Destaques
Mauro: “Quem critica está sujeito a receber crítica também”; Pedro: “Não vou bater boca com ninguém, mas tenho que me posicionar”
O ex-governador tucano José Pedro Gonçalves Taques que é acusado de liderar uma organização criminosa ensaia voltar ao noticiário político após um verdadeiro turbilhão de denuncias na esfera Jurídica de Mato Grosso com a delação premiada do ex-secretário de Educação do Estado de Mato Grosso (SEDUC), Perminio Pinto Filho, e do empresário Alan Ayoub Malouf que afirmou em sua colaboração que Pedro Jamil Nadaf, ex-secretário da Casa Civil na gestão de Silval da Cunha Barbosa, manifestou vontade e chegou a indicar doadores a Pedro Taques, antes do pleito eleitoral de 2014, em que o tucano, então vinculado ao PDT, foi eleito.
Durante a semana, o ex-governador do Estado, Jose Pedro Taques, que andou recluso por algum tempo, disse que vai estar se posicionando quanto as denuncias a seu respeito de ser umas das lideranças de uma organização criminosa.
Recentemente foi alvo de critica do governador Mauro Mendes Ferreira, do Partido Democrata (DEM), quando soube que Taques vai fazer uma analise politica da nova administração do Estado sob o seu comando.
O governador Democrata disse que não vai aceitar pacificamente eventuais críticas que possa receber de Pedro Taques.
“Ele é um cidadão. Como qualquer cidadão, tem o direito de analisar, fazer críticas. Mas quem critica está sujeito a receber crítica também. Isso faz parte da democracia. E não tem problema. Ele é um cidadão como qualquer outro”.
Em resposta o ex-governador tucano Pedro Taques diz:
“Não vou viver me escondendo. Preciso falar. Não vou bater boca com ninguém, mas tenho que me posicionar”.
A denuncia
Consta na Delação Premiada que vários cheques na época, que totalizaram R$ 1 milhão foram empenhados pela Associação Sucroalcoleira de Mato Grosso. A transação só foi possível devido ao ex-secretário Pedro Nadaf. Alan Malouf era um dos responsáveis pelo financeiro da campanha de Taques.
Conforme a delação premiada, cujo sigilo foi derrubado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Nadaf apresentou ao colaborador personagem identificado como “Piero”, suposto presidente da Associação e responsável pelas usinas de Álcool em Mato Grosso.
“Piero” entregou a Alan Malouf aproximadamente R$ 1 milhão em cheques. Do total, R$ 550 foram efetivamente compensados pelo colaborador premiado durante a campanha. O valor não foi declarado na Justiça Eleitoral.
Piero Vicenzo Parini foi presidente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado de Mato Grosso (Sindalcool/MT). Não há, porém, na delação, detalhes que confirmem Vicenzo Parini como o personagem citado.
A delação
O ministro Marco Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo da delação premiada feita pelo empresário Alan Malouf, dono do Buffet Leila Malouf, junto ao Ministério Público Federal (MPF).
Na delação, Malouf revela dados de esquema de arrecadação de verbas, captadas mediante a doação de empresários e a formação de chamado “Caixa 2“, destinadas à campanha eleitoral de Taques ao governo de Mato Grosso em 2014.
Segundo Malouf, que na época era um dos coordenadores de campanha do tucano, o retorno aos doadores consistiria na celebração de contratos, regulares ou não, com o poder público.
A expectativa fica agora com relação se o ex-governador tucano Jose Pedro Taques vai ou não dar sua opinião sobre a administração do governador Democrata Mauro Mendes Ferreira.
Destaques
Câmara aprova PEC que reduz jornada de trabalho e impulsiona o fim da escala 6×1 no Brasil
A Câmara dos Deputados aprovou, na noite da última quarta-feira (27), em dois turnos de votação, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/19, que prevê a redução gradual da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, sem qualquer redução salarial para os trabalhadores. A medida representa uma das mais significativas mudanças nas relações trabalhistas brasileiras das últimas décadas e agora seguirá para apreciação do Senado Federal.
A proposta foi aprovada após meses de debates envolvendo parlamentares, representantes do setor produtivo e entidades sindicais. O texto estabelece novas regras para a organização da jornada laboral no país e busca adequar as condições de trabalho às transformações econômicas e sociais observadas nas últimas décadas, atendendo a uma demanda histórica de diversos segmentos dos trabalhadores brasileiros.
Durante a tramitação na Câmara Federal, o presidente da Casa, Hugo Motta, classificou a aprovação da matéria como a maior conquista para os trabalhadores desde o período da redemocratização. Segundo ele, a proposta representa um avanço nas garantias trabalhistas e deverá receber a devida tramitação no Senado, sob a condução do presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

Entre as principais mudanças previstas está a garantia de duas folgas semanais aos trabalhadores, sendo uma delas preferencialmente aos domingos. O texto também determina que as novas regras entrem em vigor 60 dias após a promulgação da emenda constitucional, estabelecendo um cronograma gradual para adaptação das empresas e dos empregados ao novo modelo.
De acordo com a redação aprovada pelos deputados, a jornada semanal será inicialmente reduzida para 42 horas e, posteriormente, alcançará o limite definitivo de 40 horas semanais. Ao final do período de transição, o limite diário de trabalho permanecerá fixado em oito horas, preservando a estrutura básica da legislação trabalhista brasileira.
O projeto também prevê mecanismos de flexibilização mediante negociação coletiva. Durante a fase de adaptação, poderá haver ampliação da duração diária do trabalho normal, desde que essa alteração seja formalizada por meio de convenções ou acordos coletivos firmados entre empregadores e representantes dos trabalhadores, observando os parâmetros estabelecidos pela legislação.
Além disso, uma futura Lei Ordinária deverá regulamentar situações específicas relacionadas a regimes diferenciados de trabalho, incluindo categorias que atualmente possuem jornadas especiais. O objetivo é assegurar segurança jurídica e preservar as particularidades de segmentos que exercem atividades submetidas a condições distintas das regras gerais.
Para os microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte, o texto abre a possibilidade de adoção de medidas transitórias por meio de legislação complementar. A iniciativa busca reduzir eventuais impactos financeiros e operacionais que possam surgir durante a implementação das novas exigências trabalhistas.

A proposta, entretanto, não alcançará todos os trabalhadores. Permanecem fora das novas regras os empregados que já possuem jornada igual ou inferior a 40 horas semanais, bem como profissionais com formação de nível superior que recebam remuneração mensal igual ou superior a R$ 8.475,55, valor correspondente a duas vezes e meia o teto dos benefícios pagos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A aprovação da PEC também gerou divergências entre representantes do setor produtivo. Enquanto entidades ligadas aos trabalhadores celebram a medida como um avanço social, organizações empresariais manifestam preocupação com possíveis impactos econômicos.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) considera a proposta inadequada e inoportuna, enquanto a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirma apoiar a adoção da escala 5×2, mas defende a discussão de modelos mais flexíveis de contratação para preservar empregos, produtividade e abastecimento.
Caso seja aprovada pelo Senado e promulgada, a emenda representará a primeira grande redução da jornada de trabalho no Brasil desde a Constituição Federal de 1988.
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