ESTRATÉGIA E PODER
A consolidação da “Aliança PL/MDB” no comando do PRD em Mato Grosso
A reorganização das forças partidárias em Mato Grosso atinge um novo patamar de complexidade com a definição da liderança do Partido Renovação Democrática (PRD). O controle da sigla, que passará a liderar uma federação com o Solidariedade nas eleições deste ano, representa um movimento calculado para solidificar o arco de alianças entre o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e o Partido Liberal (PL). Este cenário de reestruturação partidária não apenas altera o tabuleiro eleitoral imediato, mas estabelece as bases para as disputas majoritárias no estado, evidenciando uma estratégia de médio prazo que visa à hegemonia nas urnas e ao fortalecimento de candidaturas específicas ao Legislativo e ao Senado Federal.
A deputada estadual Janaina Riva (MDB), figura central nesta articulação e pré-candidata ao Senado, detém o “PODER” de decisão sobre quem ocupará a presidência da legenda em solo mato-grossense. A parlamentar consolidou sua influência após um processo de destituição da antiga diretoria, anteriormente chefiada pelo secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho. Este movimento, coordenado em conjunto com o presidente estadual do Partido Liberal (PL), Ananias Filho, demonstra a capacidade de mobilização de Riva dentro do espectro político local, posicionando-a como uma das principais arquitetas das coligações que darão sustentação às chapas proporcionais e majoritárias no pleito que se aproxima.
A oficialização da nova Diretoria Estadual do PRD está agendada para ocorrer na próxima sexta-feira, dia 15 de maio. Este marco temporal encerra um hiato de 46 dias desde o início das manobras políticas que culminaram na troca de comando da sigla. A data foi estrategicamente escolhida para permitir que as negociações internas fossem exauridas e para garantir que a transição ocorra com o respaldo necessário das bases aliadas.
A reunião de sexta-feira servirá não apenas para o anúncio de um nome, mas para chancelar o início de uma nova fase administrativa e eleitoral para o partido, que agora se alinha integralmente aos interesses do grupo liderado por Janaina Riva e pelo PL.

Este processo de transição ocorre primordialmente na Capital, Cuiabá, mas estende seus efeitos por todo o território de Mato Grosso, onde a capilaridade dos partidos envolvidos é determinante. A centralização das decisões na capital reflete a dinâmica política estadual, onde as cúpulas partidárias definem os rumos das federações que impactarão os 141 municípios. A escolha da nova sede e o local do anúncio reforçam o caráter institucional da mudança, conferindo-lhe a formalidade necessária para que a nova diretoria assuma o controle pleno dos recursos do Fundo Partidário e do tempo de Propaganda Eleitoral Gratuita em Rádio e Televisão, ativos cruciais para qualquer campanha vitoriosa.
O método utilizado para essa transição, descrito nos bastidores como uma “tomada” estratégica, envolveu a destituição da diretoria anterior mediante articulações diretas com as instâncias nacionais das legendas. A substituição da gestão de Mauro Carvalho por um grupo alinhado a Riva e Ananias Filho foi o resultado de semanas de pressão política e negociações de bastidores que já vinham ocorrendo desde o ano passado.
Essa manobra é vista por analistas como uma demonstração de força, indicando que a aliança entre MDB e PL possui canais de influência que superam resistências internas e oposições dentro do próprio governo estadual, garantindo assim o controle de siglas satélites.
A principal razão para o domínio do PRD reside na necessidade de ampliar o tempo de exposição mediática e os recursos financeiros disponíveis para a futura chapa majoritária. Ao controlar o PRD e, por consequência, a federação com o Solidariedade, o grupo de Janaina Riva e do senador Wellington Fagundes (PL) assegura uma musculatura política robusta, dificultando o surgimento de candidaturas avulsas que possam fragmentar os votos da direita e do centro. Além disso, a manobra visa evitar episódios de dissidência, como o ocorrido com o Democracia Cristã (DC), onde o comando foi alterado após o antigo presidente se recusar a compor a suplência na chapa de Riva ao Senado.

O Solidariedade, sob a presidência estadual de Marco Aurélio, aguarda com expectativa a definição da Diretoria do PRD para iniciar as tratativas práticas de montagem das chapas. Segundo o dirigente, a prioridade da federação será a disputa por cadeiras na Câmara Federal, contando com o apoio explícito de Janaina e Ananias na indicação de nomes competitivos.
Marco Aurélio confirmou que o diálogo é fluido e que, embora o Solidariedade possua quadros próprios suficientes para preencher a chapa, a integração com o novo comando do PRD é fundamental para garantir a viabilidade eleitoral e a harmonia dentro do grupo, evitando choques de interesses durante a campanha.
Paralelamente, o PL, representado por Ananias Filho, foca agora na consolidação de outras siglas sob sua zona de influência, como o partido Novo. Ananias reiterou que, após a reunião decisiva desta sexta-feira, sua atenção se voltará para o fortalecimento das legendas que gravitam em torno do projeto político do Partido Liberal. Essa divisão de tarefas entre Janaina Riva, que conduz o PRD, e Ananias, que foca no PL e no Novo, evidencia uma organização setorial da aliança, permitindo que cada líder gerencie uma parcela do arco de apoio, maximizando a eficiência na captação de candidatos e na organização dos diretórios municipais.
As reações a esses movimentos têm sido de cautela e observação por parte de outros atores políticos, como Paulo Cézar, atual presidente estadual do Democracia Cristã. Embora o DC tenha passado por processo semelhante de mudança de comando para se alinhar ao grupo de Riva e Fagundes, a liderança atual mantém um discurso diplomático, afirmando que a definição formal de apoios e candidaturas ocorrerá em momento oportuno.
Essa postura indica que, apesar do controle exercido pela cúpula do MDB e PL, ainda há um processo de convencimento e acomodação de interesses locais que precisa ser gerido para que o arco de alianças se mantenha coeso até o dia da eleição.
Em última análise, o redesenho do comando do PRD em Mato Grosso é o reflexo de uma política pragmática, onde o Controle de Legendas e Fundos Eleitorais sobrepõe-se a afinidades ideológicas pontuais. A negação pública, tanto por parte da deputada quanto do senador, de que atuaram para dominar os partidos visando apenas recursos, faz parte da retórica institucional, mas os fatos apontam para uma concentração de poder deliberada.
O resultado dessa engenharia política será testado nas urnas, onde a eficácia de deter múltiplos partidos será confrontada com a vontade do eleitorado, determinando se a estratégia de Janaina Riva e seus aliados garantirá a vitória no Senado e na Câmara Federal.
Política
Paula Calil e o desafio da reeleição sob impasse regimental
A sucessão da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá entrou em uma fase de definições estratégicas e intensas articulações de bastidores. A atual presidente do Parlamento, Paula Calil (PL), oficializou recentemente seu interesse em buscar a reeleição para o comando da Casa de Leis, um movimento que altera significativamente a temperatura política na capital mato-grossense. O anúncio não apenas sinaliza uma tentativa de manutenção de poder por parte do grupo hegemônico, mas também estabelece o ponto de partida para uma complexa negociação que envolverá a base governista, a oposição e a necessária revisão das normas internas que regem o Legislativo municipal.
O foco central desta movimentação reside na figura de Paula Calil, parlamentar do Partido Liberal (PL) que atualmente conduz os trabalhos da Câmara. Sua decisão de colocar o nome à disposição para um novo mandato à frente do Legislativo cuiabano reflete um desejo de continuidade administrativa, mas carrega consigo o ônus de gerenciar as expectativas de uma base aliada que, no momento, apresenta sinais evidentes de fragmentação.
A trajetória de Calil na presidência tem sido marcada pela proximidade com as pautas do Executivo, o que torna sua permanência no cargo um objetivo estratégico tanto para seus apoiadores diretos quanto para a estabilidade dos projetos governamentais.
O embate político ocorre fundamentalmente dentro dos limites da Câmara de Vereadores de Cuiabá, estendendo-se às articulações externas que envolvem o Palácio Alencastro. Como epicentro das decisões políticas da capital, o Palácio Paschoal Moreira Cabral torna-se o palco onde as coalizões são testadas e as fidelidades, medidas. A relevância deste cenário transcende os muros do Legislativo, uma vez que a presidência da Câmara Municipal detém o controle da pauta de votações, influenciando diretamente o ritmo da gestão municipal e a viabilidade das promessas de campanha feitas pelo atual prefeito, que observa atentamente o desenrolar da disputa.

A oficialização do interesse de Calil ocorre em um momento de nítida divisão dentro da base de sustentação do prefeito cuiabano Abilio Brunini (PL). Embora a iniciativa de reeleição tenha sido inicialmente defendida e incentivada pelo chefe do Executivo Municipal, a proposta encontrou resistência interna e não gerou o consenso imediato esperado.
Parlamentares governistas dividem-se entre o apoio à continuidade do trabalho de Paula Calil e a defesa de uma alternância que contemple outros partidos da coalizão, criando um ambiente de “GUERRA” institucional onde cada declaração pública é calculada para evitar rupturas definitivas antes do pleito.
As motivações que sustentam a pré-candidatura de Paula Calil fundamentam-se, segundo a própria parlamentar, em um apelo de um grupo de vereadores satisfeitos com a condução atual do Parlamento. O argumento central é a necessidade de prosseguir com os projetos e reformas iniciados em sua gestão, garantindo a fluidez dos processos legislativos.
No entanto, nos bastidores, a motivação é essencialmente política: a manutenção de uma aliada de confiança no comando da Casa de Leis é vista como vital para proteger o prefeito de eventuais desgastes e assegurar que a oposição não assuma o controle da agenda prioritária do município.
A viabilização jurídica desta pretensão exige, obrigatoriamente, uma alteração no Regimento Interno da Câmara Municipal, o que representa o maior obstáculo técnico e político para a atual presidente. Como as normas vigentes restringem a recondução imediata para o mesmo cargo na Mesa Diretora dentro da mesma legislatura, Calil precisa reunir força política suficiente para aprovar uma emenda regimental.
Este procedimento não é meramente administrativo; ele exige uma demonstração de força que, até o presente momento, a parlamentar ainda busca consolidar junto aos seus pares, tornando a disputa uma corrida contra o tempo e contra a resistência normativa.
Para atingir seu objetivo, a presidente da Câmara de Cuiabá necessita conquistar o apoio de, no mínimo, 18 vereadores, quórum qualificado exigido para mudanças estruturais no regimento. Atualmente, os levantamentos internos indicam que Paula Calil não detém esse número de votos garantidos, o que a obriga a adotar uma postura cautelosa e centrada no diálogo.
A estratégia consiste em buscar um consenso que ultrapasse as barreiras partidárias, tentando convencer os indecisos de que sua permanência é o caminho de menor risco para a estabilidade do Legislativo cuiabano, embora a contagem de votos ainda se mostre desfavorável ao projeto de reeleição.

O cenário torna-se ainda mais desafiador com o surgimento de candidaturas alternativas dentro da própria base aliada, evidenciando que o caminho para o consenso é árduo. O líder do governo, Dilemário Alencar (UB), e o vereador Ilde Taques (Podemos) também manifestaram a intenção de disputar a presidência, apresentando-se como opções que dispensariam a polêmica alteração regimental. Essas candidaturas representam setores do Parlamento que desejam maior protagonismo e que veem na sucessão uma oportunidade para reequilibrar as forças políticas, oferecendo alternativas de gestão que podem atrair tanto governistas insatisfeitos quanto parlamentares independentes.
O cronograma para essa definição ainda é elástico, restando aproximadamente três meses para a realização da eleição oficial, período que Paula Calil considera fundamental para a evolução das conversas. A parlamentar pontuou que não existe uma definição concreta neste estágio e que a maturação do processo depende da capacidade de agregar a “ampla maioria”.
Essa cautela discursiva serve para diminuir a pressão sobre os aliados e permitir que as negociações ocorram sem o peso de um ultimato, enquanto os adversários utilizam esse mesmo tempo para consolidar suas próprias alianças e desgastar a tese da reeleição.
As consequências deste impasse político para Cuiabá são imediatas, refletindo-se na produtividade legislativa e na harmonia entre os poderes.
Se Paula Calil conseguir dobrar as resistências e alterar o regimento, sairá fortalecida como a principal liderança parlamentar da capital; caso contrário, o governo Brunini enfrentará o desafio de gerir uma Câmara presidida por um perfil que pode não ser tão alinhado quanto o desejado.
O desfecho desta disputa definirá o tom dos próximos anos da administração municipal, estabelecendo se o futuro será de colaboração irrestrita ou de vigilância rigorosa sobre os atos do Poder Executivo.
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