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DESCONTENTAMENTO DA "VELHA GUARDA"

Disputa por “Poder” em Mato Grosso ameaça alianças para 2026

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O deputado estadual Júlio Campos (UB) deflagrou publicamente uma severa crise política no Diretório de Mato Grosso do União Brasil (UB), ao contestar de forma veemente a liderança do ex-governador Mauro Mendes, seu correligionário. O parlamentar subiu o tom nos bastidores e nas tribunas, expondo um racha profundo na sigla governista que até então tentava manter uma aparente unidade interna. A escalada verbal, que incluiu adjetivos pesados e acusações diretas, expõe as fraturas de um partido gigantesco que agora lida com a colisão entre a ala tradicional e a atual liderança do Poder Executivo Estadual.

Esta forte turbulência partidária ocorre especificamente no Estado de Mato Grosso, uma das unidades federativas mais estratégicas para o Agronegócio e para a política do Centro-Oeste brasileiro. O epicentro do embate concentra-se na capital, Cuiabá, mas reverbera com intensidade em todos os diretórios municipais e na Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT). A definição geográfica desse conflito é crucial, pois envolve o controle de uma das legendas mais ricas e influentes do território mato-grossense, cujo desfecho impactará diretamente a governabilidade local e a correlação de forças na região.

A eclosão pública desse racha partidário consolidou-se nesta semana de maio de 2026, logo após a publicação oficial da composição da Federação União Progressista, que reúne o União Brasil e o Partido Progressistas (PP). Embora as tensões internas estivessem se acumulando ao longo dos últimos meses, o estopim para a declaração aberta de hostilidades foi o protocolo do novo organograma partidário perante a Justiça Eleitoral. O momento é considerado crítico por lideranças locais, pois coincide com o período de planejamento estratégico e de costura de alianças fundamentais para o próximo pleito.

O motivo central do conflito reside na surpreendente exclusão da ala tradicional da sigla, liderada por Júlio Campos e seu irmão, o senador Jayme Campos, das principais instâncias decisórias do novo bloco federativo. Os irmãos Campos alegam que foram isolados de forma deliberada e expressam profundo descontentamento com o centralismo político exercido pelo grupo do ex-governador Mauro Mendes.

A disputa pelo controle real do aparato partidário e o sentimento de desrespeito à história política da família Campos no estado transformaram a convivência pacífica em um cenário de confronto ostensivo.

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A contestação foi liderada de forma direta pelo deputado estadual Júlio Campos, que agiu como o principal porta-voz do descontentamento da “velha guarda” do partido. Com uma postura combativa e incisiva, o parlamentar personificou a reação do grupo que se sente marginalizado e desrespeitado pelas recentes movimentações da Executiva. Ao assumir o protagonismo da denúncia, o deputado buscou também aglutinar o apoio de outros correligionários insatisfeitos que preferiam se manter nos bastidores, transformando sua queixa individual em um movimento coletivo de resistência interna.

O alvo principal dessa severa ofensiva política é o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, que foi confirmado recentemente como o presidente do Diretório Estadual da nova Federação Partidária. Mendes, que lidera o grupo político majoritário no Palácio Paiaguás, passou a ser classificado por seus opositores internos como um gestor de perfil autoritário e centralizador.

A acusação formal é de que o chefe do Executivo Estadual estaria utilizando sua máquina política para sufocar as lideranças tradicionais, impondo decisões de maneira monocrática e sem o devido diálogo.

O processo de ruptura consumou-se por meio de declarações públicas de extrema agressividade, nas quais Júlio Campos classificou a liderança de Mauro Mendes como “ditadora” e rotulou seu entorno político como uma “corja petulante”. O deputado afirmou categoricamente que foi pego de surpresa com os documentos protocolados na Justiça Eleitoral, interpretando a movimentação como uma manobra espúria. O parlamentar declarou que a condução atual representa um desaforo intolerável, prometendo utilizar todas as armas jurídicas e políticas disponíveis para reverter o atual cenário de isolamento.

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Os objetivos estratégicos dessa reação enérgica são a garantia de espaço decisório e a viabilização da pré-candidatura do senador Jayme Campos ao Governo do Estado nas eleições de 2026. O grupo tradicional busca forçar uma negociação ampla que assegure a participação equitativa na montagem das chapas proporcionais para deputados estaduais e federais.

Além disso, a ala descontente pretende demonstrar força política para impedir que o atual governador conduza o processo sucessório estadual de forma isolada, exigindo o respeito à democracia interna da legenda.

O grupo liderado pelos irmãos Campos pretende alcançar seus objetivos por meio da convocação e do controle majoritário da Convenção Partidária, onde afirmam deter 33 dos 53 votos totais dos delegados. Com essa maioria matemática expressiva, os parlamentares pretendem bloquear a homologação das candidaturas do próprio grupo de Mauro Mendes caso não haja uma composição política prévia. A estratégia baseia-se na premissa legal de que a Federação não possui o poder de homologar nomes de forma impositiva, dependendo obrigatoriamente do aval soberano das instâncias partidárias internas.

O desdobramento imediato dessa crise aponta para um cenário de judicialização e de intensa instabilidade na base governista de Mato Grosso, com reflexos profundos na fidelidade partidária durante as votações no Legislativo. Se as ameaças de veto cruzado se confirmarem na futura convenção, o União Brasil arrisca sofrer uma fragmentação irreversível, comprometendo seus planos de hegemonia regional.

O prolongamento desse embate poderá forçar a Direção Nacional da legenda a intervir no Diretório Estadual para evitar que o racha inviabilize o projeto eleitoral majoritário do partido no Estado de Mato Grosso.

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Política

Indecisos entram no centro da disputa pelo Governo de Mato Grosso na reta final das eleições

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Na reta final da campanha eleitoral em Mato Grosso, a conquista dos eleitores que ainda não definiram o voto passou a ocupar posição estratégica nas campanhas ao Governo do Estado. Levantamentos divulgados ao longo de setembro mostram uma disputa marcada por oscilações entre os principais candidatos e por uma parcela do eleitorado que ainda não declarou preferência. Pesquisa AtlasIntel divulgada em 11 de setembro apontou Wellington Fagundes (PL) com 34,4%, Otaviano Pivetta (Republicanos) com 30,8% e Natasha Slhessarenko (PSD) com 23,2%, enquanto 4,3% disseram não saber em quem votar.

O que está em jogo, portanto, não se resume à disputa entre nomes já conhecidos do eleitorado. A última semana antes do primeiro turno representa uma etapa decisiva para a apresentação de propostas, a consolidação de alianças e a tentativa de conquistar os votos ainda disponíveis. Em Mato Grosso, a votação ocorrerá em 4 de outubro, das 7h às 16h no horário local, quando os eleitores escolherão presidente, governador, dois senadores, deputado federal e deputado estadual.

O cenário eleitoral também revela que a corrida pelo Palácio Paiaguás permanece sujeita a mudanças até o encerramento da campanha. Levantamento Real Time Big Data divulgado em 3 de setembro registrou Wellington Fagundes com 34% das intenções de voto, seguido por Otaviano Pivetta, com 27%, e Natasha Slhessarenko, com 13%. Na mesma pesquisa, 11% dos entrevistados não souberam ou não responderam, enquanto 10% declararam voto em branco ou nulo.

Otaviano Pivetta, que assumiu definitivamente o Governo de Mato Grosso após a renúncia de Mauro Mendes, disputa agora a reeleição e apresenta sua administração como continuidade de uma gestão que teve como marcas a organização fiscal e investimentos em infraestrutura. O atual governador também procura associar sua candidatura a obras e projetos realizados nos últimos anos. A avaliação de sua administração, entretanto, convive com cobranças de diferentes setores, especialmente em áreas como servidores públicos, previdência e educação.

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Entre as questões que permanecem no debate político estadual estão as reivindicações relacionadas à Revisão Geral Anual (RGA) e à contribuição previdenciária de servidores aposentados e pensionistas. A alíquota de 14% foi instituída no âmbito da reforma previdenciária estadual de 2020 e continua sendo objeto de discussão política. No campo educacional, os indicadores de desempenho e os investimentos convivem com críticas de profissionais e entidades representativas, tornando a área um dos temas relevantes para a avaliação das propostas apresentadas aos eleitores.

Wellington Fagundes, por sua vez, chega à fase final da campanha sustentado por uma longa trajetória política. Senador desde 2015 e ex-deputado federal por seis mandatos, o candidato do PL procura transformar sua experiência em Brasília em argumento eleitoral para defender sua capacidade de articulação política e administrativa. Sua candidatura também está vinculada ao campo político bolsonarista, elemento que ocupa espaço importante no debate eleitoral de Mato Grosso e influencia a formação de alianças e estratégias de campanha.

Natasha Slhessarenko representa outra vertente da disputa. Médica e professora, a candidata do PSD procura ampliar seu espaço eleitoral em uma corrida marcada pela presença de políticos com trajetórias consolidadas. Sua candidatura também coloca em evidência a possibilidade de Mato Grosso eleger, pela primeira vez, uma mulher para o Governo do Estado. A campanha, contudo, enfrenta o desafio de transformar reconhecimento público e propostas na área da saúde em votos suficientes para avançar na disputa.

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As pesquisas mais recentes mostram justamente a volatilidade do cenário. Enquanto o levantamento Real Time Big Data de setembro registrou Fagundes à frente de Pivetta, o agregador Inteligov/EXAME apontou, em atualização divulgada em 20 de setembro, 29,59% para Pivetta e 29,48% para Fagundes, diferença de apenas 0,11 ponto percentual. Já uma pesquisa Veritá divulgada em 28 de setembro registrou Pivetta com 39,1% das intenções no cenário estimulado, Fagundes com 32,3% e Natasha com 15%. As diferenças entre os levantamentos refletem metodologias, períodos de coleta e amostras distintas e não permitem tratar nenhuma pesquisa isoladamente como resultado definitivo.

É nesse ambiente que os últimos dias de campanha ganham importância. Candidatos e equipes eleitorais precisam disputar não apenas os eleitores que já demonstram preferência, mas também aqueles que ainda podem modificar sua escolha diante de propostas, debates, alianças, discursos e avaliações sobre o desempenho dos governos. Para o eleitor, o período final oferece a oportunidade de comparar programas, trajetórias, prioridades administrativas e compromissos apresentados publicamente antes de registrar o voto na urna eletrônica.

A decisão, enfim, estará nas mãos do eleitorado mato-grossense no próximo domingo, 4 de outubro. Além do governador e do vice-governador, serão escolhidos dois senadores, deputados federais, deputados estaduais e os representantes para a Presidência da República. São seis escolhas em uma mesma jornada eleitoral, cada uma com consequências distintas para a administração pública e para a representação política. Em uma disputa marcada por diferentes projetos e por pesquisas que apresentam retratos distintos do momento eleitoral, caberá a cada cidadão avaliar as informações disponíveis e decidir, de forma livre e consciente, os nomes que deseja levar às urnas.

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