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ESTUDOS DO INSTITUTO SOS PANTANAL

Relatório do MapBiomas aponta que Pantanal é o bioma mais atingido por incêndios nos últimos 40 anos

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Com um recorte temporal que compila informações registradas a partir de 1985, o Relatório Anual do Fogo do MapBiomas evidencia que, no ano passado, a área queimada atingiu 62% do território nacional e que o Pantanal foi o bioma mais atingido nos últimos 40 anos. Reunindo análises robustas e mapas de alta resolução, o documento oferece subsídios para a elaboração de ações coordenadas.

No Congresso Nacional, em Brasília, durante um evento, representantes do MapBiomas apresentaram a primeira edição do Relatório Anual do Fogo (RAF), elaborado a partir de dados abertos, análises robustas e mapas de alta resolução que compilam informações precisas sobre as queimadas e incêndios florestais registrados no Brasil ao longo de 2024 e nas últimas quatro décadas.

Intitulado 40 Anos de Fogo nos Biomas Brasileiros: Coleção 4 do MapBiomas Fogo (1985 a 2024), o documento lança um alerta contundente: o fogo no Brasil tem atingido níveis inéditos em extensão e severidade, com um avanço sem precedentes sobre vegetações nativas de biomas não adaptados ao fogo, como a Amazônia e a Mata Atlântica, realidade que exige respostas urgentes das autoridades públicas e da sociedade civil. Nesse sentido, o relatório fornece subsídios científicos que contribuem para a atuação coordenada entre municípios, estados e órgãos federais.

Entre outros números superlativos que dimensionam a gravidade do atual cenário, o RAF revela que, em 2024, o Brasil teve 30 milhões de hectares queimados, um volume 62% acima da média histórica anual, consolidando o ano como um dos mais críticos em termos de incêndios florestais desde o início da série histórica.

Pantanal, o bioma mais afetado desde 1985

Destaque do recorte entre os seis biomas predominantes no território brasileiro, os dados relativos ao Pantanal consolidam estudos locais já referenciados por instituições como o SOS Pantanal, organização de conservação ambiental com atuação desde 2009. Proporcionalmente, o Pantanal foi o mais afetado pelo fogo nos últimos 40 anos. Nesse período, a quase totalidade (93%) dos incêndios registrados no bioma ocorreu em vegetações nativas, especialmente em formações campestres e campos alagados (71%). As pastagens representaram 4% das áreas atingidas por fogo.

O Pantanal mostra também uma grande recorrência do fogo: três em cada quatro hectares (72%) queimaram duas vezes ou mais nas últimas quatro décadas. As cicatrizes deixadas costumam ser mais extensas do que em outros biomas: é no Pantanal que se encontra a maior incidência de extensões queimadas superiores a 100 mil hectares (19,6%). Distribuídas por diferentes regiões, áreas com cicatrizes de queimada entre 500 e 10 mil hectares também se destacam (29,5%).

Em 2024, houve, também, um aumento de 157% da área queimada no Pantanal, na comparação com a média histórica de 40 anos avaliada pelo MapBiomas Fogo.

Os dados históricos mostram a dinâmica do fogo no Pantanal, que se relaciona com a presença da vegetação natural e com os períodos de seca. Em 2024, o bioma queimou no entorno do Rio Paraguai, região que passa por maiores períodos de seca desde a última grande cheia em 2018, explica Eduardo Rosa, coordenador de mapeamento do Pantanal no MapBiomas.

Município de maior extensão do bioma, Corumbá, no Mato Grosso do Sul, detém outro triste recorde: de acordo com os dados do RAF, é a cidade brasileira com maior área queimada acumulada entre 1985 e 2024, com mais de 3,8 milhões de hectares.

A coleção 4 do Map Biomas Fogo nos mostra a intensificação dos incêndios florestais e sua elevada recorrência, especialmente nos últimos 10 anos. Entender a dinâmica do fogo no cenário de mudanças climáticas é fundamental para desenvolvermos estratégias cada vez mais robustas para que tenhamos territórios e comunidades adaptadas e resilientes ao fogo. Quanto mais preparados as organizações, governos e, principalmente, os pantaneiros estiverem, menor será a severidade desses incêndios e seus impactos no modo de vida local e na conservação do bioma, defende Leonardo Gomes, Diretor Executivo do SOS Pantanal.

Expansão das Brigadas Pantaneiras

O Instituto segue trabalhando na implementação de planos operativos nas regiões mais vulneráveis e se prepara para a temporada crítica de incêndios em agosto e setembro. Uma das frentes de atuação mais relevantes do SOS Pantanal, O Projeto Brigadas Pantaneiras, parte do Programa de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais da instituição, segue avançando em 2025 com foco na valorização das comunidades locais, proteção da biodiversidade e manejo integrado do fogo.

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Neste ano, uma nova brigada foi formada no Pantanal Sul e 88 brigadistas de 13 brigadas passaram pela capacitação anual promovida pelo SOS Pantanal em parceria com o Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul.

Entre os dias 2 e 3 de abril, o instituto também realizou o I Seminário Internacional de Manejo Integrado do Fogo no estado, reunindo 20 palestrantes, 75 participantes presenciais e mais de 1.100 online, alcançando mais de 26 mil interações.

Como parte do fortalecimento regional, o SOS Pantanal submeteu três propostas ao edital PSA Brigadas, do Fundo Pantanal – Governo do Mato Grosso do Sul, e apoiou outros três projetos de instituições parceiras. Outra frente importante em andamento é o desenvolvimento do Plano Operativo de Prevenção e Combate a Incêndios nas fazendas da Aliança 5P, que visa a atuação nos Pantanais de Miranda, Aquidauana e Nhecolândia, com estratégias práticas para gestão do fogo.

Concentração temporal e sazonal no RAF do MapBiomas

Contribuindo para uma compreensão do avanço temporal das queimadas, o RAF destaca que, desde 1985, 206 milhões de hectares foram afetados pelo fogo ao menos uma vez, o que equivale a 24% do território nacional ou a soma territorial dos estados do Pará e Mato Grosso, sendo que quase metade de toda essa área queimada, mais precisamente 43%, se concentrou no intervalo dos últimos dez anos, dado que evidencia uma escalada recente na ocorrência de queimadas no país.

A forte concentração sazonal desses eventos também chama atenção: o estudo esclarece que 72% da área queimada anualmente se dá no período entre agosto e outubro, com destaque para o mês de setembro, responsável por 33% deste total. A compreensão desses recortes reforça a urgência de políticas públicas coordenadas voltadas à prevenção e ao controle de incêndios nos meses mais críticos.

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Escalada do fogo em outros biomas

O RAF aponta, ainda, a Amazônia como o epicentro das queimadas em 2024, com 15,6 milhões de hectares consumidos, mais da metade da área total queimada no Brasil e o maior valor da série histórica, 117% acima da média. Pela primeira vez, a vegetação florestal superou as pastagens como uso da terra mais afetado, somando 6,7 milhões de hectares queimados.

A Mata Atlântica também registrou um recorde negativo, com 1,2 milhão de hectares queimados, um aumento de 261% sobre a média histórica, principalmente em áreas já alteradas pela ação humana. O Cerrado apresentou os dados mais preocupantes: 3,7 milhões de hectares queimaram mais de 16 vezes em 2024, e a formação florestal perdeu 7,7 milhões de hectares, 287% acima da média.

Balanço positivo

Por outro lado, nem todas os dados apresentados no RAF são negativos. Totalizando 404 mil hectares, abaixo da média histórica, a Caatinga teve uma redução de 16% de área queimada. No Pampa, a incidência de chuvas intensas causadas pelo El Niño também contribuiu para a redução das queimadas, que atingiram 15,3 mil hectares.

Outro aspecto positivo do RAF é o avanço nos recursos de monitoramento e na acessibilidade às informações a partir da plataforma do MapBiomas Fogo, que disponibiliza dados detalhados e gratuitos sobre queimadas em todo o país. Com a evolução de recursos como os algoritmos de inteligência artificial da Deep Neural Network (DNN), processamento em nuvens e imagens geradas a partir do Landsat, programa de satélites da NASA e do Serviço Geológico dos Estados Unidos que coleta imagens da superfície da Terra para monitoramento ambiental, o MapBiomas Fogo oferece, cada vez mais, ferramentas eficazes para subsidiar elementos científicos que possam orientar políticas públicas e prevenir desastres.

Sobre o MapBiomas

Iniciativa multi-institucional que envolve universidades, ONGs e empresas de tecnologia focada em monitorar as transformações na cobertura e no uso da terra no Brasil, para buscar a conservação e o manejo sustentável dos recursos naturais como forma de combate às mudanças climáticas. Esta plataforma é hoje a mais completa, atualizada e detalhada base de dados espaciais de uso da terra em um país disponível no mundo. Todos os dados, mapas, métodos e códigos do MapBiomas são disponibilizados de forma pública e gratuita no site brasil.mapbiomas.org

Sobre o SOS Pantanal

O Instituto Socioambiental da Bacia do Alto Paraguai SOS Pantanal é uma organização ambiental criada em 2009 que atua na conservação do Pantanal, promovendo o aprimoramento de políticas públicas, a divulgação de conhecimento e o desenvolvimento de projetos para o uso sustentável do bioma. Por meio da ciência e do diálogo, o SOS Pantanal fomenta as transformações necessárias com o apoio de diversos setores da sociedade civil e do poder público. Saiba mais em: sosopantanal.org.br

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Destaques

Salto patrimonial de R$ 196,8 milhões posiciona candidato de Mato Grosso no topo do “Ranking Nacional de Bens Declarados”

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A evolução expressiva dos ativos financeiros declarados à Justiça Eleitoral consolidou a liderança de Otaviano Olavo Pivetta (Republicanos) como o candidato ao Governo Estadual mais abastado do país nas eleições de 2026.

A ampliação da fortuna do político mato-grossense ocorreu no intervalo entre o pleito de 2022 e a disputa corrente, período no qual seu patrimônio passou de R$ 378,8 milhões para a cifra atual de R$ 575,6 milhões.

O acréscimo expressivo de R$ 196,8 milhões decorre, fundamentalmente, da expressiva valorização de ativos no Agronegócio e de alocações estratégicas em fundos de investimentos no exterior e participações acionárias.

A aferição do ranking fundamenta-se nos dados oficiais fornecidos pelos próprios postulantes aos tribunais eleitorais, registrados rigorosamente até a data limite para formalização das candidaturas nesta sexta-feira, 14 de agosto de 2026.

Com essa atualização cadastral, o empresário gaúcho radicado em Mato Grosso assume a liderança isolada do ranking econômico eleitoral em âmbito nacional, superando com margem eloqüente todos os demais concorrentes do país.

Em comparação direta com os outros estados brasileiros, o mato-grossense Otaviano Pivetta ultrapassa a candidata Maria do Carmo (PL), do Amazonas, com R$ 118,4 milhões, e o postulante baiano ACM Neto (União Brasil), detentor de R$ 84,8 milhões declarados.

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O avanço de 51,9% no montante total da declaração atesta o forte desempenho dos ativos privados sob gestão do vice-governador, evidenciando o impacto direto do setor produtivo na composição de sua fortuna pessoal.

A estrutura patrimonial fundamenta-se precipuamente em um fundo multimercado internacional de R$ 257,2 milhões e na expressiva valorização da empresa O Positivo Participações S.A., cujas ações saltaram de R$ 81,1 milhões para R$ 182,5 milhões.

Essa solidez financeira reflete a trajetória do produtor rural de 66 anos que, desde sua chegada a Mato Grosso em 1982, consolidou negócios na suinocultura, pecuária e no cultivo de grãos, com foco atual na verticalização da cadeia produtiva.

Com o respaldo dessa biografia empresarial e a experiência acumulada em três mandatos como Prefeito de Lucas do Rio Verde e como deputado estadual, o atual governador postula o comando do Poder Executivo Estadual.

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