre pares elevam dopamina e serotonina de forma sustentada, reoxigenando a resiliência coletiva. Por fim, reativa-se o córtex pré-frontal com a “desconexão tática” por meio de micropausas intencionais e a realização de períodos de desconexão corporativa “blindados”, que devolvem clareza cognitiva e previnem o erro.

Comitês de riscos psicossociais com métricas de fadiga e recuperação neurológica também geram alertas antes que o afastamento seja a única saída. As empresas precisam parar de oferecer palestras motivacionais pontuais e agir na causa-raiz. A cultura organizacional deve ser redesenhada para não adoecer, questionando quais comportamentos são premiados. Recompensar o “herói” sobrecarregado que faz horas extras e responde e-mails à meia-noite é validar um ciclo tóxico.

Quando profissionais assumem o protagonismo do seu bem-estar e as organizações estruturam uma cultura genuinamente humana, o trabalho vira espaço de realização. Ignorar a saúde mental nos trouxe aos recordes de afastamento. A verdadeira Neurociência Positiva nos reconecta com nossa humanidade, mostrando que a cura não está no próximo recesso, mas em reequilibrar o cérebro para obter mais realização individual e coletiva.

*Juliana Zellauy é especialista em Neurociência e Comportamento, com formação em Psicologia Positiva e em Mindfulness, autora de Neurociência Positiva – Uma rota prática para cultivar o equilíbrio, desenvolver clareza mental e viver com mais leveza.

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