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Romaria e “traição” no Palácio Paiaguas
“Apesar das implicações na Lava-Jato, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, tem dito a interlocutores que o PSD terá crescimento expressivo nas eleições de 2018”.
Esta foi a nota escrita pelo jornalista Ernesto Neves na Revista Veja onde ele escreve na coluna “Radar”, onde ele afirma que o Partido Social Democrático (PSD) de Mato Grosso vai ter um nome como representante da sigla em 2018 como cabeça de chapa.
E o PSD pretende lançar candidaturas próprias em vários Estados, como Paraná, Paraíba, e o Estado do Rio Grande do Norte.
Atualmente o Partido Social Democrático vem ocupando a vice-governadoria do Estado de Mato Grosso com Carlos Henrique Baqueta Favaro, hoje comandada pelo PSDB do governador José Pedro Gonçalves Taques.
A candidatura de Carlos Fávaro ao Governo, em uma chapa oposicionista ao governador Pedro Taques, vem sendo ventilada desde o ano passado, porém negada por ambos.
O próprio Gilberto Kassab, durante viagem a Mato Grosso em dezembro, disse que achava difícil o PSDB e o PSD romperem a aliança.
Carlos Favaro chegou a ser noticia nos últimos dias sobre sua possível candidatura ao Governo do Estado, na cidade Chapada dos Guimarães, durante a inauguração da obra de ampliação do Sistema de Abastecimento de Água do Município, que receberá o nome do ex-governador de Mato Grosso, Dante Martins de Oliveira, a politica foi assunto do dia.
È que o líder do Partido da Republica (PR) em Mato Grosso, senador Wellington Fagundes em entrevista aos jornalistas que se fizeram presente em Chapada dos Guimarães teria dito que foi procurado pelo vice-governador e presidente Regional do PSD em Mato Grosso, Carlos Henrique Baqueta Fávaro, para buscar apoio para uma eventual candidatura ao Governo do Estado em 2018.
Jose Pedro Taques, deixou um clima não harmonioso entre ele (Taques) e o senador e líder do Partido da Republica (PR) em Mato Grosso, Wellington Fagundes, quando disse que não acreditava nas palavras de Fagundes quando ele teria dito que Favaro esta articulando sua candidatura ao Governo do Estado em 2018 e o teria procurado para pedir apoio nesta Eleição de 2018.
Foi só acontecer o anuncio da possível candidatura de Carlos Favaro ao Governo do Estado nestas eleições de 2018, e já começaram a romaria em seu gabinete.
Vários deputados estaduais e federais começaram a circular nos corredores do Palácio Paiaguas, e o destino não é o gabinete número 1, e sim do vice no gabinete de Fávaro diante da expectativa de um eventual rompimento que gerou após o vice-governador anunciar que tem o desejo de ser governador do Estado em 2018, com isso, o movimento dentro do Palácio Paiaguas passou a ser intenso. O movimento de alguns deputados estaduais e federais que começaram frequentar o gabinete de Fávaro apontam o que se pode chamar de “expectativa de poder”.
Nas conversas não falta o ingrediente de combustão de toda pré-campanha: articulação.
Setores dos mais variados estão claramente articulando a união do grupo da base, com oposição, empresários e produtores do agronegócio, para assim lançar nome do Social-democrata ao Governo do Estado. Isso nas barbas do próprio Taques, que já estão de molho.
A informação foi confirmada por assessores que são próximos do vice-governador, que preferem evitar exposição do nome e eventuais perseguições do núcleo “operador” do governador Pedro Taques.
Segundo um dos assessores, a peregrinação começou quando Fávaro ocupava a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) e tem se intensificado depois que o social democrata mencionou sua disposição de entrar na disputa.
“Muitos ligam e outros chegam a vir no gabinete a procura dele. Cercam de todos os lados pedindo que ele saia candidato e se comovem ao falar que Taques acabou com o Estado. Fávaro é ético, por isso não declara ainda seu futuro na política. Mas muitos desses deputados que dizem ser Taques estão com o vice”, contou uma das fontes.
Que Fávaro será o candidato da base é quase certo, pois o partido pressiona internamente e os parlamentares têm assistido de camarote os problemas ocasionados supostamente pela falta de gestão do governador. Além dos deputados, o PIB do agronegócio se posicionou a algum tempo mostrando descontentamento com o tucano, e já cogitaram, inclusive, lançar outro nome que não seja de Pedro Taques.
O vice-governador confirmou a articulação partidária com possibilidade de disputa ao governo. “Quem tem amor por Mato Grosso como eu tenho é claro que tem vontade de governar um Estado como esse. Estaria mentindo se dissesse ao contrário. Mas quem decide é a maioria é o grupo. As decisões do partido estão acima dos interesses pessoais. De um lado, existe o grupo que defende o desembarque do governo”, mencionou o vice, em uma de suas sacadas que fez o governador subir no telhado e ir procurar atalho na direção nacional do partido de Fávaro.
“Quem manda é a base”, destacou outro líder da legenda, que cogita inclusive contrariar a nacional se esta tentar impor um alinhamento forçado com Taques.
Quem confirma a conversa nos bastidores sobre o esfacelamento do grupo a Taques é o deputado federal Carlos Bezerra (MDB). Ele declarou durante a semana que tem um grupo trabalhando para o vice-governador Carlos Fávaro assumir a sua candidatura ao governo. Na ocasião, disse que tem escutado de algumas pessoas comentários fortes sobre esse rompimento.
“Até o vice-governador parece que está querendo sair para ser candidato pela oposição. Então, é um reinado de traição inédito em Mato Grosso. Sempre há traição. No último ano do Governo, geralmente tem dificuldades, alguns abandonam o barco, mas não uma manada tão grande como tenho visto ultimamente”, fulminou o deputado.
O líder estadual do MDB foi mais além, e disse que tem “pena” do governador tucano Pedro Taques pelo momento que ele vem passando. “Eu tenho pena dele, ele vive um reinado de traição em seu governo, mas infelizmente quem construiu tudo isso foi ele próprio, e agora ele esta provando de seu próprio veneno, é traição de todo lado, todo mundo querendo abandonar o barco neste momento de crise”.
O cacique do MDB lembrou ainda a situação em que vive o governador tucano com a Assembleia Legalista do Estado, e segundo ele, Taques vai enfrentar uma CPI que teve aval de seus próprios aliados da base.
Declaração bombástica
Bezerra falou ainda dos parlamentares que estão trabalhando no escuro para que o vice-governador Carlos Favaro venha assumir o Governo do Estado em um possível afastamento de Pedro Taques do governo, e com isso, colocar seu nome a reeleição em 2018.
“È uma situação ruim para Mato Grosso, porque isso ocasiona uma grande instabilidade tanto politica como administrativa, e na Assembleia, tem uma CPI em andamento contra ele, e isso terá efeito colateral”.
Carlos Bezerra disse ainda que logo após as festividades do carnaval, o grupo de “oposição” vai se reunir para tratar do processo eleitoral.
Destaques
Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso
Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.
O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.
A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.
As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.
De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.
Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.
A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.
O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.
O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.
A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.
Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.
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