ESTELIONATO QUALIFICADO
Agricultores são alvos da Polícia Civil de Mato Grosso por estelionato
O mercado de sementes movimenta um volume considerável de contratos de compra e venda, nos períodos que antecedem as safras de grãos em Mato Grosso, com diversas modalidades de acordo entre as partes. Uma destas transações chamou a atenção, após virar caso de polícia e resultar no indiciamento de duas pessoas por estelionato, na cidade de Água Boa (MT), depois de adquirirem lotes de sementes de uma empresa da região sul de Mato Grosso, e não quitarem o que foi estabelecido em contratos que previam a entrega de 95.433 sacas de soja, um prejuízo que bate a casa de mais de R$ 9 milhões de reais.
Em ação pouco utilizada neste tipo de situação, a empresa lesada além do processo de reparação na Vara Cível, também o fez na esfera criminal contra o empresário rural Rodrigo Piccinini, em maio deste ano, na Delegacia Regional da Polícia Civil de Água Boa. Segundo consta no inquérito policial instaurado e conduzido pelo delegado Bruno Gomes Borges, advogados da empresa entraram com uma notícia-crime, por suposta quebra de contrato e estelionato.
“Segundo apurado, a vítima forneceu sementes ao investigado mediante contratos de compra e venda vinculados a Cédulas de Produto Rural (CPRs), garantidas por alienação fiduciária e penhor em primeiro grau, em operação típica de barter. Em contrapartida, o investigado deveria entregar parte da safra de soja produzida na temporada 2024/2025 nos armazéns previamente designados contratualmente (Cargil) contudo, as investigações, devidamente acostadas aos autos, demonstraram que embora a safra tenha sido efetivamente colhida, o investigado não cumpriu a obrigação de entrega nos locais pactuados, desviando considerável parte da produção para terceiros e armazéns diversos, sem a anuência da credora. Parte dos grãos foi entregue em nome de Diego Sichocki, também identificado nos autos“, relata o documento policial.
DESVIO DOS GRÃOS
O depoimento de uma testemunha designada pela sementeira, relatou que diante de nova quebra de contrato na atual safra, decidiram contratar empresas especializadas em monitoramento de áreas cultivadas, os alvos do rastreamentos estariam localizadas nos municípios de Água Boa e Ribeirão Cascalheira (MT), conforme descrito no inquérito policial.
“Constatando-se que Rodrigo Piccinini, além de não cumprir as obrigações contratuais e previstas nas CPRs, destinou os grãos que deveriam ser entregues exclusivamente à vítima, em armazéns diversos dos previamente acordados e em nome de terceiro, identificado como Diego Sichocki. Acrescentou que, após a concessão de liminar de arresto, acompanhou os oficiais de justiça em diligências a oito armazéns nas referidas regiões, onde, mediante confronto das placas dos veículos constantes nos relatórios de monitoramento, foi possível confirmar que os grãos depositados eram provenientes das áreas vinculadas à garantia da vítima“.
As investigações baseadas em laudos técnicos e relatórios de auditoria de responsabilidade da empresa sementeira trazem números da produção das áreas onde os lotes das sementes vendidas a Rodrigo Piccinini foram plantados, nos municípios de Água Boa e em Ribeirão Cascalheira, que totalizaram aproximadamente 5.726.000 kg de soja, o que refuta a alegação de Rodrigo Piccinini em depoimento que houve uma considerável perda na produção por alagamento na área plantada.

Segundo a apuração, para tentar dificultar o rastreio da produção pelos investigados, Rodrigo teria utilizado a técnica de pulverização das entregas dos grãos em armazéns diversos dos previstos nas CPRs e em nome Diego Sichocki, que teria total ciência da prática delituosa.
Ao final do inquérito e com as robustas provas e detalhamento colhido em depoimentos, o delegado Bruno Gomes Borges decidiu indiciar Rodrigo Piccinini pelo delito de estelionato qualificado, pelo abuso de confiança e defraudação de penhor, nos termos do art. 171, §2º, incisos I e III, do Código Penal, já Diego Sichocki também foi qualificado no mesmo crime, como co-autor. Agora o Ministério Público do Estado de Mato Grosso vai se pronunciar se acata ou não, o que foi concluído no inquérito pela autoridade policial.

Destaques
Cidades assumem encargos da União e dos Estados diante da “asfixia fiscal” do Pacto Federativo
O crescimento de 66% nos gastos dos municípios brasileiros com segurança pública, na última década, consolidou uma transformação estrutural no financiamento da ordem urbana. A elevação orçamentária transferiu às administrações locais encargos financeiros tradicionalmente atribuídos às esferas federal e estadual, subvertendo a lógica de investimentos públicos no país.
Impacto nas Finanças Públicas: É associado à estagnação econômica, visto que altos encargos impedem o crescimento salarial real e sobrecarregam a classe média. Em esferas municipais, a falta de repasses justos de impostos (como o ICMS) também é tratada como uma forma de estrangulamento financeiro das gestões locais.
A Confederação Nacional de Municípios (CNM), sob a liderança de Paulo Ziulkoski, mapeou essa mutação fiscal por meio de um robusto estudo técnico. O diagnóstico aponta que os prefeitos e as guardas municipais converteram-se nos principais executores de uma política de contenção da violência que deveria contar com amparo dos governos estaduais e federais.
O levantamento abrange o interregno entre os anos de 2016 e 2025, período no qual o dispêndio das prefeituras saltou de R$ 7,5 bilhões para R$ 12,4 bilhões anuais. Essa evolução cronológica, que adicionou R$ 5 bilhões à fatia municipal, coincide com o agravamento das crises macroeconômicas brasileiras e com a necessidade de respostas imediatas nas cidades.
Este panorama nacional, que afeta a capilaridade de todo o território brasileiro, ganhará os holofotes do debate político institucional em Brasília durante a XXVII Marcha em Defesa dos Municípios. O evento congregará governantes locais e pré-candidatos à Presidência da República para discutir as graves assimetrias no direcionamento das verbas federais.

A materialização desse fenômeno ocorreu por meio do fortalecimento das guardas municipais, do investimento em videomonitoramento e da atuação em desastres ambientais. Dados do IBGE indicam que 1.322 municipalidades instituíram corporações próprias, registrando uma expansão de 33% na estrutura operacional, impulsionada pela necessidade de proteção ao cidadão.
As razões dessa escalada residem no enfraquecimento crônico da efetividade das diretrizes de segurança da União e dos Estados, vácuo preenchido compulsoriamente pelos prefeitos. Por estarem em contato direto com as demandas do tecido social, os governos locais absorvem pressões comunitárias e assumem papéis que extrapolam suas competências constitucionais.
A intensidade financeira da distorção revela que a alta orçamentária das prefeituras superou em quatro vezes e meia o avanço da União (12%) e triplicou o índice dos Estados (25%). Do montante de R$ 170 bilhões aplicados no setor em 2025, os municípios arcaram com R$ 12,4 bilhões, enquanto a União executou R$ 14,7 bilhões e os Estados, R$ 143,3 bilhões.
Os recursos injetados visam garantir a preservação do patrimônio e salvaguardar a integridade civil por meio de frentes específicas de atuação preventiva. O policiamento comunitário liderou os aportes com um acréscimo de R$ 2,4 bilhões, ao passo que as ações de defesa civil receberam incremento de R$ 400 milhões para mitigar o impacto de catástrofes climáticas.
A consequência imediata dessa reconfiguração manifesta-se na severa sobrecarga das finanças locais e no desequilíbrio fiscal do pacto federativo, exaurindo receitas preciosas. O esgotamento do caixa compromete a capacidade de investimento próprio das prefeituras em áreas sociais essenciais, uma vez que os municípios financiam estruturas sem a devida contrapartida.
Para o futuro imediato, o cenário gera alerta institucional face à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 18/2025, medida que oficializa as polícias municipais. A matéria causa profunda apreensão por não estipular fontes permanentes de financiamento para as prefeituras, o que exige articulação parlamentar urgente para evitar o colapso fiscal.
Relatório do Estudo da Confederação Nacional dos Municípios (CNM). Clique aqui.
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