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Inchaço nas pernas: existem várias causas e o ultrassom ajuda a diferenciá-las
Autora: Adriana Costa* –
Ao final de um dia intenso de trabalho, depois de muitas horas sentado, em pé ou durante períodos de calor, é comum perceber as pernas mais pesadas ou inchadas. Embora muitas vezes esse sintoma seja passageiro, ele também pode ser um sinal de que algo no organismo merece atenção.
O inchaço nas pernas, conhecido na medicina como edema, não é uma doença, mas um sintoma que pode estar relacionado a diferentes condições de saúde. Entre as causas mais frequentes estão a insuficiência venosa, problemas no sistema linfático, processos inflamatórios, lesões musculares, uso de alguns medicamentos e doenças cardíacas, renais ou hepáticas.
Outra condição que vem ganhando cada vez mais atenção é o lipedema, uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura, principalmente nas pernas e, em alguns casos, nos braços. Além do aumento do volume dos membros, é comum que as pacientes apresentem dor ao toque, sensação de peso, facilidade para desenvolver hematomas e dificuldade para reduzir o volume das pernas mesmo com dieta e atividade física. Como muitos desses sintomas podem se confundir com outras doenças vasculares ou linfáticas, a avaliação médica e os exames de imagem são fundamentais para um diagnóstico preciso.
É justamente nesse contexto que a ultrassonografia desempenha um papel importante. Quando associada ao Doppler, ela permite avaliar em tempo real a circulação sanguínea das pernas, verificando se há obstruções, refluxo venoso ou alterações no fluxo das artérias e veias. Trata-se de um exame não invasivo, indolor e sem exposição à radiação.
Um dos diagnósticos que mais preocupa é a trombose venosa profunda, caracterizada pela formação de coágulos nas veias profundas das pernas. Essa condição exige diagnóstico rápido, pois pode evoluir para complicações graves, como a embolia pulmonar. O ultrassom com Doppler é o principal exame para confirmar ou descartar essa suspeita.
Além da trombose, a ultrassonografia auxilia na investigação da insuficiência venosa crônica, responsável por sintomas como peso nas pernas, dor, cansaço e varizes. O exame também pode identificar cistos, hematomas, lesões musculares e outras alterações que contribuem para o aumento do volume dos membros.
Vale destacar que nem todo inchaço representa uma emergência médica. No entanto, quando ele surge de forma súbita, acomete apenas uma das pernas ou vem acompanhado de dor intensa, vermelhidão, calor local ou falta de ar, a avaliação médica deve ser imediata.
O diagnóstico por imagem tem um papel cada vez mais importante porque permite diferenciar doenças que apresentam sintomas semelhantes, mas exigem tratamentos completamente distintos. O ultrassom não apenas ajuda a identificar alterações na circulação, como também auxilia na exclusão de outras causas, orientando a investigação clínica de maneira mais precisa.
O inchaço nas pernas não deve ser encarado como uma consequência natural da idade ou da rotina. Quando o sintoma é frequente, persistente ou interfere na qualidade de vida, procurar avaliação médica faz toda a diferença. Em muitos casos, um exame de ultrassonografia é o primeiro passo para esclarecer a causa do problema e iniciar o tratamento mais adequado.
*Dra. Adriana Costa é médica radiologista no IDAPI em Cuiabá-MT.
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O que o cinema ensina a uma geração moldada pelo clique?
Autora: Poliana Maluf* –
Existe uma transformação silenciosa na forma como as crianças se relacionam com o tempo. Acostumadas ao ritmo frenético das telas de bolso, onde qualquer fração de segundo de tédio é interrompida pelo deslizar de um dedo, a nova geração enfrenta uma crise invisível de atenção. Em um ecossistema digital projetado para a recompensa imediata e a fragmentação constante, a capacidade de sustentar o foco em uma única história tornou-se uma habilidade rara. É precisamente nesse cenário de aceleração que a sala de cinema deixa de ser apenas um espaço de entretenimento para se converter em um ato de resistência pedagógica e afetiva.
Diferente dos vídeos curtos que entregam estímulos prontos e superficiais a cada três segundos, o cinema exige o exercício da permanência. Ao sentar diante de uma grande tela, a criança é convidada a aceitar o tempo da narrativa: o silêncio que antecede o conflito, a pausa que constrói a atmosfera e o desenvolvimento gradual dos personagens. A escuridão da sala e a ausência de botões para pular cenas não funcionam como restrições, mas como uma moldura de proteção. Ali, o cérebro infantil descobre que o encanto não mora na velocidade da troca de imagens, mas na profundidade do enredo.
Essa desaceleração forçada produz efeitos profundos no repertório cognitivo e emocional dos pequenos. Ao sustentar a atenção durante noventa minutos, a criança aprende a lidar com a expectativa e a tolerar a ausência da recompensa instantânea. O cinema ensina que os melhores desfechos dependem da construção, que os conflitos exigem maturação e que a complexidade das relações humanas não cabe em recortes de quinze segundos. Trata-se de um treino direto de paciência narrativa, elemento fundamental para o desenvolvimento da empatia, do raciocínio crítico e da leitura de mundo.
Mais do que isso, essa imersão contínua abre espaço para o pensamento próprio. Quando o olhar não é atropelado por uma avalanche ininterrupta de estímulos, a mente da criança ganha brechas para questionar o que vê, fazer pontes com a sua vida e construir significados que pertencem só a ela.
Cultivar o hábito de levar as crianças ao cinema não é uma tentativa nostálgica de combater a tecnologia, mas um compromisso consciente com a saúde do olhar infantil. Ensinar uma criança a sustentar o tempo de um filme é devolver a ela o direito à contemplação, à imaginação profunda e à escuta atenta. Em um mundo que exige pressa, o cinema ensina a infância a desacelerar e a descobrir a beleza de permanecer até o final.
*Poliana Maluf é produtora audiovisual, estrategista criativa brasileira radicada em Los Angeles e autora de “Poppy e a Tela Gigante”, livro infantil que une sua experiência no universo cinematográfico à vontade de criar histórias que despertem a imaginação das crianças.
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