Search
Close this search box.

AÇÕES NAS REDES PÚBLICAS

Apenas 33% das redes públicas de ensino instituíram políticas para distribuição da alimentação escolar durante a “Pandemia”

Publicados

em

Um estudo foi realizado pelo Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE/MT) com o objetivo de mapear as ações adotadas pelas redes públicas de ensino estadual e municipais durante a suspensão das aulas presenciais em virtude da “Pandemia” do novo “Coronavírus“, a “Covid-19“.

O Tribunal de Contas de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Controle Externo (Secex) de Educação e Segurança, e em parceria com o projeto A Educação Não Pode Esperar, promoveu levantamento de abril a junho com 12 redes municipais e a rede estadual utilizando como critérios o maior número de matriculados e o menor nível socioeconômico dos alunos. A análise compreendeu mais de 1.100 unidades educacionais que atendem aproximadamente 491 mil estudantes.

Entre os principais pontos abordados no trabalho estão a distribuição de alimentos às famílias dos estudantes, práticas pedagógicas durante o período de suspensão das aulas presenciais, atuação e formação dos professores e planejamento para a volta às aulas.

Em Mato Grosso, mais de 850 mil crianças e jovens estão longe das salas de aula desde março e por um prazo ainda indefinido, com profundo impacto sobre a aprendizagem dos estudantes. O levantamento do TCE-MT apontou que apenas 33% das redes públicas de ensino do Estado instituíram políticas para distribuição da alimentação escolar durante a pandemia e que a distribuição não ocorre de forma universal, ou seja, nem todos os estudantes recebem.

Foi recorrente o argumento, nos questionários e nas entrevistas, de que, como os recursos são escassos, priorizou-se atender os alunos cadastrados no Programa Bolsa Família, assim como as famílias em vulnerabilidade que procurassem as secretarias municipais de Educação e Assistência Social.

Leia Também:  Emanuel pede apuração ao MPE sobre irregularidades cometidas pelo Gabinete de Intervenção

Fruto de uma parceria entre o Comitê Técnico da Educação do Instituto Rui Barbosa (CTE-IRB) e o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), o projeto A Educação Não Pode Esperar conta com a participação de 26 tribunais de contas do país.

O estudo do Tribunal de Contas de Mato Grosso foi apresentado pela secretária de Controle Externo de Educação e Segurança do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Patrícia Leite Lozich, na semana passada, durante reunião da comissão especial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso que analisa a possibilidade de retomada das atividades escolares no estado.

Demonstrou-se que em 50% das redes, houve redução de gastos com alimentação escolar, enquanto em 41,6% permaneceu o mesmo. Em apenas 8,4%, houve aumento de despesas.

De acordo com a secretária da Secex, o foco do trabalho é orientativo e visa contribuir com a gestão pública, identificando e compartilhando boas práticas para minimizar os prejuízos à educação pública.

O objetivo do trabalho foi estudar as medidas já implementas pelas redes de ensino e identificar ações que possuem maior efetividade e que possam ser replicadas. A intenção é colaborar com o aprimoramento das ações educacionais realizadas nesse período de “Pandemia”, ressaltou Patrícia Leite Lozich.

Responsáveis pelo trabalho, juntamente com a auditora Mônica Cristina dos Anjos Acendino, os auditores públicos externos Renan Godoi Ventura Menegão e Sérgio Henrique Pio de Sales ressaltaram a importância da iniciativa para aproximação entre o Tribunal e as redes de ensino estadual e municipais do Estado nesse momento de crise sanitária.

Leia Também:  Área incendiada em Mato Grosso em 2021 já é quase cinco vezes o tamanho de São Paulo

A EDUCAÇÃO NÃO PODE ESPERAR

O estudo apontou que em Mato Grosso, as datas de início dos conteúdos remotos foram iniciadas, em sua maioria, na primeira quinzena de maio. No entanto 8,3% das escolas estudadas ainda não iniciaram as aulas remotas. No Estado, 91,6% das redes de ensino possuem estratégias para oferecer aulas ou conteúdos pedagógicos aos estudantes durante a “Pandemia”.

Sobre a periodicidade dos conteúdos disponibilizados para a Educação Infantil, 54,6% das escolas responderam que encaminham semanalmente, 36,3% quinzenalmente e 9,1% diariamente. Para os anos iniciais do ensino fundamental, a grande maioria, 75%, encaminha o material digital semanalmente. Já para os anos finais do ensino fundamental, 72,7% das escolas encaminham semanalmente.

Já em relação a formação para os profissionais da rede para desenvolverem as atividades a distância com os estudantes, 41,7% das escolas disseram que estão promovendo a formação, enquanto 58,3% disseram que não promoveram capacitação.

Sobre o retorno às aulas, 83,3% das escolas afirmam que estão se preparando para a volta. As recomendações elencadas no estudo serão objeto de deliberação do Tribunal Pleno.

Propaganda

Destaques

Ação de R$ 182 Milhões contra ex-governador completa 7 anos no Judiciário de Mato Grosso

Publicados

em

Uma das principais denúncias de desvio de recursos públicos da história recente do Estado de Mato Grosso continua sem uma decisão de mérito definitiva. A Ação Civil Pública por improbidade administrativa, que tramita na Vara Especializada em Ações Coletivas de Cuiabá, busca a devida reparação aos cofres públicos diante de indícios robustos de fraudes no pagamento de precatórios.

O processo em questão aponta como réus o ex-governador Blairo Borges Maggi, o empresário Valdir Piran e outras oito pessoas físicas e jurídicas. Entre os demais acusados estão ex-secretários de Estado, procuradores estaduais e a Construtora Andrade Gutierrez, todos apontados como partícipes de um arranjo financeiro ilícito de caráter estruturado.

A controvérsia judicial, que se arrasta desde o ano de 2019, completou sete anos de tramitação sem que um desfecho definitivo tenha sido alcançado na Justiça de Mato Grosso. Os reiterados recursos processuais apresentados pelas defesas dos réus retardaram o andamento célere dos autos ao longo de quase uma década de controvérsias.

As supostas irregularidades processuais ocorreram no âmbito da administração pública direta do Estado de Mato Grosso, sediada na capital, Cuiabá. O epicentro das transações financeiras sob suspeita deu-se no âmbito da Secretaria de Estado de Fazenda (SEFAZ/MT) e envolveu créditos originados de autarquias estaduais já extintas.

Leia Também:  Senado dita o ritmo das articulações para 2026 em Mato Grosso

De acordo com as investigações, o esquema criminoso operou-se mediante a triangulação fraudulenta de repasses financeiros bilionários à Empreiteira Andrade Gutierrez sob o pretexto de quitação de precatórios judiciais.

Posteriormente, parte expressiva desses recursos públicos federais e estaduais era direcionada ao empresário Valdir Piran para fins de compensação de créditos privados.

A motivação por trás da referida engenharia financeira ilícita residia na necessidade urgente de quitação de uma dívida de caráter estritamente político de R$ 40 milhões. O grupo governamental da época contraíra esse débito volumoso com a Factoring pertencente ao empresário Valdir Piran, conforme apontam as investigações ministeriais.

O objetivo principal da referida operação ilegal consistia na obtenção rápida de dinheiro em espécie para garantir e consolidar a sustentabilidade política do grupo governante no poder. O “retorno” financeiro ilegal extraído do pagamento dos precatórios judiciais viabilizava a manutenção de privilégios ilícitos e o suborno continuado de parlamentares estaduais da base governista.

O expressivo prejuízo financeiro causado ao erário público estadual totalizou o montante histórico de R$ 182,9 milhões. Além do desfalque material milionário, a lentidão no julgamento do processo penal e civil acarreta severo desgaste à imagem do Poder Judiciário e fomenta um nocivo sentimento de impunidade social.

Leia Também:  Azedou a relação do governador Pedro Taques com os Poderes e Legislativo

A denúncia apresentada à Justiça baseia-se em auditorias técnicas minuciosas realizadas pela Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso e pelo Tribunal de Contas do Estado. As conclusões probatórias foram reforçadas de forma substancial pelos detalhados depoimentos prestados pelo ex-governador Silval Barbosa em seu acordo homologado de colaboração premiada.

Em manifestações recentes anexadas aos autos judiciais, a defesa do ex-governador Blairo Maggi alegou veementemente a inocência de seu cliente e a total regularidade técnica dos pagamentos efetuados. De igual modo, os representantes legais de Valdir Piran e das demais empresas envolvidas asseveram a plena licitude das negociações financeiras entabuladas à época.

Continue lendo

MAIS LIDAS DA SEMANA