EM CRISE FINANCEIRA
Cinco empresas da família do senador Wellington Fagundes avaliam pedir recuperação judicial
Cinco empresas da família do senador Wellington Fagundes, do PL de Mato Grosso, afirmaram à Justiça que estão em crise financeira e avaliam pedir recuperação judicial até junho. No último dia 10, a Justiça Estadual autorizou a suspensão do pagamento de dívidas das firmas por dois meses, enquanto o Ministério Público avalia a situação econômica das companhias.
As empresas Zootec Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários Ltda (Zootec), Raça Agro Norte, SGM do Brasil e Soluções em Semente e Pastagem Ltda (SGM Seeds), Ipê Holding Ltda e João Antônio Fagundes Participações Ltda (JAF Participações), grupo foi fundado em 1979 pelo Senador Wellington Fagundes, alegaram que precisam de melhores condições para renegociar dívidas.
Para isso, pediram que a Justiça autorizasse uma “blindagem” temporária nas contas das firmas. O produtor rural João Antônio Fagundes Neto, filho do senador, também faz parte do processo.
O grupo afirmou que ao fim de dois meses vai apresentar um pedido de recuperação judicial ou extrajudicial. A recuperação extrajudicial trata apenas de dívidas empresariais, e não inclui débitos tributários, por exemplo.
No pedido, as companhias pontuaram que possuem viabilidade econômica e capacidade de soerguimento, mas que precisam ter condições para negociar com seus credores de uma “forma organizada e num ambiente protegido”.

Na decisão, o magistrado afirmou que o período irá garantir a atividade empresarial e preservação dos empregos dos funcionários.
“É inconteste que o grupo empresarial em crise não poderá aguardar iniciar as negociações com seus credores, e aguardar o decurso do prazo necessário para a instauração da mediação e eventual preparação de um pedido de recuperação judicial, sem que os parcos ativos dos quais dispõe para dar prossecução ao desenvolvimento da sua atividade empresarial sejam protegidos e salvaguardados, para que ao menos tenha chance de renegociar suas dívidas com o auxílio do Poder Judiciário e o bom uso do instituto da recuperação judicial“, escreveu.
Deloitte Consultores
O juiz explicou, na decisão, que entendeu pela necessidade de utilização de uma ferramenta semelhante à Constatação Preliminar “que podemos denominar constatação antecedente, para fins didáticos“ quando o pedido for cautelar dado que a intenção direta e imediata de ambos os pleitos é obter o mesmo efeito: a blindagem o que demanda uma séria investigação sobre o requerente.
“Justifica-se, portanto, a realização de uma constatação antecedente, a partir de um estudo dirigido sobre o requerente, com a efetivação de uma verificação sumária da correspondência mínima existente entre os dados apresentados por ele e a sua realidade fática, a fim de serem preservados os interesses de todos os envolvidos“.
“Ante todo o exposto, determino a realização de constatação antecedente sobre o grupo requerente, a fim de que o Auxiliar da Justiça traga aos autos elementos suficientes para que o Juízo possa conduzir os autos com o máximo de cautela, reserva e firmeza possíveis“, pontuou o magistrado.
Para tanto, ele nomeou a empresa Deloittte Touche Tohmatsu Consultores Ltda.

Grupo Raça Agro
O Grupo Raça Agro, conglomerado de empresas do empresário João Antônio Fagundes Neto, filho do senador Wellington Fagundes (PL), ingressou com pedido de recuperação extrajudicial junto à 4ª Vara Cível de Rondonópolis, especializada em Recuperação Judicial e Falência. A Vara é comandada pelo juiz Renan Carlos Leão Nascimento. O valor da dívida, assim como a lista de credores, não foram informados. O processo está em segredo de Justiça.
A crise no grupo chega a surpreender. Em julho de 2023, o Raça Agro comprou a SGM Seeds do Brasil, uma indústria de beneficiamento de sementes de pastagens com sede em Ribeirão Preto (SP). De acordo com o Canal Rural, a aquisição custou cerca de R$ 250 milhões.
Além disso, o grupo faturou cerca de R$ 400 milhões em 2022 e tinha como meta faturar R$ 500 milhões neste ano. A receita já chega à R$ 40 milhões. Pelo menos, 80% deste montante vem da venda de produtos voltados para a nutrição, pastagem e saúde animal.
A empresa terá 20 lojas em cinco Estados brasileiros e 480 funcionários. São 16 unidades em Mato Grosso, uma em Coxim (MS), outra em Redenção (PA), duas em Goiás (São Miguel do Araguaia e Jussara) e uma, agora, em Ribeirão Preto.
O planejamento do GRA inclui ainda ganhar espaço no mercado internacional, já que a SGM Seeds é a principal exportadora brasileira de sementes de pastagens para clima tropical. A beneficiadora de sementes já comercializava com clientes de 23 países há oito anos.
No fim de 2021, o GRA levantou R$ 40 milhões com a emissão de um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA), uma das primeiras operações de empresa do setor pecuário no mercado de capitais brasileiro, e que ajudou a consolidar a expansão do grupo.
O Grupo Raça Agro surgiu em 2020, quando a revenda Agroboi comprou o controle da rede Suprema Produtos Agropecuários.
RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL
A recuperação extrajudicial, modalidade optada pelo Grupo Raça Agro, se destaca por sua agilidade, menor burocracia e custos reduzidos, enquanto a recuperação judicial oferece maior proteção aos credores e inclui ações específicas, como a suspensão de pedidos de falência e a possibilidade de inclusão de créditos trabalhistas.
O Grupo Raça Forte por meio de nota, se posicionou sobre o pedido de recuperação extrajudicial.
Nota:
O Grupo Raça Agro informa que a Justiça aceitou seu pedido de mediação com credores para renegociar dívidas financeiras a vencer.
Esta mediação, diferentemente de uma recuperação judicial, tem como objetivo realizar uma reestruturação rápida e segura com os credores. A medida visa assegurar a normalidade e continuidade do bom relacionamento com nossos clientes, fornecedores e credores.
ECONOMIA
Europa supera China e paga até 40% mais pela carne bovina produzida em MT
Embora a China continue como principal compradora da carne bovina produzida em Mato Grosso, são os mercados europeus que oferecem a maior remuneração pelo produto do Estado. Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) mostram que, no primeiro semestre de 2026, a União Europeia pagou, em média, US$ 6.390 por tonelada de carne bovina mato-grossense, enquanto os demais países europeus desembolsaram US$ 6.667 por tonelada. Os valores superam em até 40% o preço médio pago pela China, de US$ 4.745 por tonelada.
A diferença evidencia uma estratégia cada vez mais importante para a pecuária de Mato Grosso: além de ampliar mercados, conquistar destinos que remuneram melhor a carne produzida. Embora a China tenha absorvido 55,2% dos embarques mato-grossenses no primeiro semestre, os mercados europeus se destacam pelo maior valor agregado dos produtos exportados e pelas exigências relacionadas à qualidade e rastreabilidade.
Esse cenário também é refletido no Índice de Atratividade das Exportações, indicador elaborado pelo Imea que compara quanto cada mercado remunera a carne bovina em relação ao valor da arroba do boi gordo em Mato Grosso. Na prática, o índice mede a capacidade de cada destino gerar retorno econômico para a cadeia produtiva: quanto maior o índice, maior é o valor agregado obtido na exportação.

Nesse ranking, a União Europeia lidera com índice de 108,49, seguida pelos demais países da Europa (98,59). Em comparação, a China registra índice de 74,37, atrás ainda do Oriente Médio (76,58) e da América do Norte (75,47). Os números mostram que, embora compre menor volume, o mercado europeu proporciona uma remuneração significativamente superior pela carne mato-grossense.
“A China continuará sendo um parceiro estratégico pela capacidade de absorção de grandes volumes, mas o avanço da carne mato-grossense em mercados como a União Europeia demonstra que nossos produtores também estão preparados para atender consumidores que valorizam qualidade, rastreabilidade e regularidade no fornecimento. Isso aumenta a competitividade da cadeia e agrega valor à produção”, avalia o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade.
Segundo Andrade, ampliar a presença em mercados mais exigente fortalece toda a cadeia produtiva e reduz a dependência de poucos compradores.
“Diversificar mercados significa aumentar a segurança comercial da pecuária mato-grossense. Quanto maior a participação em destinos que pagam mais pelo produto, maior é o estímulo para investimentos em tecnologia, genética, eficiência produtiva e programas de conformidade socioambiental”, enfatiza.
-
Artigos7 dias atrásCELEBRAÇÕES ESPECIAIS DE AGOSTO 2026
-
Política6 dias atrásPodemos aporta peso político à candidatura de Otaviano Pivetta para 2026
-
Destaques6 dias atrásPF deflagra “Operação Heritage” e mira suposto desvio de R$ 308 milhões envolvendo ex-governador de MT
-
Artigos5 dias atrás“Você sabe com quem está falando?”: A corrupção sistêmica nos órgãos públicos
-
Artigos5 dias atrásO maior legado de um pai começa pelo cuidado com a própria saúde
-
Artigos6 dias atrásNo domingo, seu filho não vai te dar um presente. Vai te observar recebendo
-
Política5 dias atrásDeclarações de Abilio Brunini sobre operação da Polícia Federal tensionam o cenário político em Mato Grosso
-
Artigos2 dias atrásO silêncio também precisa de espaço



