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SEGURANÇA JURÍDICA E DISPUTA ACIRRADA

A consolidação da “Nova Mesa Diretora” em Várzea Grande

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O cenário político de Várzea Grande consolidou, nas últimas 24 horas, um dos capítulos mais emblemáticos de sua história legislativa recente, marcado por uma complexa queda de braço jurídica e uma votação definida pela margem mínima. Sob a égide de uma decisão liminar proferida em segunda instância, a Câmara Municipal realizou a eleição da Mesa Diretora para o Biênio 2027/2028, culminando na vitória da chapa “Credibilidade e Independência”. O desfecho do pleito não apenas define o comando administrativo da Casa de Leis para os próximos anos, mas também encerra, momentaneamente, um intenso debate sobre a legalidade da antecipação do processo eleitoral no município.

A protagonista da reviravolta jurídica foi a desembargadora plantonista do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Vandymara Galvão Ramos Paiva Zancol. Na noite da última quarta-feira, 13 de maio de 2026, a magistrada atendeu a um Agravo de Instrumento interposto pelo Legislativo Municipal, concedendo efeito suspensivo contra a decisão de primeira instância que havia paralisado o certame. Em sua fundamentação, a desembargadora destacou a presunção de constitucionalidade da Lei Orgânica Municipal, argumentando que a norma tem sido aplicada de forma reiterada em legislaturas anteriores sem questionamentos impeditivos, o que garantiu o suporte legal necessário para a manutenção do cronograma legislativo.

O processo eleitoral foi motivado pela necessidade de preenchimento dos cargos de gestão da Câmara Municipal para o período que se inicia em 2027. A antecipação, embora contestada judicialmente por um grupo de cinco parlamentares sob alegação de irregularidade, fundamentou-se em prerrogativas regimentais e dispositivos da legislação municipal vigente.

Para os defensores da medida, a eleição antecipada assegura estabilidade administrativa e permite um planejamento institucional de longo prazo, evitando que as disputas políticas sazonais interfiram na continuidade dos trabalhos técnicos e legislativos essenciais à municipalidade.

A eleição propriamente dita ocorreu na manhã desta quinta-feira, 14 de maio de 2026, iniciando-se imediatamente após a notificação oficial da decisão do Tribunal de Justiça. O plenário da Casa de Leis, situado na Avenida Castelo Branco, no bairro Jardim Imperador, tornou-se o epicentro das atenções políticas do estado.

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O clima de tensão foi dissipado pela abertura formal dos trabalhos, conduzida estritamente dentro dos parâmetros legais estabelecidos pela convocação prévia, que já havia sido publicada na edição do dia anterior no jornal oficial da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM).

A vitória foi conquistada pela Chapa 1, liderada pelo atual presidente Wanderley Cerqueira, representante do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em um escrutínio que refletiu a profunda divisão do parlamento, Cerqueira obteve 12 votos favoráveis, superando por apenas uma unidade a chapa de oposição. A composição vencedora conta com o Dr. Miguel Junior como 1º vice-presidente, Wender Madureira como 2º vice-presidente, além de Gisa Barros e Lucélia Oliveira ocupando a 1ª e a 2ª secretarias, respectivamente.

O resultado consagra a hegemonia de um grupo que defende a autonomia e a independência do Poder Legislativo frente a pressões externas.

Por outro lado, a Chapa 2, intitulada Juntos por Várzea Grande e encabeçada pelo vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL), demonstrou uma força política expressiva ao arregimentar 11 votos. O grupo de oposição, composto por nomes experientes como Jânio Calistro e Joaquim Antunes, baseou sua campanha em uma plataforma de renovação e questionamento dos métodos de condução da atual Mesa Diretora.

Mesmo com a derrota nas urnas, o expressivo apoio recebido sinaliza que a futura gestão de Wanderley Cerqueira enfrentará uma fiscalização rigorosa e um parlamento equilibrado, onde cada voto será decisivo para a aprovação de projetos governamentais.

A participação de todos os 23 vereadores convocados assegurou a legitimidade do quórum e a integridade do processo democrático indireto. Parlamentares como Alessandro Moreira, Sargento Galibert, Enfermeiro Emerson e Kleberton Feitoza foram pilares essenciais na sustentação da chapa vitoriosa. A presença integral do corpo legislativo no plenário, mesmo após a turbulência jurídica das horas precedentes, evidenciou o respeito à institucionalidade e ao rito processual exigido para decisões de tal magnitude, reforçando a imagem da Câmara de Várzea Grande como um ambiente de debate acalorado, porém ordenado.

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As razões para a acirrada disputa residem no controle estratégico do orçamento legislativo e na influência sobre a pauta de votações que impactam diretamente a administração municipal. A Mesa Diretora possui o poder de ditar o ritmo das reformas e das fiscalizações sobre o Poder Executivo, o que torna o cargo de presidente um dos postos mais cobiçados da política local.

O equilíbrio entre os grupos parlamentares, observado na contagem final de 12 contra 11, revela que as articulações de bastidores foram levadas ao limite, envolvendo negociações programáticas e alinhamentos ideológicos de última hora.

A segurança jurídica proporcionada pela decisão da desembargadora Vandymara Zancol foi o fator determinante para que o rito fosse concluído sem novas interrupções. Ao reformar a decisão da 2ª Vara Cível da comarca, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso evitou um vácuo de liderança e garantiu que a autonomia administrativa da Câmara Municipal fosse respeitada. A magistrada enfatizou que o Judiciário não deve interferir em questões internas do Legislativo (conhecidas como atos interna corporis) a menos que haja flagrante inconstitucionalidade, o que não foi comprovado de plano no mandado de segurança original.

Com o encerramento do pleito e a proclamação do resultado, o cronograma político de Várzea Grande segue agora para uma fase de transição administrativa interna. A chapa liderada por Wanderley Cerqueira assume o compromisso de conduzir os trabalhos legislativos com a responsabilidade que a margem estreita de votos exige.

A expectativa para o Biênio 2027/2028 é de um fortalecimento das comissões permanentes e de uma busca constante pelo consenso, visando atender às demandas de uma população que clama por transparência e eficiência em um dos maiores e mais importantes municípios do estado de Mato Grosso.

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Política

Corrida ao Senado centraliza a força política e ofusca disputa pelo Palácio Paiaguás

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A disputa pelas duas cadeiras no Senado Federal passou a mobilizar mais a cena política de Mato Grosso do que a própria corrida ao Governo do Estado. Em uma eleição com dinâmica atípica no cenário mato-grossense, os principais protagonistas e detentores de maior densidade eleitoral preferiram disputar o Congresso Nacional em vez de buscar o comando do Palácio Paiaguás.

As urnas em Mato Grosso receberão os votos para dez candidatos registrados que buscam as duas vagas ao Senado nas eleições de 2026. O processo faz parte da renovação de dois terços das 81 cadeiras do Senado, nas quais 54 vagas estão em disputa, sendo exatamente duas por unidade da Federação.

O eleitorado mato-grossense chega ao pleito com 2,64 milhões de eleitores aptos a votar. Essa soma representa 1,66% do total nacional e posiciona Mato Grosso como o 18º maior colégio eleitoral do país, configurando um eleitorado decisivo para os projetos políticos nacionais.

A disputa pelas duas vagas atrai nomes consolidados da política estadual, como o ex-governador Mauro Mendes (UB), a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o senador Carlos Fávaro (PSD), o deputado federal José Medeiros (PL) e o ex-governador Pedro Taques (PSB).

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A movimentação nos quadros majoritários inclui o ex-governador Mauro Mendes, que se desincompatibilizou do Governo do Estado para concorrer ao Senado, enquanto Carlos Fávaro atua na campanha para renovar o mandato parlamentar obtido em 2020.

O capital político demonstrado na liderança das pesquisas por Mauro Mendes evidencia que seu alcance ultrapassa o de Otaviano Pivetta, governador que o sucedeu na gestão estadual e que agora disputa a reeleição.

A consolidação de lideranças também se reflete em Janaina Riva, que ganhou projeção no eleitorado superior à do próprio sogro, Wellington Fagundes, candidato ao Governo do Estado de Mato Grosso. Fenômeno semelhante ocorre com o ex-ministro e senador Carlos Fávaro, detentor de um grupo com expressividade superior à de Natasha Slhessarenko, postulante do seu grupo ao Executivo Estadual.

Os dados apurados pelas pesquisas de intenção de voto confirmam a força da base conservadora e de seus aliados no estado. O cenário mostra que, ao lado da influência governista, nomes como Otaviano Pivetta (Republicanos), Wellington Fagundes (PL) e Mauro Mendes demonstram expressiva capacidade de mobilização, fortalecendo o bloco de direita na fase que antecede o primeiro turno, em 4 de outubro de 2026.

A projeção de um inédito segundo turno na eleição para o Governo de Mato Grosso amplia a relevância estratégica dos quadros legislativos. Os senadores e deputados eleitos na primeira votação do pleito exercerão papel central na construção de alianças e na sustentação dos palanques dos candidatos a governador que avançarem à etapa final da disputa.

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